19/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 26

Personagens: Davi, Emanuel e João

Locação: Erem Amaury de Medeiros


(fundo musical: “Eu serei o amor” – refrão reduzido à velocidade 0,8 e com efeito de personagem feminino)

Em câmera lenta, a última cena mostra as ataduras de João sendo retiradas por Davi, que o faz com cautela (exceto a que está na cabeça do paciente).

LETREIRO: Seis meses depois...

DAVI: Eu tô de férias, agora eu tenho mais tempo pra cuidar de você. A médica disse que nada mudou, mas que você entende tudo. João... Eu tô muito feliz, mas tenho saudade de você.

Davi solta os braços de João e afasta-se do leito. O semblante do rapaz muda e ele passa a chorar diante do homem inconsciente. Ele pergunta usando as próprias mãos, como se o irmão pudesse vê-lo:

DAVI: Será que um dia você acorda?

Davi também está afastado da parede. Discretamente, Emanuel estende o seu braço direito e abraça o intérprete, que se mostra mais tranquilo após o ato.

DAVI: Sim. Esse dia vai chegar. (sorridentes, os dois olham para João) Que Deus te abençoe.

(fundo musical: “Um” – “assim eu sinto, assim que é/ se eu tirar meu Deus de mim, eu não existo/ sem Ele não há eu/ acima da compreensão/ Eu e Ele somos um, e eu insisto/ sem Ele não há eu/ sem Ele não há eu, não/ sem Ele não há”)

A câmera mostra Emanuel e Davi caminhando juntos, focando apenas nos pés de ambos. Depois que eles deixam o quarto, a filmadora chega cada vez mais perto do rosto de João, parando de aproximar-se quando o rapaz, com dificuldade, abre os olhos.


Créditos finais do episódio


(fundo musical: “Deserto” – “na sequidão/ surgiam oásis/ mas a sede da alma/ findava com a oração”)

dirigido e roteirizado por

THIAGO BARROS


colaboração de roteiro

CAUÃ ARAÚJO

CÉLIA BISPO


edição

INSHOT


músicas

“DISTANTE DO QUE SOU”

composição de EDUARDO FARO

interpretação de ROSA DE SARON


“SEM MEDO (AO VIVO)”

composição de SHERI CARR

interpretação de MINISTÉRIO VINEYARD E ANA PAULA VALADÃO


“EU SEREI O AMOR”

composição de EDUARDO CARDOSO, JORGE BONINI E LAURA SALVADOR

interpretação de COMUNIDADE CATÓLICA SHALOM


“DESERTO”

composição de ANDRÉ LEITE, DINARTE, ELOY CASAGRANDE E TIAGO MATTOS

interpretação de IAHWEH E PADRE FÁBIO DE MELO


“SEM O TEU AMOR”

composição de KLEBER LUCAS

interpretação de MELOSWEET


“EU TE LEVANTAREI”

composição e interpretação de FREI GILSON


“A DEUS”

composição de DUCA TAMBASCO, JEAN CARLOS E JUNINHO AFRAM

interpretação de OFICINA G3


“UM”

composição de FERNANDO ROCHAEL

interpretação de CORAL JOVEM UNASP E ADRIENE NACHTIGAL


Esta é uma obra independente de ficção, baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade.

Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mera coincidência.


© 2026 Praticando Libras


Valorize o maior presente que você tem.

Se precisar de ajuda, ligue para 188.

Não se esqueça: você não está sozinho.


18/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 25

Personagens: Emanuel e João

Locação: Forte das Cinco Pontas


(fundo musical: “Eu te levantarei” – introdução reduzida à velocidade 0,8 e com efeito metálico)

Emanuel está sobre um banco de madeira, olhando para cima. João entra em cena coçando a nuca, demonstrando inquietação, e põe-se ao lado do braço do banco, mas ainda de pé.

JOÃO: (olha para o vácuo) Não precisava ter feito o que eu fiz. Mas a minha dor era tão grande que eu só queria que ela acabasse... Agora eu sei que, mesmo sem eles me entenderem, iriam sofrer por minha culpa... (acredita que Emanuel está distraído ao olhar para ele) Você prestou atenção no que eu disse?

EMANUEL: (abaixa a cabeça para olhar para João) Em tudo que você disse (deixa as mãos paradas, para que o amigo perceba quem ele é).

JOÃO: (sai do lado do braço do banco e toca as mãos de Emanuel) Que marcas são essas?

(fundo musical: “A Deus” – “por amor a ti Eu me entreguei/ foi por amor, Meu sangue derramei/ Me humilharam, Me surraram, desprezaram/ Me pregaram numa cruz/ foi o preço pra poder te libertar/ uma nova história escrever/ Eu morri em teu lugar/ por amar tanto você” – em versão lenta e com eco)

EMANUEL: Todas as coisas que te proibiam de viver ao lado de Deus.

JOÃO: Isso quer dizer que você é...

EMANUEL: Caminho, verdade, vida... Igual ao que está no livro de João.

JOÃO: (sorri) Eu achei que tivesse tanta coisa pra te dizer. Tô te vendo agora, e não sei o que dizer.

EMANUEL: Acho que você quer saber uma coisa nesse momento.

JOÃO: Eu morri?

EMANUEL: Não. Mas precisa morrer.

JOÃO: Não entendi.

EMANUEL: Nunca prometi uma vida tranquila na Terra. O que não falta é aflição... Mas eu estou junto a você.

JOÃO: (olha para o lado) O que você viu em mim pra me amar tanto? (vira o rosto para Emanuel e olha para si próprio) Eu sou errado!

EMANUEL: Quando você voltar, muitas coisas estarão diferentes. Você também: terá aprendido a confiar. Nada é no seu tempo. Nem o de morrer.

JOÃO: Mas o meu corpo? Como ele vai ficar depois do que eu fiz?

EMANUEL: (toca duas vezes a testa de João com o dedo indicador) Toma conta dele. É o lugar onde eu moro.

João olha para Emanuel por alguns segundos, sente que os olhos estão ficando marejados e aproveita a oportunidade para abraçá-lo. A tela fica branca por cinco segundos, marcando a transição entre uma sequência e outra.


17/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 24

Personagens: Davi e Íris

Locação: Casa da Cultura


(fundo musical: “Sem o Teu amor” – “no Teu esconderijo, Senhor/ eu abro meu coração e sou o que sou, sem medo/ no Teu esconderijo, Senhor/ eu tenho libertação e conto o meu maior segredo”)

Há uma transição entre a cena ambientada na penitenciária e a nova visita à Casa da Cultura, mostrando pessoas circulando pelo espaço cultural em câmera lenta. As imagens são encerradas quando Davi é visto num dos bancos do pátio, olhando para o céu. Com serenidade, Íris fica junto do intérprete.

ÍRIS: Como você está?

DAVI: Igual...

ÍRIS: Não. Tá diferente. O que é?

DAVI: Minha vida tá mudando.

ÍRIS: Tomara que seja pra melhor.

DAVI: Posso fazer uma pergunta?

ÍRIS: Claro.

DAVI: Como você descobriu a sua vocação?

ÍRIS: Eu me transformei em psicóloga depois que meu pai morreu. 

DAVI: Desculpe, o assunto deve ser difícil pra você...

ÍRIS: Não precisa se desculpar. Eu pesquisei, estudei... Meu sonho é que as pessoas não tivessem uma perda igual à minha.

DAVI: Se eu tivesse dito isso ao João... Seria outra história.

Por alguns segundos, Íris para de sinalizar com Davi; contudo, volta ao ter uma ideia. 

ÍRIS: Mas você pode mudar a história de alguém.

DAVI: De que jeito?

ÍRIS: (tira o celular do bolso e procura uma mensagem específica) Leia.

(obs.: nenhum ator aparece sinalizando, a interação entre Davi e o emissor da mensagem ocorre pela linguagem escrita)

EMISSOR: Hoje eu tive vontade de novo. Corri pro banheiro e peguei a lâmina, quase cortei meus pulsos. Odeio essa certeza de ninguém gostar de mim, de não fazer falta se eu desaparecer. Eu só queria que essa dor acabasse de uma vez...

DAVI: E agora?

ÍRIS: Agora você responde.

DAVI: Mas é você que trabalha com...

ÍRIS: Responde.

(fundo musical: “Eu serei o amor” – “ó Jesus, meu amor/ encontrei, afinal, minha vocação/ ó Jesus, meu amor/ eu serei o amor e, desse modo, serei tudo...”)

Receoso, Davi começa a teclar.

DAVI: O primeiro passo você já deu. Quantos estão como você, sem admitir que precisam de ajuda? O maior presente que você tem é a sua vida. Não desista: você não está sozinho.

Íris observa Davi com satisfação. O intérprete suspira após enviar a mensagem, olhando para a moça, demonstrando entender o quanto pode ajudar quem tem o mesmo problema vivido por João.


16/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 23

Personagens: Susana, Tânia e Valquíria

Locação: Erem Amaury de Medeiros


Na penitenciária, Susana espera pela visita olhando para baixo. Tânia conduz Valquíria até onde a irmã está, e orienta-lhe antes que ela sente diante da criminosa.

TÂNIA: A visita não pode demorar. Eu vou ficar na porta.

VALQUÍRIA: É rápido, eu prometo.

Tânia permite que Valquíria aproxime-se de Susana.

SUSANA: Você chamou um advogado?

VALQUÍRIA: Não. Só queria perguntar pra você... Por quê?

SUSANA: Me perdoa, eu não sabia o que tava fazendo. Eu tô doente, irmã...

VALQUÍRIA: Doente está o João. Por culpa sua.

SUSANA: Ele não pode ser mais importante do que eu. Eu sou a sua família!

VALQUÍRIA: Você se esqueceu disso quando quis matar a Bianca!

SUSANA: Como é que ela está?

Impaciente com a pergunta, Tânia revira os olhos diante do cinismo da presidiária.

VALQUÍRIA: (ri) A gente não acredita mais em você! Então para de fingir que tá preocupada!

SUSANA: Por favor, me tira daqui! Eu prometo que eu vou me curar!

VALQUÍRIA: Gente como você não tem jeito. Por isso eu vou fazer tudo pra você não sair daqui.

Valquíria vai embora e deixa Tânia sozinha com a criminosa. A policial encara Susana de perto.

SUSANA: (com cara de aflição) Conversa com a minha irmã. Ela vai conseguir me tirar daqui.

TÂNIA: Já me acostumei com mulheres parecidas contigo... Psicopatas. Daqui você não sai tão cedo.

Quando Tânia deixa a irmã de Bianca e Valquíria sozinha, a antagonista para de fingir e volta a expressar a frieza com que estava antes da visita da empresária.


15/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 22

Personagens: Davi e Renan

Locação: Erem Amaury de Medeiros


(fundo musical: “Eu serei o amor” – “com meu amor quero Te alegrar/ Tu bem sabes, só a Ti quero agradar/ realiza, ó Jesus, o meu mais ardente desejo/ que é Te amar acima de tudo e de todos”)

A fachada da igreja é vista pela última vez durante a trama. Em seguida, Renan carrega os papéis relacionados ao seminário, para depois sentar-se diante de Davi.

DAVI: O que é isso?

RENAN: Os documentos do seminário. Quase todos assinaram... (entrega ao rapaz uma caneta) Só falta você.

DAVI: (hesita em assinar, para depois afastar o papel de si) Não posso.

RENAN: A justificativa é o seu irmão?

DAVI: Não.

RENAN: Mas a responsável foi presa. Você impediu que ela prejudicasse a irmã.

DAVI: Fiz pra me vingar... E o pior é que eu gostei.

RENAN: (fecha os olhos por alguns segundos) E você quer cuidar de pessoas assim?

DAVI: À vida toda eu sonhei em ser padre. Agora eu não tenho direção. O que eu faço? 

RENAN: Por que você acha que a sua vocação está na igreja?

DAVI: Foi assim que eu aprendi.

RENAN: Os seus alunos não acham isso, por exemplo.

DAVI: O que o senhor quer me dizer?

RENAN: Estar na igreja é importante, mas nós precisamos de uma preocupação maior.

DAVI: Qual?

RENAN: Sermos a igreja.

(fundo musical: “Deserto” – parte instrumental acelerada à velocidade 1,2 e com efeito de personagem feminino)

Renan abraça Davi para tentar acalmá-lo, mas o que se vê é o intérprete olhando para cima, buscando compreender o que o padre acaba de dizer.


14/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 21

Personagens: Davi, Bianca, Susana, Tânia e Valquíria

Locação: casa


(fundo musical: “Sem medo” – parte instrumental reduzida à velocidade 0,4 e com efeito de personagem infantil)

A imagem inicial está fora de foco, em câmera lenta. Tânia sai da casa conduzindo Susana até a viatura, colocando o corpo da antagonista à sua frente. Abraçadas, Bianca e Valquíria seguem a policial, completamente transtornadas com a detenção da irmã.

Como a delegada havia deixado o portão aberto, Susana caminha pela calçada. Tanto a vilã quando a policial param de andar quando Davi se põe diante das duas, com o olhar irônico, aparentando certa ingenuidade.

DAVI: Desculpe. Não sei guardar segredo.

Susana tenta avançar contra o seminarista, mas é contida por Tânia. O olhar de Davi passa a ser de desprezo para com a criminosa. Ele, então, entra na casa e abraça Bianca e Valquíria. A terceira irmã, agora presa, observa os três juntos por alguns segundos antes de ser posta na viatura. 

Enquanto as mulheres choram, a sirene da viatura é ouvida pelos espectadores.


13/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 20

 Personagens: Bianca, Susana, Tânia e Valquíria

Locação: casa


Bianca levanta o rosto e olha para Susana, deixando de se movimentar em seguida. Valquíria, em choque com o que foi dito pela antagonista, solta os braços da mulher ansiosa. Ela aproxima-se da psicopata, que não desconfia de qual será a reação da empresária: uma bofetada em seu rosto, o que leva sua mão ao lado da face que foi atingido. 

VALQUÍRIA: Eu vi você jogando os remédios no lixo, você trocou!

Neste momento, a fachada da casa é mostrada, podendo se ouvir uma sirene de viatura policial. 

BIANCA: Você queria que eu ficasse nervosa pra Valquíria desistir. Queria o meu lugar!

SUSANA: Vocês estavam mentindo pra mim? Por quê?

BIANCA: Se você fez isso comigo, o que não deve ter feito com o João?

VALQUÍRIA: O que vai fazer agora? Matar a gente e depois fugir?

SUSANA: (finge arrependimento com o olhar) Fugir, não. Primeiro: eu mato você... Segundo: atiro nela. (a fala deixa Bianca atordoada) Depois eu chamo a polícia, digo que ela enlouqueceu... E te matou antes de atirar nela mesma. (anda para trás até quase encostar num gaveteiro)

Tânia caminha pela calçada lentamente, olhando para todas as direções até ingressar no terraço da casa.

VALQUÍRIA: O João está à beira da morte por culpa sua!

BIANCA: Calma, Valquíria! Ele vai acabar acordando...

SUSANA: Seria engraçado: ele vivo... E vocês não.

Rapidamente, Susana vira até a última gaveta e retira de lá um revólver, empunhando-o com precisão. O cano da arma está apontado para Valquíria, aparentemente sem reação diante da criminosa.

(fundo musical: “Distante do que sou” – versão instrumental na velocidade 5, com efeito metálico)

Mas a empresária corre e trava uma luta corporal para tirá-lo das mãos da psicopata. As duas agarram-no e acabam disparando contra a lâmpada da sala, deixando o recinto à meia-luz. Bianca fica apavorada e encosta-se à parede, abaixando-se.

A delegada está ainda no terraço da casa, mas à porta da sala de estar. Ela olha a movimentação e, escondida, tira o seu revólver da saia e o empunha para o alto. Por fim, Tânia entra para conter a briga e prender Susana. A câmera não acompanha o ingresso da policial na sala – a filmadora permanece no terraço e afasta-se da entrada da sala, voltando ao ponto preciso pelo qual Tânia entrou. Esse recuo dura dez segundos, e somente cessa quando o espectador ouve outro tiro.

(fundo musical: “Como se fosse a última vez” – “quando o dia chegar eu voltarei pra casa do meu Pai, feliz”)


Créditos finais do episódio


(fundo musical: “Deserto” – “na aflição/ imerso em nuvens negras/ o suor virou sangue/ o manso teve a visão”)

dirigido e roteirizado por

THIAGO BARROS


colaboração de roteiro

CAUÃ ARAÚJO

CÉLIA BISPO


edição

INSHOT


músicas

“DISTANTE DO QUE SOU”

composição de EDUARDO FARO

interpretação de ROSA DE SARON


“CUIDO DOS DETALHES”

composição de LÍLIAN MARINHO

interpretação de ANDRÉ & FELIPE E ISADORA POMPEO


“O AGORA E O FUTURO”

composição de EDIMAR CESAR DE ARAÚJO FILHO

interpretação de ARIANNE


“A DEUS”

composição de DUCA TAMBASCO, JEAN CARLOS E JUNINHO AFRAM

interpretação de OFICINA G3


“ALÉM DAS APARÊNCIAS”

composição de BENO CÉSAR E SOLANGE DE CÉSAR

interpretação de J. NETO


“COMO SE FOSSE A ÚLTIMA VEZ”

composição de ROGÉRIO SILVA E THAMIRIS GARCIA

interpretação de MINISTÉRIO ZOE


“DESERTO”

composição de ANDRÉ LEITE, DINARTE, ELOY CASAGRANDE E TIAGO MATTOS

interpretação de IAHWEH E PADRE FÁBIO DE MELO


Esta é uma obra independente de ficção, baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade.

Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mera coincidência.


© 2026 Praticando Libras


Valorize o maior presente que você tem.

Se precisar de ajuda, ligue para 188.

Não se esqueça: você não está sozinho.


12/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 19

Personagens: Bianca, Susana e Valquíria

Locação: casa


(fundo musical: “Além das aparências” – refrão instrumental acelerada à velocidade 1,5 e com efeito de personagem masculino)

Pessoas transitam numa praça, enquanto a tela marca uma passagem de tempo.

LETREIRO: Algumas semanas depois...

Na sala de estar das três irmãs, Susana lê um livro. Valquíria está no sofá, observando a antagonista. 

VALQUÍRIA: O livro é bom?

SUSANA: Muito. Depois eu te empresto.

Com a porta aberta, as irmãs veem Bianca andando de um lado para o outro no terraço. Susana faz com o olhar um sinal para que Valquíria perceba que a irmã caçula não está bem. A empresária sai do sofá, vai até Bianca e a traz para a sala.

VALQUÍRIA: Bianca, o que foi? (coloca as mãos sobre os ombros de Bianca)

BIANCA: (desvencilha-se com violência) Não me toca!

SUSANA: (coloca o livro sobre a cadeira na qual está sentada) O que você tá sentindo?

BIANCA: (sorri para as irmãs) Felicidade! Muita felicidade! O dia chegou!

VALQUÍRIA: Dia? Dia de quê?

BIANCA: (aproxima-se de Susana e pega o livro, folheando rápida e bruscamente as páginas da obra para depois jogá-lo sobre o sofá) Não gostei.

VALQUÍRIA: Bianca, você tomou seu remédio?

BIANCA: Por quê? (fica séria) Você acha que eu fiquei louca?

Valquíria e Susana se olham, constrangidas com a pergunta.

VALQUÍRIA: Eu vou ligar pro psiquiatra... (pega o celular que está no sofá, mas Bianca o toma da sua mão e guarda o dispositivo no bolso)

BIANCA: Você não vai falar com ninguém!

VALQUÍRIA: Minha irmã...

BIANCA: (começa a pular no mesmo ponto enquanto fala) Eu não quero médico! Não chama! (Valquíria coloca-se atrás da irmã e agarra-lhe pelo tronco) Me solta! Me solta! (continua pulando de forma veloz enquanto o rosto parece se preparar para chorar)

VALQUÍRIA: (faz o sinal repetidas vezes passando a sua mão direita no pescoço de Bianca) Calma! Calma! Calma! Calma...

Valquíria mantém Bianca sob seu domínio usando o braço esquerdo e esta, após alguns segundos, abaixa a cabeça, aparentando tranquilizar-se, pulando com maior espaço de tempo. A empresária, atordoada, olha para Susana. 

SUSANA: Você viu? A Bianca tá fora de si! Ela não pode cuidar da empresa!


11/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 18

Personagens: Susana e Valquíria

Locação: casa


Valquíria está deitada em seu sofá, sendo surpreendida por Susana, que entra caminhando vagarosamente e com expressão de desconforto.

VALQUÍRIA: O que você está sentindo?

SUSANA: Dor de cabeça. Procurei um comprimido e não achei. Será que está no seu quarto?

VALQUÍRIA: Sim, eu vou buscar. Senta aqui (segura Susana pelo braço e a põe sobre o sofá).

Aproveitando a ausência da empresária, a antagonista abre uma das gavetas e encontra um frasco com as medicações controladas usadas por Bianca. Ela abre o objeto, que contém comprimidos cor-de-rosa, e os joga numa lixeira. Na sequência, retira do bolso traseiro da calça um envelope com comprimidos parecidos, enchendo o frasco com falsos medicamentos.

(fundo musical: “A Deus ” – parte instrumental acelerada à velocidade 2,0 e com efeito de personagem feminino)

O que Susana não vê é que Valquíria observa-lhe pela fresta da porta e vê a troca de medicações. A ex-namorada de João encosta na parede e fecha os olhos, decepcionada e quase aos prantos. Rapidamente ela retira o celular do bolso e digita para alguém.

VALQUÍRIA: Vamos continuar com o plano. O resto a Bianca vai fazer.

Susana devolve o frasco para a gaveta, com ar de satisfação, ainda sem perceber a proximidade de Valquíria.


10/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 17

Personagens: Emanuel, João e Susana

Locações: Forte das Cinco Pontas e São Miguel Center


(fundo musical: “A Deus” – “em passos largos mudo minha direção/ será mesmo o tempo de voltar?/ procuro uma saída, uma solução/ mais fácil é dizer ‘adeus'...”)

Na escadaria do forte está Emanuel sentado, passando o dedo indicador sobre o asfalto, como se estivesse escrevendo alguma coisa. João vem atrás, reparando a concentração do companheiro e estranhando a atitude.

JOÃO: O que é isso?

EMANUEL: Não é necessário saber de tudo.

JOÃO: Mas eu te contei tudo.

EMANUEL: Será?

João também senta na escadaria do forte.

JOÃO: O que mais você quer saber?

EMANUEL: Eu sei de tudo. Mas gosto quando você confia em mim.

O rapaz se mostra pensativo. Ele, então, recorda-se do acontecimento que serviu de “gatilho” para a sua tentativa de suicídio: o encontro com Susana.


Este aconteceu quando ambos estavam no mesmo shopping em que Davi e Valquíria conversaram recentemente, mas situados num banco localizado na praça de alimentação.

SUSANA: Você acha que é o amor da vida da minha irmã? Ela teve muitos antes de você!

JOÃO: Isso não me interessa! É comigo que ela tá agora!

SUSANA: Por quanto tempo? Até ela conseguir outro?

JOÃO: Não dá pra entender você. Você tá contra ela?

SUSANA: A favor da felicidade dela. Se eu não a conhecesse, não viria aqui.

JOÃO: O que você quer me dizer?

SUSANA: Será que você tá pronto pra viver o preconceito?

JOÃO: Se você tá falando da nossa diferença de idade...

SUSANA: É mais fácil pra você, que é homem. Nunca pra uma mulher. 

JOÃO: Um risco que ela tá disposta a correr.

SUSANA: As relações da minha irmã nunca foram pra frente. Pensa: por que uma mulher de sucesso não tem ninguém ao lado?

JOÃO: Antes ela não me conhecia.

SUSANA: Vou te responder: porque ela não quer enfrentar o preconceito. Os homens namoram jovens e ninguém reclama. Diferente do que acontece com nós mulheres.

JOÃO: Desiste. Você não vai me convencer. Eu não vou terminar com ela. E ela vai saber da nossa conversa.

SUSANA: (põe as mãos sobre os olhos, demonstrando procurar qualquer argumento) Me fala a verdade: quem sabe desse namoro?

JOÃO: (por alguns segundos, para de rebater Susana) Os nossos irmãos e você...

SUSANA: Exatamente. E vocês? Juntos há um ano. O que significa isso?

Susana sai do banco e decide ir embora. Dá alguns passos, reduz a velocidade e volta a ficar perto de João, visivelmente abalado.

SUSANA: Se quiser dizer o que conversamos, tudo bem. Mas você vai descobrir que essa relação não tem futuro.

Por fim, a irmã de Valquíria deixa o rapaz sozinho. A partir de então, ele passa a cogitar o término com a empresária.


09/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 16

Personagens: Bianca, Susana e Valquíria

Locação: Avenida Rio Branco


(fundo musical: “O agora e o futuro” – “Ele é o dono do destino/ sabe onde eu devo chegar/ é meu escudo, Nele eu sei que posso descansar/ Ele é Deus”)

A câmera mostra do céu ao topo de um prédio, este com uma árvore em seu interior. As três irmãs estão na avenida, com Valquíria sentada de frente pra Susana e Bianca. A primeira está temporariamente tranquila, passando a mão sobre os cabelos.

BIANCA: Já estamos aqui.

VALQUÍRIA: Eu precisava conversar com vocês.

BIANCA: Você tá preocupada com alguma coisa?

VALQUÍRIA: Com a empresa.

SUSANA: Tomara que você tenha desistido de ficar longe do trabalho.

VALQUÍRIA: Não vou me arrepender disso. O João precisa muito de mim.

SUSANA: Então qual é o motivo da reunião?

VALQUÍRIA: A Bianca vai me substituir no trabalho.

Susana fica assustada, tal qual Bianca.

BIANCA: Eu?

VALQUÍRIA: Você só precisa assinar os documentos. Amanhã.

SUSANA: (vira-se para Bianca) Fica calma, isso é temporário...

VALQUÍRIA: Não é. Tenho pensado muito.

BIANCA: Pensado em quê?

VALQUÍRIA: Em passar o controle de tudo pra você.

BIANCA: Infelizmente, eu não vou poder.

SUSANA: Não pode?

BIANCA: Claro que não. Você conhece os meus problemas. E eu não tenho muita experiência.

VALQUÍRIA: Mais uma razão. A Susana pode te ensinar, ela trabalha lá há vinte anos.

SUSANA: Se é o que ela quer, eu te ajudo. Com o maior prazer.

Bianca olha para Valquíria sem saber o que dizer. Susana a levanta do banco e abraça-lhe, como forma de parabenizar a irmã.


08/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 15

Personagens: Davi e Valquíria

Locação: São Miguel Center


(fundo musical: “Cuido dos detalhes” – parte instrumental  reduzida à velocidade 0,8 e com efeito de personagem encapuzado)

Vê-se as pessoas entrando e saindo do shopping enquanto a música toca. O fonograma entra em fade out quando Valquíria e Davi estão frente a frente, diante de uma mesa da praça de alimentação do local. A irmã de Bianca e Susana está incrédula.

VALQUÍRIA: Isso que você tá falando não é verdade!

DAVI: A sua irmã é perigosa! É um milagre que vocês continuem vivas...

VALQUÍRIA: Não vou deixar que você minta! A preocupação dela é me proteger!

DAVI: Presta atenção: eu não sei o que ela disse pro João. Mas ela deixou claro que pode fazer pior com vocês.

VALQUÍRIA: Você tá nervoso, preocupado; não entendeu o que ela te falou...

DAVI: A razão de ela ter contado é por achar que eu não falaria nada...

VALQUÍRIA: (balança a cabeça olhando para baixo) Não...

DAVI: Por isso que ela vai continuar...

VALQUÍRIA: (irrita-se) Para! Eu não tenho uma bandida dentro da minha casa! E eu não vou continuar aqui com você!

Valquíria decide sair da mesa, e ao passar pelo lado de Davi é segurada pelo braço. O seminarista também levanta, soltando o braço da empresária.

DAVI: Quer descobrir se eu sou sincero?

VALQUÍRIA: Não é necessário, eu sei que não é!

DAVI: Esquece que o dia de hoje existiu.

VALQUÍRIA: Fica tranquilo, que é o que eu vou fazer...

DAVI: Mas diz que vai cuidar do meu irmão.

VALQUÍRIA: Eu não menti quando disse que cuidaria.

DAVI: Só fala que vai cuidar. Depois você vai fazer o que é certo.

Valquíria afasta-se de Davi e vai embora da praça de alimentação a contragosto, enquanto ele volta para a cadeira.


07/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 14

 Personagens: Davi e Susana

Locação: Erem Amaury de Medeiros


Parte 1 (para ser exibida no episódio 2)

(fundo musical: “Eu serei o amor” – “é Teu amor, Jesus, o que eu peço/ é Teu amor que há de me transformar/ sim, poderei Te amar como se ama/ e Te bendizer como se faz no céu”)

Davi, já com a batina, sente uma rápida felicidade. Ele pega o celular, aciona a câmera frontal e começa a se ver; depois, toma um pequeno susto quando vê Susana dentro do local.

SUSANA: Desculpe entrar. É que precisava falar com você.

DAVI: Tudo bem... A gente não se fala desde a formatura.

SUSANA: Faz tempo. Nossa vida mudou... Quer dizer, a sua. Realizou o sonho de ser padre...

DAVI: (olha para a roupa no corpo mais uma vez e dá um sorriso desconcertado) Eu posso explicar...

SUSANA: O assunto não é você, é o seu irmão.

DAVI: Você quer saber como ele está?

SUSANA: Já sei: quase morrendo. (a frieza de Susana causa estranheza em Davi) A culpa foi minha.

(fundo musical: “Como se fosse a última vez” – “quando o dia chegar eu voltarei pra casa do meu Pai, feliz”)

A câmera aproxima-se do rosto do seminarista, focando em sua expressão abismada.


Créditos finais do episódio


(fundo musical: “Deserto” – “onde a canção/ que toca é o silêncio/ a alma segura/ nas mãos da solidão”)

dirigido e roteirizado por

THIAGO BARROS


colaboração de roteiro

CAUÃ ARAÚJO

CÉLIA BISPO


edição

INSHOT


músicas

“DISTANTE DO QUE SOU”

composição de EDUARDO FARO

interpretação de ROSA DE SARON


“SEM MEDO (AO VIVO)”

composição de SHERI CARR

interpretação de MINISTÉRIO VINEYARD E ANA PAULA VALADÃO


“ALÉM DAS APARÊNCIAS”

composição de BENO CÉSAR E SOLANGE DE CÉSAR

interpretação de J. NETO


“A DOÇURA DO TEU FALAR”

composição de LUDMILA FERBER

interpretação de LUDMILA FERBER E ANA PAULA VALADÃO


“O AGORA E O FUTURO”

composição de EDIMAR CESAR DE ARAÚJO FILHO

interpretação de ARIANNE


“CHUVAS DE VERÃO”

composição de FERNANDO LOBO

interpretação de MARÍLIA GABRIELA E CÉSAR CAMARGO MARIANO


“UM”

composição de FERNANDO ROCHAEL

interpretação de CORAL JOVEM UNASP E ADRIENE NACHTIGAL


“EU SEREI O AMOR”

composição de EDUARDO CARDOSO, JORGE BONINI E LAURA SALVADOR

interpretação de COMUNIDADE CATÓLICA SHALOM


“COMO SE FOSSE A ÚLTIMA VEZ”

composição de ROGÉRIO SILVA E THAMIRIS GARCIA

interpretação de MINISTÉRIO ZOE


“DESERTO”

composição de ANDRÉ LEITE, DINARTE, ELOY CASAGRANDE E TIAGO MATTOS

interpretação de IAHWEH E PADRE FÁBIO DE MELO


Esta é uma obra independente de ficção, baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade.

Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mera coincidência.


© 2026 Praticando Libras


Valorize o maior presente que você tem.

Se precisar de ajuda, ligue para 188.

Não se esqueça: você não está sozinho.


Episódio 3


(abertura)


Parte 2 (para ser exibida no episódio 3)


DAVI: Como? Sua?

SUSANA: Calma, eu não empurrei ninguém.

DAVI: João tem depressão, ele pulou...

SUSANA: (completa a frase com olhar impaciente) Do prédio. Se teu irmão é doente, não me importa. Mas eu o procurei pra conversarmos. 

DAVI: Sobre a Valquíria? 

SUSANA: Sim. O romance não iria pra frente... Minha irmã poderia gostar de qualquer homem mais jovem.

DAVI: O que foi que você fez?

SUSANA: O fiz acordar pra vida! E ele terminou o namoro. 

DAVI: Quer dizer que...


Davi recorda o dia no qual conheceu Íris e a indagou sobre o problema vivido por seu irmão.

DAVI: Por que ele escondeu isso de mim? E da Valquíria?

ÍRIS: Porque ele não queria ver o sofrimento de vocês. Se calou por amor.


DAVI: Você deixou o meu irmão pior do que ele tava.

SUSANA: Posso fazer pior. Valquíria quer desistir de tudo pra tomar conta dele.

DAVI: “Tudo” o quê? O trabalho? Ou a boa vida que ela te dá?

SUSANA: O primeiro foi o seu irmão... Depois pode ser a minha outra irmã (sorri para Davi).

DAVI: Por que você resolveu me contar a verdade?

SUSANA: Porque a Valquíria confia em você. Se você pedir, ela desiste de cuidar do João. A responsabilidade é sua.

DAVI: Me dá uma razão pra fazer o que você quer.

SUSANA: Você não vai querer se culpar por uma morte, não é? (vai embora, mas retorna pra completar) Ah, eu ia esquecendo: isso é segredo de confissão. (olha para baixo e vê Davi fechar os punhos, com raiva) Se controla, você quer ir pro céu...

Quando a antagonista vai embora, Davi olha fixamente para a porta. Os punhos continuam fechados, e os olhos marejam até que o seminarista expira profundamente.


06/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 13

Personagens: Davi e Renan

Locação: Erem Amaury de Medeiros


(fundo musical: “Um” – “tire os números da Matemática/ tire as palavras da Gramática/ não há lógica/ não há como, não/ tire a inocência de um bebê/ tire você mesmo de você/ não há lógica/ não há como, não”)

Vê-se muitas pessoas caminhando em frente à igreja numa tarde de alta temperatura. Transiciona-se para a sacristia do local, onde Renan está atento a tudo que Davi conversa com ele.

RENAN: Ele não acordou ainda?

DAVI: Não. Nem sequer se mexe.

RENAN: Mas você acredita que seu irmão vai despertar? (percebe que Davi fica receoso em responder) Acreditar é o que mantém a gente de pé.

DAVI: Obrigado, Padre. Eu não posso desistir do João. Mas não sei como ajudar.

RENAN: A primeira coisa é se colocar no lugar dele. Você não percebeu quando o problema começou, mas agora você tem de enfrentar pra ajudar o João. 

DAVI: Na semana passada, eu encontrei uma senhora que sempre vem à missa. Ela disse que João não tem Deus, por isso agiu assim.

RENAN: Lucy?

DAVI: Exatamente. Como você sabe?

RENAN: Ela disse o mesmo pra outras mulheres que estavam aqui ontem. Contou que você a repreendeu... (aproxima-se do rosto de Davi) Eu fiz igual.

DAVI: (ri) Sério? 

RENAN: Os que têm a presença de Deus sofrem com aqueles que estão sofrendo. O importante é saber que nunca estamos sozinhos.

DAVI: Talvez eu tenha sido a pessoa intolerante que o João conheceu.

RENAN: Não. Ele deve ter pensado que a Valquíria sofreria mais que você. Por isso se abriu com ela.

DAVI: Você não está de batina hoje?

RENAN: É, eu deixei ali. (Davi vê as vestimentas dobradas) Depois do café, eu fui organizar os documentos daqueles que vão ao seminário... Um dia, você vai usar essa roupa.

DAVI: O dia está longe. Principalmente agora, que o João precisa de mim.

RENAN: Davi... Você quer mesmo ser padre?

DAVI: Quero... Quero, sim, essa é a minha missão. Eu só vou adiar até meu irmão se recuperar.

RENAN: Será que o sonho vai continuar depois que o João voltar pra casa?

DAVI: Tem dúvida?

RENAN: Eu já conheci muitos jovens iguais a você. Até com menos idade... A sua vocação pode ser outra. 

DAVI: Arrependido?

RENAN: Não, eu sou muito feliz. Mas somos duas pessoas diferentes, Davi. O propósito, de chegar a Deus, é o mesmo. Mas o processo... (levanta-se) Sabia que eu guardo as fotos da crisma que fizemos?

DAVI: Ah, eu queria ver. Onde estão?

RENAN: No depósito, eu vou buscar. (sai da sacristia)

Quando Renan sai, Davi olha mais uma vez para a batina. Ele, imaginando que o padre vai demorar a achar as fotos, decide aproveitar a ocasião para experimentar a roupa do amigo.


05/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 12

Personagens: Bianca e Susana

Locação: Praça do Marco Zero


(fundo musical: “Cuido dos detalhes” – “deixa comigo tuas ansiedades/ Eu vou saber cuidar (saber cuidar)/ Eu não deixo nada na metade/ tudo vou completar/ mas do teu amanhã Eu cuido/ descansa, sossega”)

A cena tem início com um pôr do sol na Rua São Miguel, e lentamente as imagens são alteradas para a visão de Bianca, mexendo o indicador da mão direita involuntariamente. Susana está de frente a ela, mexendo no celular, e repara em seu comportamento.

SUSANA: Já tomou seu ansiolítico?

BIANCA: Sim. Bebi de manhã.

SUSANA: Então o que está te deixando tão nervosa?

BIANCA: A nossa irmã. E o João também.

SUSANA: Disseram que o caso dele não tem mais jeito...

BIANCA: Ela sabe disso, mas não se conforma. Tanto que ela tomou uma decisão.

SUSANA: Que decisão?

BIANCA: Valquíria vai se afastar da empresa.

SUSANA: Por quanto tempo?

BIANCA: Até o João se recuperar. Ela vai procurar o Davi pra dizer que vai tomar conta do João.

SUSANA: (reage com espanto) Você prestou atenção no que eu disse? Ninguém sabe se ele vai acordar.

BIANCA: O João terminou com ela, eu sei... Mas a cabeça dele é diferente.

SUSANA: A depressão...

BIANCA: Se não fosse isso, eles estavam juntos.

SUSANA: Mas parar a vida vai adiantar alguma coisa? Valquíria tem o trabalho dela, a família...

BIANCA: Susana, não fala nada. Agora ela precisa do nosso apoio. E, depois, pode ser que um milagre aconteça.

SUSANA: É... Vamos rezar por ele... (repara no desconforto de Bianca) O que foi?

BIANCA: Boca seca. Eu vou comprar uma água (sai de cena)...

Susana fica pensativa. Ao ver que Bianca ainda não voltou, aproveita para deixar o local.


04/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 11

 Personagens: Davi e Lucy

Locação: Biblioteca de Afogados


(fundo musical: “A doçura do Teu falar” – “olha pra mim/ eu preciso esse olhar/ (preciso) pra mudar o meu modo de ser/ pra mudar meu olhar, meu viver/ para ser como és, meu Senhor/ preciso de Ti”)

Sem que o rosto de Davi seja mostrado, a cena começa com o personagem procurando uma Bíblia na seção “assuntos gerais” da biblioteca. Quando ele está devidamente concentrado, vê-se Lucy por uma das prateleiras. Ela demora um pouco a reconhecer o candidato ao seminário, mas decide chegar perto do rapaz. Ele está lendo e, ao perceber a presença da mulher, passa a conversar com ela.

DAVI: A senhora tá aí faz tempo?

LUCY: Não. Te vi de longe e resolvi te cumprimentar. (senta-se diante do rapaz) Não te vi mais na igreja...

DAVI: Tô no hospital todo dia. A senhora entende, né?

LUCY: Claro... E como é que seu irmão está?

DAVI: Na mesma. A médica acha que ele não vai acordar mais.

LUCY: E você?

DAVI: Continuo acreditando. Ele vai sair dessa.

LUCY: Quando me disseram, eu comecei a rezar por ele.

DAVI: Obrigado.

LUCY: Mas eu não entendi. Ele se sentiu mal e caiu, foi isso?

DAVI: (após alguns segundos pensando no que falar) Meu irmão se jogou.

LUCY: Se jogou? Por quê?

DAVI: João tem depressão. Eu fiquei assim como a senhora quando descobri.

LUCY: É, falta de Deus dá nisso.

DAVI: (adota uma expressão questionadora) Falta de Deus?

LUCY: Se o teu irmão conhecesse a Deus de verdade, ele não faria o que fez.

Quando Davi vai tomar a palavra, Lucy continua.

LUCY: Mais impressionante é você, que conhece tanto, não ter conseguido ajudar o João.

DAVI: Meu irmão não tá morto!

LUCY: Ainda...

Davi levanta e, antes de dizer o que pensa, vê a Bíblia aberta e ri ironicamente. 

DAVI: Foi bom a senhora ter chegado.

LUCY: Eu?

DAVI: Tem um livro com o nome dele. Tava lendo agora. Lá diz que a paz de Deus é diferente da paz que o mundo dá.

LUCY: O mundo não dá.

DAVI: Concordo. Isso não aconteceu porque João não tem Deus. Aconteceu porque ele não está livre da tristeza que qualquer pessoa pode ter.

LUCY: Palavras bonitas... Mas não muda o pecado.

DAVI: Deus tá esperando que você viva ao lado Dele. Aproveita o tempo e lê um pouquinho. (aponta para a Bíblia) Assim você para de usar como enfeite.

Davi deixa o livro perto de Lucy, que se mostra indignada com as palavras do jovem, e abandona a biblioteca. 


03/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 10

Personagens: João e Valquíria

Locação: carro


Valquíria dirige com um semblante triste. A câmera mostra que ela veste uma blusa azul, a mesma que usou no dia em que João decidiu terminar o relacionamento de ambos. A empresária, então, recorda o dia em que seu carro estava parado e os dois conversaram dentro do veículo.

VALQUÍRIA: Terminar? Por quê? O que eu fiz pra você?

JOÃO: Nada. A decisão é minha. É o melhor. 

VALQUÍRIA: Mas eu não mereço uma resposta? 

JOÃO: Eu amo você. Isso é a única coisa que você precisa saber.

VALQUÍRIA: É pouco. Como você pode amar e querer ficar longe de mim? Significa que você não gosta de mim!

JOÃO: Por favor, não duvida disso. É a única certeza que eu tenho na vida...

VALQUÍRIA: Então me diz!

JOÃO: Você sempre soube que eu era complicado, que nem eu consigo entender a minha mente...

VALQUÍRIA: (toca num dos ombros de João) Eu não prometi encontrar as respostas! Prometi viver as dúvidas com você!

JOÃO: Mas não é justo! Eu tô te condenando a viver com alguém instável! O meu sofrimento tem que ser só meu!

VALQUÍRIA: O que é justo pra você, João? Decidir no meu lugar? Fica comigo, por favor!

JOÃO: (fecha os olhos por alguns segundos) Não posso... Não posso, me desculpa (tenta abrir a porta do carro)...

(fundo musical: “Chuvas de verão” – “estranho no meu peito/ estranho na minh'alma/ agora eu tenho calma/ não te desejo mais/ podemos ser amigos simplesmente/ amigos simplesmente, nada mais”)

Valquíria impede que João saia do automóvel segurando-lhe pela nuca e encostando sua testa à do rapaz. Os dois ficam de olhos fechados, quase se beijam, mas demonstram aflição um para com o outro.

VALQUÍRIA: Deixa eu ficar com você, eu sei que você tá sofrendo.

JOÃO: Eu iria sofrer bem mais se te fizesse sofrer.

VALQUÍRIA: E não isso que você tá fazendo comigo? Me fazendo sofrer?

JOÃO: Um dia, você vai me entender.

VALQUÍRIA: Quando? 

JOÃO: Quando outro homem trouxer o sorriso que eu nunca fui capaz de te dar.

João sai do carro e chora por ter acabado com o romance. Já Valquíria – de volta ao tempo presente – dirige sem conter o sofrimento de uma lembrança tão ruim.


02/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 9

 Personagens: Bianca, Davi, Emanuel, João, Susana e Valquíria

Locações: Erem Amaury de Medeiros e Forte das Cinco Pontas


(fundo musical: “A doçura do Teu falar” – “não há nada tão doce assim/ quando falas, olhas pra mim/ tanto amor, meu Senhor, me constrange”)

João parou no pátio e resolveu tocar numa das plantas do local. Emanuel o sonda.

EMANUEL: Lembrando?

JOÃO: Sim. De uma pessoa especial.

EMANUEL: A mulher pela qual você se apaixonou... (ele vê que João se afasta e vai atrás do irmão de Davi)

JOÃO: Eu acho que o amor dói.

EMANUEL: Não, isso é mentira.

JOÃO: Por que eu sofro tanto? Você tem resposta pra isso?

EMANUEL: Tenho: o mundo está cheio de preocupações. O céu é o único lugar onde elas não existem.

JOÃO: Ela gostava de mim. Mas ela ia sofrer se a gente ficasse juntos.

EMANUEL: Você não sabe. Não está na pele dela pra responder isso.

JOÃO: (olha com ironia para Emanuel) Desculpe, ainda não conheço ninguém que sorri por mim.

EMANUEL: Eu sou.

Emanuel diz a frase e caminha pelo forte, deixando João sem entender o que ele quis dizer.


(fundo musical: “O agora e o futuro” – “Ele é o agora e o futuro/ sabe começo, meio e fim/ dono do tempo, o relógio marca as horas que Ele quer/ Ele é Deus/ o próprio tudo, antes de tudo existir/ quem começou a boa obra em mim/ fiel e justo, não me deixa um segundo só/ Ele é Deus”)

O texto vai para a primeira recordação dos personagens: longe dali, Davi celebra a formatura no curso de Tradução e Interpretação de Libras, sendo fotografado pelo irmão com o canudo. Tempos depois, os dois fazem uma selfie. A mesma ideia é tida por Susana, que também é concluinte do curso, acompanhada de Valquíria e Bianca. As imagens que fazem são muitas.

JOÃO: Davi, quem é?

DAVI: A de óculos?

JOÃO: Não, a do cabelo branco.

DAVI: Sei lá! Deve ser da família dela. (Davi percebe o interesse do irmão em Valquíria) O que foi?

JOÃO: Me apresenta?

Davi ri, toca no ombro de João e o leva à família de Valquíria.

SUSANA: Quem é ele?

DAVI: Meu irmão.

JOÃO: João. Prazer em conhecer (aperta a mão de Susana).

DAVI: E elas?

SUSANA: São minhas irmãs. Esta é Bianca...

BIANCA: Tudo bem? (aperta a mão de Davi e João, e depois aponta para Valquíria) Essa é a Valquíria.

Valquíria também aperta a mão de Davi, mas decide cumprimentar João com um abraço. O semblante festivo de Susana é transformado ao ver o cumprimento entre ambos.

VALQUÍRIA: Prazer.

JOÃO: É todo meu.

(fundo musical: “O agora e o futuro” – apenas vocalização)

Enquanto Bianca percebe a empolgação de sua irmã mais velha, Davi sente que o irmão apaixonou-se rapidamente. Quando Valquíria e João olham para Susana, ela dissimula respondendo com um sorriso.


01/03/2026

SINAL DE VIDA | CENA 8

Personagens: Davi e Íris

Locação: Casa da Cultura


(fundo musical: “Sem medo” – “és pra nós a fonte de esperança quando as mentiras vão tentar nos enganar”)

Os espectadores veem primeiro imagens rápidas das pessoas visitando os estandes da Casa da Cultura. Íris vem caminhando e Davi a observa de longe. Reconhecendo-lhe por conta da foto do perfil, ele vai até a moça.

DAVI: Íris?

ÍRIS: Nos conhecemos?

DAVI: João é meu irmão.

ÍRIS: (olha para ver se o rapaz está na companhia de Davi) Onde ele está? Tô preocupada.

DAVI: Ele não pôde vir.

ÍRIS: Como é? Ele pediu pra me ver...

DAVI: (tira o celular do irmão de seu bolso) Quem pediu fui eu. Vamos conversar?

A moça olha para o seminarista com desconfiança. Mas, numa rápida transição, os dois aparecem sentados, de frente um ao outro, e conversando.

ÍRIS: (em choque) Pulou?

DAVI: Antes, ele queria falar com você. Muito.

ÍRIS: (olha para baixo) Acho que sei o que você quer saber.

DAVI: Por que o meu irmão fez isso?

ÍRIS: Era um segredo. Nem a namorada dele sabe... (fecha os olhos e respira fundo) Seu irmão tem depressão.

DAVI: (duvida da afirmação com o olhar) Meu irmão?

ÍRIS: O médico confirmou.

DAVI: Que médico? Você é a médica dele?

ÍRIS: Não. Eu trabalho num grupo de apoio. Só eu sabia da verdade...

DAVI: Isso é mentira! Ele iria contar pra mim!

ÍRIS: Não contou, mas deixou sinais.

DAVI: Que sinais? (sorri para Íris, desconfiando dela) Você tá louca?

(fundo musical: “Além das aparências” – “é assim que Deus te vê/ além das aparências/ conhece os teus problemas/ vê a tua dor/ Deus, vem me socorrer”)

ÍRIS: (à medida que relata os sintomas da doença de João, Davi percebe que eles estavam evidentes) Mais magro, tristeza, insônia, cansaço... João não via prazer em viver.

DAVI: Por que ele escondeu isso de mim? E da Valquíria?

ÍRIS: Porque ele não queria ver o sofrimento de vocês. Se calou por amor.


28/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 7

 Personagens: Emanuel e João

Locação: Forte das Cinco Pontas


(fundo musical: “Eu te levantarei” – “restituirei tuas forças e te atrairei a Mim; e te darei novas vestes, filho amado/ restituirei tuas forças e te atrairei a Mim; e te darei novas vestes, filho amado”)

O público ouve os ruídos provocados por um trânsito intenso no meio da tarde. Ao mesmo tempo que seu corpo está imóvel no hospital, João consegue ver o tráfego estando atrás de um muro alto. Quando se dá conta, está contemplando todos os veículos sem o auxílio de seu par de óculos.

Ele, então, vira de costas e põe a mão nos bolsos, procurando o par. Neste momento, Emanuel vai em sua direção e entrega-lhe o que tanto busca. João pega o par da mão do homem.

JOÃO: Obrigado (coloca os óculos no rosto, até atestar que eles não são necessários no momento)... Eu estou vendo bem (guarda o par no bolso da calça).

EMANUEL: E as dores?

JOÃO: (toca na cabeça) Não sinto nada! (olha ao redor) Onde eu tô?

EMANUEL: Na companhia certa, por isso não está sentindo nada.

JOÃO: Qual é o seu nome?

EMANUEL: Emanuel.

JOÃO: O meu nome é...

EMANUEL: Não precisa dizer. Eu sei: João.

JOÃO: Você me conhece?

EMANUEL: Você também me conhece. Faz muito tempo que a gente não conversa.

JOÃO: Sobre o quê?

EMANUEL: Tudo.

João ri num primeiro momento e afasta-se de Emanuel. Segundos depois, ele volta o rosto ao rapaz desconhecido.

JOÃO: Tudo bem. Acho que posso confiar em você.

(fundo musical: “Como se fosse a última vez” – “quando o dia chegar eu voltarei pra casa do meu Pai, feliz”)

Emanuel retribui a confiança de João respondendo com um sorriso.


Créditos finais do episódio


dirigido e roteirizado por

THIAGO BARROS


colaboração de roteiro

CAUÃ ARAÚJO

CÉLIA BISPO


edição

INSHOT


músicas

“DISTANTE DO QUE SOU”

composição de EDUARDO FARO

interpretação de ROSA DE SARON


“A DEUS”

composição de DUCA TAMBASCO, JEAN CARLOS E JUNINHO AFRAM

interpretação de OFICINA G3


“O AGORA E O FUTURO”

composição de EDIMAR CESAR DE ARAÚJO FILHO

interpretação de ARIANNE


“ALÉM DAS APARÊNCIAS”

composição de BENO CÉSAR E SOLANGE DE CÉSAR

interpretação de J. NETO


“SEM MEDO (AO VIVO)”

composição de SHERI CARR

interpretação de MINISTÉRIO VINEYARD E ANA PAULA VALADÃO


“SEM O TEU AMOR”

composição de KLEBER LUCAS

interpretação de MELOSWEET


“EU TE LEVANTAREI”

composição e interpretação de FREI GILSON


“COMO SE FOSSE A ÚLTIMA VEZ”

composição de ROGÉRIO SILVA E THAMIRIS GARCIA

interpretação de MINISTÉRIO ZOE


“DESERTO”

composição de ANDRÉ LEITE, DINARTE, ELOY CASAGRANDE E TIAGO MATTOS

interpretação de IAHWEH E PADRE FÁBIO DE MELO


Esta é uma obra independente de ficção, baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade.

Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mera coincidência.


© 2026 Praticando Libras


Valorize o maior presente que você tem.

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Não se esqueça: você não está sozinho.


27/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 6

 Personagens: Davi e Íris (Íris comunica-se apenas por mensagens de texto, não está presente na cena)

Locação: São Miguel Center (hospital)


(fundo musical: “Sem o Teu amor” – apenas vocalização)

A câmera se movimenta lentamente da esquerda para a direita, parando quando o rosto do intérprete é exibido. Davi está deitado sobre um banco que está no pátio do hospital. Ele está olhando para cima, ainda tentando assimilar o que aconteceu, mas seus pensamentos são interrompidos quando o celular de João vibra em seu bolso. Trata-se de Íris, que decide retornar às muitas ligações do ex-namorado de Valquíria.

ÍRIS: João, meu celular deu problema e eu deixei na assistência. Acabei de voltar do conserto. Vi agora as tuas ligações perdidas. O que houve?

Davi hesita um pouco, mas responde à moça como se fosse o próprio João.

DAVI: Preciso falar contigo, mas tem que ser pessoalmente. A gente pode se ver amanhã?

ÍRIS: Pode. Se você quiser, aqui no centro de apoio.

DAVI: Não, eu não quero que ninguém me veja. Só você.

ÍRIS: OK. Que lugar é bom pra você?

DAVI: Na Casa da Cultura. Acho que umas nove horas deve estar aberta.

ÍRIS: Vou resolver umas coisas antes. Tem como ser às onze?

DAVI: Tem.

ÍRIS: Quando eu chegar, eu mando uma mensagem pra dizer em que estande eu tô.

DAVI: Perfeito.

ÍRIS: Você não quer falar por aqui o que aconteceu? Me deixou preocupada...

DAVI: Tem umas coisas que eu queria entender, e só você pode me explicar. Amanhã a gente conversa.

ÍRIS: Tá certo. Hoje eu não fui trabalhar, se quiser a gente conversa por videochamada.

DAVI: Não vai dar pra mim. Tem que ser amanhã.

ÍRIS: Às onze horas eu te ligo. Beijos.

Davi guarda o celular do irmão no bolso, mas antes olha a foto de perfil de Íris para memorizar seu rosto. Depois, sinaliza para si mesmo.

DAVI: Amanhã...


26/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 5

 Personagens: Susana e Valquíria

Locação: Rua do Bom Jesus (hospital)


(fundo musical: “Sem medo” – “pois sei: os Teus olhos veem minhas lágrimas”)

A cena começa com um final de tarde movimentado, com muitos automóveis na zona oeste da cidade trafegando. Valquíria é mostrada sentada num banco de madeira com as mãos sobre o rosto, chorando muito. Susana sai da sala e encontra a irmã profundamente abalada.

SUSANA: Irmã! O que foi que houve? (Valquíria vira o rosto sem conseguir sinalizar, mas Susana segura o seu rosto) Calma, eu estou aqui.

VALQUÍRIA: O Davi me ligou agora há pouco... O João sofreu um acidente.

SUSANA: João? Como?

VALQUÍRIA: Ele pulou de um prédio, foi isso que eu entendi.

SUSANA: (passa a mão sobre o cabelo, incrédula) Ele morreu?

VALQUÍRIA: Não... Mas a médica disse que não se pode fazer mais nada.

SUSANA: (abraça a irmã por alguns segundos) O João vai ficar bem, você precisa acreditar nisso...

VALQUÍRIA: (levanta-se) A culpa foi minha. Eu não deveria ter deixado que ele fosse embora.

SUSANA: Você não tinha como prever isso.

VALQUÍRIA: Se eu tivesse insistido mais, a gente estaria junto. (corre, e depois olha para a irmã, que está imóvel)

SUSANA: Aonde você vai?

VALQUÍRIA: Ao hospital... Eu te dou notícias.

SUSANA: (fala quando Valquíria já não está perto) Dirige com cuidado, por favor.


25/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 4

 Personagens: Davi, Heloísa e Tânia

Locação: São Miguel Center (hospital)


Davi está cobrindo o rosto com as mãos. Não para de chorar diante do que viu, estando de volta ao pátio do hospital. Tânia aproxima-se do seminarista, senta-se ao seu lado e passa a mão em suas costas, tentando lhe consolar.

DAVI: Quem fez isso?

TÂNIA: Isso o quê?

DAVI: Quem empurrou meu irmão?

TÂNIA: Ninguém empurrou. Ele pulou da varanda.

DAVI: João? Não pode ser...

TÂNIA: (retira o celular do bolso) Eu achei que alguém tivesse empurrado também. Mas a escola cedeu as imagens das câmeras de segurança. Veja.

Davi segura o celular de Tânia e assiste às imagens, mas o devolve para a delegada ao atestar a causa da queda. Ele se põe de pé, ficando de costas por uns instantes para a policial.

TÂNIA: Não houve crime, mas tem uma razão. Vocês brigaram?

DAVI: A gente não brigou... Eu não sei o que houve.

TÂNIA: Antes da queda... Quando você viu o João?

DAVI: Ontem. Ele estava na minha aula. Eu saí e ele ficou.

TÂNIA: Dormiu na escola. Esperou todos saírem. E você?

DAVI: Quando ele namorava, dormia fora de casa. Achei que ele teve uma recaída. Por isso não me preocupei.

HELOÍSA: Com licença... Eu me esqueci de te entregar. (entrega o telefone móvel de João) Estava na calça do teu irmão.

DAVI: Obrigado.

HELOÍSA: Melhor você usar pra avisar os amigos, a família.

TÂNIA: Que dia difícil...

HELOÍSA: A senhora quer um café?

TÂNIA: Aceito, sim. Obrigada.

HELOÍSA: Você não quer vir com a gente?

DAVI: Melhor eu ficar. Pode ser que ele acorde.

(fundo musical: “Além das aparências” – “é assim que Deus te vê: com lágrimas nos olhos/ o coração aflito, o grito na garganta pra desabafar com Deus”)

Em estado de incredulidade, Heloísa e Tânia se olham e resolvem ir à cantina. Já Davi volta ao lugar inicial.


24/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 3

 Personagens: Davi e João

Locação: Erem Amaury de Medeiros (hospital)


Davi caminha lentamente em direção ao leito do irmão. Ao ficar ao lado da cama hospitalar, pensa em tocar o rosto de João, com um hematoma causado pela queda.

(fundo musical: “O agora e o futuro” – parte instrumental reduzida à velocidade 0,4 e com tom masculino)

O seminarista desiste e começa a chorar. Ainda assim, não desiste de falar com o rapaz inconsciente. As mãos de João são mexidas pelo jovem católico.

(observação: em todo o tempo da cena, o público pode ouvir um monitor cardíaco em funcionamento)

DAVI: Meu irmão... Eu estou aqui. A médica disse... Que você pode não acordar. Mas eu... (solta por alguns segundos as mãos de João, recolocando-as sobre as suas) Acredito no milagre. Você ainda tem muito pra viver. Volta, por favor.

A cena, ao seu final, mostra João sem esboçar nenhum tipo de reação. Vê-se antes Davi de joelhos, com as mãos unidas, fazendo uma prece em favor do paciente, e o rosto molhado de lágrimas.


23/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 2

 Personagens: Davi, Heloísa e Tânia

Locação: São Miguel Center (hospital)


Ouve-se o som de ambulâncias quando o público vê a câmera descer de forma lenta, focalizando o céu até mostrar a parede do pátio do hospital. Davi está aflito, e só para de bater os pés quando Heloísa, a médica que atende João, vem falar com ele acompanhada de Tânia.

DAVI: Cadê o João? (percebe que a médica fica reticente em responder) Onde ele tá?

HELOÍSA: Ele está na área vermelha. Nós precisamos conversar.

DAVI: Meu irmão morreu?

HELOÍSA: Não...

DAVI: (novamente percebe que a médica está reticente em responder) Fala a verdade.

HELOÍSA: João teve muitas fraturas, perdeu sangue... A situação é grave. É impossível que ele sobreviva.

Davi anda em círculos, procurando assimilar a informação.

DAVI: Deus não vai deixar isso acontecer.

HELOÍSA: Esta é a Tânia, da delegacia.

DAVI: Delegada?

TÂNIA: Como a queda foi violenta, eu preciso investigar. E que você me dê algumas informações.

DAVI: Mas eu posso ver meu irmão antes? Conversar com ele?

TÂNIA: João não pode te responder. Ele nem sabe o que está acontecendo.

DAVI: Eu conto pra ele.

TÂNIA: Davi, o seu irmão... Você tem que ser forte.

DAVI: Me deixa ver o João, Doutora. Por favor.

HELOÍSA: Tudo bem. Mas você tem cinco minutos.

DAVI: Obrigado.

HELOÍSA: (diz para Tânia) Com licença.

Heloísa tira Davi do pátio e o leva ao quarto no qual João está. Antes de fazê-lo entrar, ela mostra através do vidro o rapaz, com ataduras na cabeça e nos braços, respirando por ventilação mecânica e coberto por um lençol branco.

(observação 1: nesta cena, João não é mostrado, mas a reação de Davi e Heloísa diante do estado dele)

HELOÍSA: Quer entrar mesmo? (vê Davi consentindo e abrindo a porta)

Heloísa continua na janela, mesmo depois de Davi entrar no quarto do irmão.

(observação 2: aproveita-se para captar as expressões faciais de Heloísa e inserir na cena seguinte, evitando a necessidade de comparecimento da atriz)


22/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 1

 (abertura)


Personagens: Davi e João

Locação: Erem Amaury de Medeiros


Um relógio eletrônico é mostrado funcionando durante a madrugada, às onze e cinquenta e nove da noite. A imagem é intercalada com João jogado na portaria traseira do Instituto Nacional Amaury de Medeiros, como se ele estivesse olhando para o objeto. O jovem pega o celular, liga para Íris pela décima sexta vez e fica ainda mais nervoso ao ver que a moça não atende. Um novo dia começa. 

Exibe-se uma transição da escuridão da madrugada para a claridade da manhã, com base na luminosidade da parede interna do instituto. Desnorteado, João caminha pelo lugar até parar em frente a um portão trancado, que dá acesso a uma escada. Percebendo que há um cadeado, o irmão de Davi força o cadeado, batendo no portão até quebrá-lo. 

Davi é o segundo funcionário a chegar ao local. Ele passa pelo corredor e senta perto da cantina, retirando de sua mochila um envelope contendo as provas do semestre. Sem que perceba, João se coloca diante da varanda do terceiro piso, hesitando em saltar. O professor de Libras está concentrado na correção de suas avaliações, mas um impacto forte o assusta e interrompe tudo. Ele não escuta, mas leva a mão ao peito no momento em que a queda ocorre.

(fundo musical: “A Deus” – “sempre que quiser dizer ‘adeus’” – em versão reduzida à velocidade 0,7 e com eco)

Em pânico, e ao mesmo tempo querendo saber o que acontece, Davi sai em disparada pelo corredor das últimas salas da escola até chegar ao pátio.

(observação 1: a corrida é filmada em dois ângulos, sendo o primeiro com a câmera parada atrás de Davi, e o segundo de frente ao personagem. Em dado momento, as imagens mesclam-se em velocidade reduzida)

Desnorteado, vira a cabeça em várias direções, até que o religioso toma outro susto e leva as duas mãos ao rosto. Em choque, Davi cai de joelhos quando se depara com João de bruços no chão.

(observação 2: quando Davi se ajoelha, vê-se o professor de longe; de João, é mostrada apenas uma das pernas, calçando um tênis)