Vou, vou, vou, vou, vou
Acionar professor
Sou, sou, sou, sou
Quem quer aprovação
São, são, são, são
Mais de cem questões
Tão, tão, tão, tão
Difícil interpretar!
Há, há, há, há
Enem para aprovar,
Passar, passar!
Já um zero levou
No teste, pois não acertou
As dez questões que tu me trazes
Com os termos de suas frases
Há concordâncias nominais
E há concordâncias verbais
Habilitado, explico exemplo
Que sujeito concordará com verbo
Que núcleo do sujeito observo
Se for simples, flexionará núcleo do sujeito
Tu olharás se coletivo existir
No singular verbo é
Singular permanece
Singular. Observe…
Hum...
Muda se coletivo especificou
Não entendeu? Então...
Difícil o Enem
Nem, nem, nem, nem
Aguenta mais de cem
Cem, cem, cem, cem
Questões para marcar
Há, há, há, há
Casos novos, sim!
Se pronome vir,
Veja sujeito a seguir
"Quite", "incluso" e "anexo"-
E "obrigado"- use do jeito certo:
Vão concordar com substantivo
Vou ser aprovado no Sisu
Aprovado no Sisu
Aprovado no Sisu
Mas se for "quem":
Veja termo que o antecede
Dica que vou eu te dar usará conforme
Dificuldade do exame
Sobre o verbo "haver": anote!
Olhe bem sentido:
"Hei" impessoal quando eu "existo"
Também quando "aconteço"; o livro
Pode comprovar o que eu te digo
O que viu vai te aprovar no final do ano!
A revisão adverte
Que pronome apassivador
Deixa o verbo no plural. Acorde!
Professor na aula explicou-te
Seu boletim mau alterou-se?
Revisão já fez (você fez)?
Enem chegará, acione de vez
O professor do colégio
Encerro paródia dizendo que...
Vou, vou, vou, vou, vou!
PENSAMENTOS SEM O MENOR SENTIDO- SEJAM ELES WEB NOVELAS, PARÓDIAS, ROTEIROS, ENCARTES FAN MADE OU QUALQUER COISA QUE EU INVENTE DE FAZER.
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19/07/2017
18/07/2017
O MEU TCC ("O AMOR E O PODER", DE ROSANAH FIENNGO)
Agradeça na prova
Resumo surgirá
Depois, em inglês bota
Sumário virá
Introdução coloco
Pra fundamentação
Encerro a cadeira
E logo chega
Colação
Eu, com certeza (breve também),
Passei no Enem (longe do fim)
E em breve no Enade
Passarei também
Dados a analisar,
A conclusão eu porei;
Bibliografia jogue,
Pois questionários
Anexei
Mas antes cadeiras (ô, ô, ô, ô),
Tão longe do fim (ô, ô, ô, ô),
Vou ter de extinguir,
Dedicado a fazer
O meu TCC
Resumo surgirá
Depois, em inglês bota
Sumário virá
Introdução coloco
Pra fundamentação
Encerro a cadeira
E logo chega
Colação
Eu, com certeza (breve também),
Passei no Enem (longe do fim)
E em breve no Enade
Passarei também
Dados a analisar,
A conclusão eu porei;
Bibliografia jogue,
Pois questionários
Anexei
Mas antes cadeiras (ô, ô, ô, ô),
Tão longe do fim (ô, ô, ô, ô),
Vou ter de extinguir,
Dedicado a fazer
O meu TCC
17/07/2017
ESTUDE O QUE VOCÊ QUISER ("TUDO QUE VOCÊ QUISER", DO LUAN SANTANA)
Tem dias
que eu acordo já no TCC
Converso com alunos para o meu digitar
E aí me recomendam ABNT
Será que eu consigo, um dia, o Sig@ encerrar?
Urgente, eu procuro aprender citação,
Ter o autor e ano de publicação,
Usar recuo se citar muito
Federais um dia eu sonhei pra mim
Mas há dureza com o Sig@- bem ruim
Declararia tudo para concluir
Eu boto fonte Times em artigo meu
Eu boto no Sig@ certificado meu
Eu boto atestado que falta anula
Eu boto
seis cadeiras, como quem estuda
Estude o
que você quiser
E, se você quiser, logo terá renome
E, se você quiser, logo terá renome
16/07/2017
FAÇA LEITURA ("MMMBOP", DO HANSON)
Se não se esquece nem um pouco do Enem,
De suas questões- são mais de cem,
Do cartão-resposta a preencher...
Então, só marque quando souber
Quando souber
O exame pedirá a você
Para enunciado ler
Portanto, tente entender,
Tente compreender
Tente compreender através
Da leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Lê
O livro que contenha lição
Prova fiz, prova traz o que já leu,
Vestibulando;
Então, só marque a questão
Quando tiver convicção
Quando tiver convicção mediante
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Lê
Toda a questão; a resposta não vê?
Leia toda a questão; a resposta não vê?
Só pode responder
Se fizer,
Fizer leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
E no exame conta interpretação
No exame vale interpretação
No exame pode ter pontuação
No exame faça interpretação
No exame terá a aprovação
No exame vale interpretação
Vale interpretação
Pontuação, pontuação!
Turma, turma, turma, turma lê
Turma, turma, turma, turma faz leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Lê!
No exame conta interpretação
No exame vale interpretação
Vale interpretação
De suas questões- são mais de cem,
Do cartão-resposta a preencher...
Então, só marque quando souber
Quando souber
O exame pedirá a você
Para enunciado ler
Portanto, tente entender,
Tente compreender
Tente compreender através
Da leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Lê
O livro que contenha lição
Prova fiz, prova traz o que já leu,
Vestibulando;
Então, só marque a questão
Quando tiver convicção
Quando tiver convicção mediante
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Lê
Toda a questão; a resposta não vê?
Leia toda a questão; a resposta não vê?
Só pode responder
Se fizer,
Fizer leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
E no exame conta interpretação
No exame vale interpretação
No exame pode ter pontuação
No exame faça interpretação
No exame terá a aprovação
No exame vale interpretação
Vale interpretação
Pontuação, pontuação!
Turma, turma, turma, turma lê
Turma, turma, turma, turma faz leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Leitura!
Da leitura!
Faça leitura!
Da leitura!
Lê!
No exame conta interpretação
No exame vale interpretação
Vale interpretação
15/07/2017
AVISE AO FERA ("AVISE A ELA", DOS CAVALEIROS DO FORRÓ)
Reitor, o que é que eu
tô fazendo aqui?
Reitor, me faça curso
concluir
Eu só me lembro que tem
carga complementar
Eu só me lembro que sou
um graduando; não vou, porém, curso acabar?
Reitor, o Sig@ já não quer abrir
Rejeito assim oferta dada a mim
Não adianta monitor eu
me transformar
Não adianta! O docente
espera evento pra participar
Se quer me formar, fala
pra fera que o remédio é frequentar
Pra não ter medo de faltar à colação, eu receio
Reitor nunca me aprovar
Se quer me formar, arruma
um jeito. Manda ele se apressar
Daqui a pouco, a colação me chamará outra vez
Eu não sei se consigo aguentar!
Avise ao fera
14/07/2017
LITERATURA NO BRASIL ("GALERA DO BRASIL", DE ALMIR ROUCHE & BANDA PINGUIM E DO MARROM BRASILEIRO)
Antes de ler
Arte barroca,
Ao Quinhentismo
Dê enfoque
Árcade viu
Pra que se esforce
Romance foque, foque, foque, foque, foque!
Completa, então,
Realismo
Naturalismo
Há quem cobre
Parnaso- hei
De tirar 9
Simbolismo e o Moderno. Que anote!
Literatura no Brasil
Decorou? Decorou?
Anota pra crescer (anota pra crescer)
Nota em vestibular (nota em vestibular)
Pro professor (professor)
Passar (passar)
Arte barroca,
Ao Quinhentismo
Dê enfoque
Árcade viu
Pra que se esforce
Romance foque, foque, foque, foque, foque!
Completa, então,
Realismo
Naturalismo
Há quem cobre
Parnaso- hei
De tirar 9
Simbolismo e o Moderno. Que anote!
Literatura no Brasil
Decorou? Decorou?
Anota pra crescer (anota pra crescer)
Nota em vestibular (nota em vestibular)
Pro professor (professor)
Passar (passar)
13/07/2017
UFPE ("MINA DE FÉ", DE OS MORENOS)
Fez fera o quiz
Sem saber?
Isso me revolta
No Enem que eu fiz
Eu aprovei,
Mas roubaram a prova
Com meu professor
Já compartilhei
Nota com louvor
Logo ingressei
Iminente a faculdade
Tanto deu lição,
Tanta atividade
Pra aprovação,
Pra universidade
Iminente a faculdade
Eu aprendi
Pra nota alta:
Aula vaga= revisada
Eu prometi
Só me dedicar
Ao vestibular
Ponto não vai perder
Muito em breve vai ingressar
Na UFPE, na UFPE
É preciso entender
Pra diploma ter logo mais
Na UFPE, na UFPE
Sem saber?
Isso me revolta
No Enem que eu fiz
Eu aprovei,
Mas roubaram a prova
Com meu professor
Já compartilhei
Nota com louvor
Logo ingressei
Iminente a faculdade
Tanto deu lição,
Tanta atividade
Pra aprovação,
Pra universidade
Iminente a faculdade
Eu aprendi
Pra nota alta:
Aula vaga= revisada
Eu prometi
Só me dedicar
Ao vestibular
Ponto não vai perder
Muito em breve vai ingressar
Na UFPE, na UFPE
É preciso entender
Pra diploma ter logo mais
Na UFPE, na UFPE
12/07/2017
LÊ ARTIGO ("DESPACITO", DE LUIS FONSI, DADDY YANKEE E JUSTIN BIEBER)
(Thiago, Thiago Babababababababarros!)
Se já não é bem-sucedido o seu boletim
Tente contatar seu professor
Vi que nota baixa estava tirando, sim
Só nome completo acertou
Tudo que eu falar cairá na final
Segue revisando ou volta ao maternal?
Professor cobra se não tiver estudo!
Já, já considerou tema gramatical?
Poucos são quesitos para o teste, mas
Para fazer nota subir, te ajudo
Lê artigo
Sobre o uso correto do artigo
Leia capítulo completo do livro
Que diz que um dos tipos é o definido
Lê artigo
Que esclarece o outro tipo de artigo
Friso que "um" é artigo indefinido
Valendo para plural e feminino
Sobe, sobe, sobe
Sobe nota!
Quero escapar do zero,
Quero ser exímio,
Quero fazer boa prova
Tudo tenho por escrito (por escrito; por escrito, baby!)
Deixa-me utilizar as dicas, eu suplico!
Boletim bom eu consigo
Se souber do gabarito
Se hoje for vestibulando
Depois será formando
Zero não vai levando
Pois segue estudando
Sabe que as questões da tua avaliação são
Fáceis, para que consiga a aprovação; são
Do livro extraídas para provar o que sabe
Zero, zero, zero no teu boletim já não cabe
Veja na apostila e sua nota não cai
Com conhecimento, ser graduando vai
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti vocativo
É com quem conversa, pode ter certeza
Invoque ouvinte com vírgula! Veja!
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti vocativo
Que aposto seja explicação certa
Sobre o sujeito. Nota boa peça!
Lê artigo
Sobre como usar todo adjetivo
Atributo segue ele atribuindo
A qualquer exemplo de substantivo
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti
Quero fazer boa prova
Tudo tenho por escrito (por escrito; por escrito)
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti
Boletim bom eu consigo
Se souber do gabarito
Lê artigo!
Se já não é bem-sucedido o seu boletim
Tente contatar seu professor
Vi que nota baixa estava tirando, sim
Só nome completo acertou
Tudo que eu falar cairá na final
Segue revisando ou volta ao maternal?
Professor cobra se não tiver estudo!
Já, já considerou tema gramatical?
Poucos são quesitos para o teste, mas
Para fazer nota subir, te ajudo
Lê artigo
Sobre o uso correto do artigo
Leia capítulo completo do livro
Que diz que um dos tipos é o definido
Lê artigo
Que esclarece o outro tipo de artigo
Friso que "um" é artigo indefinido
Valendo para plural e feminino
Sobe, sobe, sobe
Sobe nota!
Quero escapar do zero,
Quero ser exímio,
Quero fazer boa prova
Tudo tenho por escrito (por escrito; por escrito, baby!)
Deixa-me utilizar as dicas, eu suplico!
Boletim bom eu consigo
Se souber do gabarito
Se hoje for vestibulando
Depois será formando
Zero não vai levando
Pois segue estudando
Sabe que as questões da tua avaliação são
Fáceis, para que consiga a aprovação; são
Do livro extraídas para provar o que sabe
Zero, zero, zero no teu boletim já não cabe
Veja na apostila e sua nota não cai
Com conhecimento, ser graduando vai
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti vocativo
É com quem conversa, pode ter certeza
Invoque ouvinte com vírgula! Veja!
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti vocativo
Que aposto seja explicação certa
Sobre o sujeito. Nota boa peça!
Lê artigo
Sobre como usar todo adjetivo
Atributo segue ele atribuindo
A qualquer exemplo de substantivo
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti
Quero fazer boa prova
Tudo tenho por escrito (por escrito; por escrito)
Aviso, aviso: pode ver no livro
Vai apresentando pra ti
Boletim bom eu consigo
Se souber do gabarito
Lê artigo!
11/07/2017
PEDE QUE ESTUDE ("PLENITUDE", DE GINO LIVER E FERNANDA LENNON)
Período composto está na lição
Depois de coordenadas, subordinação
Substantivas e adjetivas vi
Agora adverbiais vou dividir
Causal, consecutiva e final eu quero
Conformativa e temporal eu espero
Concessiva e comparativa também
Proporcional e condicional vêm
Pede que estude o professor
E que decore as orações
Isso te faz obter
A nota boa. Tem que ler!
Pede que estude...
Sem abrir livro não gabarita
Escute, por favor
Sem abrir livro não gabarita
Escute o professor
Depois de coordenadas, subordinação
Substantivas e adjetivas vi
Agora adverbiais vou dividir
Causal, consecutiva e final eu quero
Conformativa e temporal eu espero
Concessiva e comparativa também
Proporcional e condicional vêm
Pede que estude o professor
E que decore as orações
Isso te faz obter
A nota boa. Tem que ler!
Pede que estude...
Sem abrir livro não gabarita
Escute, por favor
Sem abrir livro não gabarita
Escute o professor
10/07/2017
O SIG@ ("PARADINHA", DE ANITTA)
Graduando vai enlouquecer
Fugirá do Cac todo graduando
Que faz o estágio e TCC
Se quiser um 7, aluno vai sofrer
Graduando vai enlouquecer
Fugirá do Cac sem aguentar estudo
Pior é professor, que vai dizer
Que pra ver a nota tem que botar senha
Pra entrar no Sig@,
Entrar no Sig@!
Entrar no Sig@,
Entrar no Sig@!
Não tire xerox no CE
No CFCH mais em conta é
É uma raridade tirar dez
Que erro grave graduando fez
Pra travar o Sig@,
Travar o Sig@?
Travar o Sig@,
Travar o Sig@?
Eu espero
Que já chegue
Barro/ Macaxeira
Já é meu sonho
Colar o meu grau, sim!
Faculdade
Já não mais me encanta
Porque tenho que alterar senha do Sig@,
Senha do Sig@!
Senha do Sig@,
Senha do Sig@!
Há quem consiga
Entrar no Sig@?
Fugirá do Cac todo graduando
Que faz o estágio e TCC
Se quiser um 7, aluno vai sofrer
Graduando vai enlouquecer
Fugirá do Cac sem aguentar estudo
Pior é professor, que vai dizer
Que pra ver a nota tem que botar senha
Pra entrar no Sig@,
Entrar no Sig@!
Entrar no Sig@,
Entrar no Sig@!
Não tire xerox no CE
No CFCH mais em conta é
É uma raridade tirar dez
Que erro grave graduando fez
Pra travar o Sig@,
Travar o Sig@?
Travar o Sig@,
Travar o Sig@?
Eu espero
Que já chegue
Barro/ Macaxeira
Já é meu sonho
Colar o meu grau, sim!
Faculdade
Já não mais me encanta
Porque tenho que alterar senha do Sig@,
Senha do Sig@!
Senha do Sig@,
Senha do Sig@!
Há quem consiga
Entrar no Sig@?
09/07/2017
CARREGUE O VEM ("DESLIGA E VEM", DE EXALTASAMBA)
No metrô, explicam pra você
Pois tem linha que não pode
Receber grana; se informe
Tem que o Vem fazer
Não permite o motorista
Que eu pague dinheiro trocado
Pelo menos a tarifa
Não tem se alterado
Fiz já, e você?
Na Soledade atende!
Se for anel B,
A pé sigo em frente
Teu Vem tu já tens garantido?
Tem de estudante, pra quem a metade paga
Terminal parece ter vendido
Faça de uma vez pra girar a catraca
O cartão está utilizando?
Da sigla sabes tu significação?
No metrô vale vem aceitando
Carregue o Vem depressa pra usar no "busão"
(faz teu Vem, sim... Carregue o Vem depressa pra usar no "busão")
Pois tem linha que não pode
Receber grana; se informe
Tem que o Vem fazer
Não permite o motorista
Que eu pague dinheiro trocado
Pelo menos a tarifa
Não tem se alterado
Fiz já, e você?
Na Soledade atende!
Se for anel B,
A pé sigo em frente
Teu Vem tu já tens garantido?
Tem de estudante, pra quem a metade paga
Terminal parece ter vendido
Faça de uma vez pra girar a catraca
O cartão está utilizando?
Da sigla sabes tu significação?
No metrô vale vem aceitando
Carregue o Vem depressa pra usar no "busão"
(faz teu Vem, sim... Carregue o Vem depressa pra usar no "busão")
08/07/2017
VIDA LOUCA: CAPÍTULO 35: VIDA, LOUCA VIDA, VIDA BREVE (ÚLTIMO CAPÍTULO)
-O
que foi que você fez comigo?- Bete demonstra estar apavorada.
-Achou
mesmo que eu não tinha coragem pra atirar, Bete?
Fábio
nota que Vinícius errou o tiro ao ver um buraco na mesa de madeira que está na
sala. Vendo a tia mentir, o rapaz grita.
-Não
acredita nela, Vinícius!
Quando
o modelo olha para Fábio, Bete atira contra o filho de Luciano, acertando-lhe
no abdômen. O rapaz rapidamente cai ao chão, ainda com a arma em punho.
-Lamento
tanto que você não tenha mira, meu querido. Mas fazer o quê?
-Não
toca nele! Deixa ele em paz!
-Olha...
– Bete vira de costas para Vinícius e aponta a arma apenas para Fábio- Nunca
pensei que vocês fossem ser tão amigos. Um disposto a morrer pelo outro, quem
diria? Pelo menos, vão sair de cena com dignidade.
-Você
já acabou com o Diego, com a Victória! O que você quer mais? Não tá vendo que a
tua liberdade tá em jogo, não?
-Eu
nunca fui livre, Fábio. Você e a Alice acabaram com a minha vida. E todos de
quem eu me livrei, do Diego, da Victória... Todos foram um atalho até o dia de
hoje.
-Por
que eles?
-Cara,
não é que esse embuste que eu acabei de me livrar descobriu que a morte do
Diego não teve nada de acidental? O Diego descobriu o meu segredo e queria
contar pra todo mundo, por isso que eu atirei aquele canalha da escada e
simulei o acidente.
-Mas
a Victória não sabia de nada do que você tinha feito, não sabia nem quem era
você.
-Só
que ele, sim! Por isso que eu mandei o Sal e o Lipe darem um jeito nela, pra
calar a boca do Vinícius. Não adiantou nada. A polícia já veio atrás de mim.
Ouve-se
as sirenes da polícia, liderada por Luciano, que ouviu os tiros por meio de uma
escuta implantada em seu filho.
-Você
ainda pode ter tudo que você quiser, a minha mãe vai te dar o dinheiro da parte
dela na herança, entrar num acordo contigo.
-A
Alice me tirou o amor do Fernando. Chegou a minha vez de fazer justiça e tirar
o que ela mais ama- aponta o revólver, desta vez, para a cabeça de Fábio- Perdeu,
Fábio- a traficante cai nos braços do sobrinho após ser alvejada por três
disparos que atingiram as suas costas, feitos por Vinícius, que tentou
arrastar-se no chão.
-Pela
Victória, desgraçada!- declara Vinícius, com dificuldade para falar.
Bete
solta a arma e cai ao chão, desacordada, e Fábio corre para ajudar o modelo,
que está sangrando muito.
-Vinícius,
fala comigo! Pelo amor de Deus, cara, reage! Socorro!- grita, envolvendo o
tronco do amigo em seus braços- O Vinícius tá ferido, alguém me ajuda! Socorro!
-Filho!-
Luciano invade a sala da fábrica abandonada- Filho, o que foi? O que fizeram
contigo?
-A
Bete atirou nele, Luciano; eu não consegui fazer nada!
-Eu
vou ligar pra ambulância!
-Pra
quê, Pai? Não precisa. Já acabou...
-Onde
é que você arranjou essa arma? Você não podia ter feito isso, não foi o que a
gente combinou!
-Roubei...
Do seu quarto. Eu não queria que ela saísse daqui viva. E não saiu. Finalmente
eu fiz alguma coisa que prestasse nessa vida.
-Não
se mexe, eu vou chamar uma ambulância pra te tirar daqui!
-Não
dá mais tempo, Pai.
-A
gente vai te tirar daqui, Vinícius. Confia na gente, mas aguenta firme, por
favor!
-Ela
não existe mais, Fábio. Agora, sim. Você não precisa mais ter medo de seguir
com a tua vida.
Luciano
chora ao constatar que está perdendo o seu filho.
-Escuta
bem: você não pode me deixar! Você é a minha vida, Vinícius! Tem que lutar pra
sobreviver!
-Tô
cansado, Pai. Não tem mais sentido pra mim!
-Não
desiste de você desse jeito, meu filho!
-Me
deixa dizer... Eu te amo. Do meu jeito torto... Mas eu sempre te amei, Pai.
-Eu
também te amo, mais que tudo! Por favor, Vinícius, não me deixa... Não me deixa!
-Me
promete uma coisa, Fábio?
-Tudo
que você quiser, pode pedir.
-Cuida
dele pra mim. Não deixa meu pai sozinho.
-Tá,
eu te prometo. Mas não fala desse jeito, que você vai se... – Fábio perde o
amigo naquele momento.
-Filho!
Filho! Não me deixa, filho! Reage, Vinícius! Reage, meu filho!- Luciano abraça
o corpo ensanguentado do modelo, ferido mortalmente por Bete. Fábio entra em
desespero, mas abraça o policial, abatido com a morte do filho. Aos poucos, enquanto
os outros policiais chamam reforços, ele deixa que Fábio abrace o amigo e vai
ao corpo de Bete, medindo a pulsação da meliante.
-E
ela, Luciano? Tá morta?
-Nunca
mais ela vai infernizar ninguém, Fábio. A vida dessa miserável acabou.
Aflitos
pelo fato de que Fábio ainda não chegou à mansão, Alice e Caio recebem
Gabriela, Eduardo e Ariane, quando a mãe do rapaz recebe um telefonema da
polícia.
-Sim,
mas ele está bem? Pra qual delegacia estão levando ele?
-Delegacia?
O que é que o Fábio tá fazendo lá?- Eduardo fica assustado com a notícia.
-Eu
disse que tava sentindo alguma coisa de errado, só podia ser com o Fábio!-
Gabriela relembra o pressentimento que teve em sua casa.
-Sei,
eu sei onde fica. Já estou indo pra lá. Obrigada por ligar.
-O
que é que a polícia queria falar com você, Alice?- Ariane questiona.
-Me
deram a noticia de que houve uma troca de tiros entre o Vinícius e a Bete.
-O
Fábio tava lá, Dona Alice?
-Estava.
-Ai,
meu Deus...
-Mas
fica tranquila, por favor. O Fábio está bem. Só que ele está indo pra delegacia
prestar depoimento. O Luciano está com ele.
-E
a Bete e o Vinícius? O que houve com eles, Dona Alice?
-Houve
uma troca de tiros, Eduardo. O Fábio foi o único que sobreviveu.
-Olha,
eu não devia dizer isso, mas... Eu fico até aliviado de saber que essa garota
saiu do nosso caminho- Caio é sincero com os demais.
-Coitado
do Luciano. Tanto que ele lutou pra tirar o filho do vício e ver o Vinícius
acabar desse jeito?
O
Instituto Médico Legal, acionado por Luciano, chega à fábrica abandonada para
recolher os corpos, já cobertos por lençóis brancos e colocados sobre macas.
Mas o policial se recusa a largar o filho. Fábio intercede para não prolongar o
sofrimento.
-Deixa
ele ir, Luciano. O perito tá te esperando pra levar o corpo.
-Eu
não consigo, Fábio. Eu não perdi o meu filho, ele foi tirado de mim. Tanto que
eu fiz pra tirar ele do vício, e agora que ele estava se recuperando...
-Luciano,
a gente precisa ser forte. O Vinícius foi embora sabendo o quanto você amava
ele. No fundo, ele sempre soube.
-Como
é que eu vou conseguir viver sem o meu filho, Fábio?
-Não
tem receita pra amenizar a dor, cara. Mas a gente vai seguir firme e junto. Eu
prometi.
-Obrigado
por ter sido um amigo fiel a ele até o último momento.
-Assim
como ele foi comigo, Luciano. Se hoje eu sou uma pessoa diferente do que eu fui
um dia, é por causa dele.
-Luciano-
o perito chama pelo policial- A equipe precisa levar os corpos pro instituto.
Luciano
balança a cabeça positivamente e segue ao lado da maca, levada até o carro do
IML. A maca em que Bete está é recolhida em seguida, mas antes Fábio olha para
o corpo da tia, cuja mão esquerda não está envolvida no lençol. E ele presencia
a traficante mexendo duas vezes os dedos. O adolescente, entretanto, fica
calado e segue para a delegacia, onde prestará esclarecimentos sobre a troca de
disparos.
Seis meses depois...
Em
uma parceria com Alice e Caio, Luciano cria uma organização não governamental
que leva o nome de seu filho, Vinícius Pradines. O local servirá para o
tratamento de jovens contra o vício em entorpecentes. Na ocasião da
inauguração, Ariane comparece e inicia uma conversa com Lúcia.
-E
como vai a Casual Models?
-A
gente tenta se reerguer, não é? Depois de duas mortes tão violentas, os
anunciantes ficaram com receio de vincular algum rosto da agência aos produtos
que vendem. Felizmente, essa impressão ruim vem se dissipando.
-Ainda
mais agora, que o Vinícius é visto como um mártir pela opinião pública depois
que salvou a vida do Fábio.
-Você
sabe que até um escritor foi me procurar na agência, querendo escrever uma
biografia da história do Vinícius e da Victória?
-Nossa!
-O
que eu estranhei é o Fábio não estar aqui. O tratamento dele não terminou?
-O
Fábio sai do centro de apoio amanhã, e vai direto pra casa de verão da família
dele, lá na Praia do Paiva.
-E
é óbvio que a Gabriela deve ir junto.
-O
Caio e a Alice convidaram o Eduardo também, pra eles passarem uns dias longe de
tudo.
-Falando
nisso, o que foi feito do divórcio? Eles se separaram mesmo?
-Desistiram-
Ariane olha para os pais de seu genro.
-Por
causa do Fábio?
-O
Caio redescobriu o pai que ele é e passou a admirar mais a Alice pela garra que
ela teve durante o problema do filho deles.
-Vem
cá, me diz uma coisa: existe um arrependimento por ter se afastado do Caio há
tantos anos?
-Vendo
a família que ele construiu e o homem no qual ele se transformou, eu não tenho,
Lúcia. E, pelos nossos filhos, precisa haver um respeito entre nós. Olha só pra
eles, Lúcia. Depois de tudo que aconteceu, eles tiveram forças pra fazer essa
parceria com o Luciano e ajudar esses jovens.
-Fiquei
sabendo que muitos dos que viviam usando drogas no colégio onde os meninos
estudavam estão nesse projeto novo.
-O
Luciano os convenceu a se darem uma chance. Alguns deles andavam sempre com o
Vinícius. Quando o projeto do Espaço Vinícius Pradines surgiu, ele lembrou que
o filho sempre falava de uma turma que também consumia entorpecentes. César,
Leandro, Jorge... – Ariane olha para os referidos, sendo acolhidos pelo casal- Esses
vão ter a chance que o Vinícius nunca quis ter.
Sobre
um amontoado de rochas da Praia do Paiva, Fábio amanhece olhando para o céu e
agradecendo pela nova chance de vida que teve. Com seu carro, passa Luciano,
que reconhece o rapaz e vai ao seu encontro.
-Até
que enfim você saiu do centro. Pronto pra recomeçar a vida, garoto?
-Sempre.
O que você tá fazendo por essas bandas a uma hora dessas?
-De
vez em quando, sempre que não tenho que acordar cedo ou um plantão pra fazer,
sigo com meu carro e rodo a cidade.
-Você
sempre fez isso?
-Não-
admite, após pausa- Comecei a fazer de uns tempos pra cá.
-Luciano...
Eu imagino que você não goste de falar sobre tudo o que houve, mas a gente não
se vê desde que aquilo rolou com o Vinícius. Nem pro velório dele eu pude ir.
-O
centro de apoio achou melhor que você não fosse. O que você viveu foi muito
pesado, Fábio. Não era bom mesmo que você fosse. Uma das poucas pessoas que
foram ver o meu filho pela última vez foram seus pais e a Lúcia, a dona da
agência. Depois disso eu levei... Levei meu filho pro crematório.
-E
a Bete? Onde ela foi enterrada?
-A
sua mãe não quis se encarregar de nada. Por isso eu resolvi cremá-la no mesmo
dia. É claro que ninguém foi. Quem queria se comprometer com uma traficante como ela?
-Sei.
O que você fez com as cinzas?
-Joguei
os restos mortais do meu filho no mar uma semana depois...
-Não,
o que você fez com as cinzas da Bete.
-Fábio,
por que seu interesse no que foi feito daquela garota agora?
-Luciano,
o Vinícius me fez prometer que eu ficaria do seu lado, e você hoje me inspira
tanta confiança que é como se fosse meu próprio pai. Por isso, eu quero ser
sincero contigo e tô esperando que você seja do mesmo jeito comigo.
-Claro,
Fábio. Me diz, então: o que você quer saber?
-Eu
não sei se eu tava muito nervoso, mas... Tem uma cena que não sai da minha
cabeça.
-Qual?-
Luciano começa a suspeitar do que seja.
-Quando
o Vinícius tinha acabado de morrer, você se levantou do chão e foi ver se a
Bete tava viva. E me disse que não. Só que...
-Termina,
Fábio, por favor.
-Quando
o IML chegou pra levar embora os dois, a mão da Bete ficou descoberta. E eu vi.
-Viu
o quê?
-Ela
se mexendo. A Bete não tava morta como você pensava. Ou como... Como você
queria que eu pensasse.
-Quer
que eu seja franco, como eu sempre fui à vida inteira? Pois muito bem: a Bete
morreu, sim. Morreu porque tinha que morrer. E pra mim, a vida daquela
desgraçada acabou quando ela disparou contra o meu filho.
-Luciano,
o que... – Fábio procura fôlego para desvendar o que houve com a tia após o
tiroteio- O que você fez com ela?
-A
Bete decidiu que o meu filho tinha que morrer. E eu decidi pela vida dela
quando vi o meu filho morto. Por isso, eu não podia deixar aquela infeliz com
vida.
-Mas
ninguém sacou nada, que ela ainda respirava?
-Infelizmente,
gente que se deixa corromper tem em qualquer lugar, até na polícia. E pra
impedir que a Bete destruísse mais alguém, eu tive que me tornar uma dessas
pessoas. Quando eu liguei pro IML, impedi os outros policiais de chegarem perto
dela. E pedi que o perito a levasse pra lá, mesmo sem que ela estivesse morta. Pelos
ferimentos, a única certeza que eu tinha era de que o estado de saúde da Bete
era grave.
-Quer
dizer que você deixou ela definhar ao invés de prestar socorro?
-Não
exatamente.
Luciano
passa a lembrar da ocasião em que um técnico em necropsia conseguiu retirar os
projéteis do corpo da traficante. O processo foi acompanhado pelo policial.
-Pronto.
Já fiz o que era possível nesses casos.
-Tem
chances de sobreviver?
-Sim,
Luciano, ela vai escapar. Só não entendo por que mandaram essa moça pro IML em
vez de atendê-la no hospital.
-Lobato,
presta atenção: essa desgraçada acabou de assassinar o meu filho. Eu não posso
deixar que ela fique viva.
-O
que você quer? Que eu mate a moça?
-Isso,
não. Eu quero que ela sofra, mas não pelas mãos de um estranho, e sim pelas
minhas.
-Luciano,
eu sei da sua luta pelo Vinícius. Eu também perdi um filho pras drogas, entendo
como você se sente agora.
-Impotente.
Mas eu não perdi meu Vinícius pra nenhum vício. Foi pra ela.
-Não
me peça nada que eu não possa fazer. Eu não sou assassino.
-Posso
esperar que ela se recupere e vá pra cadeia. A Bete, com certeza, vai ser
condenada, mas não vai conseguir trazer o meu filho de volta pra mim. Esse
crime não é a justiça que vai solucionar. Sou eu.
-O
que eu posso fazer por você?
-Declara
que ela está morta. Do resto eu cuido.
-Eu
não posso fazer isso.
-Pode.
Eu não posso permitir que ela destrua mais ninguém. Declara a morte da
Elizabete e deixa que eu me viro.
-Só
isso que você fez? Deixou que ela morresse sem socorro?
-Seria
muito cruel com ela se isso acontecesse, Fábio. Só que eu me senti o pior homem
do mundo por não ter protegido o meu filho, e tinha que ser da mesma forma com
ela.
-Como
conseguiu? Onde que você arranjou tanta frieza?
-A
Bete me deu. E eu não me arrependo de nada.
-Quer
dizer que ela sofreu de dor sem remédio, tratamento, nada?
-A
agonia que ela viveu foi curta, mais do que a minha até agora.
Luciano,
então, volta ao dia em que cremou o corpo de Vinícius. Quando todos foram embora,
o policial ficou sozinho no crematório e foi até uma das gavetas, a que
guardava o corpo da moça, ainda com vida.
-Bete?
Bete, você está me ouvindo? Acorda, Bete- a moça abriu os olhos- Bem-vinda ao
seu último dia de vida. Eu sei que você quer muito pedir ajuda, e pela primeira
vez na sua vida miserável, sente medo de alguém. Só que não vai dar. Antes de
te trazer pra cá, eu injetei em você um bloqueador neuromuscular, sabe o que é?
É uma droga que te impede de se mexer, de falar, de fazer qualquer coisa. Só
estamos nós dois aqui. Quer dizer... Daqui a pouco, só eu. Porque chegou a hora
de sentir na pele tudo que os outros sofreram por você. Vai pro inferno,
maldita!- Luciano fecha a gaveta, desesperando Bete, que ficou ainda pior
quando viu Diego, imóvel, deitado ao seu lado.
-Não
te prometi, meu amor? Seu fim vai ser pior do que o meu.
E
Luciano incinerou o corpo da traficante, que não pôde defender-se da vingança.
-Por
que você me olha desse jeito? Acha que eu sou um criminoso, um assassino como
ela? Vai me denunciar?
-O
pior é que eu consigo entender você. Consigo porque eu me coloco no lugar dos
meus pais. E se fossem eles? E se eles vivessem a mesma dor que a sua?
-Eu
não quero mais ser entendido, nem me fazer entender, Fábio. Mas eu quis e fiz
justiça. Pode ficar certo: até o último dia, não vou ter o menor arrependimento
do que eu fiz.
-Luciano,
eu quero te pedir uma coisa.
-Fala.
-Não
desiste de você, não, tá?- coloca a mão sobre o ombro do amigo.
-Já
desistiram por mim há seis meses, Fábio. Agora é seguir em frente, com mais
dúvidas do que respostas.
-Tô
atrapalhando?- Eduardo chega quando o policial conversa com o adolescente.
-Não,
cara, imagina- Fábio disfarça o choque com a revelação.
-Eu
vou ter que ir agora pra casa, descansar um pouco.
-Por
que o senhor não vem passar uns dias aqui com a gente, Seu Luciano?- Eduardo
sugere.
-Melhor
eu ficar comigo e com as minhas lembranças. Obrigado por me ouvir, eu precisava
muito desse desabafo.
-Sabe
que pode contar comigo sempre- Fábio abraça o policial.
-Tchau,
Eduardo.
-Tchau-
Eduardo espera Luciano afastar-se para tecer um comentário- Tá tudo bem mesmo?
-Por
quê, cara? Não parece?
-Não,
é que... O clima ficou bem estranho de repente.
-Impressão
sua. Eu tô estranhando mesmo é você a essa hora em pé.
-Tinha
que te mostrar uma coisa- o filho de Ariane tira do bolso uma câmera digital.
-Que
massa, Edu! Quando foi que você comprou?
-Ganhei
da minha irmã em junho, quando fiz aniversário. Mas ainda não estreei, não.
Tava esperando você, meu amigo.
-Pra
quê? Pra fazer uma palhaçada e jogar no YouTube?
-É
uma surpresa.
-O
que você tá aprontando, Edu?
-Confia
em mim- Eduardo ativa a função de filmagem- Faz o seguinte: vai andando naquela
direção.
-Olha
lá o que você vai fazer, hein?
-Relaxa,
Fábio. Pode ir em frente.
Fábio
segue a orientação do melhor amigo e vê Gabriela caminhando em sua direção.
-Você
também pulou da cama tão cedo? O que foi que houve?
-Calma,
que isso não é um pedido de casamento ainda- esclarece Gabriela, aos risos- Não
tá notando nada de diferente em mim, não?
-Pra
ser bem sincero, não.
-Olha
pro rosto dela, Fábio.
-Caramba,
esse band-aid é... Jura?
-Fábio,
você agora é namorado da futura engenheira civil do Recife!
-Mentira,
né? Eu não acredito! Que bom, Gabriela!- Fábio rodopia com a moça sobre os seus
braços e a cumprimenta com um beijo apaixonado- Você não sabe o quanto eu tô
feliz por você!
-Eu
sei, Fábio. Essa conquista é sua também, você foi a pessoa que mais me deu
incentivo pra esse sonho.
-Agora
esse é só o primeiro de muitos sonhos que a gente vai realizar juntos um do
outro.
-Não
disse que era bom filmar a reação dele, Gabi?- Eduardo comenta a respeito da
cena- Ele ficou mais feliz que você!
-Parece
que eu não tô vivendo esse momento, sabe? É muita felicidade ter você de volta.
-Pra
nunca mais sair de perto- Fábio dá um novo beijo na namorada.
-Sabe
do que eu me lembrei agora? Do último capítulo de “Malhação”, aquele que passou
em outubro. Lembra do que o casal principal falou?
-Lembro,
Edu. É até uma frase que tá na minha agenda, e é do Fernando Sabino: “no fim,
tudo dá certo; se não deu certo”...
-“É
porque não chegou ao fim”- completa Fábio, diante da imensa felicidade pela
conquista da namorada. Eduardo começa a filmar os três juntos correndo pelas
areias da Praia do Paiva naquela manhã que poderia não terminar nunca mais.
Fim
07/07/2017
VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 34: HERÓI DOS PIVETES (PENÚLTIMO CAPÍTULO)
-O que foi? Pirou de vez? Onde é que
você me ouviu falando isso?
-Não mente pra mim, nem tenta me fazer
de idiota! Eu ouvi pela extensão quando estava lá embaixo.
-Você ouviu a minha conversa? Deu pra
isso agora? Tá me vigiando?
-Não foge do assunto, Vinícius! Você
tá planejando alguma coisa contra a Bete e quer usar o Fábio como isca. Melhor
você me contar o que está acontecendo!
-Eu não tenho nada pra conversar com o
senhor, e muito menos sobre essa pessoa, que eu nem sei quem é.
-Nada me tira da cabeça que você está
mentindo.
-Pense o que quiser.
-O que deu em você? Virou criminoso ou
está querendo virar?
-Seja lá de onde você tirou que eu
quero matar alguém, é mentira!
-Realmente, você acha que eu nasci
ontem?
-Não me interessa quando foi, tô pouco
me lixando! Só quero que você me deixe em paz!
-Pra cometer o seu crime em paz?
-Pai, eu já tô perdendo a paciência
contigo!
-Antes isso do que a liberdade, que
você vai perder dentro de alguns dias.
-Você pirou?
-Pior que não. A Bete tem alguma coisa
a ver com a morte da Victória, não tem?
-A Bete?
-Eu fiquei encarregado de investigar
as denúncias que a Gabriela fez. Ela acusou essa garota de drogar o Fábio pra
que ele tivesse uma overdose e de atirar no Eduardo, e suspeita também de que
foi ela que mandou o carinha matar o irmão dela no hospital.
-Por acaso a Gabriela provou alguma
coisa? Ela tá trabalhando pra polícia agora?
-Só que existe um detalhe que a
polícia descobriu e que envolve essa menina: o dia da morte da Victória.
-O que é que tem isso?
-Você se lembra de uma empresa de
segurança que ficava atrás do colégio, logo na rua que muitos dos alunos saem
depois da aula?
-Sei, a Vigilantes do Recife. Sei
também que tinha fechado há um tempo. O que é que tem ela?
-O circuito de câmeras da empresa não
foi desativado assim que o prédio foi desocupado. E por esses dias, o
responsável pela segurança do edifício viu as filmagens da morte da Victória.
Registraram o rosto dos dois assaltantes.
-Quer dizer que descobriram?
-Descobriram sim. E um deles, o que
atirou na Victória, era justamente o que dirigia o carro quando eles fugiram
pela tentativa de assassinato contra Eduardo. Já o que entrou no hospital e se
fez passar por médico era o que a Victória empurrou pra se defender. Sabe o que
esses dois tinham em comum? Os dois foram acusados pela Gabriela de terem sido
enviados pela Bete. O que ela tinha contra a Victória pra querer matá-la? Diz,
Vinícius! O que é que você sabe?
-Eu não sei de nada, já te falei!
-Quer que a polícia te indicie como
cúmplice daquela garota? Pra achar as provas de que ela é criminosa é só
questão de tempo. Diz o que você sabe, não fica calado...
-Tá bom, foi ela! Para de me torturar!
Foi ela que matou a Victória! Tá satisfeito?
-Você está me dizendo que... Uma garota
mata a sua namorada e você fica calado? Não me procurou por quê, Vinícius? Era
isso que você tinha que fazer desde o começo! Por que você ficou calado?
-Porque ela matou o Diego! Ele não
morreu por acidente, morreu porque foi ela que matou!
-O Diego também? Você sabia o tempo
todo e ficou em silêncio? Aquela desgraçada quase acabou com as vidas de
Eduardo e Gabriela! E você ia assistir a tudo, sabendo da culpa dela?
-Eu ouvi ela dizendo que matou o
Diego.
-Dizendo pra quem?
-Pra ninguém! A Bete é louca, admitiu
sozinha! Eu ouvi quando ela disse que matou o Diego e bati de frente com ela.
Aquela infeliz tentou acabar comigo me jogando da escada do sobrado onde mora!
E, como não conseguiu, armou a mão dos outros pra matar a Victória! Você
entende agora por que eu quero me vingar? A Victória morreu por culpa dela!
-E é justo que os outros paguem por
causa da maldade daquela garota?
-Eu invadi a casa da Bete e descobri
por que ela quer destruir todo mundo que rodeia o Fábio. Entreguei a prova pra
Alice, e ela conseguiu afastar a assassina do filho dela!
-Não consigo digerir tudo o que você
está me dizendo.
-Ninguém vai sentir a falta daquela
cachorra! Deixa eu acabar com ela, para de se meter na minha vida!
-Caso contrário o quê? Vai me matar
como ela fez com a Victória?
-Se eu me calei sobre a Vicky foi pra
que a Bete não fosse atrás de você também!
-Pra mim, você é tão cúmplice quanto
ela!
-Você não entende? Eu fiz isso porque
me importo com você!
-Agora? Depois desse rastro de sangue?
Se eu não tivesse ouvido pela extensão, você ia virar um assassino! Foi pra
isso que eu te criei? Fala!
-Quer acordar pra vida? Os dois caras
que assaltaram a Victória morreram, eles não vão contar que foi a Bete que
mandou eles darem um fim nela! A polícia não tem prova de que ela é traficante,
de que foi ela quem drogou o Fábio, que matou o Diego, que mandou matar a
Victória, que tentou matar a Gabriela, que mandou matarem o Eduardo! Tem?
Então, deixa eu me livrar desse estorvo sozinho!
Luciano dá uma bofetada no rosto do
filho, que fica abalado com as declarações feitas ao pai.
-Ouve bem o que você diz, Vinícius.
Ouve, porque você não vai trazer a Victória de volta pra sua vida. O máximo que
você vai conseguir é se igualar à assassina da tua namorada.
-Já fiquei de braços cruzados muito tempo.
Quer que eu faça o quê, Pai? Que eu deixe ela ficar sem pagar?
-Vai pagar, sim. Só que pela mão da
justiça.
-Eu já te falei que a polícia não tem
prova de nada que acuse a Bete.
-Mas você vai arranjar. Agora que você
bolou esse encontro vindouro com ela, vamos aproveitar a oportunidade e fazer
ela confessar cada crime que cometeu.
Vinícius, no dia seguinte, visita
Fábio no centro de apoio.
-Que bom que você veio. Tenho que te
contar uma coisa.
-Fala, então.
-Depois que você me contou toda a
história, a Gabriela veio me visitar.
-Vocês se entenderam, finalmente?
-Pois é. Agora eu tenho um motivo bom
pra sair daqui o quanto antes: não decepcionar a Gabriela nunca mais.
-Imagino que teus pais ficaram felizes
com isso.
-E vão ficar mais. O centro me deu autorização
pra visitar os dois amanhã.
-Que bom. Legal mesmo.
-O que é que você tem, Vinícius?
-Fábio, eu não devia falar, mas...
-O que foi, cara?
-Meu pai pediu segredo, eu não posso
falar, mas... Uma hora ou outra, você vai saber.
-Saber do quê? Alguma coisa a ver com
aquela bandida?
-Pior que sim. Mas, Fábio, não fala
pra ninguém.
-Tá me matando de ansiedade, fala
logo!
-Amanhã, o meu pai e eu... A gente vai
pegar a Bete.
-Como assim? O que é que vocês estão
amando?
-Olha, eu liguei pra ela e marquei um encontro.
-Onde e quando?
-Sabe aquela fábrica que vendia água
mineral e que fechou há um tempo?
-Aquela empresa... Como é que era o
nome mesmo? A Nova Cristalina, é essa?
-Sim, é essa mesmo. O depósito ficou
às moscas depois que a fábrica fechou.
-Tá, mas como vocês vão fazer pra que
a Bete vá até lá? Vocês, pelo menos, inventaram um bom pretexto pra ela ir a um
lugar deserto com aquele?
-Quando eu liguei, foi ela mesmo que
sugeriu esse lugar, porque o sobrado dá muito na vista. Como meus trampos na
agência rarearam, fiquei devendo uma grana preta pra ela: dez mil.
-Isso tudo, Vinícius?
-Se teus pais não tivessem sacado que
você era viciado, a essas alturas você ia dever bem mais.
-Tá, e esse dinheiro que você tá
devendo? Era o pretexto que você usou quando ligou pra Bete?
-Um deles. O que eu falei é que sabia
de uma forma de acabar com você.
-Certo, e ela pensa que você vai me
entregar de bandeja.
-Exatamente.
-Alguma desculpa você vai ter que
inventar.
-Hoje eu liguei pra ela e marquei pra
amanhã, às nove da manhã, o encontro com ela.
-Mas como é que a grana que você tá
devendo entra nessa história?
-Digo que entrego você de bandeja e,
em troca, ela perdoa a minha dívida.
-E o teu pai?
-Instala câmeras escondidas e uma
escuta em mim. Faço ela confessar os crimes que ela cometeu.
-Vinícius, pelo pouco que eu conheço a
Bete, ela não vai falar assim tão fácil.
-Eu sei que ela matou o Diego e a
Victória. Pra mim, não vai ter como negar.
-Cara, e se... Esquece.
-Termina, Fábio.
-Você é o único que sabe que o Diego
morreu porque ela matou.
-Não mais. Meu pai e você também
sabem.
-Só que a gente não ouviu isso da boca
dela, como você.
-Qual é o teu medo, Fábio?
-Sinceramente? De que ela não pense
duas vezes em te matar.
-Isso não vai rolar. Eu me garanto.
-Nem você sabe como fazer isso. Para
de se fazer de forte, Vinícius. Você sabe muito bem que aquela garota não vale
nada.
-Que coincidência... Eu também não.
Bico fechado, hein?
-Onde é que você vai?
-Ter uma noite de descanso. Amanhã o
dia vai ser puxado, mas vai valer a pena.
-Deixa o Luciano agir, Vinícius. Não
toma nenhuma atitude pra se arrepender depois.
-Mandar aquele lixo pro inferno não é
nada que eu possa me arrepender. Torce pela gente- Vinícius deixa o quarto.
-Vinícius, me ouve! Volta aqui,
Vinícius! Vinícius!
Quando amanhece, Priscila, uma das
voluntárias do centro de apoio, leva Fábio até a porta do imóvel, onde ambos
esperam pelo táxi que vai levá-lo à mansão.
-Finalmente vai poder sentir o carinho
dos seus pais de novo.
-Mal vejo a hora, Priscila.
-Pensei que você fosse ficar mais
animado com o reencontro.
-Não é um reencontro, pra falar a
verdade.
-Como assim, Fábio? Você não vai pra
casa?
-Não, eu vou, é que... – começa a
mentir- Eles vinham aqui de vez em quando. Morro de saudade da minha casa, eles
eu via até com certa frequência.
-Tem razão. Olha aí, o seu táxi
chegou. Estranhei que o Seu Caio e a Dona Alice não tenham vindo te buscar.
-O carro da minha mãe tá quebrado, e o
dele... O meu pai resolveu trocar por esses dias. Obrigado por me emprestar o
dinheiro do táxi.
-Imagina, depois você me paga. Quando
você voltar, eu quero que me conte tudo que houve.
-Pode deixar. Até mais tarde- Fábio
entra no veículo, que começa a trafegar pela zona leste da cidade.
-Pra onde mesmo que a gente vai, moço?
-Sabe onde ficava a fábrica da Nova
Cristalina? Toca pra lá.
Eduardo e Gabriela estão tomando café da
manhã com Ariane, que toca no tema do retorno temporário de Fábio pra casa.
-Quer dizer que ele vai voltar hoje pra casa?
-Finalmente, Mãe!
-Sabe no que eu pensei?- Da gente passar no
shopping antes e comprar um presente pra ele!- sugere Eduardo.
-Você tá bem animado, hein, mano?
-É, Gabi. Chega de tristeza. Meu amigo tá
voltando pra casa e esse pesadelo de droga acabou de vez!
-Uma pena que ninguém conseguiu
comprovar as mentiras daquela criminosa- Ariane vê o sorriso da filha desparecer
rapidamente- Está tudo bem, querida?
-O que foi, Gabriela?
-Tive um pressentimento, um aperto no
peito.
-Com o Fábio?
-Não sei, Eduardo. Não sei se foi com
ele, mas eu não gostei nada disso.
Vinícius já está na fábrica abandonada
à espera de Bete, que chega num táxi estacionado, a seu pedido, um pouco
distante do prédio desativado. A moça entra no local e o rapaz liga para o seu
celular.
-Já cheguei. Subiu até o primeiro
andar, como eu te falei pelo celular?
-A porta tá aberta, tô esperando aqui.
A traficante vai atrás do modelo e
caminha devagar, olhando para todos os lados, desconfiando de que a polícia
esteja à sua espera. Fábio, por sua vez, desce do seu táxi exatamente em frente
ao prédio. O rapaz em tratamento contra as drogas paga ao motorista e abandona
o veículo, entrando também a passos lentos. De longe, avista Bete subindo às
escadas, e toma cautela para não ser percebido pela criminosa, que chega à sala
e inicia uma conversa com Vinícius, deixando a porta entreaberta, cuja brecha
permite que o filho de Alice e Caio assista ao diálogo.
-Tomara que essa ideia do Luciano dê
certo- torce Fábio.
-Pra
quê você quis me encontrar aqui, nesse lugar?
-Você
quem quis me ver, Vinícius. Achei que era melhor a gente vir até aqui.
-Que
é isso, Bete? Medo da polícia?
-Nem
da polícia, nem de ninguém. Olha só, se é pra falar da tua dívida comigo,
esquece que eu não vou...
-Eu
tenho o que você quer. Quer dizer, eu acho que posso te dar.
-Então,
você conseguiu a grana que estava me devendo?
-O
que eu tenho pra te fazer é uma troca. Com mais vantagem pra você do que pra
mim.
-Melhor
você parar de blefar comigo, Vinícius. O que eu quero de você são os dez mil
reais que você me deve, mais nada.
-Tem
uma coisa que te importa bem mais do que isso, Bete.
-Posso
saber o quê?
-Acabar
com o Fábio, de uma vez por todas.
-O
que é que você tem a ver com o Fábio?
-Eu
sei por que você odeia o Fábio, por que quer destruir a vida do cara.
-Sabe
do quê, Vinícius?
-De
tudo. Acabei ficando amigo do cara, ele me contou tudo da vida dele depois que
a gente ficou próximo. Uma amizade que você mesma ajudou a começar. O Fábio já
sabe que você não deu ponto sem nó, Bete. Sabe que você odeia a mãe dele, e que
por isso manipulou o Fábio contra a Gabriela, que me usou pra que ele se drogasse
como a gente...
-“A
gente”? Aceita uma coisa, Vinícius: o controle da situação sempre foi meu. Não
me coloca na mesma laia que você e o Fábio! O que você quer, afinal?
-Uma
troca razoável, Bete: você perdoa a minha dívida e eu te conto como destruir o
Fábio.
Através
de um espelho existente na sala, a ex-namorada de Diego vê o sobrinho espiando
a conversa e pensa que ele está mancomunado com o problemático modelo.
-Pensando
bem... – Bete tira uma arma da calça e aponta para Vinícius- Melhor fazer uma
mudança de planos.
-Que
é isso? Abaixa essa arma, Bete!
-Pensando
o quê, seu imbecil? Que eu sou idiota, igual a você?
-Bete,
abaixa a arma!
-Implorando
pela vida, que lindo... Mas não me convence de jeito nenhum!
-Larga
esse revólver, Bete, eu tô te pedindo!
-Que
revólver? Ficou maluco? Não tem arma nenhuma aqui. Assim como não tem nenhuma
confissão minha. Quer me incriminar, cretino? Aposto que deve ter um gravador
escondido em você, pronto pra qualquer escorregada que eu der, não é?
-Eu
já sei tudo sobre você, Bete; todo mundo sabe agora, inclusive o Fábio.
-Ótimo.
Não preciso me esconder mais de ninguém, vai ser um jogo limpo a partir de
agora. Vou começar fazendo um favor ao mundo e me livrando de um verme: você.
Adeus, Vinícius...
A
vilã vira de costas e atira contra a parede, deixando Vinícius desesperado
quando este percebe a proximidade de Fábio da sala.
-Fábio!
-Aparece,
desgraçado! Aparece na minha frente!
Com
medo, o adolescente deixa de se esconder e fica frente a frente com Bete.
Vinícius teme pela vida do jovem.
-Os
dois juntos, e ainda por cima pra armar contra mim? Essa é nova!
-Bete,
não faz essa besteira. Abaixa o revólver. Teu problema é comigo, não é com o
Vinícius.
-Esse
traíra pensou que ia me passar a perna, mas se ferrou ainda mais comigo. Eu não
vou me esquecer disso, e sabe por quê, Fábio? Porque ninguém que me enfrenta
ficou vivo pra contar a história.
-Tá
falando de quem exatamente? Do Diego, que você matou?
-Não
toca no nome dele!- a antagonista grita para o adolescente.
-E
a Victória? Hein?- Vinícius provoca a moça- O que ela te fez pra acabar do
mesmo jeito que o Diego, assassina?
-Não
fui eu que matei a Victória, Vinícius: foi você quem matou. Quem apertou o
gatilho foi você.
-Desgraçada!-
Vinícius tenta agredir Bete, mas é contido por Fábio.
-Não
chega perto de mim...
-Você
não vai atirar na gente.
-Em
você, principalmente!
-Ainda
não. Não sem antes ouvir o quanto eu tenho nojo de você! Eu não tenho culpa do
que te aconteceu quando você era criança!
-Pode
não ter, mas vai pagar do mesmo jeito! A não ser que você ajoelhe e peça pra te
deixar vivo. Pede, Fábio.
-Quer
que eu me humilhe pra você, é isso?
-Não
faz isso, Fábio!
-Ah,
ele vai fazer! Pode ficar certo que ele vai fazer, se quiser salvar a sua vida
e a dele. E então, Fábio? Vai se humilhar ou assinar a sentença de morte, sua e
do Vinícius?
-Agora
eu tenho que abaixar a cabeça e pedir desculpa porque você matou meio mundo de
gente?
-E
ainda foi pouco. O principal alvo ainda tá vivo, mas por pouco tempo. Isso eu
te garanto.
-Por
mim, você pode atirar.
-Tão
tranquilo assim por quê?
-Porque
você não precisa mais se esconder. Todo mundo sabe quem é você. Mas se você tá
esperando que me humilhe, peça perdão, apele pra você me deixar vivo, tá
enganada.
-Pior
pra você. Porque assim vai ser mais rápido de me livrar de você de uma vez por
todas. Sabe qual é a lição que você vai levar desse mundo, Fábio? “Ninguém é
páreo pra mim’!
-Não?-
Vinícius retira das costas uma arma e aponta pra traficante.
-Ah,
o plano não era pra me entregar pra polícia? Era pra me matar?
-Abaixa
o revólver e deixa o Fábio sair do prédio.
-Pra
quê? Você vai atirar com ele aqui dentro ou sem, não faz diferença.
-Solta
a arma, Bete!
-Planejou
tudo direitinho, hein, Vinícius? Eu sempre achando que você era um zero a
esquerda, mas agora você me surpreendeu. Quer atirar em mim? Atira, mas vê se
acerta logo! Porque se não acertar, eu não vou pensar duas vezes em tirar você
e o Fábio do meu caminho. Atira, seu verme! Atira!
-Vinícius,
não faz isso! Ela tá te provocando, cara! Você não é assassino como ela, larga
essa arma, por...
Fábio
se assusta com o disparo efetuado por Vinícius e Bete leva a mão esquerda ao
ventre.
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