23/08/2026

INTERPRETAÇÕES PERNAMBUCANAS | ABERTURA, PRÓLOGO E CENA 1

 ABERTURA


(inicialmente com os logos postos sobre um fundo preto)


Governo de Pernambuco – Secretaria de Educação e Esportes


Gerência Regional de Educação Recife / Sul


e Escola de Referência em Ensino Médio Amaury de Medeiros


apresentam


PRÓLOGO


Exibe-se uma seleção de fotos de eventos em Pernambuco promovendo a Língua Brasileira de Sinais. A locução deste momento é feita por Emílio, usando canções pernambucanas como referência. O filtro das imagens é Sepia.

EMÍLIO: Por muito tempo a comunidade surda foi ignorada no Brasil e no mundo. As línguas de sinais eram proibidas, e os que não escutavam eram orientados a desenvolver a fala.

É como se, falando o pernambuquês, o surdo fosse a bola da vez que o mundo deixou passar.

Foram séculos de luta, mas ela não teve fim feito espumas ao vento, não. Só no Brasil, os surdos estão desde o século XIX arengando pra que o direito de usar os sinais seja respeitado.

A maior conquista talvez seja o reconhecimento legal da Língua Brasileira de Sinais em 2002. Um sistema baseado na Língua de Sinais Francesa, mas com uma estrutura linguística que difere do Português.

E por falar em “legal", não fica achando que toda lei existe pra ser seguida, não, cabra safado! Na verdade, existe pra ser interpretada. Acho que eu vi isso numa novela do canal 13.

Se você tá que nem o garçom e já cansou de escutar essa conversa mole, pega a pipoca Veneza e o biscoito Treloso pra acompanhar essa história.


CENA 1

Personagem: Emílio

Locação: calçada da Erem Amaury de Medeiros


(fundo musical: “Maceteando” – com efeito de voz masculino e na velocidade 1,2)

Uma sequência de seis a sete imagens de placas do bairro de Afogados surge em concordância com o arranjo da canção instrumental. Depois, vê-se em diferentes pontos, o tráfego de veículos pela Rua São Miguel – quando o título do filme surge.

Na faixa de segurança em frente ao São Miguel Center espera Emílio para atravessar, fazendo-o quando o semáforo de pedestres acende a cor verde. Ao chegar à calçada do outro lado da rua, o fundo musical diminui até cessar. O advogado ouve o celular tocar e coloca a mão no bolso.

(fundo musical: “Mentirosa” – com efeito de personagem masculino e na velocidade 1,1)

EMÍLIO: Oi.

IVETE: Dormisse comigo, foi?

EMÍLIO: Desculpa, Doutora. Foi a pressa pra pegar o metrô pra Camaragibe.

IVETE: Tem uma missão pra tu. A mãe de uma menina tá processando um colégio particular.

EMÍLIO: Por causa de quê?

IVETE: A menina é surda e pediu um intérprete. A diretora disse que não vai arranjar. Por isso pensei em tu pra pegar esse caso. Tu não fizesse um curso em mil novecentos e bolinha, não foi?

EMÍLIO: Sim, mas isso foi no primeiro mandato de Jarbas! Faz é tempo!

IVETE: A causa já tá ganha, é só estudar a Lei 10.436, de 2002.

EMÍLIO: Dez mil e quanto?

IVETE: Vou mandar o PDF pra tu ler. Amanhã tem reunião no escritório, de nove horas.

EMÍLIO: Eita, Doutora! Bote outro, vá! Já tô quebrando a cabeça com aquele menino que encontrou uma catita na pipoca...

IVETE: Se quiser se manter empregado, vai ser tu mesmo. O pessoal tá deixando de pagar os honorários pra apostar no tigrinho. O escritório tá dependendo de tu. (desliga)

EMÍLIO: Doutora? Tá me escutando? (constata o encerramento da ligação) Miserável das costas ocas!