27/02/2022

#FANMADE: "'A VIAGEM' INTERNACIONAL" (1994)

 


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20/02/2022

#FANMADE: "ROBERTO CARLOS - INOLVIDABLES" (1993)

 


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13/02/2022

#FANMADE: "'GENTE FINA' INTERNACIONAL" (1990)

 


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06/02/2022

#FANMADE: "XUXA - SÓ FALTAVA VOCÊ" (1998)


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05/02/2022

#FANMADE: "TREM DA ALEGRIA" (1991) - 2ª VERSÃO


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04/02/2022

PRIMEIRO CAVALHEIRO | EPISÓDIO 4

 

Cena 1

Isa senta-se ao lado de Pierre e de Tom, enquanto Mandelli aparece na cabeceira da mesa do tribunal.

MANDELLI: Muito bem. Vamos dar início à sessão de julgamento de Tom Poli, acusado de tentar subornar Camilo Santos, gerente da Guitarra, empresa pertencente ao Governo de Paramar, administrado por sua esposa Isa Duncan.

PIERRE: Muda essa cara, qualquer um vê que você está desconfortável com o que ele está dizendo.

ISA: As palavras não estão me incomodando, é a pessoa mesmo.

MANDELLI: Antes de começarmos, entretanto, é preciso dizer que eu fico estarrecido com a quantidade de queixas que os habitantes deste país vêm fazendo acerca da gestão da ex-presidente...

TOM: Cuidado com o ato falho.

MANDELLI: Tem razão. Atos cometidos pela presidente... Ainda!

TOM: Mandelli!

MANDELLI: “Meritíssimo” pra você! Além da comprometedora conversa que Poli teve com Santos, há uma nova denúncia contra a gestão da presidente, sobretudo com relação ao ministério educacional.

ISA: Pierre, do que é que esse noiado está falando?

MANDELLI: Foi recolhido recentemente material didático nas escolas públicas de Paramar que comprometem bastante o modelo de pluralidade de opiniões tão propagado por Isa Duncan. Livros de Português cujos textos claramente possuem doutrinação marxista!

ISA: Tudo pra esses machos é marxismo ou comunismo, credo!

MANDELLI: Aqui, no livro “Gramática da Música Nacional”, um excerto encontrado na página 90 prova o quanto Marx, creditado na nota de rodapé, é importante para a educação das nossas crianças, segundo a cartilha do Governo Duncan. Aqui diz: “Se uma estrela cadente o céu cruzar e uma chama no corpo me acender, vou fazer um pedido e te chamar pro começo do sonho acontecer. Quando os dedos tocarem lá no céu, o universo vai todo estremecer e as estrelas rodando em carrossel. Testemunhas do amor, eu e você. As batidas do nosso coração se acalmando depois da explosão, quando o sol se prepara pra nascer”...

SHIN: “Sonho de amor... As noites sabem quanto te esperei. Não conto pra ninguém. A lua sabe que eu me apaixonei. Se você é real, por que você não vem?”.

TOM, ISA E PIERRE: “Sonho de amor”...

SHIN: De fato, isso é Marx purinho. Patricia Marx. Logo, as novas acusações caem por terra. Voltemos às antigas, que serão destruídas em breve. Ah, me desculpem pela falta de apresentação: eu sou Shin Navarro, advogado de Tom Poli e Isa Duncan.

PIERRE: Shin é formado em Direito, por isso que achei melhor chamá-lo para a defesa.

SHIN: Vamos começar apostando na obviedade esperada para a audiência, Meritíssimo.

MANDELLI: Não posso esperar alguma coisa diferente, Dr. Navarro.

SHIN: Data vênia, Meritíssimo: vá se ferrar. Pode autorizar a entrada da única testemunha do caso envolvendo o réu Tom Poli.

MANDELLI: Que seja. Que entre Camilo Santos, gerente da empresa estatal Guitarra.

Santos senta-se em frente a Tom, Isa e Pierre, sob o olhar de reprovação dos três.

MANDELLI: O advogado de defesa está com a oportunidade para interrogar o acusado.

SHIN: Obrigado, Meritíssimo. Seja bem-vindo, Camilo Santos, embora eu deva admitir que sei que, de santo, você não tem nada.

MANDELLI: O defensor pode limitar-se a começar o interrogatório sem atribuições de juízo de valor.

SHIN: Não me contive, confesso. Então...

ISA: Pierre, não me parece ser uma boa ideia ter o Shin conduzindo a defesa do Tom.

PIERRE: Você tem uma melhor?

TOM: Eu mesmo não tenho.

ISA: Que previsível...

SHIN: Quer dizer que Tom Poli tentou te subornar em troca de uma vaga de estágio na Guitarra, aproveitando-se do fato de estar casado com a presidente da república?

SANTOS: Um áudio vazado para todo o país e você ainda está em dúvida?

SHIN: Estou.

MANDELLI: Baseado em quê, Dr. Navarro?

SHIN: Até agora, Meritíssimo, nenhum meio de comunicação declarou em quais circunstâncias o acusado conheceu o depoente.

MANDELLI: E isso importa?

SHIN: Claro. É um fato, e como qualquer fato, está aqui para ser devidamente esclarecido. Não concorda, Meritíssimo?

MANDELLI: Prossiga.

SHIN: Esteja à vontade para contar, Camilo. De que maneira conheceu o acusado, Tom Poli?

SANTOS: Bom, eu... Conheci na Guitarra. Ele tinha ido lá quando soube que haveria uma seleção de estágio na empresa.

SHIN: Muito bem. E como ele soube?

SANTOS: Disso eu já não sei.

TOM: Mentira! Você me ligou pra contar dessa ligação!

ISA: Exatamente! Quando estávamos num jantar romântico no Le Seira!

MANDELLI: Não vou permitir que um depoimento seja interrompido. Fiquem calados.

SANTOS: Foi o que eu falei, Dr. Navarro. O Tom soube do processo e foi me procurar. Eu afirmei que ele deveria participar do certame, como qualquer candidato comum. Tempos depois, quando ele soube do resultado, ameaçou de influenciar a presidente contra mim. Eu poderia perder o emprego se não aceitasse o que ele queria.

SHIN: E quando mesmo que aconteceu a divulgação do resultado?

SANTOS: No último dia 28 de janeiro.

SHIN: Engraçado, não é? O edital da seleção para estágio disse que a divulgação do resultado aconteceria hoje. De que maneira Tom Poli poderia saber se foi recusado nessa seleção? Só se alguém de dentro da empresa contou pra ele, tendo acesso à lista de aprovados.

SANTOS: É... Eu não disse que ele soube antes. Ele que me... Que me procurou antes pra exigir que eu lhe aprovasse por ser o marido da presidente.

SHIN: O senhor tem algum problema de gagueira?

SANTOS: Não, por quê? Eu falo assim. Qual o problema? Não pode falar assim? O que é que foi?

MANDELLI: Devo ressaltar que não é permitido que o depoente seja confrontado sem que haja a presença do advogado de acusação, Dr. Navarro.

SHIN: Claro. Como eu não iria imaginar que essa corja arrumaria uma forma de se proteger? Olha lá, já está querendo chamar o advogado de acusação pra que esse palerma não caia em contradição e inocente o Tom!

MANDELLI: Continue com sua grave acusação e você vai parar na cadeia por desacato à autoridade!

SHIN: E quem é a autoridade aqui? Você, Mandelli? Num stand-up você não estaria tão engraçado quanto aqui!

MANDELLI: Que entre o advogado de acusação o quanto antes.

(fundo musical: “Secret affair”)

Tom, Isa e Pierre esperam pela entrada do magistrado pela porta, até que o último se mostra surpreso com a pessoa no interior do júri.

SHIN: Você?

 

(créditos iniciais)

 

Cena 2

ISA: Não, não é possível! Isso já virou um circo completo! Até você está conspirando contra mim?

MANDELLI: Quero apresentar a vocês Fabian Dutra, advogado que representa a acusação contra Tom Poli. (pensa) Finalmente alguém que se uniu à oposição.

TOM: Todo mundo é advogado agora?

SHIN: Bom, pra falar a verdade, eu conheci o Fabian na faculdade de Direito mesmo. Era tão bom aluno que foi laureado.

FABIAN: Sem explicações sobre mim, acho que posso fazer isso sozinho.

ISA: Como é que você tem coragem de se juntar ao Mandelli pra me prejudicar dessa forma? Eu confiei em você, abri minha casa, minha vida, dividi contigo a minha vitória nas urnas... Até meu primeiro encontro com o Tom fiz com que você estivesse presente no banheiro...

MANDELLI: Sra. Duncan, limite-se a não comprometer o trabalho da justiça.

ISA: É pra rir?

FABIAN: Data vênia, Meritíssimo, eu gostaria de interrogar, em vez do acusado, o depoente Camilo Santos.

MANDELLI: Apesar de incomum em júris, petição concedida.

TOM: O que é essa tal de “data vênia” que eles estão falando?

SHIN: Com a devida licença.

FABIAN: Se for pra você falar, negada! Sr. Camilo, há quanto tempo atua como gerente da Guitarra?

SANTOS: Há uns dois anos, salvo engano.

FABIAN: Sua gestão, então, começou quando Eduardo Mandelli ainda era o presidente da república?

SANTOS: Sim, senhor.

FABIAN: Muito bem. Deixe-me, antes de partirmos diretamente para o caso de Tom Poli, questionar sobre sua conduta na empresa. Nunca viu ou soube de alguma irregularidade cometida em seu local de trabalho?

SANTOS: Me fazer esse tipo de pergunta é até uma ofensa, Dr. Dutra.

MANDELLI: Realmente... Creio que este tipo de abordagem seria mais adequado se aplicado ao acusado... Ou à esposa do mesmo.

ISA: Não sou culpada de nada! Não me ponha no mesmo balaio criminoso que você, Mandelli!

MANDELLI: Eu disse alguma coisa, Excelência? Não se entregue.

FABIAN: Santos, posso supor que sua reação é a de um homem indignado com a mera hipótese de que algo de errado aconteceu durante o tempo em que exerceu a gerência da Guitarra?

SANTOS: Claro que é. Jamais permitiria que esse tipo de ato acontecesse debaixo do meu nariz e causado por um subordinado. Isso deporia contra a minha gestão, senhor advogado.

FABIAN: Interessante saber. Não há dúvidas de que o senhor, enquanto gerente da Guitarra, procura cercar-se de excelentes e capacitados profissionais, acima de quaisquer suspeitas. Lamentável que não possa dizer o mesmo de si.

SHIN: Protesto, Meritíssimo. O advogado de acusação está intimidando a testemunha, coisa que eu deveria fazer.

MANDELLI: Protesto aceito, Dr. Navarro. Está emaconhado, garoto?

FABIAN: Queiram me deixar prosseguir com o diálogo. Santos, havia mais alguém presente quando Tom ameaçou instigar Isa a te demitir caso não fosse aceito no estágio da Guitarra?

SANTOS: As câmeras de segurança, se lhe interessam saber, registraram o momento em que o primeiro cavalheiro entrou no prédio. Caso queiram, eu posso disponibilizar para provar que o áudio vazado veio de lá.

FABIAN: Acredito que não tenha entendido o que perguntei, Santos. Quando Tom supostamente lhe chantageou, havia mais alguém com ele?

SHIN: Mas não ficou claro no áudio que eles estavam...

FABIAN: Calado, Navarro! Responda.

SANTOS: Não, estávamos sozinhos na minha sala.

FABIAN: Não no prédio, certamente.

SANTOS: Acredita que eu dispensaria meus colaboradores apenas para conversar com Tom?

FABIAN: Sinceramente, não. Porque Tom pensou da mesma forma que o senhor.

MANDELLI: Ao que se refere, Dr. Dutra?

FABIAN: Tom Poli, de fato, conversou com o senhor a sós em sua sala. Mas não foi ao prédio da Guitarra sozinho. Lembra-se, Sr. Poli, de que sua esposa contratou seguranças particulares para fazer a sua escolta para todas as localidades possíveis?

ISA: Sim, é de praxe em se tratando de alguém importante para o poder executivo do país. Só que a empresa não enviou os profissionais recrutados no prazo que havia sido determinado. Foi por isso que eu pedi que acompanhassem... Não.

SANTOS: Quem?

FABIAN: Ninguém menos do que o Dr. Navarro. E eu.

MANDELLI: Não entendo o que essa confusão tem a ver com esse caso.

FABIAN: Permita, Meritíssimo, que eu esclareça tudo. Quando Tom entrou no prédio da Guitarra, o Dr. Navarro e eu não entramos no imóvel de imediato. O marido da presidente tomou o elevador e foi ao encontro do Sr. Camilo Santos. Não contávamos que nossa displicência em termos de trabalho como seguranças nos ajudaria a elucidar o caso de chantagem. Shin sentiu que havia algo errado consigo e me solicitou algo bem simples de ser realizado.

SHIN: Descobre onde fica o banheiro, eu preciso fazer o número 1.

FABIAN: Camilo Santos, onde fica o banheiro do prédio da Guitarra?

SANTOS: No último andar, praticamente em frente à minha sala.

FABIAN: Temíamos que algum jornalista de plantão nos flagrasse longe de nosso protegido Tom, e então Shin usou o banheiro, mas eu fiquei à porta esperando que os dois, Tom e Shin, deixassem os locais para onde foram.

PIERRE: Como poderia você estar na Guitarra? Até onde se sabe, você foi arremessado da janela do restaurante francês, o Le Seira, antes mesmo da seleção que o Santos fez.

ISA: Mesmo arrebentado, eu pedi que ele acompanhasse o Shin para a segurança do Tom. Achava que ele estaria em melhores mãos do que numa empresa especializada, que poderia conspirar contra mim. Mas já vi que não adiantou de nada, meu ex-marido se meteu em problemas do mesmo jeito.

FABIAN: Neste ponto, Vossa Excelência está completamente equivocada. Foi justamente a nossa escalação... Quer dizer, a minha, que salvou esse governo do naufrágio.

SHIN: Quanta prepotência...

MANDELLI: Afinal de contas, o senhor é advogado de acusação ou de defesa?

FABIAN: Um homem comprometido com a lei, Meritíssimo.

MANDELLI: E que deveria se ater a fazer o seu trabalho da maneira mais competente possível, ao invés de nos fazer perder tempo com sua estratégia mais do que questionável!

FABIAN: Falando nisso, Sr. Juiz, deveria ter lugar de fala ao pronunciar “estratégia”. O sinal de telecomunicação em Paramar é uma derrota desde que o senhor privatizou as companhias telefônicas. Quantos de nós já tivemos, em algum momento, que acionar o viva-voz de nossos aparelhos móveis para uma comunicação digna?

MANDELLI: Está me acusando de quê, Dr. Dutra?

SANTOS: De ser o líder de um esquema que visa à derrocada política de Isa Duncan, usando Tom Poli como bode expiatório.

ISA: Aí eu vi vantagem.

MANDELLI: Vê-se que o advogado de acusação não faz a menor ideia de com quem está lidando.

FABIAN: Sei, sim; não sou idiota. Depois que o Tom saiu da sala do Santos por supostamente não ter conseguido lhe chantagear, ele passou por mim e pegou o elevador sem que tivesse se dado conta de que eu e, por consequência, Shin, havíamos subido ao andar atrás de um banheiro.

TOM: Realmente, eu não tinha visto nenhum dos dois. Pra falar a verdade, eu não me lembro nem de vocês terem me acompanhado até a porta do edifício da Guitarra.

ISA: Porque você é uma ostra, querido?

FABIAN: Deixemos os problemas conjugais de lado, Vossa Excelência.

PIERRE: Sim, por favor.

FABIAN: Ocorreu que houve uma conversa pelo celular entre o Sr. Camilo Santos e o ex-presidente da República Federativa de Paramar Eduardo Mandelli. Nela, o gerente da Guitarra revelou que a conversa tida com Tom havia sido gravada, registrando desta forma a chantagem que ele pretendia cometer usando o poderio de Isa Duncan.

O espectador é levado a relembrar a sequência, desta vez com Fabian escutando tudo usando um copo colado à porta da sala de Santos.

SANTOS: Alô? Alô, Mandelli, eu não estou conseguindo te ouvir. Espera, eu vou colocar o celular no viva-voz. Pode me ouvir agora?

MANDELLI: Claro, fala. Captou o diálogo entre o Tom e você?

SANTOS: Consegui.

MANDELLI: Tem certeza?

SANTOS: Sim, ele fez o que você queria. Posso mandar o áudio que gravei agora mesmo. Quando isso vai passar no jornal?

MANDELLI: Tenho contatos jornalísticos que podem segurar a notícia por mais algumas horas. Mas eles me garantem que será a primeira manchete do “Boletim de Paramar”.

SANTOS: (faz uma pausa) Tem certeza de que isso não vai me prejudicar, Mandelli?

MANDELLI: Óbvio que não vai. A opinião pública vai te ver, fazendo uso das palavras da Isa Duncan, como um funcionário público humilhado por um macho escroto, patriacal e opressor! Por curiosidade, o marido da presidente da república. Envia o áudio que você captou, e deixa que da melhor parte do plano eu tomo conta.

Fabian, ainda à porta, assusta-se quando Shin grita depois de dar a descarga no banheiro.

SHIN: Já acabei!

De volta ao tempo presente, os personagens voltam a dialogar no julgamento de Tom.

SHIN: Por que você ficou esse tempo todo escondendo o que havia ouvido de todo mundo?

FABIAN: Você não me deixa falar nunca, ora!

MANDELLI: Isso é uma calúnia grave! Não tem o direito de me acusar de tramar algo tão...

FABIAN: Menos, Mandelli. Bem menos. Se honesto você fosse, não haveria motivos para que houvesse um impeachment contra você.

MANDELLI: De qualquer maneira, o julgamento está em torno das atitudes que Tom cometeu.

FABIAN: Mas olha só que curioso! A nomeação de Tom enquanto estagiário da Guitarra não se consolidou no Diário Oficial de Paramar, dada a pressa que você tinha pra tirar a Isa do governo do país. Além disso, mesmo que ela estivesse ciente da patifaria que o marido aprontaria, não haveria como saber se ela pressionou o Camilo Santos de alguma forma para aceitar a nomeação do seu marido na empresa.

PIERRE: Jogou bem esse mudo, hein? Bem que ele poderia ser chefe de marketing do Partido de Proteção à Calopsita Nacional...

FABIAN: Bem que o Meritíssimo gostaria de oferecer aos jornalistas que estão lá fora um belo espetáculo, não é? Mas vamos aproveitar que estamos a portas fechadas e entrarmos todos num acordo mais do que benéfico.

ISA: Você enlouqueceu? Eu jamais vou me associar a esse pulha.

PIERRE: Vai, sim. Tudo em nome da reputação que precisa permanecer imaculada. E então, Fabian? Qual é a proposta que você tem pra fazer?

TOM: Espera um pouco, vocês não acham que têm que me perguntar o que eu acho de toda essa situação?

ISA: Não.

FABIAN: Muito bem, Sr. Mandelli, a negociação é a seguinte: você absolve, enquanto juiz do Caso Tom Poli, a presidente da república de Paramar e o marido e, em troca, poderá permanecer na oposição sem que saibam do seu estratagema furado. Porque forjar as provas pode ser um escândalo muito maior que o das pedaladas, que te impediram de continuar como chefe de estado. Que tal?

(fundo musical: “Perplex-city”)

Mandelli olha para o instrumentista com ódio e fica em silêncio antes de anunciar sua decisão.

 

Cena 3

(fundo musical: “Sweet sensation”)

A âncora do “Boletim de Paramar” surge na programação por meio de um plantão, no qual informa a notícia mais recente sobre o julgamento que tem Tom e Isa como réus.

ÂNCORA: A nossa programação da Rede Paramar de Televisão é interrompida neste momento. Sinto muito se você está querendo saber se o Plankton finalmente descobrirá no episódio de hoje a receita do hambúrguer de siri, mas você sobreviveu ao fim da “TV Globinho”; isso também pode esperar. O relator do processo de impeachment contra Isa Duncan, o ex- presidente Eduardo Mandelli, convoca a imprensa para fazer um comunicado. Temos imagens do pronunciamento, que é realizado neste momento.

MANDELLI: O motivo da minha convocação se deu para divulgar o resultado da CPI que investiga Tom Poli, o primeiro cavalheiro de Paramar. O áudio que circulou na imprensa, no qual ele estaria chantageando o gerente da Guitarra, Camilo Santos, em troca da manutenção de seu emprego, é uma montagem. A perícia da Polícia Federal constatou que grampos ilegais foram implantados nas linhas telefônicas pertencentes aos envolvidos e que, quando as conversas foram captadas, editaram para que a figura da presidente da república fosse prejudicada por intermédio do seu marido. Funcionários da empresa tiveram seus depoimentos colhidos e afirmam que Tom nunca frequentou ou visitou o prédio que serve como sede da companhia energética do governo de Paramar.

PIERRE: Acha que ele vai ser convincente nessas explicações?

ISA: Não sei. Mas só de saber que ele é obrigado a mentir e automaticamente me proteger já estão valendo pra mim.

PIERRE: Mesmo assim, acho que o Mandelli não vai te dar sossego.

ISA: Que venha. Já disse Christiane Torloni em “Cara & coroa”: “eu posso não fazer questão de jogar limpo, mas faço questão de ter o melhor adversário que puder... Um adversário à minha altura”.

PIERRE: Estamos vendo que não é o caso dele.

ISA: Jamais, meu bem. Jamais.

(fundo musical: “Horizon”)

Mandelli lança para Isa um olhar dominado pelo ódio.

PIERRE: Vamos jantar no Le Seira hoje pra comemorar? Eu pago.

ISA: Por mim, tudo bem. É do que eu mais preciso hoje.

PIERRE: Então, vou avisar a todo mundo pra chegar às oito da noite.

ISA: “Todo mundo” quem?

 

Cena 4

(fundo musical: “Clube da Esquina nº 2”)

PIERRE: Finalmente o PPCN pode respirar aliviado. As suspeitas sobre a gestão da Isa caíram por terra.

ISA: E temos que agradecer, ironicamente, ao advogado de acusação. Parabéns, Fabian. Você fez um excelente trabalho.

SHIN: E a minha defesa, não merece elogios?

TOM: Depois, Shin. Eu queria aproveitar esse momento pra fazer um pedido importante.

SHIN: De casamento? Vai incorrer no crime de bigamia?

TOM: Não, é outra coisa. Mas queria que vocês fossem testemunhas do que eu vou dizer.

ISA: Tom, o que tá acontecendo?

TOM: Isa, eu preciso te pedir desculpas. Nada disso teria acontecido se eu não tivesse me aproveitado da sua imagem. Mas a verdade é que pra todo homem é difícil ter uma mulher bem-sucedida.

ISA: Um machista opressor.

TOM: Só que, por mais que seja difícil, eu sei que é necessário. E a partir de agora eu quero me comprometer a ser o melhor companheiro que você poderia ter. Será que você pode me aceitar de volta?

ISA: Que argumentos você teria para me convencer a retomar a nossa relação?

SHIN: “De hoje em diante eu vou modificar o modo de vida”.

ISA: Canta em português de novo e eu te jogo da janela também.

TOM: Ao contrário da sua gestão como presidente, eu não sou garantia de coisa boa. Mas eu posso afirmar com certeza que você foi a melhor coisa que me aconteceu. E não me importa se você é a cientista, a política, a chefe de estado. Você não vai precisar se esforçar pra fazer o meu mundo um pouco mais perfeito. Simplesmente porque ele se torna perfeito somente por você existir. Volta pra mim, Isa.

ISA: Droga, não posso chorar em público; podem falar que estou angariando votos pro segundo mandato antes da lei eleitoral... Claro que eu quero você de volta, Tom.

PIERRE: Ah, que maravilha. Shin, uma música pro momento.

ISA: Em inglês, por gentileza.

SHIN: “Oh, oh, angel baby, não faça isso comigo. Eu sempre fui seu amigo, mas vivo tão sozinho. Oh, oh, angel baby, não quero mais viver triste assim, pois sem você tudo é ruim. Não negue seu carinho”.

PIERRE: Garçom, a conta, por favor.

GARÇOM: Calma, me deixa calcular. Quatro pratos de lagosta, um quilo de ração Pedigree, duas garrafas de espumante e um bule de café extraforte... Aqui está (entrega a conta para Pierre).

PIERRE: Só um minuto. (Pierre abre a carteira e não vê nenhuma cédula) Gente, não é que eu esqueci o dinheiro em casa?

GARÇOM: Não tem problema, senhor. O Le Seira recebe pagamentos via Pix.

PIERRE: Aí é que tá. Eu não tenho Pix.

Tom aponta a tampa do bule, com uma protuberância interna semelhante a um punhal, para Pierre.

TOM: (raivoso) Como assim “você não tem Pix”?

Um par de mãos misteriosas fotografa com um celular o exato momento em que Tom ameaça Pierre e rapidamente aparece num portal de notícias chamado “Paramar News” a manchete: “Primeiro cavalheiro do país realiza nova presepada e mancha a gestão de Isa Duncan”.

(fundo musical: “Ser feliz” – introdução da música)

 

Créditos finais

(fundo musical: “Foi Deus quem fez você” – “só para amar/ só para amar”)

Roteiro

Gabriel Arenas

Colaboração

Nenhuma, não entendo nada sobre política

Direção

Felipe Lipstein

Elenco de apoio

Ninguém quis vir

Cenografia

Paint

Direção de fotografia

Sem filtros, pra deixar o programa trash

Figurino

Roupas compradas nas lojas Cattan e A Futurista

Edição final

Teve a inicial?

Produção de arte

Pouco empenhada pra oferecer uma série de qualidade

Caracterização

Paint também

Produção de elenco

Casting em Vila Tamandaré e na Avenida Caxangá

Produção musical

Shin interpretou quase tudo

Produção

Pouco inspirada

Design de personagens

Contornos do Paint (já falei dele, não foi?)

Dublagem

Audacity

Efeitos especiais

A rapidez do enredo

Efeitos visuais

Quais?

Narração

Sem coerência

Pesquisa

Era pra ter

Sonoplastia

Barulhos bucais pra fingir que Fabian toca algo que não seja o terror

Citações musicais no episódio de hoje:

“Sonho de amor”

(compositores: Michael Sullivan e Paulo Massadas)

“Só vou gostar de quem gosta de mim”

(compositor: Rossini Pinto)

“Angel baby (Angel baby)”

(compositores: Irwin Levine e Lawrence Russell Brown – versão em português: Rossini Pinto)

Músicas executadas no episódio de hoje:

“Secret affair”

(compositores: Brian Culbertson e Stephen Lu/ intérpretes: Brian Culbertson e Chris Botti)

 “Creeping up”

(compositores e intérpretes: Sam Sklair e Otto Sieben)

“Perplex-city”

(compositores e intérpretes: Ken Ramm e Lawrence Shragge)

“Horizon”

(compositor: Vangelis/ intérprete: Space 2000)

 “Sweet sensation”

(compositor: Barry J. Eastmond / intérprete: Najee)

“Clube da Esquina nº2”

(compositores: Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges/ intérprete: Leo Gandelman)

 “Ser feliz”

(compositores: Michael Sullivan e Paulo Massadas/ intérprete: Robby)

“Foi Deus quem fez você”

(compositor: Luiz Ramalho/ intérprete: Bell Marques)

 

Esta é uma obra de ficção.

Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mero azar.

 

(P) 2022 Joga Fora No Lixo Produções – todos os direitos reservados

SchoolaxoMusical.Blogspot.com

30/01/2022

#FANMADE: "DANCE-MIX 3" (1986) - 2ª VERSÃO


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29/01/2022

#FANMADE: "DANCE-MIX 2" (1985) - 2ª VERSÃO

 


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28/01/2022

PRIMEIRO CAVALHEIRO | EPISÓDIO 3

(abertura)

 

Cena 1

Isa e Tom voltam ao restaurante no qual se conheceram, o Le Seira, ainda acompanhados de Shin e Fabian que tocam qualquer música que sirva como integrante da trilha sonora da série.

ISA: Quem diria que nós estaríamos aqui de novo, agora sem pagar porque ninguém se atreve a cobrar a presidente da república?

TOM: O bom é que a gente pode se empanturrar à noite toda sem culpa, como se não houvesse glicose a ser controlada. Foi pensando nisso que eu te preparei uma surpresa.

ISA: Hum, adoro. Já posso saber o que é?

TOM: Podem entrar.

Fabian e Shin aparecem no saguão do restaurante com ternos azuis.

SHIN: Agora para vocês uma apresentação no saxofone, trazendo uma composição de Isolda.

Fabian passa a executar “Outra vez” com o instrumento anunciado por Shin.

FABIAN: “Esqueci de tentar te esquecer, resolvi te querer por querer, decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade sem nada a perder...”

ISA: Esta canção, se não me falha a memória, foi lançada originalmente por Roberto Carlos em 1977, não foi?

TOM: Sim, amor; conhecemos a música pela voz dele.

Após alguns segundos de silêncio, Isa arremessa Fabian e o saxofone pela janela do restaurante.

ISA: Você sabe muito bem que eu só gosto de Paramore!

TOM: Desculpe, querida. (pede, desmotivado) Faz acapella, por favor.

SHIN: “You are the only exception...”

(fundo musical: “When I think of you”)

O celular de Tom toca.

ISA: Vai mesmo atender?

TOM: Ué, e deixar que digam que o Serasa está atrás do primeiro cavalheiro? (atende a ligação) Alô?

SANTOS: Boa noite. Eu gostaria de falar com o Sr. Tom Poli.

TOM: É ele, quem deseja?

SANTOS: No teu caso, só tua esposa mesmo. Aqui é Camilo Santos, eu sou gerente da Guitarra, a empresa responsável pela geração de energia elétrica de Paramar.

TOM: Ah, sim. Como vai o senhor?

SANTOS: Muito bem, obrigado. O que acontece, Sr. Tom, é que nós chegamos ao seu contato por meio de indicações. Mas você deve entender que, por sermos uma empresa estatal, precisamos estabelecer um processo rigoroso de seleção, não é?

TOM: Claro.

SANTOS: A Guitarra vai abrir uma vaga de estágio para engenheiros eletricistas e a prova será realizada daqui a duas semanas. Eu posso te mandar o endereço e o horário pelo aplicativo de mensagens. O senhor está interessado?

TOM: Claro! Claro, é o que eu mais quero! Mas... Quem me indicou?

SANTOS: Relaxe. O senhor é marido da presidente da república, o que mais tem é portal de notícia sabendo até do que o senhor foi fazer no banheiro. Posso colocar seu nome na lista de candidatos, então?

TOM: Melhor me aprovar logo.

SANTOS: Desculpe, Sr. Tom, mas é o protocolo da empresa. Já imaginou o que vão dizer sobre a Guitarra caso o senhor seja aprovado?

TOM: Mas é óbvio que eu vou passar, não tenha dúvida.

ISA: Quer desligar essa ligação que interrompe o nosso jantar?

TOM: Eu falo com você depois, Camilo.

ISA: Será que não seria Camila?

TOM: Só se for a do Nenhum de Nós.

SANTOS: Até mais ver (encerra o telefonema).

ISA: Quem é a biscate?

TOM: Se tudo der certo, não vou viver fazendo biscate.

ISA: Os jogos de palavras não estão te ajudando a manter seus segundos de vida. (bate com os dois braços na mesa) Fala quem é essa vagabunda!

TOM: Você quer, por favor, se aquietar?

ISA: Não venha me dizer o que devo fazer, macho escroto, patriacal e opressor!

TOM: Era da Guitarra. O gerente da empresa, que se chama Camilo Santos, ligou pra dizer que daqui a duas semanas haverá uma seleção pra estagiários lá. Vai ser a chance da minha vida! Pensa bem, Isa: caso eu ganhe a vaga, não vão dizer que eu sou um estudante desesperado e desempregado escorado na chefe de estado de Paramar.

ISA: Tom, eu já vou logo avisando: melhor pra você vai ser se estiver me falando a verdade. A rotina, ao contrário do que o ditado diz, não é pior que uma amante. Eu sou.

TOM: Glup! Bom, se você tem dúvidas a respeito da minha fidelidade, eu posso ir com o Shin até o prédio da Guitarra.

ISA: Como se vocês homens não se protegessem o tempo todo, justificando suas atitudes misóginas...

TOM: Shin é um cachorro.

ISA: Ah, é.

 

Cena 2

(fundo musical: “The way you look tonight”)

LETREIRO: Dois meses depois...

Santos recebe Tom em sua sala, localizada no prédio da Guitarra.

SANTOS: Por favor, sinta como se estivesse em sua casa.

TOM: Não dá.

SANTOS: Eu te constrangi com alguma coisa que falei?

TOM: Que nada, me refiro ao fato de não ter um esquadrão antibombas na porta do meu quarto.

SANTOS: Tom, eu te chamei aqui porque... Cara, não sei se é certo ter te chamado aqui...

TOM: Minha viagem de limusine não pode ter sido em vão. Pensa na gasolina, que está cara.

SANTOS: Culpa da sua mulher... Quer dizer... Enfim... Pode parecer antiético, mas eu mandei que você viesse pra cá pra dizer que tive acesso ao resultado das provas.

TOM: Ué, mas o edital disse que só saberia da minha colocação no fim do mês.

SANTOS: Como eu sou o gerente, e vou tratar pessoalmente das contratações, eu preciso revelar que... Eu gostei de você. Sério, eu acho que deu pra criar uma amizade sincera e desinteressada entre nós.

TOM: Camilo, quer ir ao assunto? Não temos amizade, e certamente o que você vai me dizer antes de todo mundo saber é por causa da minha posição perante a sociedade. Do contrário, eu teria que esperar como num certame normal.

SANTOS: Infelizmente você não entrou na lista de selecionados para o estágio na Guitarra. Ficou até perto, mas não deu. Foi um décimo de diferença para o último aprovado.

TOM: É o quê? Sabe quantos dez eu coleciono na minha graduação pra ser rejeitado por qualquer seleção que seja? Camilo, eu preciso desse estágio pra terminar meu curso de Engenharia Elétrica! Será que você tem noção do meu desespero?

SANTOS: Sinto muito por você não ter sido aprovado, mas foram quarenta mil tentando uma vaga. Considere-se vitorioso por ter sido ao menos finalista.

TOM: Tudo bem, podemos abreviar essa conversa mole e falar na linguagem que talvez seja a única que você entenda. Quanto é que eu tenho que desembolsar pra conseguir esse estágio?

SANTOS: Tá querendo me pagar pra trabalhar?

TOM: E se eu estiver? Todo mundo tem um preço, e é de graça se você me disser o seu.

SANTOS: Eu... Não tenho nada a oferecer além da verdade. Não vou perder o meu emprego ou sequer me arriscar pra fazer a sua vontade. Só que, considerando quem você é, achei que tinha a obrigação de dizer.

TOM: Você não vai reconsiderar?

SANTOS: De forma alguma.

TOM: Sendo assim, aguarde quando a minha esposa mandar a sua exoneração. Porque eu vou fazer a cabeça dela pra isso, pode apostar.

SANTOS: Não vai ter coragem.

TOM: A Isa faz tudo que eu quiser. E se eu estalar os dedos ela não vai hesitar em acabar com você. Esperarei o resultado oficial. Repense sua decisão, se quiser manter o emprego (Tom deixa a sala de Santos, que liga para Mandelli).

SANTOS: Alô? Alô, Mandelli, eu não estou conseguindo te ouvir. Espera, eu vou colocar o celular no viva-voz. Pode me ouvir agora?

MANDELLI: Claro, fala. Captou o diálogo entre o Tom e você?

SANTOS: Consegui.

MANDELLI: Tem certeza?

SANTOS: Sim, ele fez o que você queria. Posso mandar o áudio que gravei agora mesmo. Quando isso vai passar no jornal?

MANDELLI: Tenho contatos jornalísticos que podem segurar a notícia por mais algumas horas. Mas eles me garantem que será a primeira manchete do “Boletim de Paramar”.

SANTOS: (faz uma pausa) Tem certeza de que isso não vai me prejudicar, Mandelli?

MANDELLI: Óbvio que não vai. A opinião pública vai te ver, fazendo uso das palavras da Isa Duncan, como um funcionário público humilhado por um macho escroto, patriacal e opressor! Por curiosidade, o marido da presidente da república. Envia o áudio que você captou, e deixa que da melhor parte do plano eu tomo conta.

 

Cena 3

(fundo musical: “Secret affair”)

Tom está bebendo uma xícara de café na varanda de seu apartamento, à noite, e Shin está sentado no sofá conversando com o marido da chefe de estado de Paramar.

SHIN: Nossa... Como está silencioso aqui, não é?

TOM: Canta uma música que o silêncio acaba.

SHIN: Não dá pra fazer isso. Depois que a Isa teve aquele ataque histérico e jogou o Fabian da janela, eu nunca mais tive um instrumentista que me acompanhasse nos lugares. O coitado está todo quebrado no hospital até hoje.

TOM: Sabe que Fabian recebeu alta da emergência ortopédica há muito tempo, e que ele não voltou pra fazer dupla com você desde o incidente da trigésima edição do Prêmio Paramar de Música.

SHIN: É... Desconheço o que aconteceu.

TOM: Mas o país inteiro sabe de tudo, foi transmitido na TV do governo. Ele ganhou o prêmio de revelação de 2031 e você tomou o microfone do cara na hora do discurso. Não me admira ele não voltar.

SHIN: Fabian nunca soube falar em público, a oratória dele é bastante questionável... Tudo bem, eu me viro em carreira solo.

Tom e Shin ouvem um barulho enquanto o cantor está sentado na sala.

TOM: Escutou isso?

SHIN: Todos os estados da república federativa junto comigo. Parece que veio do quarto da Isa.

TOM: Vou lá ver.

Quando Tom abre a porta para entrar no quarto, Isa aparece molhada e enrolada num roupão rosa.

TOM: Amor, tá tudo bem?

ISA: O controle de pragas desse palácio deixa muito a desejar, herança das gestões anteriores. Acabei de encontrar uma barata voadora assim que entrei na minha banheira de mármore egípcio repleta de leite de cabra raquítica.

TOM: O que foi que você fez?

ISA: Tratei como o inseto que ela era. E matei. Como diria Regina Duarte em “O astro”: “matei com a mais absoluta tranquilidade espiritual, emocional”... Era a barata ou eu.

TOM: Que carinha é essa, meu amor?

ISA: Posso saber onde você estava?

TOM: Na Guitarra. Fui selecionado para o estágio lá. Parece que você não ficou feliz com o que eu disse.

ISA: Uma amante se encontrando contigo no primeiro andar de um motel de beira de estrada seria menos doloroso do que isto que você está me contando.

SHIN: Pierre ligou pra dizer que está vindo pra cá.

ISA: O que é isso, Shin? Quem mandou você entrar no meu quarto enquanto estou à vontade com o meu marido?

SHIN: Isa, deixa eu te explicar uma coisa: como cachorro, a única que pode despertar meu instinto animal é a Priscila da “TV Colosso”. Veste o blazer de sempre e se apronta em poucos minutos, porque o Pierre disse que tem um assunto urgente pra discutir com vocês (chora).

TOM: Por que esse choro? O assunto é grave?

SHIN: Saudade de mandar o Fabian calar a boca.

Tom e Isa se olham por estranharem o comportamento do cantor.

 

Cena 4

ISA: (saindo do quarto) O que aconteceu, Pierre? O que de tão urgente você tem pra me falar?

PIERRE: Onde é que está o Tom?

ISA: No quarto, tentando acalmar o Shin, prestes a ter uma síncope.

PIERRE: Ótimo, porque daqui a pouco eu presumo que ele tenha que realizar o mesmo trabalho com você.

ISA: Quer dizer o quê?

PIERRE: O Mandelli protocolou um pedido de impeachment contra você.

ISA: Mas já? Não deu nem tempo de roubar cinquenta centavos dos cofres públicos e o homem me trata como se eu fosse uma larapia de marca maior.

PIERRE: É o que estão dizendo nos corredores da sede do partido, de onde saiu essa notícia eu não faço a menor ideia.

ISA: Que trunfo aquele idiota pode ter contra mim? A avaliação do meu governo está em 85%, o que ele poderia inventar que seja capaz de destruir a minha reputação?

TOM: Consegui acalmar o cachorro...

ISA: Psst!

PIERRE: Não sei, Isa. Mas é melhor acompanhar o noticiário pra ficar a par do que o homem pretende.

(fundo musical: “Sweet sensation”)

A âncora do “Boletim de Paramar” entra no ar para trazer a última notícia que envolve Isa e Mandelli.

ÂNCORA: Boa noite, mas só para alguns. Hoje seria o dia da minha folga, mas tive que vir trabalhar porque esses políticos não conseguem ficar um dia sem se envolver numa cachorrada.

SHIN: (grita pausadamente do quarto) Foi ofensivo!

ÂNCORA: O ex-presidente da república, Eduardo Mandelli, protocolou há poucas horas um pedido de impeachment contra Isa Duncan, que está no poder há alguns meses.

TOM: Ele pode fazer isso, Pierre?

PIERRE: Os direitos políticos não lhe foram negados, Tom. A justiça deu autorização pro Eduardo pentelhar a Isa, quantas vezes e da maneira que quiser.

ÂNCORA: O que embasa a denúncia contra a cientista política é um áudio vazado de uma conversa entre Camilo Santos, gerente da Guitarra, e o primeiro cavalheiro Tom Poli.

ISA: Conversa?

ÂNCORA: Neste diálogo, o marido da presidente tenta subornar Santos em troca de uma vaga de estágio na estatal. O “Boletim de Paramar” teve acesso ao material e exibe na íntegra para os telespectadores a partir de agora.

Lentamente as expressões de Pierre, Tom e Isa vão mudando para um aspecto mais sério, enquanto escutam a gravação que Santos conseguiu realizar.

ISA: Do que se trata isso, Tom? Isso é uma montagem vagabunda, não é? Não é?

PIERRE: Não fica calado, Tom; se defende!

TOM: Infelizmente não. Isso aconteceu.

ISA: Quando você se encontrou com o gerente da Guitarra?

TOM: Hoje à tarde, ele me chamou pra falar da seleção de estágio. Era isso que eu queria te contar quando eu voltei pra casa e te surpreendi minutos depois do homicídio da barata.

ISA: Será que você tem a mínima ideia do quanto me comprometeu ameaçando esse homem? Mas o que é que...

TOM: Isa, calma! Quando eu falei, não pensei que o Santos usaria isso contra mim. Não havia motivos que lhe fizessem procurar maneiras de me prejudicar...

ISA: Óbvio que não! Porque você não significa nada, é um zero à esquerda!

PIERRE: Procura se acalmar, Isa...

ISA: Não quero! Não me pede calma, Pierre! Não me exija cabeça fria nessas horas, porque não posso oferecer a ninguém!

PIERRE: Mas é o que a gente precisa pra contornar a situação, por favor!

ISA: (volta-se para Tom) Você vai ter que dar um jeito de sanar esse problema que você me criou!

TOM: E o que você quer que eu faça?

ISA: Descubra! Eu não vou ser afastada das minhas funções porque você utilizou a minha posição pra ameaçar um funcionário de uma estatal! Trace qualquer estratégia!

TOM: Tudo bem, eu sei que eu errei em ter aquela conversa com o Santos. Assim que eu for convocado formalmente, eu prestarei meu depoimento...

PIERRE: É pouco. Desculpa, Tom, mas o que você fez não é algo que pode ser consertado de maneira tão simples. Precisamos decidir de que forma você parecerá convincente aos relatores do processo, porque certamente a sua conversa será suficiente para instaurar uma comissão parlamentar de inquérito.

TOM: Mas a Isa não fez nada que seja condenável perante a legislação...

ISA: A questão não é o que eu fiz, mas o que eu posso saber sendo sua esposa. Se a interpretação da lei é a de que eu fui conivente com a sua gracinha ou mesmo que elaborei esse estratagema pra garantir a sua maldita vaga de estágio, eu estou perdida.

PIERRE: Já pensou no quanto que as ações da bolsa de valores da capital vão despencar, fora a alta do dólar? Porque nenhum investidor sério vai procurar ser vinculado a uma república comandada por alguém que comete corrupção passiva! Acorda, Tom! Você tem uma banheira no quarto te esperando pra ser dividida com a Isa e escolheu afogar a própria esposa num oceano de lama por causa de uma vaga de estágio idiota?

TOM: Porque não é o seu diploma que nunca chega, imbecil!

ISA: E enquanto minha absolvição nessa CPI que o Mandelli inventou não vier, quem nunca vai chegar é você perto do nosso quarto (fecha a porta com força)!

 

Cena 5

Isa está trancada no quarto com lágrimas nos olhos, e em seu rosto pode-se ver a maquiagem borrada. A presidente de Paramar está sentada sobre a cama e Shin está ao seu lado interpretando “Bésame mucho”.

SHIN: “Quiero tenerte muy cerca, mirarme en tus ojos, verte junto a mí. Piensa que tal vez mañana yo estaré lejos, muy lejos de ti…”

Logo na sequência, o cachorro cantor dá prosseguimento à canção latina do lado de fora do prédio, com Tom completamente desesperado com a discussão que teve com a esposa. O ex-parceiro de Fabian aproveita a oportunidade para mostrar sua extensão vocal.

SHIN: “Bésame, bésame mucho, como si fuera esa noche la última vez. Bésame, bésame mucho, que tengo miedo perderte, perderte después…”

TOM: Realmente lamentável que não estejamos perto de uma janela para que eu possa te jogar dela.

 

Cena 6

(fundo musical: “Silhouette”)

A série exibe a fachada de um fórum, para o qual se dirigem Pierre, Isa e Tom, que deverão prestar esclarecimentos sobre a conduta do primeiro cavalheiro perante a CPI aberta por Mandelli.

PIERRE: Entendeu tudo que combinamos, Tom?

TOM: Não se preocupe, Pierre. Não vou me esquecer de nada.

ISA: Até porque é só isso que falta a essa altura do campeonato, não é?

PIERRE: Disfarça, Isa. Não queremos que a base oposicionista perceba que o casamento de vocês está estremecido. Trate de transparecer tranquilidade e confiança no que seu cônjuge contará.

TOM: Isso é algum tipo de trava-língua com as consoantes T e C?

MANDELLI: Olha só... Até que chegaram cedo. É bom serem pontuais, pelo menos isso permite que se acostumem com a derrota mais rapidamente.

ISA: Espero que esteja feliz com o circo que armou.

MANDELLI: A montagem da lona não me é interessante, Isa. Mas não posso dizer o mesmo de ver vocês fazendo contorcionismo enquanto estão prestes a entrar na jaula dos leões. Quem diria que agora o seu destino como presidente da república está nas minhas mãos?

ISA: Mas não erga a bandeira da vitória antes do tempo. Ninguém, muito menos você, vai me impedir de terminar esse mandato. Ou eu não me chamo Isa Duncan.

MANDELLI: Do Canto dos Cisnes, porque graças a esse pulha que você chama de marido, a tua carreira política acabou!

TOM: Olha como você fala comigo e com a minha mulher!

PIERRE: (segura o braço de Tom) Evite um novo escândalo, Tom. Fique zen.

TOM: Zen dente é como esse daí vai ficar quando eu brincar de lego com os ossos da cara dele, pra ele nunca mais tratar a minha mulher desse jeito!

ISA: Veja lá como fala, que eu não sou sua mulher. No máximo, sua esposa. Mas isso é por pouco tempo, porque eu não pretendo ficar unida a uma mula que quase me tirou da cadeira presidencial.

TOM: Você está me pedindo o divórcio?

PIERRE: Gente, para com isso! Está enchendo de jornalista aqui! As atenções estão todas voltadas pra vocês, tudo que eu quero evitar...

MANDELLI: Agora eu me vejo obrigado a defender o Poli.

ISA: Típico de vocês. Um canalha defendendo o outro, por que será que eu não me surpreendo com esse súbito apoio?

MANDELLI: Não vai ser essa anta histórica que vai te afastar do poder, serei eu. (aproxima-se de Isa) A faixa presidencial pode até não voltar pra mim, só que com você não vai ficar.

ISA: Infeliz...

MANDELLI: Teria sido tão mais prático se tivesse arquitetado contra mim um atentado, não, Isa? Porque eu não perdi os meus direitos políticos, e posso manipular a situação ao meu bel-prazer, da mesma forma que você e seu maldito partido fizeram lá atrás. A única dúvida que vai ficar ao final desse julgamento é sobre qual dos dois é mais idiota: seu marido ou você.

Isa cospe no rosto de Mandelli.

ISA: Você não vale nada, miserável!

MANDELLI: Eu fico feliz que finalmente tenha percebido, Isa. Porque quando a audiência começar você vai saber quem vai ser o responsável por destruir a sua vida.

(fundo musical: “Ser feliz”)

 

LOCUTOR: No próximo episódio...

MANDELLI: Além da comprometedora conversa que Poli teve com Santos, há uma nova denúncia contra a gestão da presidente, sobretudo com relação ao ministério educacional.

ISA: Pierre, do que é que esse noiado está falando?

MANDELLI: Foi recolhido recentemente material didático nas escolas públicas de Paramar que comprometem bastante o modelo de pluralidade de opiniões tão propagado por Isa Duncan. Livros de Português cujos textos claramente possuem doutrinação marxista!

ISA: Tudo pra esses machos é marxismo ou comunismo, credo!

SHIN: Quer dizer que Tom Poli tentou te subornar em troca de uma vaga de estágio na Guitarra, aproveitando-se do fato de estar casado com a presidente da república?

SANTOS: Um áudio vazado para todo o país e você ainda está em dúvida?

MANDELLI: O advogado de defesa de Camilo Santos tem a liberdade de fazer perguntas para os acusados.

ISA: Não sou culpada de nada! Não me ponha no mesmo balaio criminoso que você, Mandelli!

 

Créditos finais

(fundo musical: “Foi Deus quem fez você” – “só para amar/ só para amar”)

Roteiro

Gabriel Arenas

Colaboração

Nenhuma, não entendo nada sobre política

Direção

Felipe Lipstein

Elenco de apoio

Ninguém quis vir

Cenografia

Paint

Direção de fotografia

Sem filtros, pra deixar o programa trash

Figurino

Roupas compradas nas lojas Cattan e A Futurista

Edição final

Teve a inicial?

Produção de arte

Pouco empenhada pra oferecer uma série de qualidade

Caracterização

Paint também

Produção de elenco

Casting em Vila Tamandaré e na Avenida Caxangá

Produção musical

Shin interpretou quase tudo

Produção

Pouco inspirada

Design de personagens

Contornos do Paint (já falei dele, não foi?)

Dublagem

Audacity

Efeitos especiais

A rapidez do enredo

Efeitos visuais

Quais?

Narração

Sem coerência

Pesquisa

Era pra ter

Sonoplastia

Barulhos bucais pra fingir que Fabian toca algo que não seja o terror

Citações musicais no episódio de hoje:

“Outra vez”

(compositora: Isolda)

“The only exception”

(compositores: Hayley Willams e Josh Farro)

“Bésame mucho”

(compositora: Consuelo Velásquez)

Músicas executadas no episódio de hoje:

“Creeping up”

(compositores e intérpretes: Sam Sklair e Otto Sieben)

“When I think of you”

(compositores: Brian Simpson e Everette Harp/ intérprete: Everette Harp)

“The way you look tonight”

(compositor : Konstantin Klashtorni/ intérprete: Kool & Klean)

 “Secret affair”

(compositores: Brian Culbertson e Stephen Lu/ intérpretes: Brian Culbertson e Chris Botti)

“Sweet sensation”

(compositor: Barry J. Eastmond / intérprete: Najee)

“Silhouette”

(compositor e intérprete: Kenny G)

 “Ser feliz”

(compositores: Michael Sullivan e Paulo Massadas/ intérprete: Robby)

“Foi Deus quem fez você”

(compositor: Luiz Ramalho/ intérprete: Bell Marques)

 

Esta é uma obra de ficção.

Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mero azar.

 

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