19/07/2017

VOU ACIONAR PROFESSOR ("WORK", DE RIHANNA E DRAKE)

Vou, vou, vou, vou, vou
Acionar professor
Sou, sou, sou, sou
Quem quer aprovação
São, são, são, são
Mais de cem questões
Tão, tão, tão, tão


Difícil interpretar!
Há, há, há, há
Enem para aprovar,
Passar, passar!

Já um zero levou
No teste, pois não acertou
As dez questões que tu me trazes
Com os termos de suas frases
Há concordâncias nominais
E há concordâncias verbais
Habilitado, explico exemplo
Que sujeito concordará com verbo
Que núcleo do sujeito observo
Se for simples, flexionará núcleo do sujeito
Tu olharás se coletivo existir
No singular verbo é
Singular permanece
Singular. Observe…
Hum...
Muda se coletivo especificou

Não entendeu? Então...

Difícil o Enem
Nem, nem, nem, nem
Aguenta mais de cem
Cem, cem, cem, cem
Questões para marcar
Há, há, há, há
Casos novos, sim!
Se pronome vir,
Veja sujeito a seguir
"Quite", "incluso" e "anexo"-
E "obrigado"- use do jeito certo:
Vão concordar com substantivo
Vou ser aprovado no Sisu
Aprovado no Sisu
Aprovado no Sisu
Mas se for
"quem":
Veja termo que o antecede
 

Dica que vou eu te dar usará conforme
Dificuldade do exame
Sobre o verbo "haver": anote!
Olhe bem sentido:

"Hei" impessoal quando eu "existo"
Também quando "aconteço"; o livro
Pode comprovar o que eu te digo
O que viu vai te aprovar no final do ano!
A revisão adverte
Que pronome apassivador
Deixa o verbo no plural. Acorde!
Professor na aula explicou-te
Seu boletim mau alterou-se?
Revisão já fez (você fez)?
Enem chegará, acione de vez
O professor do colégio
Encerro paródia dizendo que...
 

Vou, vou, vou, vou, vou!

18/07/2017

O MEU TCC ("O AMOR E O PODER", DE ROSANAH FIENNGO)

Agradeça na prova
Resumo surgirá
Depois, em inglês bota
Sumário virá

Introdução coloco
Pra fundamentação
Encerro a cadeira
E logo chega
Colação

Eu, com certeza (breve também),
Passei no Enem (longe do fim)
E em breve no Enade
Passarei também

Dados a analisar,
A conclusão eu porei;
Bibliografia jogue,
Pois questionários
Anexei

Mas antes cadeiras (ô, ô, ô, ô),
Tão longe do fim (ô, ô, ô, ô),
Vou ter de extinguir,
Dedicado a fazer
O meu TCC

17/07/2017

ESTUDE O QUE VOCÊ QUISER ("TUDO QUE VOCÊ QUISER", DO LUAN SANTANA)

Tem dias que eu acordo já no TCC
Converso com alunos para o meu digitar
E aí me recomendam ABNT
Será que eu consigo, um dia, o Sig@ encerrar?

Urgente, eu procuro aprender citação,
Ter o autor e ano de publicação,
Usar recuo se citar muito
Federais um dia eu sonhei pra mim
Mas há dureza com o Sig@- bem ruim
Declararia tudo para concluir

Eu boto fonte Times em artigo meu
Eu boto no Sig@ certificado meu
Eu boto atestado que falta anula
Eu boto seis cadeiras, como quem estuda
Estude o que você quiser
E, se você quiser, logo terá renome

16/07/2017

FAÇA LEITURA ("MMMBOP", DO HANSON)

Se não se esquece nem um pouco do Enem,
De suas questões- são mais de cem,
Do cartão-resposta a preencher...
Então, só marque quando souber
Quando souber
O exame pedirá a você
Para enunciado ler
Portanto, tente entender,
Tente compreender
Tente compreender através 
Da leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!


O livro que contenha lição

Prova fiz, prova traz o que já leu,
Vestibulando;
Então, só marque a questão
Quando tiver convicção
Quando tiver convicção mediante
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!


Toda a questão; a resposta não vê?
Leia toda a questão; a resposta não vê?
Só pode responder
Se fizer,
Fizer leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!

E no exame conta interpretação
No exame vale interpretação
No exame pode ter pontuação
No exame faça interpretação
No exame terá a aprovação
No exame vale interpretação
Vale interpretação
Pontuação, pontuação!

Turma, turma, turma, turma lê
Turma, turma, turma, turma faz leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Lê!

No exame conta interpretação
No exame vale interpretação
Vale interpretação

15/07/2017

AVISE AO FERA ("AVISE A ELA", DOS CAVALEIROS DO FORRÓ)

Reitor, o que é que eu tô fazendo aqui?
Reitor, me faça curso concluir
Eu só me lembro que tem carga complementar
Eu só me lembro que sou um graduando; não vou, porém, curso acabar?

Reitor, o Sig@ já não quer abrir
Rejeito assim oferta dada a mim
Não adianta monitor eu me transformar
Não adianta! O docente espera evento pra participar

Se quer me formar, fala pra fera que o remédio é frequentar
Pra não ter medo de faltar à colação, eu receio
Reitor nunca me aprovar
Se quer me formar, arruma um jeito. Manda ele se apressar
Daqui a pouco, a colação me chamará outra vez
Eu não sei se consigo aguentar!


Avise ao fera

14/07/2017

LITERATURA NO BRASIL ("GALERA DO BRASIL", DE ALMIR ROUCHE & BANDA PINGUIM E DO MARROM BRASILEIRO)

Antes de ler
Arte barroca,
Ao Quinhentismo
Dê enfoque
Árcade viu
Pra que se esforce
Romance foque, foque, foque, foque, foque!
Completa, então,
Realismo
Naturalismo
Há quem cobre
Parnaso- hei
De tirar 9
Simbolismo e o Moderno. Que anote!

Literatura no Brasil
Decorou? Decorou?

Anota pra crescer (anota pra crescer)
Nota em vestibular (nota em vestibular)

Pro professor (professor)
Passar (passar)


13/07/2017

UFPE ("MINA DE FÉ", DE OS MORENOS)

Fez fera o quiz
Sem saber?
Isso me revolta
No Enem que eu fiz
Eu aprovei,
Mas roubaram a prova
Com meu professor
Já compartilhei
Nota com louvor
Logo ingressei
Iminente a faculdade
Tanto deu lição,
Tanta atividade
Pra aprovação,
Pra universidade
Iminente a faculdade
Eu aprendi
Pra nota alta:
Aula vaga= revisada
Eu prometi
Só me dedicar
Ao vestibular

Ponto não vai perder
Muito em breve vai ingressar
Na UFPE, na UFPE
É preciso entender
Pra diploma ter logo mais
Na UFPE, na UFPE

12/07/2017

LÊ ARTIGO ("DESPACITO", DE LUIS FONSI, DADDY YANKEE E JUSTIN BIEBER)

(Thiago, Thiago Babababababababarros!)

Se já não é bem-sucedido o seu boletim
Tente contatar seu professor
Vi que nota baixa estava tirando, sim
Só nome completo acertou
Tudo que eu falar cairá na final
Segue revisando ou volta ao maternal?
Professor cobra se não tiver estudo!
Já, já considerou tema gramatical?
Poucos são quesitos para o teste, mas
Para fazer nota subir, te ajudo

Lê artigo
Sobre o uso correto do artigo
Leia capítulo completo do livro
Que diz que um dos tipos é o definido
Lê artigo
Que esclarece o outro tipo de artigo
Friso que "um" é artigo indefinido
Valendo para plural e feminino

Sobe, sobe, sobe
Sobe nota!

Quero escapar do zero,
Quero ser exímio,
Quero fazer boa prova
Tudo tenho por escrito (por escrito; por escrito, baby!)
Deixa-me utilizar as dicas, eu suplico!
Boletim bom eu consigo
Se souber do gabarito

Se hoje for vestibulando
Depois será formando
Zero não vai levando
Pois segue estudando
Sabe que as questões da tua avaliação são
Fáceis, para que consiga a aprovação; são
Do livro extraídas para provar o que sabe
Zero, zero, zero no teu boletim já não cabe
Veja na apostila e sua nota não cai
Com conhecimento, ser graduando vai
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti vocativo
É com quem conversa, pode ter certeza
Invoque ouvinte com vírgula! Veja!
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti vocativo
Que aposto seja explicação certa
Sobre o sujeito. Nota boa peça!

Lê artigo
Sobre como usar todo adjetivo
Atributo segue ele atribuindo
A qualquer exemplo de substantivo
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti
Quero fazer boa prova
Tudo tenho por escrito (por escrito; por escrito)
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti
Boletim bom eu consigo
Se souber do gabarito
Lê artigo!

11/07/2017

PEDE QUE ESTUDE ("PLENITUDE", DE GINO LIVER E FERNANDA LENNON)

Período composto está na lição
Depois de coordenadas, subordinação
Substantivas e adjetivas vi 
Agora adverbiais vou dividir
Causal, consecutiva e final eu quero
Conformativa e temporal eu espero
Concessiva e comparativa também
Proporcional e condicional vêm

Pede que estude o professor

E que decore as orações
Isso te faz obter
A nota boa. Tem que ler!

Pede que estude...


Sem abrir livro não gabarita

Escute, por favor
Sem abrir livro não gabarita
Escute o professor

10/07/2017

O SIG@ ("PARADINHA", DE ANITTA)

Graduando vai enlouquecer
Fugirá do Cac todo graduando
Que faz o estágio e TCC
Se quiser um 7, aluno vai sofrer
Graduando vai enlouquecer
Fugirá do Cac sem aguentar estudo
Pior é professor, que vai dizer
Que pra ver a nota tem que botar senha
Pra entrar no Sig@,
Entrar no Sig@!
Entrar no Sig@,
Entrar no Sig@!

Não tire xerox no CE

No CFCH mais em conta é
É uma raridade tirar dez
Que erro grave graduando fez
Pra travar o Sig@, 
Travar o Sig@?
Travar o Sig@,
Travar o Sig@?


Eu espero
Que já chegue

Barro/ Macaxeira
Já é meu sonho
Colar o meu grau, sim!
Faculdade
Já não mais me encanta
Porque tenho que alterar senha do Sig@,
Senha do Sig@! 
Senha do Sig@,
Senha do Sig@!

Há quem consiga
Entrar no Sig@?

09/07/2017

CARREGUE O VEM ("DESLIGA E VEM", DE EXALTASAMBA)

No metrô, explicam pra você
Pois tem linha que não pode
Receber grana; se informe
Tem que o Vem fazer
Não permite o motorista
Que eu pague dinheiro trocado
Pelo menos a tarifa
Não tem se alterado
Fiz já, e você?
Na Soledade atende!
Se for anel B,
A pé sigo em frente

Teu Vem tu já tens garantido?
Tem de estudante, pra quem a metade paga
Terminal parece ter vendido
Faça de uma vez pra girar a catraca
O cartão está utilizando?
Da sigla sabes tu significação?
No metrô vale vem aceitando
Carregue o Vem depressa pra usar no "busão"

(faz teu Vem, sim... Carregue o Vem depressa pra usar no "busão")

08/07/2017

VIDA LOUCA: CAPÍTULO 35: VIDA, LOUCA VIDA, VIDA BREVE (ÚLTIMO CAPÍTULO)

-O que foi que você fez comigo?- Bete demonstra estar apavorada.
-Achou mesmo que eu não tinha coragem pra atirar, Bete?
Fábio nota que Vinícius errou o tiro ao ver um buraco na mesa de madeira que está na sala. Vendo a tia mentir, o rapaz grita.
-Não acredita nela, Vinícius!
Quando o modelo olha para Fábio, Bete atira contra o filho de Luciano, acertando-lhe no abdômen. O rapaz rapidamente cai ao chão, ainda com a arma em punho.
-Lamento tanto que você não tenha mira, meu querido. Mas fazer o quê?
-Não toca nele! Deixa ele em paz!
-Olha... – Bete vira de costas para Vinícius e aponta a arma apenas para Fábio- Nunca pensei que vocês fossem ser tão amigos. Um disposto a morrer pelo outro, quem diria? Pelo menos, vão sair de cena com dignidade.
-Você já acabou com o Diego, com a Victória! O que você quer mais? Não tá vendo que a tua liberdade tá em jogo, não?
-Eu nunca fui livre, Fábio. Você e a Alice acabaram com a minha vida. E todos de quem eu me livrei, do Diego, da Victória... Todos foram um atalho até o dia de hoje.
-Por que eles?
-Cara, não é que esse embuste que eu acabei de me livrar descobriu que a morte do Diego não teve nada de acidental? O Diego descobriu o meu segredo e queria contar pra todo mundo, por isso que eu atirei aquele canalha da escada e simulei o acidente.
-Mas a Victória não sabia de nada do que você tinha feito, não sabia nem quem era você.
-Só que ele, sim! Por isso que eu mandei o Sal e o Lipe darem um jeito nela, pra calar a boca do Vinícius. Não adiantou nada. A polícia já veio atrás de mim.
Ouve-se as sirenes da polícia, liderada por Luciano, que ouviu os tiros por meio de uma escuta implantada em seu filho.
-Você ainda pode ter tudo que você quiser, a minha mãe vai te dar o dinheiro da parte dela na herança, entrar num acordo contigo.
-A Alice me tirou o amor do Fernando. Chegou a minha vez de fazer justiça e tirar o que ela mais ama- aponta o revólver, desta vez, para a cabeça de Fábio- Perdeu, Fábio- a traficante cai nos braços do sobrinho após ser alvejada por três disparos que atingiram as suas costas, feitos por Vinícius, que tentou arrastar-se no chão.
-Pela Victória, desgraçada!- declara Vinícius, com dificuldade para falar.
Bete solta a arma e cai ao chão, desacordada, e Fábio corre para ajudar o modelo, que está sangrando muito.
-Vinícius, fala comigo! Pelo amor de Deus, cara, reage! Socorro!- grita, envolvendo o tronco do amigo em seus braços- O Vinícius tá ferido, alguém me ajuda! Socorro!
-Filho!- Luciano invade a sala da fábrica abandonada- Filho, o que foi? O que fizeram contigo?
-A Bete atirou nele, Luciano; eu não consegui fazer nada!
-Eu vou ligar pra ambulância!
-Pra quê, Pai? Não precisa. Já acabou...
-Onde é que você arranjou essa arma? Você não podia ter feito isso, não foi o que a gente combinou!
-Roubei... Do seu quarto. Eu não queria que ela saísse daqui viva. E não saiu. Finalmente eu fiz alguma coisa que prestasse nessa vida.
-Não se mexe, eu vou chamar uma ambulância pra te tirar daqui!
-Não dá mais tempo, Pai.
-A gente vai te tirar daqui, Vinícius. Confia na gente, mas aguenta firme, por favor!
-Ela não existe mais, Fábio. Agora, sim. Você não precisa mais ter medo de seguir com a tua vida.
Luciano chora ao constatar que está perdendo o seu filho.
-Escuta bem: você não pode me deixar! Você é a minha vida, Vinícius! Tem que lutar pra sobreviver!
-Tô cansado, Pai. Não tem mais sentido pra mim!
-Não desiste de você desse jeito, meu filho!
-Me deixa dizer... Eu te amo. Do meu jeito torto... Mas eu sempre te amei, Pai.
-Eu também te amo, mais que tudo! Por favor, Vinícius, não me deixa... Não me deixa!
-Me promete uma coisa, Fábio?
-Tudo que você quiser, pode pedir.
-Cuida dele pra mim. Não deixa meu pai sozinho.
-Tá, eu te prometo. Mas não fala desse jeito, que você vai se... – Fábio perde o amigo naquele momento.
-Filho! Filho! Não me deixa, filho! Reage, Vinícius! Reage, meu filho!- Luciano abraça o corpo ensanguentado do modelo, ferido mortalmente por Bete. Fábio entra em desespero, mas abraça o policial, abatido com a morte do filho. Aos poucos, enquanto os outros policiais chamam reforços, ele deixa que Fábio abrace o amigo e vai ao corpo de Bete, medindo a pulsação da meliante.
-E ela, Luciano? Tá morta?
-Nunca mais ela vai infernizar ninguém, Fábio. A vida dessa miserável acabou.

Aflitos pelo fato de que Fábio ainda não chegou à mansão, Alice e Caio recebem Gabriela, Eduardo e Ariane, quando a mãe do rapaz recebe um telefonema da polícia.
-Sim, mas ele está bem? Pra qual delegacia estão levando ele?
-Delegacia? O que é que o Fábio tá fazendo lá?- Eduardo fica assustado com a notícia.
-Eu disse que tava sentindo alguma coisa de errado, só podia ser com o Fábio!- Gabriela relembra o pressentimento que teve em sua casa.
-Sei, eu sei onde fica. Já estou indo pra lá. Obrigada por ligar.
-O que é que a polícia queria falar com você, Alice?- Ariane questiona.
-Me deram a noticia de que houve uma troca de tiros entre o Vinícius e a Bete.
-O Fábio tava lá, Dona Alice?
-Estava.
-Ai, meu Deus...
-Mas fica tranquila, por favor. O Fábio está bem. Só que ele está indo pra delegacia prestar depoimento. O Luciano está com ele.
-E a Bete e o Vinícius? O que houve com eles, Dona Alice?
-Houve uma troca de tiros, Eduardo. O Fábio foi o único que sobreviveu.
-Olha, eu não devia dizer isso, mas... Eu fico até aliviado de saber que essa garota saiu do nosso caminho- Caio é sincero com os demais.
-Coitado do Luciano. Tanto que ele lutou pra tirar o filho do vício e ver o Vinícius acabar desse jeito?

O Instituto Médico Legal, acionado por Luciano, chega à fábrica abandonada para recolher os corpos, já cobertos por lençóis brancos e colocados sobre macas. Mas o policial se recusa a largar o filho. Fábio intercede para não prolongar o sofrimento.
-Deixa ele ir, Luciano. O perito tá te esperando pra levar o corpo.
-Eu não consigo, Fábio. Eu não perdi o meu filho, ele foi tirado de mim. Tanto que eu fiz pra tirar ele do vício, e agora que ele estava se recuperando...
-Luciano, a gente precisa ser forte. O Vinícius foi embora sabendo o quanto você amava ele. No fundo, ele sempre soube.
-Como é que eu vou conseguir viver sem o meu filho, Fábio?
-Não tem receita pra amenizar a dor, cara. Mas a gente vai seguir firme e junto. Eu prometi.
-Obrigado por ter sido um amigo fiel a ele até o último momento.
-Assim como ele foi comigo, Luciano. Se hoje eu sou uma pessoa diferente do que eu fui um dia, é por causa dele.
-Luciano- o perito chama pelo policial- A equipe precisa levar os corpos pro instituto.
Luciano balança a cabeça positivamente e segue ao lado da maca, levada até o carro do IML. A maca em que Bete está é recolhida em seguida, mas antes Fábio olha para o corpo da tia, cuja mão esquerda não está envolvida no lençol. E ele presencia a traficante mexendo duas vezes os dedos. O adolescente, entretanto, fica calado e segue para a delegacia, onde prestará esclarecimentos sobre a troca de disparos.

Seis meses depois...

Em uma parceria com Alice e Caio, Luciano cria uma organização não governamental que leva o nome de seu filho, Vinícius Pradines. O local servirá para o tratamento de jovens contra o vício em entorpecentes. Na ocasião da inauguração, Ariane comparece e inicia uma conversa com Lúcia.
-E como vai a Casual Models?
-A gente tenta se reerguer, não é? Depois de duas mortes tão violentas, os anunciantes ficaram com receio de vincular algum rosto da agência aos produtos que vendem. Felizmente, essa impressão ruim vem se dissipando.
-Ainda mais agora, que o Vinícius é visto como um mártir pela opinião pública depois que salvou a vida do Fábio.
-Você sabe que até um escritor foi me procurar na agência, querendo escrever uma biografia da história do Vinícius e da Victória?
-Nossa!
-O que eu estranhei é o Fábio não estar aqui. O tratamento dele não terminou?
-O Fábio sai do centro de apoio amanhã, e vai direto pra casa de verão da família dele, lá na Praia do Paiva.
-E é óbvio que a Gabriela deve ir junto.
-O Caio e a Alice convidaram o Eduardo também, pra eles passarem uns dias longe de tudo.
-Falando nisso, o que foi feito do divórcio? Eles se separaram mesmo?
-Desistiram- Ariane olha para os pais de seu genro.
-Por causa do Fábio?
-O Caio redescobriu o pai que ele é e passou a admirar mais a Alice pela garra que ela teve durante o problema do filho deles.
-Vem cá, me diz uma coisa: existe um arrependimento por ter se afastado do Caio há tantos anos?
-Vendo a família que ele construiu e o homem no qual ele se transformou, eu não tenho, Lúcia. E, pelos nossos filhos, precisa haver um respeito entre nós. Olha só pra eles, Lúcia. Depois de tudo que aconteceu, eles tiveram forças pra fazer essa parceria com o Luciano e ajudar esses jovens.
-Fiquei sabendo que muitos dos que viviam usando drogas no colégio onde os meninos estudavam estão nesse projeto novo.
-O Luciano os convenceu a se darem uma chance. Alguns deles andavam sempre com o Vinícius. Quando o projeto do Espaço Vinícius Pradines surgiu, ele lembrou que o filho sempre falava de uma turma que também consumia entorpecentes. César, Leandro, Jorge... – Ariane olha para os referidos, sendo acolhidos pelo casal- Esses vão ter a chance que o Vinícius nunca quis ter.

Sobre um amontoado de rochas da Praia do Paiva, Fábio amanhece olhando para o céu e agradecendo pela nova chance de vida que teve. Com seu carro, passa Luciano, que reconhece o rapaz e vai ao seu encontro.
-Até que enfim você saiu do centro. Pronto pra recomeçar a vida, garoto?
-Sempre. O que você tá fazendo por essas bandas a uma hora dessas?
-De vez em quando, sempre que não tenho que acordar cedo ou um plantão pra fazer, sigo com meu carro e rodo a cidade.
-Você sempre fez isso?
-Não- admite, após pausa- Comecei a fazer de uns tempos pra cá.
-Luciano... Eu imagino que você não goste de falar sobre tudo o que houve, mas a gente não se vê desde que aquilo rolou com o Vinícius. Nem pro velório dele eu pude ir.
-O centro de apoio achou melhor que você não fosse. O que você viveu foi muito pesado, Fábio. Não era bom mesmo que você fosse. Uma das poucas pessoas que foram ver o meu filho pela última vez foram seus pais e a Lúcia, a dona da agência. Depois disso eu levei... Levei meu filho pro crematório.
-E a Bete? Onde ela foi enterrada?
-A sua mãe não quis se encarregar de nada. Por isso eu resolvi cremá-la no mesmo dia. É claro que ninguém foi. Quem queria se comprometer com uma traficante como ela?
-Sei. O que você fez com as cinzas?
-Joguei os restos mortais do meu filho no mar uma semana depois...
-Não, o que você fez com as cinzas da Bete.
-Fábio, por que seu interesse no que foi feito daquela garota agora?
-Luciano, o Vinícius me fez prometer que eu ficaria do seu lado, e você hoje me inspira tanta confiança que é como se fosse meu próprio pai. Por isso, eu quero ser sincero contigo e tô esperando que você seja do mesmo jeito comigo.
-Claro, Fábio. Me diz, então: o que você quer saber?
-Eu não sei se eu tava muito nervoso, mas... Tem uma cena que não sai da minha cabeça.
-Qual?- Luciano começa a suspeitar do que seja.
-Quando o Vinícius tinha acabado de morrer, você se levantou do chão e foi ver se a Bete tava viva. E me disse que não. Só que...
-Termina, Fábio, por favor.
-Quando o IML chegou pra levar embora os dois, a mão da Bete ficou descoberta. E eu vi.
-Viu o quê?
-Ela se mexendo. A Bete não tava morta como você pensava. Ou como... Como você queria que eu pensasse.
-Quer que eu seja franco, como eu sempre fui à vida inteira? Pois muito bem: a Bete morreu, sim. Morreu porque tinha que morrer. E pra mim, a vida daquela desgraçada acabou quando ela disparou contra o meu filho.
-Luciano, o que... – Fábio procura fôlego para desvendar o que houve com a tia após o tiroteio- O que você fez com ela?
-A Bete decidiu que o meu filho tinha que morrer. E eu decidi pela vida dela quando vi o meu filho morto. Por isso, eu não podia deixar aquela infeliz com vida.
-Mas ninguém sacou nada, que ela ainda respirava?
-Infelizmente, gente que se deixa corromper tem em qualquer lugar, até na polícia. E pra impedir que a Bete destruísse mais alguém, eu tive que me tornar uma dessas pessoas. Quando eu liguei pro IML, impedi os outros policiais de chegarem perto dela. E pedi que o perito a levasse pra lá, mesmo sem que ela estivesse morta. Pelos ferimentos, a única certeza que eu tinha era de que o estado de saúde da Bete era grave.
-Quer dizer que você deixou ela definhar ao invés de prestar socorro?
-Não exatamente.

Luciano passa a lembrar da ocasião em que um técnico em necropsia conseguiu retirar os projéteis do corpo da traficante. O processo foi acompanhado pelo policial.
-Pronto. Já fiz o que era possível nesses casos.
-Tem chances de sobreviver?
-Sim, Luciano, ela vai escapar. Só não entendo por que mandaram essa moça pro IML em vez de atendê-la no hospital.
-Lobato, presta atenção: essa desgraçada acabou de assassinar o meu filho. Eu não posso deixar que ela fique viva.
-O que você quer? Que eu mate a moça?
-Isso, não. Eu quero que ela sofra, mas não pelas mãos de um estranho, e sim pelas minhas.
-Luciano, eu sei da sua luta pelo Vinícius. Eu também perdi um filho pras drogas, entendo como você se sente agora.
-Impotente. Mas eu não perdi meu Vinícius pra nenhum vício. Foi pra ela.
-Não me peça nada que eu não possa fazer. Eu não sou assassino.
-Posso esperar que ela se recupere e vá pra cadeia. A Bete, com certeza, vai ser condenada, mas não vai conseguir trazer o meu filho de volta pra mim. Esse crime não é a justiça que vai solucionar. Sou eu.
-O que eu posso fazer por você?
-Declara que ela está morta. Do resto eu cuido.
-Eu não posso fazer isso.
-Pode. Eu não posso permitir que ela destrua mais ninguém. Declara a morte da Elizabete e deixa que eu me viro.

-Só isso que você fez? Deixou que ela morresse sem socorro?
-Seria muito cruel com ela se isso acontecesse, Fábio. Só que eu me senti o pior homem do mundo por não ter protegido o meu filho, e tinha que ser da mesma forma com ela.
-Como conseguiu? Onde que você arranjou tanta frieza?
-A Bete me deu. E eu não me arrependo de nada.
-Quer dizer que ela sofreu de dor sem remédio, tratamento, nada?
-A agonia que ela viveu foi curta, mais do que a minha até agora.

Luciano, então, volta ao dia em que cremou o corpo de Vinícius. Quando todos foram embora, o policial ficou sozinho no crematório e foi até uma das gavetas, a que guardava o corpo da moça, ainda com vida.
-Bete? Bete, você está me ouvindo? Acorda, Bete- a moça abriu os olhos- Bem-vinda ao seu último dia de vida. Eu sei que você quer muito pedir ajuda, e pela primeira vez na sua vida miserável, sente medo de alguém. Só que não vai dar. Antes de te trazer pra cá, eu injetei em você um bloqueador neuromuscular, sabe o que é? É uma droga que te impede de se mexer, de falar, de fazer qualquer coisa. Só estamos nós dois aqui. Quer dizer... Daqui a pouco, só eu. Porque chegou a hora de sentir na pele tudo que os outros sofreram por você. Vai pro inferno, maldita!- Luciano fecha a gaveta, desesperando Bete, que ficou ainda pior quando viu Diego, imóvel, deitado ao seu lado.
-Não te prometi, meu amor? Seu fim vai ser pior do que o meu.
E Luciano incinerou o corpo da traficante, que não pôde defender-se da vingança.

-Por que você me olha desse jeito? Acha que eu sou um criminoso, um assassino como ela? Vai me denunciar?
-O pior é que eu consigo entender você. Consigo porque eu me coloco no lugar dos meus pais. E se fossem eles? E se eles vivessem a mesma dor que a sua?
-Eu não quero mais ser entendido, nem me fazer entender, Fábio. Mas eu quis e fiz justiça. Pode ficar certo: até o último dia, não vou ter o menor arrependimento do que eu fiz.
-Luciano, eu quero te pedir uma coisa.
-Fala.
-Não desiste de você, não, tá?- coloca a mão sobre o ombro do amigo.
-Já desistiram por mim há seis meses, Fábio. Agora é seguir em frente, com mais dúvidas do que respostas.
-Tô atrapalhando?- Eduardo chega quando o policial conversa com o adolescente.
-Não, cara, imagina- Fábio disfarça o choque com a revelação.
-Eu vou ter que ir agora pra casa, descansar um pouco.
-Por que o senhor não vem passar uns dias aqui com a gente, Seu Luciano?- Eduardo sugere.
-Melhor eu ficar comigo e com as minhas lembranças. Obrigado por me ouvir, eu precisava muito desse desabafo.
-Sabe que pode contar comigo sempre- Fábio abraça o policial.
-Tchau, Eduardo.
-Tchau- Eduardo espera Luciano afastar-se para tecer um comentário- Tá tudo bem mesmo?
-Por quê, cara? Não parece?
-Não, é que... O clima ficou bem estranho de repente.
-Impressão sua. Eu tô estranhando mesmo é você a essa hora em pé.
-Tinha que te mostrar uma coisa- o filho de Ariane tira do bolso uma câmera digital.
-Que massa, Edu! Quando foi que você comprou?
-Ganhei da minha irmã em junho, quando fiz aniversário. Mas ainda não estreei, não. Tava esperando você, meu amigo.
-Pra quê? Pra fazer uma palhaçada e jogar no YouTube?
-É uma surpresa.
-O que você tá aprontando, Edu?
-Confia em mim- Eduardo ativa a função de filmagem- Faz o seguinte: vai andando naquela direção.
-Olha lá o que você vai fazer, hein?
-Relaxa, Fábio. Pode ir em frente.
Fábio segue a orientação do melhor amigo e vê Gabriela caminhando em sua direção.
-Você também pulou da cama tão cedo? O que foi que houve?
-Calma, que isso não é um pedido de casamento ainda- esclarece Gabriela, aos risos- Não tá notando nada de diferente em mim, não?
-Pra ser bem sincero, não.
-Olha pro rosto dela, Fábio.
-Caramba, esse band-aid é... Jura?
-Fábio, você agora é namorado da futura engenheira civil do Recife!
-Mentira, né? Eu não acredito! Que bom, Gabriela!- Fábio rodopia com a moça sobre os seus braços e a cumprimenta com um beijo apaixonado- Você não sabe o quanto eu tô feliz por você!
-Eu sei, Fábio. Essa conquista é sua também, você foi a pessoa que mais me deu incentivo pra esse sonho.
-Agora esse é só o primeiro de muitos sonhos que a gente vai realizar juntos um do outro.
-Não disse que era bom filmar a reação dele, Gabi?- Eduardo comenta a respeito da cena- Ele ficou mais feliz que você!
-Parece que eu não tô vivendo esse momento, sabe? É muita felicidade ter você de volta.
-Pra nunca mais sair de perto- Fábio dá um novo beijo na namorada.
-Sabe do que eu me lembrei agora? Do último capítulo de “Malhação”, aquele que passou em outubro. Lembra do que o casal principal falou?
-Lembro, Edu. É até uma frase que tá na minha agenda, e é do Fernando Sabino: “no fim, tudo dá certo; se não deu certo”...
-“É porque não chegou ao fim”- completa Fábio, diante da imensa felicidade pela conquista da namorada. Eduardo começa a filmar os três juntos correndo pelas areias da Praia do Paiva naquela manhã que poderia não terminar nunca mais.


Fim

07/07/2017

VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 34: HERÓI DOS PIVETES (PENÚLTIMO CAPÍTULO)

-O que foi? Pirou de vez? Onde é que você me ouviu falando isso?
-Não mente pra mim, nem tenta me fazer de idiota! Eu ouvi pela extensão quando estava lá embaixo.
-Você ouviu a minha conversa? Deu pra isso agora? Tá me vigiando?
-Não foge do assunto, Vinícius! Você tá planejando alguma coisa contra a Bete e quer usar o Fábio como isca. Melhor você me contar o que está acontecendo!
-Eu não tenho nada pra conversar com o senhor, e muito menos sobre essa pessoa, que eu nem sei quem é.
-Nada me tira da cabeça que você está mentindo.
-Pense o que quiser.
-O que deu em você? Virou criminoso ou está querendo virar?
-Seja lá de onde você tirou que eu quero matar alguém, é mentira!
-Realmente, você acha que eu nasci ontem?
-Não me interessa quando foi, tô pouco me lixando! Só quero que você me deixe em paz!
-Pra cometer o seu crime em paz?
-Pai, eu já tô perdendo a paciência contigo!
-Antes isso do que a liberdade, que você vai perder dentro de alguns dias.
-Você pirou?
-Pior que não. A Bete tem alguma coisa a ver com a morte da Victória, não tem?
-A Bete?
-Eu fiquei encarregado de investigar as denúncias que a Gabriela fez. Ela acusou essa garota de drogar o Fábio pra que ele tivesse uma overdose e de atirar no Eduardo, e suspeita também de que foi ela que mandou o carinha matar o irmão dela no hospital.
-Por acaso a Gabriela provou alguma coisa? Ela tá trabalhando pra polícia agora?
-Só que existe um detalhe que a polícia descobriu e que envolve essa menina: o dia da morte da Victória.
-O que é que tem isso?
-Você se lembra de uma empresa de segurança que ficava atrás do colégio, logo na rua que muitos dos alunos saem depois da aula?
-Sei, a Vigilantes do Recife. Sei também que tinha fechado há um tempo. O que é que tem ela?
-O circuito de câmeras da empresa não foi desativado assim que o prédio foi desocupado. E por esses dias, o responsável pela segurança do edifício viu as filmagens da morte da Victória. Registraram o rosto dos dois assaltantes.
-Quer dizer que descobriram?
-Descobriram sim. E um deles, o que atirou na Victória, era justamente o que dirigia o carro quando eles fugiram pela tentativa de assassinato contra Eduardo. Já o que entrou no hospital e se fez passar por médico era o que a Victória empurrou pra se defender. Sabe o que esses dois tinham em comum? Os dois foram acusados pela Gabriela de terem sido enviados pela Bete. O que ela tinha contra a Victória pra querer matá-la? Diz, Vinícius! O que é que você sabe?
-Eu não sei de nada, já te falei!
-Quer que a polícia te indicie como cúmplice daquela garota? Pra achar as provas de que ela é criminosa é só questão de tempo. Diz o que você sabe, não fica calado...
-Tá bom, foi ela! Para de me torturar! Foi ela que matou a Victória! Tá satisfeito?
-Você está me dizendo que... Uma garota mata a sua namorada e você fica calado? Não me procurou por quê, Vinícius? Era isso que você tinha que fazer desde o começo! Por que você ficou calado?
-Porque ela matou o Diego! Ele não morreu por acidente, morreu porque foi ela que matou!
-O Diego também? Você sabia o tempo todo e ficou em silêncio? Aquela desgraçada quase acabou com as vidas de Eduardo e Gabriela! E você ia assistir a tudo, sabendo da culpa dela?
-Eu ouvi ela dizendo que matou o Diego.
-Dizendo pra quem?
-Pra ninguém! A Bete é louca, admitiu sozinha! Eu ouvi quando ela disse que matou o Diego e bati de frente com ela. Aquela infeliz tentou acabar comigo me jogando da escada do sobrado onde mora! E, como não conseguiu, armou a mão dos outros pra matar a Victória! Você entende agora por que eu quero me vingar? A Victória morreu por culpa dela!
-E é justo que os outros paguem por causa da maldade daquela garota?
-Eu invadi a casa da Bete e descobri por que ela quer destruir todo mundo que rodeia o Fábio. Entreguei a prova pra Alice, e ela conseguiu afastar a assassina do filho dela!
-Não consigo digerir tudo o que você está me dizendo.
-Ninguém vai sentir a falta daquela cachorra! Deixa eu acabar com ela, para de se meter na minha vida!
-Caso contrário o quê? Vai me matar como ela fez com a Victória?
-Se eu me calei sobre a Vicky foi pra que a Bete não fosse atrás de você também!
-Pra mim, você é tão cúmplice quanto ela!
-Você não entende? Eu fiz isso porque me importo com você!
-Agora? Depois desse rastro de sangue? Se eu não tivesse ouvido pela extensão, você ia virar um assassino! Foi pra isso que eu te criei? Fala!
-Quer acordar pra vida? Os dois caras que assaltaram a Victória morreram, eles não vão contar que foi a Bete que mandou eles darem um fim nela! A polícia não tem prova de que ela é traficante, de que foi ela quem drogou o Fábio, que matou o Diego, que mandou matar a Victória, que tentou matar a Gabriela, que mandou matarem o Eduardo! Tem? Então, deixa eu me livrar desse estorvo sozinho!
Luciano dá uma bofetada no rosto do filho, que fica abalado com as declarações feitas ao pai.
-Ouve bem o que você diz, Vinícius. Ouve, porque você não vai trazer a Victória de volta pra sua vida. O máximo que você vai conseguir é se igualar à assassina da tua namorada.
-Já fiquei de braços cruzados muito tempo. Quer que eu faça o quê, Pai? Que eu deixe ela ficar sem pagar?
-Vai pagar, sim. Só que pela mão da justiça.
-Eu já te falei que a polícia não tem prova de nada que acuse a Bete.
-Mas você vai arranjar. Agora que você bolou esse encontro vindouro com ela, vamos aproveitar a oportunidade e fazer ela confessar cada crime que cometeu.

Vinícius, no dia seguinte, visita Fábio no centro de apoio.
-Que bom que você veio. Tenho que te contar uma coisa.
-Fala, então.
-Depois que você me contou toda a história, a Gabriela veio me visitar.
-Vocês se entenderam, finalmente?
-Pois é. Agora eu tenho um motivo bom pra sair daqui o quanto antes: não decepcionar a Gabriela nunca mais.
-Imagino que teus pais ficaram felizes com isso.
-E vão ficar mais. O centro me deu autorização pra visitar os dois amanhã.
-Que bom. Legal mesmo.
-O que é que você tem, Vinícius?
-Fábio, eu não devia falar, mas...
-O que foi, cara?
-Meu pai pediu segredo, eu não posso falar, mas... Uma hora ou outra, você vai saber.
-Saber do quê? Alguma coisa a ver com aquela bandida?
-Pior que sim. Mas, Fábio, não fala pra ninguém.
-Tá me matando de ansiedade, fala logo!
-Amanhã, o meu pai e eu... A gente vai pegar a Bete.
-Como assim? O que é que vocês estão amando?
-Olha, eu liguei pra ela e marquei um encontro.
-Onde e quando?
-Sabe aquela fábrica que vendia água mineral e que fechou há um tempo?
-Aquela empresa... Como é que era o nome mesmo? A Nova Cristalina, é essa?
-Sim, é essa mesmo. O depósito ficou às moscas depois que a fábrica fechou.
-Tá, mas como vocês vão fazer pra que a Bete vá até lá? Vocês, pelo menos, inventaram um bom pretexto pra ela ir a um lugar deserto com aquele?
-Quando eu liguei, foi ela mesmo que sugeriu esse lugar, porque o sobrado dá muito na vista. Como meus trampos na agência rarearam, fiquei devendo uma grana preta pra ela: dez mil.
-Isso tudo, Vinícius?
-Se teus pais não tivessem sacado que você era viciado, a essas alturas você ia dever bem mais.
-Tá, e esse dinheiro que você tá devendo? Era o pretexto que você usou quando ligou pra Bete?
-Um deles. O que eu falei é que sabia de uma forma de acabar com você.
-Certo, e ela pensa que você vai me entregar de bandeja.
-Exatamente.
-Alguma desculpa você vai ter que inventar.
-Hoje eu liguei pra ela e marquei pra amanhã, às nove da manhã, o encontro com ela.
-Mas como é que a grana que você tá devendo entra nessa história?
-Digo que entrego você de bandeja e, em troca, ela perdoa a minha dívida.
-E o teu pai?
-Instala câmeras escondidas e uma escuta em mim. Faço ela confessar os crimes que ela cometeu.
-Vinícius, pelo pouco que eu conheço a Bete, ela não vai falar assim tão fácil.
-Eu sei que ela matou o Diego e a Victória. Pra mim, não vai ter como negar.
-Cara, e se... Esquece.
-Termina, Fábio.
-Você é o único que sabe que o Diego morreu porque ela matou.
-Não mais. Meu pai e você também sabem.
-Só que a gente não ouviu isso da boca dela, como você.
-Qual é o teu medo, Fábio?
-Sinceramente? De que ela não pense duas vezes em te matar.
-Isso não vai rolar. Eu me garanto.
-Nem você sabe como fazer isso. Para de se fazer de forte, Vinícius. Você sabe muito bem que aquela garota não vale nada.
-Que coincidência... Eu também não. Bico fechado, hein?
-Onde é que você vai?
-Ter uma noite de descanso. Amanhã o dia vai ser puxado, mas vai valer a pena.
-Deixa o Luciano agir, Vinícius. Não toma nenhuma atitude pra se arrepender depois.
-Mandar aquele lixo pro inferno não é nada que eu possa me arrepender. Torce pela gente- Vinícius deixa o quarto.
-Vinícius, me ouve! Volta aqui, Vinícius! Vinícius!

Quando amanhece, Priscila, uma das voluntárias do centro de apoio, leva Fábio até a porta do imóvel, onde ambos esperam pelo táxi que vai levá-lo à mansão.
-Finalmente vai poder sentir o carinho dos seus pais de novo.
-Mal vejo a hora, Priscila.
-Pensei que você fosse ficar mais animado com o reencontro.
-Não é um reencontro, pra falar a verdade.
-Como assim, Fábio? Você não vai pra casa?
-Não, eu vou, é que... – começa a mentir- Eles vinham aqui de vez em quando. Morro de saudade da minha casa, eles eu via até com certa frequência.
-Tem razão. Olha aí, o seu táxi chegou. Estranhei que o Seu Caio e a Dona Alice não tenham vindo te buscar.
-O carro da minha mãe tá quebrado, e o dele... O meu pai resolveu trocar por esses dias. Obrigado por me emprestar o dinheiro do táxi.
-Imagina, depois você me paga. Quando você voltar, eu quero que me conte tudo que houve.
-Pode deixar. Até mais tarde- Fábio entra no veículo, que começa a trafegar pela zona leste da cidade.
-Pra onde mesmo que a gente vai, moço?
-Sabe onde ficava a fábrica da Nova Cristalina? Toca pra lá.

Eduardo e Gabriela estão tomando café da manhã com Ariane, que toca no tema do retorno temporário de Fábio pra casa.
-Quer dizer que ele vai voltar hoje pra casa?
-Finalmente, Mãe!
-Sabe no que eu pensei?- Da gente passar no shopping antes e comprar um presente pra ele!- sugere Eduardo.
-Você tá bem animado, hein, mano?
-É, Gabi. Chega de tristeza. Meu amigo tá voltando pra casa e esse pesadelo de droga acabou de vez!
-Uma pena que ninguém conseguiu comprovar as mentiras daquela criminosa- Ariane vê o sorriso da filha desparecer rapidamente- Está tudo bem, querida?
-O que foi, Gabriela?
-Tive um pressentimento, um aperto no peito.
-Com o Fábio?
-Não sei, Eduardo. Não sei se foi com ele, mas eu não gostei nada disso.

Vinícius já está na fábrica abandonada à espera de Bete, que chega num táxi estacionado, a seu pedido, um pouco distante do prédio desativado. A moça entra no local e o rapaz liga para o seu celular.
-Já cheguei. Subiu até o primeiro andar, como eu te falei pelo celular?
-A porta tá aberta, tô esperando aqui.
A traficante vai atrás do modelo e caminha devagar, olhando para todos os lados, desconfiando de que a polícia esteja à sua espera. Fábio, por sua vez, desce do seu táxi exatamente em frente ao prédio. O rapaz em tratamento contra as drogas paga ao motorista e abandona o veículo, entrando também a passos lentos. De longe, avista Bete subindo às escadas, e toma cautela para não ser percebido pela criminosa, que chega à sala e inicia uma conversa com Vinícius, deixando a porta entreaberta, cuja brecha permite que o filho de Alice e Caio assista ao diálogo.
-Tomara que essa ideia do Luciano dê certo- torce Fábio.
-Pra quê você quis me encontrar aqui, nesse lugar?
-Você quem quis me ver, Vinícius. Achei que era melhor a gente vir até aqui.
-Que é isso, Bete? Medo da polícia?
-Nem da polícia, nem de ninguém. Olha só, se é pra falar da tua dívida comigo, esquece que eu não vou...
-Eu tenho o que você quer. Quer dizer, eu acho que posso te dar.
-Então, você conseguiu a grana que estava me devendo?
-O que eu tenho pra te fazer é uma troca. Com mais vantagem pra você do que pra mim.
-Melhor você parar de blefar comigo, Vinícius. O que eu quero de você são os dez mil reais que você me deve, mais nada.
-Tem uma coisa que te importa bem mais do que isso, Bete.
-Posso saber o quê?
-Acabar com o Fábio, de uma vez por todas.
-O que é que você tem a ver com o Fábio?
-Eu sei por que você odeia o Fábio, por que quer destruir a vida do cara.
-Sabe do quê, Vinícius?
-De tudo. Acabei ficando amigo do cara, ele me contou tudo da vida dele depois que a gente ficou próximo. Uma amizade que você mesma ajudou a começar. O Fábio já sabe que você não deu ponto sem nó, Bete. Sabe que você odeia a mãe dele, e que por isso manipulou o Fábio contra a Gabriela, que me usou pra que ele se drogasse como a gente...
-“A gente”? Aceita uma coisa, Vinícius: o controle da situação sempre foi meu. Não me coloca na mesma laia que você e o Fábio! O que você quer, afinal?
-Uma troca razoável, Bete: você perdoa a minha dívida e eu te conto como destruir o Fábio.
Através de um espelho existente na sala, a ex-namorada de Diego vê o sobrinho espiando a conversa e pensa que ele está mancomunado com o problemático modelo.
-Pensando bem... – Bete tira uma arma da calça e aponta para Vinícius- Melhor fazer uma mudança de planos.
-Que é isso? Abaixa essa arma, Bete!
-Pensando o quê, seu imbecil? Que eu sou idiota, igual a você?
-Bete, abaixa a arma!
-Implorando pela vida, que lindo... Mas não me convence de jeito nenhum!
-Larga esse revólver, Bete, eu tô te pedindo!
-Que revólver? Ficou maluco? Não tem arma nenhuma aqui. Assim como não tem nenhuma confissão minha. Quer me incriminar, cretino? Aposto que deve ter um gravador escondido em você, pronto pra qualquer escorregada que eu der, não é?
-Eu já sei tudo sobre você, Bete; todo mundo sabe agora, inclusive o Fábio.
-Ótimo. Não preciso me esconder mais de ninguém, vai ser um jogo limpo a partir de agora. Vou começar fazendo um favor ao mundo e me livrando de um verme: você. Adeus, Vinícius...
A vilã vira de costas e atira contra a parede, deixando Vinícius desesperado quando este percebe a proximidade de Fábio da sala.
-Fábio!
-Aparece, desgraçado! Aparece na minha frente!
Com medo, o adolescente deixa de se esconder e fica frente a frente com Bete. Vinícius teme pela vida do jovem.
-Os dois juntos, e ainda por cima pra armar contra mim? Essa é nova!
-Bete, não faz essa besteira. Abaixa o revólver. Teu problema é comigo, não é com o Vinícius.
-Esse traíra pensou que ia me passar a perna, mas se ferrou ainda mais comigo. Eu não vou me esquecer disso, e sabe por quê, Fábio? Porque ninguém que me enfrenta ficou vivo pra contar a história.
-Tá falando de quem exatamente? Do Diego, que você matou?
-Não toca no nome dele!- a antagonista grita para o adolescente.
-E a Victória? Hein?- Vinícius provoca a moça- O que ela te fez pra acabar do mesmo jeito que o Diego, assassina?
-Não fui eu que matei a Victória, Vinícius: foi você quem matou. Quem apertou o gatilho foi você.
-Desgraçada!- Vinícius tenta agredir Bete, mas é contido por Fábio.
-Não chega perto de mim...
-Você não vai atirar na gente.
-Em você, principalmente!
-Ainda não. Não sem antes ouvir o quanto eu tenho nojo de você! Eu não tenho culpa do que te aconteceu quando você era criança!
-Pode não ter, mas vai pagar do mesmo jeito! A não ser que você ajoelhe e peça pra te deixar vivo. Pede, Fábio.
-Quer que eu me humilhe pra você, é isso?
-Não faz isso, Fábio!
-Ah, ele vai fazer! Pode ficar certo que ele vai fazer, se quiser salvar a sua vida e a dele. E então, Fábio? Vai se humilhar ou assinar a sentença de morte, sua e do Vinícius?
-Agora eu tenho que abaixar a cabeça e pedir desculpa porque você matou meio mundo de gente?
-E ainda foi pouco. O principal alvo ainda tá vivo, mas por pouco tempo. Isso eu te garanto.
-Por mim, você pode atirar.
-Tão tranquilo assim por quê?
-Porque você não precisa mais se esconder. Todo mundo sabe quem é você. Mas se você tá esperando que me humilhe, peça perdão, apele pra você me deixar vivo, tá enganada.
-Pior pra você. Porque assim vai ser mais rápido de me livrar de você de uma vez por todas. Sabe qual é a lição que você vai levar desse mundo, Fábio? “Ninguém é páreo pra mim’!
-Não?- Vinícius retira das costas uma arma e aponta pra traficante.
-Ah, o plano não era pra me entregar pra polícia? Era pra me matar?
-Abaixa o revólver e deixa o Fábio sair do prédio.
-Pra quê? Você vai atirar com ele aqui dentro ou sem, não faz diferença.
-Solta a arma, Bete!
-Planejou tudo direitinho, hein, Vinícius? Eu sempre achando que você era um zero a esquerda, mas agora você me surpreendeu. Quer atirar em mim? Atira, mas vê se acerta logo! Porque se não acertar, eu não vou pensar duas vezes em tirar você e o Fábio do meu caminho. Atira, seu verme! Atira!
-Vinícius, não faz isso! Ela tá te provocando, cara! Você não é assassino como ela, larga essa arma, por...
Fábio se assusta com o disparo efetuado por Vinícius e Bete leva a mão esquerda ao ventre.