Personagens: Alex, Emílio, Júlia e Leda
Locação: portão de acesso às salas do AEE e dos professores
Júlia está com a mão encostada na grade, claramente irritada. Os meninos percebem o estado da moça.
EMÍLIO: O que foi?
JÚLIA: Em 1911, o instituto começou a praticar o oralismo em sala de aula.
EMÍLIO: É... O que é isso?
ALEX: (revira os olhos, demonstrando impaciência com a pergunta / um balão traduz o pensamento do personagem)
O bicho é tabacudo demais, na moral!
JÚLIA: Oralismo é quando você usa a linguagem oral, mesmo sem saber. Desculpe, eu tô tão arretada, nem me apresentei.
ALEX: É mesmo! Qual é o teu nome?
(fundo musical: “Jura que me ama” – “Júlia, Júlia, jura! Jura que me ama”)
JÚLIA: (com alegria) J-Ú-L-I-A.
Sentada em frente ao arbusto que está de frente à sala 03, Leda olha para Júlia com incredulidade.
LEDA: “Mulé”...
Emílio e Alex olham para o lado direito, percebendo a presença da personagem.
LEDA: Tu não “sabe”! (olha para a câmera, como se mirasse os rapazes) Vocês conhecem Milão?
EMÍLIO: Muito! Eu já fui pra lá...
LEDA: (levanta-se irritada) Esqueça!
A ação brusca de Leda faz Emílio correr para atrás de Alex.
LEDA: Teve um congresso lá, menino! Os surdos não podiam falar na Língua de Sinais! A gente copia tudo que é ruim, não sabe?
ALEX: Em 1916, o Código Civil Brasileiro dizia que todo surdo era incapaz. Já pensou?
EMÍLIO: (sai de trás de Alex) E a Libras? Quando foi que aceitaram os sinais?
LEDA: Lá no ano de 1970. O surdo não precisava mudar, mas a avaliação sobre ele mudou. Hoje em dia, a Libras é a primeira língua do surdo e o Português escrito é a segunda.
ALEX: Obrigado pela explicação, Dona... Esqueci teu nome.
(fundo musical: “Leda” – “Leda, a natureza deu-te a beleza de um prado em flor”)
LEDA: (sorridente) L-E-D-A.
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