11/05/2014

OS INATACÁVEIS/ CAPÍTULO 6: EM NEGOCIAÇÃO

Dois carcereiros destrancam o portão da cela de Irandir e Murilo, e eles vêm acompanhados do diretor do presídio.
-O que é que ele tem?
-“Tava” com febre, agora não quer mais acordar. Tire ele daqui!- Murilo se desespera ao falar com o diretor.
-Calma, vamos chamar um médico.
-Que médico? Todo mundo que passa mal aqui dentro morre! Vocês não ajudam ninguém!- grita o preso que também pediu ajuda.
-Vai se salvar- brada Murilo.
-É cedo pra saber. O médico ainda não chegou.
-O único que tem poder pra salvar sabe.
-Vamos, levem ele pra enfermaria- ordena o diretor, após se sentir um pouco incomodado por não entender o que Murilo quis dizer com aquela frase.
Um dos rapazes tranca a cela novamente e Murilo põe a mão sobre as grades.
-Que essa enfermidade saia de você, Irandir, porque ela não tem força nem poder.


-Eu aceito, irmã. Aceito o que for preciso... Quero dizer... A sua doação.
-Só me diga de quanto foi o roubo.
-Quanto foi... É... Sete mil reais- mente.
-O senhor não pensou muito pra me responder, pastor?
-Não estou acostumado a ter tanto dinheiro, mas era o que compraria os bancos da igreja. Fico ainda impressionado como um ser humano pode descer tão baixo e roubar de uma casa sagrada.
-Pouco se importam se a casa for sagrada. Dinheiro é mundano, mas todo mundo quer fazer uso dele.
Ivone volta à igreja para pegar sua Bíblia. E flagra a conversa.
-Se não lhe incomoda, irmã, eu posso saber por que está querendo doar esse dinheiro? Alguma obra de caridade?
-Ateus podem até fazer caridade, mas não vejo muito sentido em fazê-la para uma igreja.
-Mas como a senhora pode não acreditar? A vida é um milagre! Esse momento, em que os nossos problemas se resolvem, também é um milagre.
-Pastor, eu não quero entrar no mérito dessa questão. Já está tarde e eu não tenho tempo de remoer o meu passado infeliz. Amanhã, o senhor pode trocar o cheque e guardá-lo em segurança.
-Apesar de não acreditar, eu sei que esse ato vai trazer grandes bênçãos pra sua vida.
-Não muitas. Se existe um deus que pode olhar as minhas súplicas, ele vai saber que eu só preciso de uma- assina o cheque e entrega- Boa noite.
-A paz, irmã- Célio entra com o cheque.
Natália se depara com Ivone observando a cena e para pra cumprimentá-la.
-A paz!- diz, em tom irônico.
-Amém, irmã- entra na igreja- Parece que dessa vez, os dois vão comprar os bancos da igreja. É pra glorificar...


Rebeca entra no quarto de Alexandre e surpreende Paulo com a faca ao acender a luz.
-Me diz qual é o seu problema, me diz!
-Quem devia dizer era você, já que defende tanto esse cara. O que é? Foi feito de açúcar? É intocável? Qual o interesse que você tem pra deixar ele continuar vivo, Rebeca?
-O mesmo que o seu! Não se atreva a insinuar coisas a meu respeito, porque eu não sou nenhuma piranha!
-Claro que não. Porque eu sou o homem da sua vida. E quero continuar sendo o único.
-Você não entende mesmo o perigo que a gente corre, não é?
-Saquei tudo, sim. É por causa disso que eu quero me livrar do Alexandre.
-Menos com o ciúme idiota. Alexandre matou três policiais porque você o induziu. Se você não percebeu, Paulo, isso o torna mais perigoso que nós dois juntos. Eu não vou pra cadeia por roubo, muito menos por ter dado fim ao cadáver do meu ex-cúmplice. E dê graças aos céus porque eu dei um sedativo pra ele, porque se ele desconfiar do que você tenta fazer, é capaz de fugir com o dinheiro e nos matar.
-Como se eu também não fosse capaz disso...
-Paulo, me escuta porque eu não sou mulher de falar dos meus sentimentos todo o tempo. Eu amo você, e quero viver esse amor que a gente tem. Mas foi uma mulher fria que você conheceu, e eu não vou pensar muito se tiver de passar por cima de você pra garantir minha liberdade. Então, para com essa balela de ciúme besta, que eu não “tô” pra brincadeira, entendeu?
-Muito menos eu!- segura o pescoço da moça- Toma cuidado comigo, rebeca!
-Me solta, que você “tá” me machucando!
-E daí? Quantas vezes eu já não bati em você e tu “disse” que já gostou? Hein? Até pedia pra eu bater mais...
-Larga o meu pescoço, senão eu começo a gritar!
-Grita! Me denuncia porque eu “tô” te enforcando! Quero ver se “Maria da Penha” se aplica a dois bandidos! Aí, a polícia leva a gente e o dinheiro junto. Viu como é simples?
-Solta, Paulo...
-Escuta, Rebeca! Se eu desconfiar que você e esse fedelho “tão” rindo de mim, eu mato! E não sinto remorso nenhum de matar- solta o pescoço dela, jogando-lhe no chão- Nunca tirei a vida de ninguém, mas pra tudo... Se tem a primeira vez... - sai do quadro.
-Imbecil!


Murilo volta à Igreja Lar Celestial e encontra Célio arrumando as flores do púlpito.
-A paz do Senhor, irmão.
-Irmão Murilo? E a sua esposa? Como está?
-Se recuperando, Célio. Eu não vim ontem pra cuidar dela, mas vou ministrar a palavra de hoje.
-Amém. A irmã Natália esteve aqui.
-Irmã Natália?
-Sim, aquela mulher que esteve na sua casa.
-O que ela quis aqui?
-Veio falar comigo. Essa mulher foi usada, é coisa divina, Murilo. Nem eu consegui entender na hora, mas foi milagre.
-Milagre vai ser o dia em que essa peste sumir da minha vida.
-Por que está falando assim?
-Tenho os meus motivos, Célio. Só não quero que essa mulher chegue perto da minha família. Mas diz. O que ela veio fazer aqui?
-Cobrir a oferta roubada.
-Como assim? Eu não entendi.
-O dinheiro roubado. Ela pagou o dinheiro. Eu não sei o que ela quer em troca, mas ela disse que se existe um deus, ela precisa de um milagre. Talvez doando dinheiro pra igreja, ela veja que o milagre pode existir, e o deus que ela tanto espera também.
-Você tem noção do que está falando? Porque pra mim, você está cometendo dois erros, Célio!
-Que erros? Eu estou me regozijando da bênção que a Lar Celestial recebeu...
-Não. Muito pelo contrário. Você acha que essa fulana vai pro céu comprando um terreno lá, dando dinheiro pra desconhecidos, como se a fé dela não valesse de coisa alguma.
-A fé sem obras é morta! Como pastor, você devia saber disso.
-Os discípulos tinham uma crença, não uma máquina de cartão de crédito. Porque é só isso que falta. Se você não fosse um pastor, não duvido nada de que transformava a igreja num negócio. Olha que se duvidar, é isso o que você pensa!
-Não aceito que você duvide de minha crença no Senhor! Mas qual é o seu problema? A igreja é roubada, depois é ressarcida, e você fica com raiva da situação?
-Não “tô” com raiva da situação. “Tô” com raiva dela! Ódio dela!
-Murilo, fala pra mim. Qual é a sua relação com essa mulher?
-Nenhuma! E eu creio que não vou ser abandonado, apesar dessas tempestades. Uma hora, o vento acalma. E leva essa mulher pra longe daqui.


Rebeca entra no quarto de Paulo e deixa a bandeja de café da manhã no quarto.
-Alexandre? Alexandre, cadê você?
-Aqui, no banheiro.
A moça escuta o barulho do chuveiro ligado e, com receio, entra. As gotas embaçam a parede de vidro que envolve o rapaz. Ele limpa um pouco e olha para a cúmplice.
-Você não devia ter se levantado ainda.
-Já me sinto melhor. Também, com todo o cuidado que eu venho recebendo- volta a se ensaboar.
-Mas e a dor?
-Continua. Mas eu tenho que me levantar. Uma hora, eu vou ter que usar minha parte na grana. Não dá pra bancar o doente.
-Você está doente.
-Isso passa. Se eu não morri ou fui preso agora, vai ser muito mais difícil me tirar de circulação.
-Olha, eu deixei o café em cima da sua cama.
-Paulo “tá” aí?
-Não. “Tá” cuidando da grana dele, procurando no que investir. Claro, com cuidado pra não levantar suspeitas. Acabou de sair. Avisa quando sair do banheiro. Eu te levo pra você não cair.
-Quer entrar?
-Como é?
-Rebeca, a gente já passou dessa fase de fingir que não entende quando um cara deixa bem claro que sente desejo nela.
-Você não sente desejo por mim. Sente pelo perigo.
-Não abandonei meu pai se não quisesse viver o perigo. Ele me excita. E você sabe disso porque nisso, o perigo começa a se parecer com você. É verdade que... Bem menos.
-Dispenso.
-Sem problema- abre a porta de vidro, deixando Rebeca sem reação- Agora eu só quero ver até quando.
A moça sai do quarto de forma apressada, enquanto Alexandre já tem a certeza do que acontecerá entre eles.


Toca a campainha da casa de Murilo e Verônica. O pastor atende a porta.
-Você?
-Não vai me convidar pra entrar?
-Eu prefiro que você se convide a sair.
-Muito gentil da sua parte- ao ironizar, Natália entra na residência.
-Vai demorar muito? Se não se importa, eu queria que você não voltasse mais à minha casa.
-Queria, mas não quer mais. Aposto que o pastor Célio já contou pra você o que eu fiz.
-E eu? Devia saber do quê?
-Que cobri o roubo da Igreja que você comanda. Claro que não foi por acaso, obra do destino ou de caridade. Fiz isso pra salvar o meu filho.
-Seja mais clara- disfarça.
-Eu pude finalmente perceber o que cercou o desaparecimento do Gigante. Ele sumiu na mesma época do dinheiro da igreja. Isso significa que se ele não roubou, você tem motivos muito fortes pra acreditar que ele levou o dinheiro consigo.
-O que a senhora quer é me comprar. Comprar o carinho de um filho que não consegue ver outra mulher como mãe a não ser a Verônica. Não perca o seu tempo, dona Natália.
-Não é só o carinho do Gigante pelo qual anseio. Quero a sua confiança.
-Por quê?
-Porque o fato de não admitir que ele é o responsável pelo sumiço das ofertas demonstra que o senhor é quem mais o ama. E por isso, eu tenho que ajudar de alguma forma.
-Agora a senhora vai me responder- Verônica sai do quarto e surpreende o marido e a misteriosa mulher- Qual é a sua relação com o meu filho?
-Verônica, por favor, você tem que descansar.
-Cansei de ficar deitada, Murilo. Ontem, a senhora não me respondeu, mas ainda é tempo. Por que essa preocupação com o Gigante?

-Já que a senhora insiste tanto em saber, eu vou contar. Eu sou a... – olha para Murilo, o que é percebido por Verônica- Sou...

04/05/2014

OS INATACÁVEIS/ CAPÍTULO 5: EM REPOUSO


-Por que a senhora ”tá” me dizendo essas mentiras todas?
-Eu não preciso mentir, Murilo. Nem pra você, nem pra Verônica, nem pra ninguém. Eu não vim de São Paulo até aqui pra enganar vocês, tripudiar da dor de ter um filho desaparecido...
-Um filho que é meu e da minha mulher. De mais ninguém.
-Se você me afirma isso nesse tom imponente é porque é pai, e sente que existe uma razão muito forte para eu vir atrás do “Gigante”.
-Pelo contrário. Se engana ao pensar que tenho dúvidas sobre a paternidade dele.
-Disso não precisa duvidar. Mas eu sou a mãe dele. E tenho como provar que tanto eu quanto vocês foram enganados. Deve existir algum fio de cabelo dele, algum objeto pessoal que permita fazer um exame de DNA.
-O que a senhora me diz não tem cabimento algum!
-Murilo, eu também não acreditei quando o meu pai me contou. Mas eu mexi nas coisas da clínica e descobri que ele tinha um dossiê. Dossiê esse que passava a vida de vocês inteira. Todos os passos que vocês davam, o lugar onde vocês moram, a escola que o neto dele frequentava...
-O “Gigante” não é neto dele! Muito menos seu filho! Eu não sei qual é o seu propósito, mas... Aliás, eu sei, sim: roubar a minha paz, a minha comunhão. Porque eu vejo o inimigo se levantando diante de mim e não me abato. E não vou me abater porque a minha fé me mantém vivo.
-Acontece que não quero ser sua inimiga, e eu não sou. Eu só quero ter a oportunidade que me foi negada pelo meu próprio pai. Murilo, eu não tenho intenção de roubar o “Gigante”, de fugir com ele, de questionar a educação que ele recebeu. Mas ele é parte importante da minha vida, sim. Sem contar que ele tem direito à herança.
-Herança?
-No meio do dossiê, acabei encontrando uma carta que meu pai escreveu e reconheceu em cartório. Nela, ele diz que a metade da fortuna dele vai pro “Gigante”. Você tem ideia do que o seu filho pode perder se eu não contar tudo? Se eu não encontrá-lo? Ele vai perder a chance de saber sobre a sua verdadeira origem e tudo o que lhe é de direito!
-A única herança que ele faço questão que o meu filho receba é a da salvação! Não me importa essa estória estapafúrdia que você inventou!
-Murilo, por favor!
-Basta! Já chega de inventar mentiras! Eu não tenho tempo pra perder com você. “Gigante”, como outra pessoa qualquer, faz parte de uma família. E família ele já tem.
-Por mais que você seja ríspido comigo, eu consigo ver no fundo dos seus olhos que sabe o quanto meu desespero pra encontrar esse rapaz é real. Você sabe que eu posso provar tudo isso que eu estou dizendo.
-Fique com o seu desespero. Aproveite cada engano que você disse e minta pra outro. Meu filho só tem uma mãe, que está lá dentro, numa enfermaria. Volte de onde você veio, porque eu não aceito isso nem do meu próprio filho. O que dirá de você?- entra na enfermaria.
-Se é da sua confiança que eu preciso, eu vou tê-la, pastor. Mas da verdade, todos vão ter que saber- confabula consigo mesma.


Alexandre acorda quando Rebeca está trocando o curativo de seu ferimento, não sem antes passar um medicamento sobre a superfície.
-O que houve?
-Você não lembra, Alexandre? Quase morreu!
-Quem me trouxe pra cá?
-Eu e o Paulo. Até tirei a bala que te alcançou. Você passou dois dias inconsciente, perdeu muito sangue. Mas agora “tá” fora de perigo.
-Mas como é que você...
-Se esqueceu, Alexandre? Fui auxiliar de enfermagem. Saí do hospital que trabalhava por conta do roubo às peças... Que “foi” até o que me “salvou”.
-Podiam ter me deixado morrer.
-E se você não morresse? E se existisse uma chance de sobreviver? Ia jogar fora? Tenho certeza que não.
-Não sabia que você se importava comigo desse jeito.
-Pensei no grupo naquela hora.
-Só nele?
-O que você está querendo dizer com isso, Alexandre?
-Eu não digo nada, Rebeca. ”Tô” é perguntando. É só com o grupo que você se importa?
-Com o que mais eu poderia me importar?
-Comigo. Só comigo.
-Algum motivo em especial?
-Não. Eu tinha que ter?
-Acabei o seu curativo. O Paulo foi comprar o seu remédio, que “tá” acabando.  Mais tarde eu volto pra trazer o seu almoço.
-Não precisa me evitar, Rebeca. Eu não falei nada demais.
-Querido, quem tem o Paulo como namorado, como eu tenho, não precisa de homem pra falar nada demais. Agora deita, que quando der meio-dia, eu trago seu almoço- sai do quarto.
-Rebeca?
-O que é?- pergunta rispidamente.
-Obrigado.
-Não por isso.


Murilo entra na enfermaria, mas Verônica, que ainda está tomando o soro, não o percebe entrando. Ele, então, vai ao banheiro, onde joga água três vezes no rosto. Tira um pedaço de papel higiênico para se enxugar e vê sua imagem no espelho. A expressão que o acompanha ultimamente está ainda mais latente: de angústia. Suspira e volta ao local onde sua esposa está. Ela, então, decide tomar a palavra.
-Não vai chegar perto de mim? Pode vir, eu não vou brigar, não vou reclamar com você. Chega mais perto- o marido a obedece- Daqui a pouco, o soro termina e o médico vai me dar alta. Sabe o que ele disse? Que você não saiu de perto de mim um minuto, nem mesmo quando ele insistiu que você ficasse do lado de fora... É, é sempre do mesmo jeito. Quando eu me sinto desamparada, você estende a mão e me segura. Não diga que é porque somos casados, porque é mais do que isso: você sabe que os anos vão passar, que nós vamos enfrentar as tempestades, mas que eu nunca vou abandonar você, porque você e o nosso filho são as únicas pessoas que eu amo e vou amar a minha vida inteira- segura a mão do marido, este aos prantos-Não precisa derramar lágrima nenhuma, Murilo... No fundo, a gente sabe, sempre soube do caminho que o “Gigante” foi tomando, mesmo dando conselho e orientação pra ele. Mas ele é de maior, pensa que sabe o que faz. Nos virou as costas. Só não posso esquecer que existe alguém maior que todos esses problemas, que vai segurar minha mão quando eu me desesperar, quando eu me sentir destruída, atingida pelo mal. Isso é a minha fé, Murilo. Foi você que me apresentou, lembra?- o pastor chora como uma criança diante da esposa- Da mesma forma que você nunca me deixou sozinha, eu nunca vou te deixar, meu amor. Vem. Me dá um abraço... Vem, Murilo...
Nada resta para ele fazer a não ser revelar todo o seu desespero a por meio desse abraço. Verônica, no entanto, não tem ideia de que o desaparecimento do filho não é a única tormenta que o aflige.


Natália vai até a igreja cujos cultos são ministrados por Célio e por Murilo. O primeiro está cantando uma canção para o encerramento da palavra.
-E hoje eu tenho o Seu amor! Eu Te louvo, Senhor! Hoje eu tenho, hoje eu tenho, hoje eu tenho... Hoje eu tenho o Seu amor! Eu Te louvo... Senhor- canta pausadamente a última palavra.
-Aleluia!- os fiéis glorificam de pé ao término do hino.
-Que o Senhor vos acompanhe e que nos despeça em paz e em segurança. A paz do Senhor, irmãos.
-Amém!- um coro maior é escutado quando Natália entra na igreja.
Ivone, que fez Murilo descobrir o roubo cometido pelo filho, sai da Lar Celestial conversando com uma irmã e esquece sua Bíblia num dos bancos de plástico. Célio se aproxima de Natália ao vê-la entrando no local.
-Irmã... O que a senhora faz aqui? Já sei: está sentindo vontade de conhecer as obras da casa, não é?
-Não. Dessa vez eu vim para conversar sobre o que aconteceu hoje mais cedo na casa do pastor Murilo.
-Se a senhora quer falar com ele, eu acho que ele está em casa cuidando da esposa.
-Era o senhor mesmo que eu estava procurando. Tenho certeza que vai poder me esclarecer uma dúvida.
-Se eu posso ajudar, diga... Por favor, se sente.
-Obrigada- ambos se sentam- É verdade que um dinheiro sumiu daqui de dentro?
-Não mentiria numa coisa tão séria, senhora...
-Natália.
-Realmente sumiu. Era o dinheiro das ofertas da igreja.
-Lá na casa do pastor Murilo, o senhor disse, se eu não me engano, que fazia ideia de quem pudesse saber do paradeiro desse dinheiro.
-Sim, eu falei isso, mas eu não gostaria de entrar em detalhes sobre isso. Considero o assunto muito delicado.
-Tudo bem, pastor. Eu só quero que me diga qual o valor que foi roubado daqui.
-Não me diga que a senhora desconfia de quem possa ter tirado o dinheiro?
-Melhor do que isso: estou disposta a cobrir a quantia- Célio fica boquiaberto- Diga, pastor. Se o problema é dinheiro, pode deixar que eu pago. Quanto foi tirado da igreja?


Alexandre está dormindo e não repara que a janela de seu quarto se abre com o vento e bate na parede. Por um momento, põe o braço esquerdo sobre o direito, demonstrando sentir o vento frio que entra.
Pouco depois, alguém entra em seu quarto e se aproxima de maneira rápida, porém silenciosa. Alexandre para de se mexer, e a pessoa põe diante do pescoço do ferido uma faca, a qual segura com bastante força. Alexandre começa a sonhar em voz alta.
-Me ajuda, pai. Me ajuda, por favor, me salva!


Pressentindo que algo estava para acontecer com o filho, o ex-pastor volta ao tempo atual esse levanta, assustado.
-Foi só um sonho. Só um sonho...
Murilo vê que seu companheiro de cela não está na cama.
-Irandir? Irandir?- sai da cama e olha para os lados, mas não o vê.  A vista do homem está escura, turva, e ele vê um uniforme laranja no chão. O rapaz estava desmaiado- Irandir, o que é que você tem? Acorda, Irandir! Reage, reage...
-Carcereiro! Ajuda que o cara apagou aqui dentro. Vem “simbora”- um dos presos da cela vizinha presencia a cena.
-Você tem que reagir! Pela tua filha, Irandir! A Bianca precisa do pai, acorda! Reage!

03/05/2014

EM PROVA ("HEY, BROTHER", DO AVICII)

Em prova
Do ENEM tem pontos? Passe agora
Ensina
Professor. Deu dica na escola

Oh, aluno do médio grau, que tu
Aproves no ENEM, que passe no...


Em prova
Insiste você em usar cola?
Ensina
Insiste professor, não reprova


Vestibular faltou?
Aprova ao se esforçar
Vestibular mostrou
Que você tem que estudar


Em prova
Do ENEM tem pontos? Passe agora
Ensina
Insiste professor, não reprova

02/05/2014

FAÇAMOS COLAÇÃO ("DANÇANDO NO SALÃO", DA GANG DO ELETRO)

A carga complementar (, reitor,)
Se exige pra minha formação
Componentes eletivos
O Sig@ não me explica, não
Espero poder me formar pra tirar
O diploma, livre da Federal
Suplico por mais correções
No TCC pra fazer a colação
Tensão por estudo e TCC
PIBIC pra fazer
PIBID e seleção pra monitor
TCC na UFPE
Eu quero correções
Que juntos façamos colação

Explica pra mim, reitor, para eu não levar zero...

28/04/2014

PONTUARÁ, SIM ("POR TE AMAR ASSIM", DE MARLON & MAICON)

Você filou de mim quando eu tinha a ata
Presenciou a classe sempre aplicada
Colou sem professor ter te fiscalizado
Ter nome esquecido na prova? Quem manda
Resposta assinalada ficar vendo? Anda
Sem revisar você, pois quer ser reprovado?

Zerar
Recreio pra você estudar, sim
Zerar
Mesmo que apostila tenha que testar
Tudo é decorado pra conhecimento

Pontuará, sim
Para faculdade está garantido
Porque teu professor dará o gabarito
Vai obtendo pontos, faz o exercício
Pontuará, sim
Concentrado em prova, logo vai fechá-la
Concentra em teu teste, marcando exata
Pra universidade, obtenha vaga
Pontuará, sim
Pontuará, sim


Pontuará
Assim vou estudando... Uma prova cansa!
Assisto às suas aulas, do mestre que conta
Do meu professor que me influencia
A turma vai passando, tendo como norte
O teste e simulado, sem ponto de corte
Testando os alunos que farão o ITA


Pontuará, sim