29/05/2013

CANSA UNIVERSIDADE (“DANÇA DO KARAMETADE”, DO KARAMETADE)



 Menina, não dá para escrever artigo
Vou sofrendo, vou pedindo para a prova chegar

Se implicar, eu farei de novo no semestre ocioso
Que me exige esforço. É um curso penoso...
Quando vou eu acabar?

O professor (o professor)
Bem que tentou (bem que tentou)
Ensinar fácil para entrar na Federal
Mas é difícil, eu não fui advertido que iria à Final

Ambiciona somente aprender
Nota boa no Sig@ aparecer
Tudo a compreender. Logo revisa!
Pra Federais, Enem contará bem mais de cem
Questões. Teste sem parar. Para o ano letivo não vem?
Pra Federais também terá atividade
“Sete” adianta. Te digo que cansa universidade

27/05/2013

A CRUZ E A ESPADA/ CAPÍTULO 13


Eric volta para casa e encontra Sônia limpando a sala de estar.
-Meu tio ainda não chegou?
-Disse que está enfrentando um engarrafamento na hora do almoço e vai demorar pra chegar. Ligou há uns quinze minutos. O que você tem, menino? Brigou com quem?
-Com o Téo. Mas eu não quero falar disso, não, Sônia.
-Posso servir o almoço?
-Pode, sim.  Só é o tempo de lavar o rosto e as mãos. Daqui a pouco eu vou pra mesa.

XXXXX

O garotinho e a mãe que moram no prédio de Téo estão com uma sacola de feira, prestes a sair de casa. Enquanto ela está trancando a porta, o menino pede.
-Mãe, compra um pacote de biscoito pra mim?
-Se o dinheiro der, eu compro.
-Olha o Téo lá embaixo!
-Onde?- a mulher vê Téo desmaiado e logo se aproxima- Fica aí, Júnior. Pega a chave que está na bolsa, abre a porta e pega o celular, meu filho- O garoto corre e faz o que a mãe ordena.
Ao voltar para o corredor, a mãe sobe novamente e pega o celular e liga para Graziela.
-Mãe, ele morreu?
-Não, filho. Só está dormindo. Fica tranquilo. Ele está dodói e a mamãe vai chamar um médico pra dar remédio a ele- abraça-o- Fica quietinho. Fala baixo que eu vou ligar pra Graziela.
Graziela está no aeroporto com os estudantes que pretendem viajar. Recebe a ligação da vizinha de Téo.
-Alô?
-Graziela?
-Sim, sou eu. Quem está falando?
-Aqui é Verônica, a vizinha de Téo. A que mora junto do apartamento dele.
-Sim, sim. Tudo bem, Verônica? E com o Júnior?
-Está tudo bem. Eu estou te ligando pra avisar que a gente vai ter que levar o Téo pro hospital.
-Mas por quê? Ele passou mal? Teve alguma coisa?
-Vi ele caído ao pé da escada. Acho que ele rolou daqui de cima-
-Escuta, eu estou no aeroporto, mas estou indo pro apartamento. Não deixa de me dar notícias.
-Melhor é você esperar aí. Se a ambulância chega antes de você, vai dar uma viagem perdida. Deixa que eu te ligo pra dizer o hospital que vão levar o Téo.
-Tudo bem. Obrigada por me avisar- desliga o celular.
-Mãe, foi aquele moço.
-Que estória é essa, menino?
-Aquele moço que estava na casa dele. Disse que ia jogar ele daqui de cima. Eu acho que foi ele.  Era Eric o nome dele.
-Ouvi lá de dentro isso também. Vou ligar pra polícia.

XXXXX

Glauco chega contente à sua casa e rapidamente chama pelo nome de Sônia.
-Pois não, Dr. Glauco?
-Diga ao Eric que eu preciso falar com ele.
-Já estou aqui, tio- o jovem sai da cozinha.
-Com licença- retira-se Sônia.
-Que felicidade é essa, tio?
-Eu recebi a melhor notícia dos últimos tempos- abre a pasta e retira o envelope- Abre.
-O que é isso?
-Lembra do dia em que a Graziela provocou um corte nas suas costas, por conta da briga com a Sophia? Eu pedi ao médico para coletar seu sangue e examiná-lo. O exame que você fez depois do acidente é um engano. A sua saúde está perfeita!
-Eu já sabia. O médico veio me procurar e disse que o laboratório trocou meu exame com o do Téo. Ele é que está doente.
-Coitado do Téo... Mas sabem se a doença é irreversível? Você contou pra ele?
-Não deu tempo de contar. A gente se agrediu no novo apartamento dele.
-Ainda a briga pela Graziela?
-Dessa vez, ele fez pior, tio: ele dormiu com a Sophia pra se vingar porque eu tomei a Graziela dele.
-Você tem noção do que você acabou de falar? Você bateu no jovem após ter roubado a namorada dele.
-A Graziela é somente minha. Ela pode não ficar comigo nunca, mas sou quem ela deseja, e o Téo vai ter que aceitar isso.
A campainha toca. Sônia abre e são dois policiais.
-Nós estamos procurando Eric Ávila.
-Eric?
-Sou eu mesmo.
-Você vai ter que acompanhar a gente até a delegacia.
-Mas por quê? O que meu sobrinho fez?
-Ele é suspeito de uma tentativa de assassinato contra o jornalista Téo Andrade.
-Téo? O que houve com ele?
-Ele foi encontrado desmaiado na escada do seu apartamento. Um menor de idade afirma ter visto você ameaçando a vítima no mesmo local, hoje à tarde.
-Uma acareação será feita entre a testemunha e você.
-Não fiz nada! Juro que eu não fiz nada!
-Se não fez, vai provar. Se não, não há motivos para estar nervoso.

XXXXX


Com muito sono, Sophia não consegue adormecer sem saber o paradeiro de Jacqueline. Sai do quarto e vai até a sala, onde liga a TV.
-E uma última notícia. O jornalista Téo Andrade, que conquistou um importante prêmio recentemente, foi encontrado inconsciente na escadaria de seu apartamento. Segundo vizinhos, houve uma discussão entre ele e uma pessoa cuja identidade é mantida em sigilo pela polícia. A suspeita é de que Téo tenha sido vítima de uma tentativa de assassinato. O boletim médico ainda não foi divulgado. Outras informações a qualquer momento e a cobertura completa do caso você terá no “Notas Noturnas”.
-Foi ela! Eu tenho certeza de que foi ela!

XXXXX

Graziela chega ao quarto em que Téo está internado e fala com o médico.
-Como ele está, doutor?
-Você é parente dele?
-Não, sou só uma amiga. Os pais dele moram em Alagoas, e ele não tem parentes próximos. Qual é o estado de saúde dele?
-Bom, você vai ter que ser forte- sem que percebam, Téo desperta- O Téo está inconsciente devido a pancada que ele sofreu. Mas percebemos diversas manchas em seus braços. Tivemos que fazer os exames e... Descobrimos que ele já havia dado entrada no hospital, procurando um médico para falar sobre o assunto.
-Do que se trata, então?- sente o quão pode ser grave o que ele tem- Não. Não, o Téo não pode estar doente assim. Eu fui namorada dele, ele me contaria. Eu ia ver.
-O clínico geral disse que ele pediu segredo para não preocupar você. Por causa de um problema no laboratório, o exame foi trocado e ele achou que estava bem de saúde.
-O desmaio na premiação... Isso foi por conta do que ele tem... Doutor, seja sincero comigo.
-Téo tem um quadro bastante delicado. Como ele não procurou ajuda após receber o exame errado, dispensou os médicos. E isso foi crucial para o que aconteceu. O estado dele inspira cuidados, mas eu devo alertar: ele pode não sobreviver.
-Graziela?- o médico se retira.
-Fala, Téo. Eu estou aqui. Pode ficar tranquilo.
-Eu preciso contar uma coisa pra você.
-Não faz muito esforço. Você está fraco demais, seu caso é delicado... Por que você não me contou antes que suspeitava de alguma coisa?
-Pra te preocupar? Não, eu não queria que você se preocupasse, nem sofresse se eu tivesse alguma coisa. Como o resultado disse que eu não tinha nada, esqueci dessa estória...
-Eu me sinto culpada, Téo. Muito culpada pelo que está acontecendo. Se eu não tivesse sido tão impulsiva, se não tivesse me deixado levar, eu teria ficado do seu lado todo o tempo.
-Ainda preciso de você. Mas como amiga. Eu preciso que você proteja a Sophia e o filho que ela está esperando.
-Téo, o que você está me pedindo não tem o menor sentido...
-Ele é meu filho.
-O quê?
-O filho que ela está esperando é meu. Eu quis me vingar do Eric e seduzi a Sophia, só que ela ficou grávida. É por isso que eu estou no hospital.
-Você tem noção do que está me dizendo, não é? O Eric sabe disso?
-Sabe, e foi por isso que a gente discutiu.
-Quer dizer que foi ele? Ele te empurrou? Tentou te matar? É por causa dele que você veio parar aqui?
-Não... Jacqueline... A mãe da Sophia. Ela quis me matar porque falsificou o exame da Sophia e o plano de tirar o dinheiro do Eric deu errado por minha culpa. Todo mundo está correndo perigo por causa dessa mulher. Tem que tirar a Sophia de lá, pelo amor que um dia eu tive por você. Passa por cima das mágoas e de tudo que eu fiz. Salva a Sophia e o meu filho.

XXXXX

Como se estivesse voltando de um dia de compras, Jacqueline volta para casa com um aspecto cansado, fingindo que seu grave erro não foi cometido. Mas Sophia a espera, atrás da porta de seu quarto.
-Ah, que dia. Está praticamente impossível transitar nos shoppings da cidade, qualquer pessoa frequenta o ambiente...
-Foi você.
-Fui eu o quê?
-Você tentou matar o Téo!
-Aquele jornalistazinho insignificante? Sophia, você não ouviu o que eu falei? Fui às compras. Só não trouxe nada porque meu bom gosto nada tinha a ver com as ofertas do dia.
-Não minta- agora grita- Pouco tempo após sua saída, o “acidente” do Téo saiu na televisão. Justamente no dia em que você soube a verdade. Vai continuar negando que foi você quem tentou matá-lo?
-Sophia, eu não sou a única a querer ver o fim daquele homem. O Eric também. Inclusive os dois tiveram uma discussão acalorada antes que eu dirigisse a palavra ao seu ex-amante. Com direito à criança testemunhando e tudo.
-Para de mentir! Será que a senhora não sabe fazer outra coisa na vida?
-Minto para proteger aquilo que me interessa!
-Parece que sua felicidade é destruir a vida da sua própria filha!
-Quer que eu confesse, Sophia? Fui eu, sim. Fui eu quem o jogou daquela escada. Ah, se a vida me desse mais uma oportunidade, eu faria de novo com gosto! Imagina você que ele queria contar pra polícia que o exame de gravidez havia sido falsificado por ordem minha. Tive que calar a boca desse rapaz pra sempre.
-O Téo não morreu.
-Não?
-Ele sobreviveu. E mesmo que o pai do meu filho morresse, ele não seria o único a saber do exame falso. Outra pessoa sabe e te denunciou.
-Quem foi capaz?
-Eu fui.
-Sophia...
-Alguém precisava te parar, mamãe. E quem fez isso foi o amor que existe entre mim e o Téo. Amor que gerou esse filho que eu espero.
-Você me denunciou por estar apaixonada por aquele...
Jacqueline agarra a filha pela cabeça. Sophia tenta se defender da mãe inutilmente, até que a vilã a atira contra a parede, causando um sangramento e uma queda.
-Mãe... Mãe, me ajuda. Me tira daqui. Eu vou perder o meu filho!
-Se você perder, diz pro Eric que sofreu aborto espontâneo. Assim, ele fica penalizado e finalmente te dá a vida que eu tanto quis te dar... Ingrata! Eu vou ter que fugir por sua culpa!- vai até a porta.
-Não me deixa sozinha! Estou com medo! O meu filho, mãe! Socorro!
-Por mim, essa criança pode apodrecer aí dentro. E se você se importa tanto com ele por ser filho daquele homem que não tem onde cair morto, apodreça você também. Adeus, Sophia!
-Volta aqui, mãe! Mãe! Mãe! Alguém me ajuda! Socorro! O meu bebê! Socorro!
Jacqueline vai até o cofre da família, localizado no desativado escritório de sua casa, e retira de lá uma soma de dois mil reais. Ela guarda tudo numa bolsa e pretende sair de casa. Mas assim que abre a porta, é surpreendida com uma bofetada dada por Graziela.
-Assassina desgraçada!
Acuada, Jacqueline está novamente ao chão, sem esquecer que está é sua chance para escapar da justiça, e sem saber que não escapará do trágico castigo que deseja para os outros.

24/05/2013

A CRUZ E A ESPADA/ CAPÍTULO 12



-Isso é mentira! Isso é mentira- Jacqueline grita, inconformada- A Sophia está grávida, sim! Está esperando um filho seu.
-Você fez mal em não abrir o exame antes de sair de casa. Te poupava dessa vergonha. Se não acredita, leia então- entrega o exame.
-Não pode ser.
-Mãe, isso é impossível.
-Esse exame... Ele só pode estar errado. Vocês têm que acreditar em mim. A Sophia está...
-Cala a boca, Jacqueline- interrompe Glauco- Acabou a farsa. Seu teatro não tem mais sentido. Você não vai me atingir, por mais que queira ou aja pra isso. Sua filha sabe o porquê do seu plano?
-Eu não admito que você me ofenda!
-Certo. Tenho que ficar calado, na minha casa, pra escutar as suas sandices? Pois muito bem, todos agora vão saber por que a Sophia se aproximou do Eric. A Jacqueline e eu tivemos um romance no passado, muito antes de casarmos. Mas eu a desprezei porque queria subir na vida. Pouco tempo depois, eu me arrependi da minha escolha. E quando fiquei viúvo, até tentei procurá-la para tentar voltar com o nosso relacionamento. Só que... Quando eu vi a mulher amarga na qual ela se transformou, ambiciosa e perigosa, finalmente entendi que precisava me afastar dela.
-Sendo assim, que sou eu pra negar, não é, Glauco? Seu tio está certo, Eric. Tudo foi um golpe pra destruir sua família perfeita. Se ele- aponta para Glauco- conseguiu subir na vida passando por cima dos meus sentimentos, por que eu teria consideração com alguém dessa família? A verdade é que a Sophia foi instruída por mim. Ela não gosta de você. Pra ela, é um sacrifício ter que conviver com você- Eric vai fechando a mão direita- Seu valor é o dinheiro dos Ávila. Mas pra ela, nem o dinheiro conta. Porque você não passa de um inseto que a gente consegue esmagar...
Perdendo a cabeça, o jovem acerta um soco em Jacqueline, que cai ao chão, completamente tomada pelo ódio à família Ávila que só aumenta.
-Não toca na minha mãe! Não toca na minha mãe, desgraçado- Sophia bate em Eric, e Glauco tenta separá-los.
-Me larga, não encosta em mim, Sophia! Não encosta, senão eu acabo com você!
-Acaba! Bate, sem-vergonha! Eu quero ver se você é homem pra repetir comigo o que você acabou de fazer com ela!
-Não seja por isso...
-Chega, Eric! Chega! Se controla!- Glauco o afasta de Sophia.
-Deixa, Glauco. Deixa ele bater. Quero ver se o inseto tem coragem, se bem que um inseto tem mais valor do que você.
-Desgraçada!
-O que a minha mãe falou foi pouco perto do que eu fiz pra me vingar. Sabe como foi que eu me vinguei naquela noite em que você me humilhou na festa?
-Nem mais uma palavra! Fora da minha casa! Eu vou chamar os seguranças- anuncia Glauco.
-Vamos sair daqui, sim, Glauco. Mas uma coisa eu aviso: nem que eu perca tudo o que tenho, você e o Eric vão pagar por cada humilhação que a minha família está passando.
-O preço está sendo pago, Jacqueline. Mas não somos nós que estamos pagando. Você vai demorar com suas ameaças de sempre ou a segurança terá de ser acionada? Sumam daqui. E não voltem nunca mais. Do contrário, são vocês que vão se arrepender.
Jacqueline se reergue e toma a filha pela mão, saindo da mansão em seguida. Eric dá um abraço no tio, emocionado.
-Obrigado por ter me contado a verdade. Obrigado por ter me protegido, por ter mostrado a verdade, tio.
-Me perdoa por não ter te contado tudo antes. Mas eu passo por cima de quem for pra não deixar que esmaguem você. Eu te criei pra vencer. E isso você vai conseguir, ainda que eu não esteja mais aqui.
-Não fala isso nem brincando. O senhor é a minha família. Se eu te perco, eu...
-Tudo bem, tudo bem... Não vamos falar disso agora. É um momento de alegria. Seus olhos foram abertos. Daqui a pouco, a Graziela e você vão abrir os corações para o amor mais puro. Mas antes, você tem que resolver as pendências do seu passado.
Os empregados ficam emocionados com o novo abraço trocado e batem palmas. Eric, por sua vez, acredita que o conselho do tio é válido e decide acertar as contas com alguém que precisa ter uma conversa séria.

XXXXX

O dia amanhece. Jacqueline não conseguiu dormir e Sophia não conseguiu se abrir com a mãe para contar o que havia acontecido.
-Tão perto... Tão perto de destruir aquele canalha do Glauco... E eu falhei. Onde eu errei pra que isso acontecesse, onde?
-A senhora nunca me contou essa estória de ter namorado o Glauco Ávila na juventude...
-Era uma coisa que cabia a mim e a ele. O Eric, mesmo, não sabia de nada. O que me intriga é como esse exame deu negativo. Eu falei com o médico e pedi pra ele colocar o contrário do exame... A não ser que...
-Que o quê?
-Que você esteja grávida!Grávida de outro homem, de quem estava contigo naquele táxi- agarra-lhe- Quem é ele? De quem se trata? Eu preciso saber a verdade! Quem é o pai do seu filho?
-Mãe... – surpresa com a notícia de que está grávida.
-Fala de uma vez. Fala, Sophia! Quem é o pai dessa criança?
-É o Téo! Pronto, falei! É o Téo!
-Téo... Mas o único Téo que eu conheço é o... Era essa a vingança contra o Eric? Irresponsável! Você engravidou de um homem que sequer te dirige a palavra, apenas pra atingir o namorado rico, milionário e que ainda está interessado em você! Ainda por cima com o amigo de infância dele. Você me prejudicou e enterrou a chance de nos tirar da miséria! Maldita!
-Eu amo o Téo. Eu me descobri apaixonada por ele. Aconteceu de um jeito que... O Eric nunca conseguiu despertar isso em mim.
-Nojo. É isso que eu sinto por você. Asco! Isso não vai ficar assim. Eu não lutei tanto pra nada. Não vai ficar assim!
-Mãe! Onde é que a senhora vai?
-Se você inventar de vir atrás de mim, eu cometo uma loucura. Me deixa, Sophia! Me deixa!- bate violentamente a porta.

XXXXX

Dr. Gonçalves chega à casa de Eric.
-Eric Ávila, por favor.
-Um minutinho que eu vou chamar. O senhor é quem?
-Sei quem ele é. Pode sair, Sônia.
-Com licença.
-O senhor aqui? Como soube o meu endereço?
-Procurei pela lista telefônica. Eric, precisamos conversar sobre uma coisa muito séria.
-Se for sobre o exame, eu não quero saber.
-Você tem que me escutar.
-Escutar o quê? Pra vir me procurar, só pode ter descoberto que o meu caso é mais grave. Ou que não tem solução...
-Você não tem nada!
-O quê?
-Você não tem nada.
-Calma aí... Explica isso direito.
-O laboratório ligou pra mim e confirmou que o seu exame teve o resultado trocado acidentalmente. Você está ótimo de saúde. Quem está doente é outra pessoa.
-Não acredito... – sorri, aliviado- Eu vou viver. Viver, doutor. Faz tempo que eu não consigo dizer isso: “viver”! Pra mim, não tinha mais solução. Eu nem quis procurar ajuda!
-Não souberam explicar como isso aconteceu, mas quem está doente é um rapaz da sua idade, que fez o exame um dia antes do seu. Agora, eu vou ter que procurar esse rapaz e dar a notícia. Téo Andrade.
-O que tem o Téo Andrade?
-Ele está doente. Ele recebeu o diagnóstico de que estava bem, enquanto você... Bom, eu achei que era minha obrigação de te contar a verdade.
-O Téo... O Téo... Que loucura é essa?
-Você conhece o Téo Andrade?
-É meu melhor amigo. Foi meu melhor amigo. Eu... Eu preciso contar pra ele. Ele vai ficar arrasado. Obrigado por ter falado a verdade, doutor. Eu vou à casa dele. O Téo- as lágrimas vêm à tona- tem que saber a verdade. Sônia!
-Pois não, Eric?
-Manda o motorista preparar o carro. Eu vou... À casa do Téo.

XXXXX

Téo olha para a sua mala, quase pronta, quando a campainha toca. Ele vai atender sem saber que Jacqueline está escondida, observando Eric à porta.
-Eric. Acertou meu endereço novo. Quando eu morava no apartamento com a Graziela, nem passava lá. Só tinha tempo pra Sophia.
-Posso entrar?
-Fala daí.
-Eu tenho uma coisa séria pra falar com você.
-Sabe que eu também? Queria muito te ver e contar a verdade.
-Verdade? Que verdade?
-A Sophia não adiantou os detalhes? Pensei que ela já tivesse falado, e por isso tinha vindo aqui.
-Qual o assunto que você tem com ela?
-Nenhum. Ate porque a gente foi pra cama sem assunto nenhum.
-Do que você...
-Surpreso? Não sei por quê. Afinal, você não terminou com ela? Não estavam livres e desimpedidos? Aliás, livres, não, não é? Pelo menos você tem a Graziela como prêmio de consolação.
-Você não fez isso. Não, Téo. Você é...
-Seu melhor amigo? Aquele pra quem eu me abri e disse que queria investir na Graziela, porque sempre fui apaixonado por ela em silêncio? Aquele que quando soube que você tinha dado um fora nela, não perdeu tempo e foi sincero com você? Se você tivesse se apaixonado por ela antes, eu tinha tirado meu time de campo, porque você era como um irmão pra mim. Eu sempre te respeitei. Mas essa palhaçada que você fez comigo, de esfregar na minha cara qual era a preferência dela... Você não acha, realmente, que eu ia ser bonzinho com você, acha?
-Usar a Sophia pra se vingar de mim? Foi isso o que você fez?
-Você usa as pessoas como quer- levanta a voz- A gente tem que seguir as regras do jogo que você dita, desde sempre. Só tem uma coisa que eu lamento nisso tudo: foi não saber se contigo, ela teve a mesma sensação de prazer que teve quando eu trouxe a Sophia pro meu apartamento.
Eric dá um soco em Téo, que cai ao chão. Logo, ele levanta o amigo, agarrando-o pelo colarinho.
-Você não podia ter feito isso comigo!
-Era pra eu ter consideração por você? Que ficou o tempo todo minando meu namoro com a Graziela? Que ficava como um fantasma cercando a gente? Se tem alguém pra se queixar, “meu amigo”, esse alguém sou eu.
-Desgraçado!
-Mas não pense que tudo vai se resumir à vingança, não. A Sophia é a mulher que eu quero, e eu vou lutar por ela. Porque eu sei muito bem que, mesmo que você fique com a Graziela, é a Sophia quem você ama!
-Eu vou acabar com você!- novamente, desfere outro soco, sem esperar que o amigo revide duas vezes.
-Não volta mais aqui! Se você voltar, eu acabo com a sua vida.
-Quero ver se você vai conseguir com o pouco tempo que te resta de vida.
-Isso é uma ameaça?
-Não, isso é a vida, que vai te dar o troco- aperta o botão do elevador. Um garoto está passando pelo corredor com sua bola. Vendo que o elevador não funciona, decide descer às escadas. Jacqueline está escondida, ainda observando a briga entre Eric e Téo, que segue o rapaz.
-O que você quis dizer com “pouco tempo”, Eric?
-Não chega perto de mim. Não chega perto porque senão eu mato você. Eu jogo você dessa escada!
Uma moça põe a cabeça para fora da porta e grita.
-Júnior, vem pra casa agora. Rápido!
A criança, assustada com a cena, corre para dentro do seu apartamento.
-Mata nada. Quero ver você ter tanto ódio quanto eu tenho de você.
-Como é que a gente chegou a isso? Você era meu confidente, meu amigo, meu irmão.
-Tudo destruído por você mesmo. Agora, chega de conversa. O que você quis dizer com “pouco tempo”?
-Descubra sozinho, se puder- continua descendo às escadas. É nesse momento que Jacqueline o surpreende.
-Téo?
-Quem é a senhora?
-Eu sou a mãe da Sophia. A mulher que você engravidou.
-O quê?
-A minha filha está grávida, Téo. Grávida de um filho seu. Você a engravidou naquela noite, em que pegaram um táxi juntos.
-Isso é verdade?- sorri- Eu tenho que... Tenho que falar com ela. Mas... Como foi que ela descobriu?
-Eu vou te contar como. Nós estávamos na casa do Eric, tentando convencê-lo de que a Sophia estava esperando um filho dele. Subornei um médico e o mandei falsificar um exame de gravidez- fala pausadamente enquanto chora e assusta Téo- Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ela estava mesmo grávida e que eu tinha perdido a chance de voltar a ser rica? Tudo por sua culpa, porque você a seduziu.
-A senhora usou a Sophia pra dar um golpe no Eric? Como é que a senhora faz isso com a sua filha?
-Não me importa se ela é minha filha ou não. Eu tenho poder sobre a vida dela e vou fazê-la tirar essa criança. Porque eu não vou sustentar filho e um pé-rapado como você. E assim, o Eric vai voltar pra ela e ninguém vai impedir.
-Eu vou. Sophia não vai tirar criança nenhuma, ainda mais sendo minha. Eu não vou deixar que a senhora toque na Sophia.
-Sabe por que eu estou contando tudo pra você? Porque eu tenho certeza de que você não vai abrir sua boca- aproxima-se.
-Não só pro Eric, mas pra polícia também. Porque se a senhora fraudou, ou mandou fraudar algum exame, a justiça vai saber. Eu pago qualquer preço pra Sophia não sofrer as consequências da sua maldade. Nem ela, nem meu filho. Como é que a senhora tem tanta certeza de que eu não vou...
Jacqueline, violentamente, empurra Téo escada abaixo. Desce lentamente e ao se abaixar, percebe que os braços do jovem estão com sérias escoriações e manchas. Ela põe sua perna direita sobre o pescoço do estudante e fala.
-Morre! Morre, maldito. Se você quiser ver seu filho, vai conhecê-lo no inferno!- sai alguns minutos depois de Eric. Já na rua, completa- Prédios sem câmeras escondidas, sem porteiro, sem gente na rua... Um perigo, que lástima... – Jacqueline põe seus óculos escuros e chama um táxi.