13/04/2023

PARÁBOLAS | CENA 4: O JUIZ INÍQUO

 

(Jesus e Téo descem do degrau em que estavam e Jayme se prepara para deixar o templo pela porta do corredor. Ele encontra Renata com a cabeça baixa, prosseguindo com a sua última ação na cena anterior.)

JAYME: Ainda está aqui?

RENATA: (levanta-se do chão, aparentando estar cansada) Eu disse que ia esperar o senhor.

JAYME: Pode continuar esperando. (chega a colocar as mãos na porta)

RENATA: Tem problema, não. Amanhã quando o senhor chegar eu vou estar na porta do fórum.

JAYME: (começa a falar alto) Certo! Já está me vencendo pelo cansaço! O que é que você quer?

RENATA: Dois minutos do seu tempo.

JAYME: Estou contando.

RENATA: Vim lá de Ingazeira pra falar com o senhor.

JAYME: Isso você falou mais cedo, o tempo está correndo.

RENATA: Meu marido morreu há seis meses. Ele bebia e bateu o carro quando a gente voltava de uma viagem.

JAYME: Onde eu entro nisso?

RENATA: A mãe dele. Ela quer tomar meus filhos de mim. Contratou até advogado pra tirar a guarda das minhas crianças.

JAYME: Assim, do nada? Qual é a justificativa que ela deu?

RENATA: Disse que eu fui a culpada do acidente, que eu dei bebida pra ele tomar e perder o controle do carro. Ela já levantou tanto “falso" ao meu respeito que eu tenho medo.

JAYME: E lá na tua cidade não tem ninguém pra resolver isso? Teve que sair de lá?

RENATA: Tem, mas disseram pra mim que o senhor é o melhor juiz do estado. Pelo amor de Deus, não me deixa sem os meus filhos. Me ajuda.

JAYME: Com quem você deixou as crianças?

RENATA: Eu tenho uma irmã que mora aqui em Recife. Ela toma conta dos meninos toda vez que eu venho procurar o senhor.

JAYME: O que dá pra fazer no seu caso... (tira o cartão do bolso e entrega à Renata)

RENATA: O que é isso?

JAYME: Liga pra esse número, é de uma advogada especialista em assuntos de família. Só posso julgar sua causa se você estiver assistida por alguém.

RENATA: Muito obrigada, Seu juiz.

JAYME: Não tem nada o que agradecer. Nem sei por que eu estou ajudando. Pelo menos você não vai passar essa batalha sozinha.

RENATA: Se de uma coisa eu sei é que eu nunca estive sozinha.

(Quando a introdução de “Deus fará” é executada, as mulheres que estavam em frente ao fórum voltam ao templo e se juntam à Renata. Durante a entrada dessas pessoas, Jayme deixa o cenário.)

RENATA: Quando as circunstâncias encobrirem sua visão

Suas tentativas parecerem sem valor

Quando todos dizem “não vai dar”

Atingindo, assim, seu coração

Creia, não desista porque Deus fará

MULHERES DO FÓRUM: Não se deixe abater por uma situação

Porque a última palavra, ela é do Senhor

Sua família não vai acabar

Esse mar não o afogará

Erga sua voz porque Deus fará

RENATA: Deus fará um milagre em sua casa

Seus projetos, seus sonhos não vão morrer

Derramando o óleo da unção

Ministrando a cura e o perdão

Restaurando a aliança que um dia se perdeu

MULHERES DO FÓRUM: Deus fará um milagre em sua casa

Seus projetos, seus sonhos não vão morrer

Derramando o óleo da unção

Ministrando a cura e o perdão

Restaurando a aliança que um dia se perdeu

RENATA: Creia, Deus fará!

Creia, Deus fará!

MULHERES DO FÓRUM: Não se deixe abater por uma situação

Porque a última palavra, ela é do Senhor

Sua família não vai acabar

Esse mar não o afogará

Erga sua voz porque Deus fará

RENATA: Deus fará um milagre em sua casa

Seus projetos, seus sonhos não vão morrer

Derramando o óleo da unção

Ministrando a cura e o perdão

Restaurando a aliança que um dia se perdeu

MULHERES DO FÓRUM: Deus fará um milagre em sua casa

Seus projetos, seus sonhos não vão morrer

Derramando o óleo da unção

Ministrando a cura e o perdão

Restaurando a aliança que um dia se perdeu

RENATA: Creia, Deus fará!

Creia, Deus... Deus fará, eu sei que Ele fará!

(Quando a música acaba, Renata deixa o local junto às mulheres do fórum.)

12/04/2023

PARÁBOLAS | CENA 3: O CREDOR INCOMPASSIVO

 

TÉO: Acabou ou vai contar outra? Porque eu tenho mais o que fazer!

JESUS: Tem mesmo. (Jesus apanha um notebook posto no púlpito e entrega a Téo) Hoje é o dia de começar o estágio no tribunal. Melhor você entrar logo, porque o juiz não é muito tolerante.

(Jayme entra no templo carregando a pasta contendo vários papeis, e é seguido pelas mulheres que estão à porta do fórum, falando ao mesmo tempo.)

JAYME: Se não tiver audiência marcada comigo eu não vou atender.

(As mulheres estão do lado esquerdo para quem assiste, perto das primeiras cadeiras. Enquanto elas estão falando, são colocadas doze cadeiras: uma no altar, para Téo; cinco do lado esquerdo, para o corpo de jurados; duas de frente para as janelas, para Henrique e a Defensora; uma no meio, para Jayme; três em frente à porta do corredor, para Bruno, Marcelo e a Promotora.)

SÔNIA: Seu juiz, por favor! Tem uma causa minha na justiça que estou esperando pra resolver “tem” três anos...

JAYME: Procure um advogado, coisa que eu não sou.

(As mulheres continuam fazendo barulho e Renata passa no meio delas pra falar com o juiz.)

RENATA: Dá licença, dá licença... (toca no ombro de Jayme) Seu juiz, eu tenho um negócio urgente pra falar com o senhor.

JAYME: Todo mundo tem uma urgência quando chega aqui, minha filha. A minha é voltar pra casa.

RENATA: Pelo amor de Deus! Eu vim de Ingazeira a pé pra cá só pra falar com o senhor!

JAYME: Parabéns pela sua disposição. Mas eu tenho uma audiência agora e não vou ter tempo pra te atender. (Jayme vira de costas, como se fosse sentar na cadeira ao centro do templo, até que é interrompido por Renata)

RENATA: Foi isso que eu ouvi à semana toda. Pela fé em Cristo, me deixa contar a minha história...

JAYME: Nem em Cristo nem em coisa nenhuma! Se você não tem o que fazer, eu tenho. Agora dá o fora daqui.

RENATA: Tem problema, não. Eu já dormi não sei quantas noites aqui na porta, hoje eu espero de novo. Ninguém pode mais do que Jesus!

JAYME: Pode, não, né? Vai pra igreja e pede ganho de causa, não fica atrapalhando na porta do fórum. Alias, vamos saindo que isso daqui não é feira, não! (Jayme empurra as mulheres do fórum, à exceção de Renata – que senta-se com a cabeça abaixada perto da porta do corredor. Ele vai sentar e encontra Téo em sua própria cadeira) Estagiário novo, é?

TÉO: Sou. (Jesus está ao lado do jovem)

JAYME: Começa a mostrar serviço e manda o pessoal entrar.

(Téo levanta e faz um sinal para que os jurados, as advogadas e as partes do processo entrem, menos Marcelo. Ele volta para o templo e começa a digitar no notebook. Já os demais acomodam-se. Jayme abre a pasta e lê o primeiro ofício.)

JAYME: Tem início a audiência de acusação de Henrique Moraes, réu indiciado pelo crime de constrangimento ilegal contra Bruno Oliveira. A Defensora está com a palavra.

DEFENSORA: Faz dois meses que Bruno pediu emprestado dinheiro a Henrique, dizendo que ia pagar em quinze dias. Passou o prazo e ele não deu satisfação. Agora quis dar uma de vítima e processou meu cliente.

PROMOTORA: Processou porque Bruno perdeu o emprego e Henrique foi na porta dele cobrar, falando alto e chamando a atenção dos vizinhos, pra fazer ele passar vergonha.

JAYME: O dinheiro era pra quê, Bruno?

BRUNO: Pra pagar a água e a luz lá de casa.

HENRIQUE: Diz ele, né?

JAYME: Eu mandei você falar? (Henrique faz um sinal de zíper com a boca e Jayme volta-se para Bruno) Se você não tem emprego, vive de quê atualmente?

BRUNO: Minha esposa trabalha como professora.

JAYME: E ela não pode te ajudar a pagar o empréstimo que você fez a ele?

HENRIQUE: Mas eu não quero receber dela, não. Quem chegou na minha porta com pires na mão foi ele.

BRUNO: Precisava ir à porta da minha casa fazer escarcéu?

HENRIQUE: Ué? Você deixou de comer só porque teu trabalho te botou pra fora?

BRUNO: Só queria que você desse um pouco mais de tempo pra eu te pagar, nem que fosse dividido. Não fique achando que eu gosto de dever pros outros não; ainda mais pra você. Mas tenho fé que o Senhor me tira desse barco.

JAYME: Já vi tudo... Além de crente é caloteiro... De quanto é a dívida que ele fez?

HENRIQUE: O safado está devendo pra mim quatrocentos e noventa reais.

TÉO: (olha para Jesus) Quatrocentos e noventa?

JESUS: É o resultado da multiplicação “setenta vezes sete".

JAYME: Na semana passada eu ouvi as testemunhas de defesa. Mas até agora não apareceu ninguém da parte da acusação. E então? Conseguiram achar alguém pra depor?

PROMOTORA: Encontramos. Pode entrar, Dr. Marcelo.

(Marcelo entra no templo.)

JAYME: E esse, quem é?

HENRIQUE: Esse é... (engole seco) É o meu patrão.

MARCELO: Olha a vergonha que você está me fazendo passar...

JAYME: O senhor conhece Bruno de que lugar?

MARCELO: Eu não conheço, a advogada dele que veio me procurar. Vim pra contar que trabalho com Henrique e pedir que ele perdoe a dívida do rapaz.

HENRIQUE: Mas como é que eu vou me esquecer da dívida que ele fez comigo? Eu estou precisando do dinheiro e ele não me pagou até agora!

MARCELO: Se eu perdoei a sua, que era maior, por que a dele você não perdoa?

DEFENSORA: De Henrique? (vira-se para o réu) Por que você não me contou essa parte da história?

JAYME: Henrique te pediu dinheiro emprestado pra quê?

MARCELO: Falou que era pra pagar o tratamento da filha, que estava doente. Depois que eu emprestei foi que eu descobri... O homem nem filha podia ter, era estéril. E gastou tudo na farra.

JAYME: (vira o rosto para Téo) Que conste nos autos que o réu gastou... (olha para Marcelo) Quanto foi que ele pediu?

(Henrique faz sinal de silêncio para Marcelo, que fala mesmo assim.)

MARCELO: Onze mil.

(Téo olha para Jesus novamente.)

JESUS: Quando você descansa no esconderijo do Altíssimo, sabe que mil caem ao seu lado e dez mil à sua direita, mas você não é atingido.

JAYME: Bom, vamos fazer uma pausa para o parecer dos jurados. Voltaremos daqui a pouco.

(Os cinco jurados anotam, cada um num papel, os seus votos. Eles entregam suas decisões a Téo, que leva todas para Jayme. O juiz lê os papeis e anuncia a sentença.)

JAYME: Todos de pé para a leitura da sentença. Por decisão unânime, declaro o réu Henrique Moraes culpado pelo crime de constrangimento ilegal. No entanto, altero a pena mínima de três meses de reclusão para um acordo com o reclamante Bruno Oliveira, no qual há o perdão da dívida contraída pelo segundo. O caso está encerrado.

(As advogadas cumprimentam-se e apertam a mão de Henrique e Marcelo. Os quatro saem do cenário, enquanto Jayme fica em pé, analisando alguns documentos de sua pasta, afastado dos personagens que ficarão até o final da cena. Jesus e Téo permanecem no degrau, e Bruno faz uma ligação pelo celular.)

BRUNO: Aline? A audiência terminou agora. Marca o culto em ação de graças porque o Senhor teve misericórdia de mim e me deu a vitória!

(Quando tocam as primeiras notas da canção “Misericórdia”, os cinco jurados permanecem na mesma posição para interpretar a música com Bruno.)

BRUNO: A misericórdia hoje me esperava despertar

A misericórdia hoje me olhava dormir

CINCO JURADOS: A misericórdia hoje me esperava despertar

A misericórdia hoje me olhava dormir

BRUNO: E o seu olhar era tão leve

E o seu olhar era tão puro e forte

Decidido a me perdoar e me dar mais uma chance

De no centro da vontade de Deus eu ficar

CINCO JURADOS: E ela esqueceu tudo que eu fiz ontem

E ela me vê com os olhos de Deus

Não desiste de mim, mesmo me vendo assim

Não vê o que a vida me fez, ela sabe os planos de Deus pra mim

(Bruno e os cinco jurados esperam o teclado tocar e repetem a segunda estrofe, mas invertendo a ordem de interpretação dos versos.)

CINCO JURADOS: E o seu olhar era tão leve

E o seu olhar era tão puro e forte

Decidido a me perdoar e me dar mais uma chance

De no centro da vontade de Deus eu ficar

BRUNO: E ela esqueceu tudo que eu fiz ontem

E ela me vê com os olhos de Deus, de Deus

Não desiste de mim, mesmo me vendo assim

Não vê o que a vida me fez, ela sabe os planos de Deus pra mim

(Bruno e os cinco jurados deixam o templo, e o cenário volta a ficar à meia-luz.)

11/04/2023

PARÁBOLAS | CENA 2: O CEGO QUE GUIA OUTRO CEGO

 

TÉO: Você é quem eu tô pensando mesmo?

JESUS: Exatamente. Aquele que veio pra libertar o mundo do pecado: Jesus.

TÉO: Deixa ver se eu entendi: você gastou quase dez minutos do meu tempo contando uma parábola pra me convencer de que é o Cristo?

JESUS: O tempo que você usa pra ouvir o que Eu te digo não é gasto, é investido.

TÉO: Na boa, não me leva a mal, mas... Deixa eu te mostrar que dia é hoje. (mostra a tela inicial do celular pra Jesus)

JESUS: Nove de abril de dois mil e vinte e três.

TÉO: Pois é. Ninguém mais acredita nessas histórias da carochinha.

JESUS: Há um tempo você acreditava.

TÉO: Todo mundo tem que evoluir.

JESUS: Segundo a sua linha de raciocínio, as parábolas que Eu contei só faziam sentido na época da minha primeira passagem pela Terra.

TÉO: Exatamente.

JESUS: Você ainda se lembra de quem te apresentou pra mim?

TÉO: Como assim?

JESUS: A pessoa que te evangelizou.

TÉO: Foi a minha professora do maternal, já nem sei mais qual é o nome dela.

JESUS: Todo mundo conhece como Tia Aline.

(As luzes se acendem, assustando Téo.)

TIA ALINE: (entra em cena)  Pronto, turma; faça uma fila aqui, sem correr.

(Os alunos da Tia Aline formam uma fila única, à exceção de Caio, que só entra em cena depois de a fila ter se formado sem ele.)

TIA ALINE: Agora eu vou fazer a chamada. (neste momento, Caio vem em direção a Jesus sem saber aonde vai e só para de andar quando Lhe abraça: é o tempo no qual Tia Aline chama três nomes em ordem alfabética, estando de costas para o público)

CAIO: Senhor?

JESUS: Pode falar.

CAIO: Onde é que tá a Tia Aline?

(Jesus vira o corpo de Caio em direção à professora.)

JESUS: É só andar em frente, que ela já, já te encontra. (Jesus beija a cabeça de Caio e o garoto vai falar com a Tia Aline)

TIA ALINE: Tá faltando o Caio, gente. Cadê ele?

(As crianças começam a se olhar, demonstrando não terem percebido a ausência do aluno cego.)

CAIO: Tia Aline!

TIA ALINE: Caio, você se perdeu? Por que não pediu ajuda pra chegar até aqui?

CAIO: Eu pedi, mas um homem lá fora disse que era cego também. O outro pediu pra ir em frente.

TIA ALINE: Graças a Deus que você voltou. Vem pra cá. (a professora posiciona o aluno no centro da fila única)

TÉO: (usa um tom arrogante) Piada isso, né? Onde é que já se viu, o cego procurar ajuda com outro cego?

JESUS: Não é tão diferente da sua situação: você vive em pecado e só dá ouvido a quem não quer se santificar.

(Téo abaixa a cabeça.)

TIA ALINE: Muito bem, pessoal: vamos ensaiar de novo aquele hino pra festa da Páscoa. Posso ouvir um “amém”?

CRIANÇAS: Amém!

(Todas as crianças cantam a música “Te ver”. Enquanto se pode ouvir a introdução, Jesus segura a mão de Téo e ambos sentam ao chão para acompanhar o ensaio.)

CRIANÇA SOLISTA: Estava aqui admirando o céu

Tentando Te imaginar

Vendo a beleza de Tua criação

Deus, me deu vontade de Te ver.

CRIANÇAS DO SEXO MASCULINO: Você deve ser tão lindo, o Teu rosto tão amável

Tão incrível que jamais eu poderia explicar

Se o mar já me extasia e o céu já me impressiona

O que eu irei sentir quando no céu eu Te olhar?

TODAS AS CRIANÇAS: Mas eu só sei que o meu desejo é Te ver

Mas o meu maior desejo é Te ver

Enquanto a Terra é o meu lar, eu vou viver

Esperando pra Te ver

Mas eu só sei que o meu desejo é Te ver

Mas o meu maior desejo é Te ver

Enquanto a Terra é o meu lar, eu vou viver

Esperando pra Te ver

CRIANÇAS DO SEXO FEMININO: Você deve ser tão lindo, o Teu rosto tão amável

Tão incrível que jamais eu poderia explicar

Se o mar já me extasia e o céu já me impressiona

O que eu irei sentir quando no céu eu Te olhar?

TODAS AS CRIANÇAS: Mas eu só sei que o meu desejo é Te ver

Mas o meu maior desejo é Te ver

Enquanto a Terra é o meu lar, eu vou viver

Esperando pra Te ver

Mas eu só sei que o meu desejo é Te ver

Mas o meu maior desejo é Te ver

Enquanto a Terra é o meu lar, eu vou viver

Esperando pra Te ver

(As crianças saem do templo uma a uma, restando em cena Tia Aline, Téo e Jesus. A professora pega o celular e liga para o seu marido.)

TIA ALINE: Oi, Bruno. O juiz já chegou? Ainda não? Mas eu tenho fé que hoje você vai sair de posse de vitória daí. Liga pra mim pra dizer o resultado. Que Deus te abençoe, meu amor. Beijo. (deixa o templo)

10/04/2023

PARÁBOLAS | CENA 1: AS DEZ VIRGENS

 

(O templo está à meia-luz. Téo entra no local com uma camisa longa escura, mas totalmente manchada, caminhando com a cabeça baixa. O celular do rapaz começa a vibrar e ele o tira do bolso da calça para atender.)

TÉO: Alô? Espera aí, eu não tô escutando... Como assim “você não vai"? Já tô todo pronto, acabei de sair de casa! Olha, eu não vou perder a viagem, não. Se você não vai, problema seu! (encerra a ligação telefônica, mas continua a manusear o aparelho enquanto Jesus aproxima-se) Deixa eu pedir um Uber pra me levar até... (olha pra Jesus e guarda o celular no bolso da calça subitamente)

JESUS: Não precisa.

TÉO: O que é isso? Você saiu de onde?

JESUS: Fica tranquilo, faz muito tempo que Eu estou perto e você não percebeu.

TÉO: Você tava me seguindo? Desde que eu saí de casa?

JESUS: O único que sigo é o meu Pai, e normalmente Eu recomendo pra todo mundo que faça a mesma coisa.

TÉO: Não chega perto de mim, não, senão eu vou chamar a polícia.

JESUS: Téo, fica tranquilo. Eu vim pra conversar com você. Fiquei esperando você entrar em contato comigo, mas como nunca mais me procurou, tomei a iniciativa.

TÉO: Que história é essa, meu irmão? Eu nem te conheço, nunca te vi na vida.

JESUS: E sei até o seu nome? Nós já estivemos juntos muitas vezes. Mas é como te falei: nunca mais teve um dia em que você me procurou. Por isso que Eu vim aqui falar contigo.

TÉO: Falar o quê, homem? Eu marquei de ir pra um after com uma menina, ele começa daqui a dois minutos e eu não vou chegar a tempo.

JESUS: Dá uma olhada no teu celular e vê que horas são... Pode olhar, ninguém vai tomar aquilo que é seu... Só se você deixar.

TÉO: Dois minutos pra meia-noite.

JESUS: Bem lembrado. Muitas pessoas acham que Eu costumo me atrasar, mas deixo claro que só apareço na hora certa.

TÉO: Você tá falando de quem?

JESUS: Delas, por exemplo.

(As dez virgens entram no templo, enquanto Jesus e Téo se deslocam para o canto direito – no sentido de quem está assistindo à peça. Cada uma delas segura uma candeia – para a realização, pode ser uma xícara com uma vela pequena.)

PRUDENTE: A que horas o nosso Noivo vai chegar?

LOUCA: Do jeito que ele está demorando, é capaz de nem aparecer mais.

PRUDENTE: Não diga isso. Estou tão ansiosa que já deixei a minha candeia pronta.

LOUCA: Pronta? De que jeito?

PRUDENTE: Com o azeite de reserva para acender. Vocês colocaram essa reserva na candeia?

LOUCA: Pra quê? Você anda muito preocupada. O que tem aqui é suficiente. (boceja) Como está tarde, já é quase um novo dia!

PRUDENTE: Numa coisa você está certa: ficou mesmo muito tarde. O que vocês acham de descansarmos agora?

(As demais concordam e sentam-se no degrau do púlpito, segurando suas candeias/xícaras e simulando um sono. Os atores responsáveis pelos personagens Jesus e Téo esperam cerca de cinco segundos para retomarem as falas.)

JESUS: Téo, pode dizer que horas são agora?

TÉO: Meia-noite em ponto. Por quê?

(Ouve-se um grito vindo do corredor.)

ELTON: Saiam ao encontro do Noivo. Ele está a caminho!

(Obs.: qualquer pessoa envolvida no elenco da peça pode gritar esta fala, não precisa ser necessariamente o personagem Elton. Porém, a pessoa não pode aparecer no templo quando a cena for realizada.)

(As dez virgens levantam-se do degrau e apenas as prudentes acendem suas candeias.)

LOUCA: Consiga para nós um pouco do vosso azeite, para que possamos acender as candeias.

PRUDENTE: Pode não ter o suficiente para nós todas. Melhor que vão ao mercado.

LOUCA: Vamos comprar, pode ser que o Noivo nem esteja vindo realmente até aqui.

(As virgens loucas chegam à porta do corredor – fechada - simbolizando que foram procurar o azeite. As prudentes veem que Jesus está indo ao centro do templo, glorificam pela presença do Redentor da humanidade e ficam do lado direito do templo, mantendo-se próximas a Téo.)

VIRGENS PRUDENTES: O nosso Noivo está aqui!

(As virgens loucas escutam o júbilo das prudentes e passam a gritar, pedindo para que Jesus aproxime-se delas. As dez virgens, loucas à esquerda e prudentes à direita, interpretam a primeira canção da peça, “Dez virgens”.)

TODAS AS VIRGENS: Eram dez virgens

Cinco loucas e cinco prudentes foram encontrar o Esposo

As virgens loucas

Não levaram o azeite de reserva para encontrar o Noivo

E tardando o Noivo adormeceram, um sono profundo

Mas à meia-noite uma voz bradou assim:

“Se preparem, ó dez virgens, que o Noivo já está vindo aí”

VIRGENS PRUDENTES: As prudentes levantaram e acenderam as lamparinas

VIRGENS LOUCAS: As loucas, preocupadas, o azeite já não tinham:

“Dá-nos um pouco do vosso azeite, nossas lâmpadas se apagaram”

VIRGENS PRUDENTES: As prudentes responderam: “se a gente der, irá faltar

Vão correndo ao mercado e vocês poderão comprar”

Elas compraram o azeite; apressadas, foram bater na porta

VIRGENS LOUCAS: Mas a porta se fechou

E o Noivo lhes falou:

“Na minha festa vocês não podem entrar”

TODAS AS VIRGENS: Assim será a volta do Filho de Deus

Como as dez virgens, assim acontecerá

Cinco subiram e cinco ficaram

Quem não tiver reserva, no céu não vai entrar

A diferença das dez virgens que existia

Não era roupa, nem tampouco lamparina;

Não era azeite, porque todas possuíam

Mas era reserva – cinco tinham, cinco não tinham

Reserve um tempo, meu irmão, pra oração

Reserve um tempo para a consagração

Reserve um tempo pra louvar e adorar

Não deixe a lâmpada do Espírito apagar

Porque o arrebatamento muito em breve acontecerá! Ah, ah, ah, ah, ah, ah!

Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!

VIRGENS PRUDENTES: As prudentes levantaram e acenderam as lamparinas

VIRGENS LOUCAS: As loucas, preocupadas, o azeite já não tinham:

“Dá-nos um pouco do vosso azeite, nossas lâmpadas se apagaram”

VIRGENS PRUDENTES: As prudentes responderam: “se a gente der, irá faltar

Vão correndo ao mercado e vocês poderão comprar”

Elas compraram o azeite; apressadas, foram bater na porta

VIRGENS LOUCAS: Mas a porta se fechou

E o Noivo lhes falou:

“Na minha festa vocês não podem entrar”

TODAS AS VIRGENS: Assim será a volta do Filho de Deus

Como as dez virgens, assim acontecerá

Cinco subiram e cinco ficaram

Quem não tiver reserva, no céu não vai entrar

A diferença das dez virgens que existia

Não era roupa, nem tampouco lamparina;

Não era azeite, porque todas possuíam

Mas era reserva – cinco tinham, cinco não tinham

Reserve um tempo, meu irmão, pra oração

Reserve um tempo para a consagração

Reserve um tempo pra louvar e adorar

Não deixe a lâmpada do Espírito apagar

Porque o arrebatamento muito em breve acontecerá! Ah, ah, ah, ah, ah, ah!

Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!

Breve acontecerá

(Quando a música acaba, a porta do corredor é aberta. As virgens loucas não saem da posição, mas insistem para que Jesus lhes aceite.)

JESUS: Que estejam afastadas de mim, porque Eu não conheço vocês.

(Em desespero, as virgens loucas deixam o templo aos prantos – deste momento até o final da peça, a porta permanece aberta. Na sequência, Jesus fala diretamente às prudentes.)

JESUS: Ainda que não soubessem o dia e a hora em que Eu apareceria, vocês vigiaram. Por isso, Noiva amada do Cordeiro, com vocês estarei sempre.

(As intérpretes das virgens prudentes voltam para os lugares em que suas intérpretes estavam antes do começo da peça.)

09/04/2023

PARÁBOLAS | FICHA TÉCNICA DA PEÇA

 

Sinopse

Téo encontra-se vagando pelo mundo e completamente abatido, sentindo-se afastado da presença de Jesus. Ele acaba surpreendido quando o próprio Cristo apresenta-se para o jovem, recontando algumas das parábolas que havia compartilhado com seus discípulos durante a Sua primeira passagem pela Terra.

Ao longo da peça, ganham vida cinco das histórias relatadas pelo salvador da humanidade.

 

Personagens

Jesus

Téo

Dez virgens (apenas duas falam, sendo uma prudente e outra louca)

Tia Aline

Caio (equivalente ao cego que é guiado por outro)

Crianças (incluindo uma solista)

Jayme (equivalente ao Juiz Iníquo)

Renata (equivalente à viúva da parábola do Juiz Iníquo)

Sônia

Doze mulheres do fórum

Bruno (equivalente ao conservo da parábola do credor incompassivo)

Henrique (equivalente ao Credor Incompassivo)

Marcelo (equivalente ao patrão da parábola do credor incompassivo)

Defensora

Promotora

Cinco jurados

Elton (equivalente ao servo do pai do Filho Pródigo)

Otávio (equivalente ao pai do Filho Pródigo)

Luan (equivalente ao Filho Pródigo)

Ícaro (equivalente ao Primogênito)

Adolescentes

 

Figurino e objetos de cena

Jesus: vestes brancas, pertencentes ao acervo da igreja;

Téo: calca jeans escura, tênis e camisa brancos e outra camisa escura e manchada, que deve estar sobre a camisa de cor clara; o celular deve estar no bolso da calça e um notebook posicionado na prateleira do púlpito;

Dez virgens: candeias e vestidos brancos (recomenda-se que sem nenhum tipo de estampa), cujas barras estejam levemente abaixo dos joelhos  – caso não seja possível consegui-los, devem usar as batas utilizadas em cerimônias de batismo;

Tia Aline: vestido longo de estampa colorida e celular;

Caio: camisa azul clara e óculos escuros;

Crianças e criança solista: camisa azul clara;

Jayme: camisa social, calça, sapatos e terno pretos. A gravata de ser de cor clara, e o personagem deve carregar consigo uma pasta contendo vários papeis;

Cinco jurados: camisa social, calça e sapatos pretos, de gravata marrom; cada um deve trazer caneta e um pedaço de papel;

Bruno: camisa polo preta e celular;

Henrique: camisa cinza (pode ser casual ou social);

Marcelo: camisa polo amarela;

Defensora: blusa rosa;

Promotora: blusa lilás;

Sônia e as doze mulheres do fórum: vestido marrom;

Renata: blusa marrom;

Otávio: camisa social preta, calça jeans e sapato social, sem gravata;

Luan: usará camisa social clara, que deve estar com as mangas dobradas. O personagem deve ter manchas nos braços e o rosto molhado, sugerindo lágrimas ao entrar em cena;

Elton: camisa social amarela;

Ícaro: calça jeans e camisa verde (pode ser casual ou social);

Adolescentes: camisa vermelha.

 

Lista de músicas

- “Dez virgens”

Compositor: Renan

Intérprete original: Elaine Amorim;

- “Te ver”

Compositor: Pr. Lucas

Intérprete original: Trio R3;

- “Misericórdia”

Compositora e intérprete original: Bianca Toledo;

- “Deus fará”

Compositor: Anderson Peres

Intérprete original: Danielle Rizzutti;

- “Filho pródigo”

Compositor e intérprete original: Afonso Augusto;

- “Tua glória”

Compositor e intérprete original: André Aquino;

- “Filho meu”

Compositores: Anayle Sullivan e Michael Sullivan

Intérprete original: Anayle Sullivan.