Personagens: Davi, Lígia e Tânia
Locação: Torre Malakoff
Davi está cobrindo o rosto com as mãos. Não para de chorar diante do que viu, estando de volta ao pátio do hospital. Tânia aproxima-se do seminarista, senta-se ao seu lado e passa a mão em suas costas, tentando lhe consolar.
DAVI: Quem fez isso?
TÂNIA: Isso o quê?
DAVI: Quem empurrou meu irmão?
TÂNIA: Ninguém empurrou. Ele pulou da varanda.
DAVI: João? Não pode ser...
TÂNIA: (retira o celular do bolso) Eu achei que alguém tivesse empurrado também. Mas a escola cedeu as imagens das câmeras de segurança. Veja.
Davi segura o celular de Tânia e assiste às imagens, mas o devolve para a delegada ao atestar a causa da queda. Ele se põe de pé, ficando de costas por uns instantes para a policial.
TÂNIA: Não houve crime, mas tem uma razão. Vocês brigaram?
DAVI: A gente não brigou... Eu não sei o que houve.
TÂNIA: Antes da queda... Quando você viu o João?
DAVI: Ontem. Ele estava na minha aula. Eu saí e ele ficou.
TÂNIA: Dormiu na escola. Esperou todos saírem. E você?
DAVI: Quando ele namorava, dormia fora de casa. Achei que ele teve uma recaída. Por isso não me preocupei.
LÍGIA: Com licença... Eu me esqueci de te entregar. (entrega o telefone móvel de João) Estava na calça do teu irmão.
DAVI: Obrigado.
LÍGIA: Melhor você usar pra avisar os amigos, a família.
TÂNIA: Que dia difícil...
LÍGIA: A senhora quer um café?
TÂNIA: Aceito, sim. Obrigada.
LÍGIA: Você não quer vir com a gente?
DAVI: Melhor eu ficar. Pode ser que ele acorde.
(fundo musical: “Além das aparências” – “é assim que Deus te vê: com lágrimas nos olhos/ o coração aflito, o grito na garganta pra desabafar com Deus”)
Em estado de incredulidade, Lígia e Tânia se olham e resolvem ir à cantina. Já Davi volta ao lugar inicial.
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