03/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 2

 Personagens: Davi, Lígia e Tânia

Locação: Torre Malakoff

Ouve-se o som de ambulâncias quando o público vê a câmera descer de forma lenta, focalizando o céu até mostrar a parede do pátio do hospital. Davi está aflito, e só para de bater os pés quando Lígia, a médica que atende João, vem falar com ele acompanhada de Tânia.

DAVI: Cadê o João? (percebe que a médica fica reticente em responder) Onde ele tá?

LÍGIA: Ele está na área vermelha. Nós precisamos conversar.

DAVI: Meu irmão morreu?

LÍGIA: Não...

DAVI: (novamente percebe que a médica está reticente em responder) Fala a verdade.

LÍGIA: João teve muitas fraturas, perdeu sangue... A situação é grave. É impossível que ele sobreviva.

Davi anda em círculos, procurando assimilar a informação.

DAVI: Deus não vai deixar isso acontecer.

LÍGIA: Esta é a Tânia, da delegacia.

DAVI: Delegada?

TÂNIA: Como a queda foi violenta, eu preciso investigar. E que você me dê algumas informações.

DAVI: Mas eu posso ver meu irmão antes? Conversar com ele?

TÂNIA: João não pode te responder. Ele nem sabe o que está acontecendo.

DAVI: Eu conto pra ele.

TÂNIA: Davi, o seu irmão... Você tem que ser forte.

DAVI: Me deixa ver o João, Doutora. Por favor.

LÍGIA: Tudo bem. Mas você tem cinco minutos.

DAVI: Obrigado.

LÍGIA: (diz para Tânia) Com licença.

Lígia tira Davi do pátio e o leva ao quarto no qual João está. Antes de fazê-lo entrar, ela mostra através do vidro o rapaz, com ataduras na cabeça e nos braços, respirando por ventilação mecânica e coberto por um lençol branco.

(observação 1: nesta cena, João não é mostrado, mas a reação de Davi e Lígia diante do estado dele)

LÍGIA: Quer entrar mesmo? (vê Davi consentindo e abrindo a porta)

Lígia continua na janela, mesmo depois de Davi entrar no quarto do irmão.

(observação 2: aproveita-se para captar as expressões faciais de Lígia e inserir na cena seguinte, evitando a necessidade de comparecimento da atriz)


02/02/2026

SINAL DE VIDA | CENA 1


Personagens: João e Davi

Locação: Erem Amaury de Medeiros


Um relógio eletrônico é mostrado funcionando durante a madrugada, às onze e cinquenta e nove da noite. A imagem é intercalada com João jogado na portaria traseira do Instituto Nacional Amaury de Medeiros, como se ele estivesse olhando para o objeto. O jovem pega o celular, liga para Íris pela décima sexta vez e fica ainda mais nervoso ao ver que a moça não atende. Um novo dia começa. 

Exibe-se uma transição da escuridão da madrugada para a claridade da manhã, com base na luminosidade da parede interna do instituto. Desnorteado, João caminha pelo lugar até parar em frente a um portão trancado, que dá acesso a uma escada. Percebendo que há um cadeado, o irmão de Davi força o cadeado, batendo no portão até quebrá-lo. 

Davi é o segundo funcionário a chegar ao local. Ele passa pelo corredor e senta perto da cantina, retirando de sua mochila um envelope contendo as provas do semestre. Sem que perceba, João se coloca diante da varanda do terceiro piso, hesitando em saltar. O professor de Libras está concentrado na correção de suas avaliações, mas um impacto forte o assusta e interrompe tudo. Ele não escuta, mas leva a mão ao peito no momento em que a queda ocorre.

(fundo musical: “A Deus” – “sempre que quiser dizer ‘adeus’ – em versão lenta e com eco)

Em pânico, e ao mesmo tempo querendo saber o que acontece, Davi sai em disparada pelo corredor das últimas salas da escola até chegar ao pátio.

(observação 1: a corrida é filmada em dois ângulos, sendo o primeiro com a câmera parada atrás de Davi, e o segundo de frente ao personagem. Em dado momento, as imagens mesclam-se em velocidade reduzida)

Desnorteado, vira a cabeça em várias direções, até que o religioso toma outro susto e leva as duas mãos ao rosto. Em choque, Davi cai de joelhos quando se depara com João de bruços no chão.

(observação 2: quando Davi se ajoelha, vê-se o professor de longe; de João, é mostrada apenas uma das pernas, calçando um tênis)