27/06/2017

VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 24: A VIDA TENTANDO ESCAPAR, MAS NÃO POR AGORA (ÚLTIMOS CAPÍTULOS)

-Você não fez isso com ela.
-Fiz com você. Mandei fazer. Ontem você se sentiu culpado, achando que se separou definitivamente da Victória porque ela ia se afastar de você. Agora você sabe que a culpa é sua mesmo. Só que eu pedi pra acelerarem o processo.
-Bete, isso é um blefe seu, né? Você não teria coragem pra tanto.
-Teria, sim. Se tem um passatempo que eu adoro praticar é mostrar que eu sou pior do que as pessoas pensam que eu sou. Você vai carregar pra sempre a culpa pela morte da Victória. E vai pensar duas vezes antes de pensar em me entregar pra polícia.
-Eu vou te matar, cretina... Eu vou acabar com a tua raça, maldita!- Vinícius aperta as costas de Bete em seu doloroso abraço.
-Não vai, não. Eu já tirei o que mais você tinha de importante, Vinny. Se você abrir a boca, eu não vou pagar pra ninguém riscar você do mapa, não... Eu descarrego uma munição inteira em cima de você. E aí, meu querido, vão ser três alunos da mesma turma se enterrando ao mesmo tempo. Tô pensando até em cancelar minha matrícula, o colégio já tá ganhando fama de mal- assombrado.
-Desaparece daqui... Some daqui, desgraçada... Some daqui...
-Tudo bem, eu vou. Mas eu vim só pra te dar a certeza de que a culpa pela morte do seu amor foi e vai ser pra sempre sua.
Luciano traz a dona da Casual Models de volta ao velório e vê Bete deixando o cemitério. O policial reconhece a traficante.
-Aquela moça era a namorada do Diego?
-Do que o senhor tá falando?
-Sabe bem. Do garoto que morreu num acidente de carro, e que era da sua sala.
-É, era ela mesma.
-A Elizabete era amiga da Victória? Eu não sabia. Pelo menos, eu não me lembro da Victória falando dela.
-Foram colegas de turma. Normal que a Bete queira vir.
-Não demorou nada essa moça, hein?
-Porque tá abalada! Não aguentou ficar...
-Depois que essa moça passou, você... Ficou diferente, o que foi?
-A Victória tá dentro de um caixão e você ainda acha que eu não tô me sentindo bem? Me deixa em paz.
-Eu só quero te ajudar, Vinícius.
-Ajuda ficando calado. Como fez até agora.
-Você nunca sonhou com um pai calado. Pra você, seria muito mais conveniente se eu fosse omisso. Ou mesmo se eu não existisse.
-Dá pra parar com o bate-boca?- Vinícius fica alterado.
-Abaixa a voz! Eu não te dei autoridade pra falar comigo como bem quiser. É melhor que... – pigarreia- Você fique um pouco sozinho.
-Ótimo, me deixa.
-Só não esquece, Vinícius, que enquanto eu tiver um sopro de vida, eu vou te proteger. Até daquilo que você não sabe que te bota em risco- Luciano circula pelo cemitério, enquanto Vinícius abraça o caixão.
-Isso não vai ficar assim, Victória. Eu vou fazer justiça. Aquela vagabunda vai pagar caro, eu te juro- chora sobre a tampa do caixão.

No hospital em que Fábio está internado, Gabriela anda de um lado para o outro. Eduardo fica preocupado com a irmã.
-Desse jeito você vai acabar fazendo um buraco no chão.
-Tem muita coisa mal explicada nessa história. Pensa que eu me esqueci, Edu? Não tem um minuto que eu não pense naquilo que o F abio me falou!
-Você não ouviu a médica? O Fábio teve uma overdose! Tenta botar na tua cabeça de uma vez que o Fábio tá usando droga! Gabi, eu sei que é difícil, mas quanto mais a gente aceitar a realidade, mais rápido a gente consegue ajudar ele.
-Só que você disse que quando eu fui ver o Fábio, ele não tava chapado.
-Isso quer dizer o quê? A gente já sabe que ele tá aqui porque passou do limite. Se o Fábio não conseguiu droga com o Vinícius, deve ter sido com o traficante. O que é que te garante que, naquela hora, ele...
-Ele não tava drogado! Não tava! Para de justificar o comportamento dele, de julgar o Fábio!
-Gabriela, não é isso que eu quero. Mas a gente sabe o segredo do Fábio agora.
-O Fábio tinha muita certeza do que tava dizendo ao meu respeito. Eu conheço o meu namorado, Eduardo. Ele nunca ia dizer isso se não soubesse do que tava falando.
-“Meu namorado”? Quer dizer que você quer enfrentar o problema junto com ele?
-Você acha que não é pra eu fazer isso?
-É que... Tudo tomou um rumo muito diferente. Agora não existe mais uma suspeita do motivo pra essa mudança de comportamento. Gabriela, presta atenção: eu sei que você deve uma resposta pra você mesma, mas a explicação tá na cara: tudo foi um delírio do Fábio.
-Eu devo isso mesmo. Por isso que eu não vou esperar nem mais um dia pra tirar essa história a limpo.
-O que você vai fazer?
-Se a Mamãe chegar e perguntar por mim, diz que eu não vou demorar. Mas que eu tô bem.
-Onde é que você vai, Gabriela?
-Me espera. Espera, que você vai acabar sabendo. Mas se alguém inventou que eu traí o Fábio, eu vou descobrir e essa pessoa vai confessar na frente dele. Devo muito isso pra mim, mas pra ele eu faço questão de que a verdade venha à tona de uma vez.

Internado em um dos quartos, o filho de Alice e Caio abre os olhos após horas de espera. Sua mãe chora ao ver o despertar do adolescente. O pai está na janela, de costas para ambos.
-Onde é que eu tô?
-Fica calmo. Vai ficar tudo bem, querido.
-Como é que... Como é que eu vim parar aqui, Mãe?
-Fábio... Nós precisamos conversar com você. Esclarecer o que foi que te aconteceu.
-Posso resumir tudo numa frase: “você foi fraco”.
-Caio!
-Deixa eu terminar, Alice.
-O senhor não tem nada pra falar de mim. A culpa é sua.
-A culpa é nossa, Fábio. Mais minha do que sua. Eu fui omisso. Desde o seu nascimento. Preferi ser negligente e agora estou pagando o preço.
-Caio, ao que você se refere?
-Vocês sempre quiseram saber por que eu não segui a minha vida ao lado da Ariane...
-Não é hora de discutir esse assunto, Caio...
-O momento é oportuno. O que você está vivendo, Fábio, eu vivi. Eu já estive nessa cama por causa de um vício.
-O senhor?
-Por que você nunca contou nada pra gente, Caio?
-Porque eu quase matei uma pessoa.
-Matou? Como assim, Pai?
-Quando eu tinha a sua idade, meu filho... Ou melhor, quando eu tinha menos idade que você, eu experimentei bebida alcoólica. Muitas vezes. Ninguém nunca via nada demais, beber era uma coisa social. Mesmo sendo adolescente, era bom. Os meninos achavam que a gente era mais maduro, dava um pouco mais de confiança. Cheguei àquela fase da vida que me achava autossuficiente.
-Deve ser mentira sua... Eu te conheço, Pai... Você nunca ia fazer isso. Nunca te vi bebendo.
-Ninguém mais, Fábio. Só eu sei o quanto eu fiz as pessoas sofrerem.
-Você se refere a quem, Caio? À Ariane?
-Sempre vi meu pai dirigindo, ele me dava umas dicas também pra quando eu fosse tirar a carteira de motorista. E teve um dia que a Ariane foi à minha casa. Tinha bebido, e ela não via isso com bons olhos. Nós dois estávamos conversando e ela se acidentou na escada. Tinha torcido o pé.
-E depois? O que foi que rolou?
-Não tinha ninguém em casa além de nós dois. Meus pais tinham saído com um casal de amigos pra uma festa. Foi quando eu peguei a chave do carro dele e quis levar a Ariane pro hospital. Mas ela disse que não, que preferia esperar que ele chegasse, mas eu insisti, dizendo que dava conta. Foi só uma taça, Fábio. Uma taça que me fez perder o controle do carro.
-Pai, você... Você bateu com o carro do meu avô?
-Foi por isso que você e ela se separaram?
-Eu não sofri quase nada fisicamente, Alice. Mas ela ficou entre a vida e a morte durante um mês, desacordada. No dia em que ela despertou, eu corri pra pedir perdão. Eu não consegui. Ariane optou por me tirar da vida dela. Desde então, eu jurei que nunca mais colocaria em risco a vida de quem eu amo. Mas eu errei quando escondi isso da minha família- Caio chora- Me perdoa por não entender você, Fábio. Eu te julguei tanto, meu filho...
-Para, Pai. Não fala mais nada.
-Diz que me perdoa, meu filho. Eu preciso que você me desculpe por não ter sido o pai que você queria ter.
-E vocês, me vendo em cima dessa cama, acham mesmo que eu sou o filho que queriam ter? Um drogado?

Em uma das consultas, Nonato está conferindo uma caixa de medicamentos na sua sala, até que Gabriela surpreende o médico ao passar na frente dos pacientes, que reclamam com a garota.
-Eu trabalho aqui, dá licença?- Gabriela mente e fecha a porta.
-Mas o que é isso? Quem é você?
-Não tá lembrado de mim, não, Dr. Nonato?
-Você é paciente minha?
-Funcionária do hospital é que eu não sou.
-Deu pra perceber, passou na frente de todo mundo. O que você quer, menina?
-A verdade. Por que o senhor mentiu pro meu namorado?
-Você ficou maluca? Eu não sei quem você é, nem o seu namorado...
-O Fábio! Por que você inventou pro Fábio que eu tinha perdido uma criança?- Nonato fica nervoso com o confronto iniciado pela jovem.

26/06/2017

VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 23: EU QUERO IR EMBORA, EU QUERO DAR O FORA (ÚLTIMAS SEMANAS)

Eduardo mal consegue acreditar na atitude extrema que o melhor amigo está prestes a cometer.
-Fábio!- o rapaz grita pelo filho de Caio e Alice, que vê, através de uma alucinação, o rio subindo. Cada vez mais ludibriado pela visão que tem, Fábio não hesita em colocar a outra perna para fora da ponte, apoiando-se no corrimão da mesma.
-Fábio, não!- Gabriela aproxima-se do namorado, ajudando Eduardo a evitar o suicídio do moço ao puxar o seu tronco para trás, fazendo-lhe cair sobre a calçada. Um ônibus lotado passa pelo local, e diversos passageiros põem a cabeça nas janelas para assistir à cena.
-Que é isso? Me solta!
-Não, Fábio! Para!
-Me larga, Eduardo! Me larga!- Fábio consegue levantar-se mais uma vez, sendo contido por Gabriela e por Eduardo.
-Não, você não vai pular! Não vai, Fábio!
-Me deixa sair daqui! Me solta, cara!
-Calma, a gente vai te ajudar!- Gabriela consegue fazê-lo sentar na calçada aos poucos.
-Calma, rapaz... – Eduardo pede, e Fábio abaixa a cabeça.
-Fábio, me diz o que é que tá acontecendo, por favor!
-Não tá vendo ou não tá querendo ver? Você é o quê? É cega ou é burra mesmo? Não tá vendo que você e aqueles dois têm culpa?
-Culpa de quê, Fábio? Me fala, que a gente vai te ajudar..
-Eu não quero ajuda! Eu só quero que vocês me deixem viver a porcaria da minha vida em paz, que deixem eu usar o que eu quiser em paz!
-Como é que é? Você tá mentindo pra mim! Você não pode fazer isso com você, nem com a gente! Fábio, me escuta: a gente vai te levar pra casa e vai cuidar de você. Vem com a gente...
-Tá na cara o que você quer: me jogar numa clínica, me internar como o Caio ameaçou fazer. Pensa que eu não sei que vocês dois estão juntos pra acabar com a minha raça?
-Fábio, por que você tá falando assim?
-O Vinícius... Você conseguiu falar com ele e ele te deu droga de novo, não foi?
-E você? Me fala, o que é que você quer de mim?
-Te salvar! Tirar você desse inferno que você se colocou! Olha o que você tá falando, tá colocando ao teu melhor amigo como se fosse seu inimigo!
-Você não é nada meu. Não passa de um lixo! Pensa que eu não sei, Eduardo, que você se juntou àqueles dois parasitas do Caio e da Alice pra me matar? Que essa conversa de querer me ajudar é pra dar um tiro na minha cara e sumir sem deixar pista?
-Fábio, para! Você tá ficando maluco, cara?
-Vamos levar ele pra casa, Eduardo... – Gabriela tenta levantar o namorado.
-Você também tá envolvida nessa sujeirada toda! Para de querer me fazer de imbecil!
-Cala a boca!
-Quero ver você me calar, desgraçada- Fábio empurra Gabriela, que é amparada por Eduardo, e corre para fugir da dupla. Por intermédio de outra alucinação, vê ambos do outro lado da calçada, e dentro de cada veículo que passa pela ponte. Apavorado fica quando a estrutura da ponte “desaba aos poucos”. Com medo de morrer, Fábio atravessa a rua apressadamente e é quase atingido por um carro, chegando a encostar suas mãos no para-brisa.
-Tá doido, tá, moleque?
-Fábio!- Gabriela acena para que os carros parem, sendo acompanhada por Eduardo.
-Quer morrer e jogar a culpa em mim, é? Fala alguma coisa, ficou mudo por quê?- esbraveja o motorista, calando-se quando Fábio apresenta um quadro de epistaxe.
-Fábio, o que foi? O que é que você tem?- Eduardo segura o rosto do amigo, que imagina o chão desabando e todos caindo num abismo escuro. O adolescente desfalece no asfalto.
-Alguém ajuda aqui, o moleque tá passando mal!- o motorista desce do carro.
-Chama a ambulância, Eduardo, ele tá morrendo?
-Fábio! Fala comigo! Fala comigo, Fábio! Reage!
-Eu não conseguindo ouvir ele respirando, Eduardo!- Gabriela encosta o ouvido esquerdo no tórax do rapaz, ainda sangrando- O Fábio tá morrendo!
-Não, eu não vou deixar!- disca o número da ambulância.
-Não vai dar tempo de chegar uma ambulância aqui com esse trânsito. Melhor levar esse cara pro hospital que tem aqui perto!
-A gente tá a pé, moço!- Gabriela justifica.
-Bota ele aqui dentro, eu levo vocês- o motorista carrega Fábio até o banco traseiro do carro, com a ajuda de Eduardo, que segura sua cabeça. Gabriela entra no veículo e senta no banco da frente, sempre olhando para o namorado, inconsciente. O automóvel segue até o hospital mais próximo.

Horas depois, Caio e Alice chegam ao hospital onde Fábio está sendo atendido. Eduardo e Gabriela esperam por notícias a respeito do estado de saúde do rapaz.
-Ainda bem que vocês chegaram!
-O que foi que houve com meu filho, Eduardo? Por que vocês trouxeram o Fábio pra cá?
-A gente não sabe o que houve, Dona Alice; foi tudo muito rápido.
-Gabriela, o Fábio está bem?
-Não tá... O Fábio tentou se atirar de uma ponte, Seu Caio...
-Meu filho vai ficar bem, Gabriela? Diz que meu filho vai sair daqui bem, por favor!
-Tudo que a gente queria era dizer isso, mas o Fábio... Foi horrível. A gente conseguiu evitar que ele se matasse, mas ele fugiu e depois... Por que é que o meu amigo tinha que se meter com aquilo? Por quê?- Eduardo fica desolado e esmurra a parede da recepção.
-Não foi culpa nossa, Eduardo!- Gabriela tenta consolar o irmão- A gente fez tudo o que podia pra levar o Fábio pra casa!
-Mas o que foi que aconteceu, afinal? Por que vocês trouxeram o Fábio pro hospital?
-Teve um sangramento no nariz, Seu Caio. Depois disso, ele perdeu a consciência e caiu no meio da rua. Até agora ele não acordou.
-E cadê essa médica que não apareceu até agora pra dizer nenhuma notícia?- Eduardo não contém seu nervosismo.
-Qual de vocês é acompanhante de Fábio Prado Vasconcelos?- Joyce aparece na recepção.
-Somos os pais dele- Caio apresenta-se para a médica.
-Alguma notícia do meu filho?
-Como é que tá o Fábio?- Gabriela fica atrás de Alice, ansiosa pelo que Joyce tem a dizer.
-O quadro clínico do paciente é preocupante. Há pouco Fábio teve uma parada cardíaca.
-A senhora quer dizer que... O Fábio morreu?
-Não, felizmente conseguimos salvá-lo a tempo. Mas foi difícil, senhor. A equipe médica chegou a acreditar que seria impossível de trazê-lo de volta.
-E como que o Fábio tá agora?
-Estável, mas o quadro de saúde do rapaz inspira cuidados.
-O meu filho vai se salvar? É só isso que eu quero saber!- Alice é incisiva com Joyce.
-Isso eu não posso assegurar, senhora. O seu filho esteve a ponto de ir a óbito há poucos minutos.
-Por quê? O que o meu filho teve, Doutora?
-Pelos sintomas que nós checamos através dos exames, constatamos que seu filho sofreu uma overdose.
-O meu Fábio? Uma overdose? Você tá mentindo, não é? Fala que isso é uma mentira.
-Sei que é muito difícil de acreditar pra qualquer pai, mas não resta dúvida. Houve, sim, um acréscimo excessivo de substâncias ilícitas no corpo do paciente. O exame de sangue acabou de chegar do laboratório, não deixa dúvidas.
-Mas, Doutora...
-O seu filho já tinha se envolvido com entorpecentes?
-Não... Quer dizer... O Fábio teve, há poucos dias, um envolvimento com drogas, mas estava “limpo”. Ele largou as drogas definitivamente, não tinha como ele sofrer uma overdose- justifica Caio.
-De alguma maneira, ele conseguiu e usou de maneira excessiva. Vocês não haviam notado nenhum comportamento estranho demonstrado pelo paciente?
-O Fábio falava umas coisas desconexas antes de chegar aqui... – Gabriela recorda-se do que houve na ponte.
--Chegou a tentar o suicídio, Doutora. Disse que todos estavam unidos pra matarem ele.
-A paranoia é um dos sintomas de overdose do paciente.
-O que podemos fazer pra ajudar o Fábio, Doutora?
-Eu quero entrar pra ver o meu filho- Alice passa à frente do ex-marido- Diz em que quarto ele está porque eu quero vê-lo.
-Bem, eu não sou especialista em casos clínicos como o do seu filho, mas eu sei que é muito raro uma pessoa largar o vício da primeira vez, e ainda por cima voluntariamente. Um dependente químico não entende que precisa de ajuda, que seu caso é clínico. Pensa que pode parar de usar a droga quando assim desejar, sem causar dano à família ou a si próprio. Hoje em dia, com o crack, é ainda mais difícil, porque ele vicia já na primeira vez que o usuário experimenta...
-Chega!- Alice interrompe a médica- Eu não quero ouvir mais nada. A não ser o número do quarto onde meu filho está.
-Se eu fosse a senhora, não negaria a condição do Fábio. Isso é prejudicial pra ele e pra todos que o rodeiam.
-Eu sei o que eu faço com o meu filho!
-Alice, por favor!
-Você acha que, nessa altura dos acontecimentos, eu vou aceitar que alguém me diga que eu não soube cuidar do meu filho, Caio?
-A senhora vai me desculpar a indelicadeza, mas pra quem vende droga não importa de quem ele seja filho, se seu ou do presidente da república! O Fábio precisa de ajuda porque está doente. E não vai ser virando as costas pro problema que a senhora vai conseguir a cura do seu filho.
-Desculpe, Doutora. Eu estou muito nervosa.
-Venham comigo, eu levo vocês dois até lá.
-A gente espera vocês aqui, tá bem?- Gabriela avisa à Alice e a Caio.
-Assim que nós sairmos, autorizamos a entrada de vocês, Gabriela- promete Caio, sendo conduzido por Joyce até o quarto.
-Será que ele vai se salvar, Edu?
-Tomara, Gabriela. Tomara que ele escape dessa. Vamos torcer, que vai dar certo.

A tarde do dia seguinte é reservada para o velório de Victória. Vinícius fica o tempo inteiro ao lado do caixão, enquanto Luciano fica junto do filho.
-Vinícius, senta um pouco.
-Não quero.
-Desde que o corpo chegou, você está em pé, meu filho.
-Prefiro assim. Quero ficar com ela até o último instante.
Lúcia chega ao velório e, ao encontrar Vinícius chorando sobre o caixão da modelo, tenta confortá-lo.
-Eu sinto muito, Vinícius. Imagino o quanto você deva estar sofrendo com essa perda.
-A Victória admirava muito você, Lúcia. Você era como se fosse o ídolo dela.
-Mas você era o grande amor da vida dela. O único, aliás. Ela ia gostar de saber que você se importa com ela. Que morte estúpida, meu Deus! Tão cheia de vida... – Lúcia chora bastante, demonstrando falta de ar.
-Você está bem?- pergunta Luciano.
-Desculpe, eu estou devastada. A Victória é como se fosse uma filha pra mim...
-Não é melhor você tomar um copo d’água, Lúcia?
-Pode deixar, que eu te levo- Luciano é gentil com a fotógrafa.
-Obrigada- é acompanhada pelo policial.
De óculos escuros, Bete chega ao velório de Victória e surpreende Vinícius.
-Bete?
-Eu sei que eu não era próxima da Victória, mas eu sei o quanto ela significava pra você, Vinny. Vim te dar o meu apoio.
-Por que você veio pra cá?
-Ah, meu querido... – Bete abraça o modelo e fala em seu ouvido- Eu sei o quanto dói a gente se separar de quem a gente ama. Por isso, eu quis dividir essa sensação com você.
-Do que você tá falando? A Victória morreu depois de reagir a um assalto, já o Diego...
-Também morreu como a Victória. Por obra do destino. Ou obra minha.
-Você tá dizendo que...
-Shhh... Fala bem baixinho comigo, tá? A Victória te amou tanto que quis dividir todos os segredos da vida dela com você. Até a causa da morte você sabe. Fui eu que mandei apagar a tua Victória.

25/06/2017

VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 22: MINHA MAIOR FICÇÃO DE AMOR (ÚLTIMAS SEMANAS)

Nem mesmo Sal acredita no que acaba de fazer. O disparo acabou por acertar a modelo, que já cai ao chão sem vida. Lipe levanta-se e puxa o irmão para que ele corra até o corpo e tire a bolsa das mãos de Victória, na tentativa de simular um assalto.
-“Vambora” daqui, Lipe! Anda!- declara Sal, saindo com o irmão por um beco localizado nas proximidades da rua do colégio. Alunos ouvem o disparo e correm para ver se há alguma pessoa ferida. Ao constatarem que se trata de Victória, entram em desespero e acionam uma ambulância, em um esforço inútil.

-Gabriela, eu não acho que seja a hora da gente conversar sobre isso.
-Por que não, Eduardo?
-O que você viveu foi muito forte, violento e... Eu não quero que você sofra mais uma decepção.
-Mais cedo ou mais tarde, eu vou descobrir. Melhor que você me conte agora. O que é que vocês dois foram fazer na casa do Fábio ontem à noite?
-Tudo bem. Vai ser difícil pra mim ter que contar, mas não tem outro jeito... Assim que você saiu de casa, o Seu Caio e a Dona Alice foram falar contigo.
-Eles foram lá em casa? Depois de tudo o que houve com a Mãe? Então, deve ter sido uma coisa bem séria mesmo...
-Gabriela, talvez o que eu vá te contar agora ajude você a entender por que, de uns tempos pra cá, o Fábio tá tão estranho com você. Aliás, com todo mundo.
-Tem algum jeito de entender, Eduardo? Alguma justificativa, por acaso? Fábio foi muito canalha comigo, o que ele tentou fazer não tem desculpa.
-Gabriela, me ouve. A questão é mais grave do que a gente pensa.
-Eu sei bem o que tá rolando com ele.
-Sabe?
-Ontem à noite, ele veio com uma conversa estranha.
-Ele te contou que teve uma discussão com os pais mais cedo?
-É, tinha falado pra mim.
-Te disse por quê?
-Deve ter sido por causa da separação, mas isso não importa pra mim. O que não me sai da cabeça é que...
-Fala, Gabriela.
-Faz um tempo que eu percebo que o Fábio tá estranho demais. Fica calado, prefere não se abrir mais comigo...
-E fora as amizades que ele inventou de arranjar.
-Pois é, Eduardo.
-Eu também reparei nisso. Muitas vezes, eu ligava pro celular dele e ele não atendia. Perguntava pros pais dele onde é que ele tava e ninguém sabia. Eu não sabia o que tava acontecendo com ele...
-Mas eu sei. E descobri da pior forma possível.
-Quer dizer que ele te contou?
-Contou. E quanto mais eu penso, menos eu consigo entender como ele pode pensar tão mal de mim.
-“Pensar mal”? Gabriela, você tá falando do quê?
-Você tinha sacado que o Fábio ficou diferente comigo depois do acidente no táxi?
-“Diferente”, Gabi? “Diferente” como?
-“Diferente” é até bondade minha. Ele ficou foi indiferente mesmo. Saiu do hospital e não veio me ver. Demorei pra voltar pra casa e ele não foi me visitar, e parece que procurava um jeito de falar cada vez menos comigo. Ficava me perguntando por que, mas sabia de tinha que ajudar o Fábio.
-Gabriela, o que foi exatamente que o Fábio te disse ontem à noite?
-Ele me contou que, no dia do acidente, o médico disse que eu... Que eu tinha perdido um bebê.
-Quê? Que absurdo é esse agora, Gabriela?
-Foi o que o Fábio disse, que o médico falou que eu tinha perdido um bebê por causa do acidente do táxi. Daí, ele acreditou que eu tinha tido um caso com outro cara, e tentou me levar pra cama mais de uma vez. Só que eu juro, Eduardo, por tudo que é mais sagrado, que eu nunca fui pra cama com ninguém. E eu não sei por que o médico inventou essa mentira! Quando eu neguei que tinha feito isso, O Fábio ficou fora de si e tentou transar comigo à força. Só consegui escapar porque vocês chegaram.
-Gabriela, o que você tá me contando não faz o menor sentido! Por que o médico ia te dar um diagnóstico de gravidez se você é virgem?
-Entende agora o que fez o Fábio agir dessa maneira durante todo esse tempo, Eduardo?
-Você reparou se... Se o Fábio tava alterado?
-Como assim?
-Se ele parecia aéreo, se tava sob efeito de alguma coisa.
-Fábio parecia irritado com a briga que teve com os pais dele.
-Tem certeza de que era só raiva que ele tava sentindo?
-Eduardo, o que é que vocês estão escondendo de mim?
-O que você tá dizendo não tem lógica, Gabriela. O médico não ia dar um diagnóstico falso só pra confundir a cabeça do Fábio. Por isso que eu tô querendo saber se ele tinha usado alguma coisa.
-Droga? É disso que você tá desconfiado? Eduardo, você conhece o Fábio o suficiente pra saber que ele nunca ia se meter com uma coisa assim.
-Mas se meteu.
-Como é?
-Esse foi o motivo da visita dos pais dele ontem à noite, lá em casa. Eles vieram te contar que descobriram o envolvimento do Fábio com drogas.
-Eduardo, para com isso! Não tem graça nenhuma!
-A gente tá tapando o sol com a peneira, sem querer enxergar o motivo pro Fábio começar a agir estranho. O Seu Caio e a Dona Ariane descobriram que ele tava dando dinheiro pro Vinícius pra comprar drogas.
-Vinícius? Eduardo, esse cara é drogado e todo mundo sabe, mas daí a dizer que o Fábio tinha conversa com ele...
-Acorda, Gabriela! O Fábio andava muito próximo do Vinícius nos últimos tempos! Isso explica onde é que ele conseguia essas coisas!
-O meu Fábio não! Ele não ia fazer isso comigo!
-O Fábio não é mais seu, não é mais o mesmo Fábio que a gente conhece! O cara que tentou abusar de você é outra pessoa! Ele mesmo admitiu pros pais o envolvimento dele com as drogas que o Vinícius trazia.
-Não pode ser! Eu não aceito isso, entendeu? O Fábio não pode ser dependente químico! Eu não vou aceitar isso, entendeu?
-O pai do Fábio até cancelou a conta bancária de onde tirava a mesada dele pra não ver o Fábio gastar com droga. Eles já sabem de tudo, Gabriela, menos quem é a pessoa que repassava a droga pro Vinícius. Foi por isso que a gente foi lá ontem à noite, pra conversar com o Fábio e dar o nosso apoio. Mas eu perdi a cabeça quando vi ele tentando te estuprar, falando aquele monte de absurdo! A gente não pode fechar os olhos e dizer que o Fábio tá bem, Gabriela, porque não tá.
-Quer dizer que... Tudo que ele falou contra mim ontem foi efeito de droga? Você quer mesmo que eu acredite nisso?
-Seu Caio disse que ele tava limpo desde que eles colocaram o Fábio e o Vinícius contra a parede. Eu não sei por que ele falou essa história absurda do médico.
-Presta atenção: eu não aceito esse diagnóstico, entendeu? O que estão dizendo do Fábio é a maior mentira que eu já ouvi na minha vida!
-O Fábio tá metido com droga, sim! A gente tem que ajudar ele, mas eu não sei como. Só que a gente não pode fechar os olhos e não ver que ele tá vulnerável a qualquer coisa.
-Me diz que isso é mentira! Fala que você tá mentindo, que não é verdade, Eduardo!- Gabriela esmurra o peitoral do irmão, que a contém com um abraço. Desesperada, a moça chora desolada com a notícia que acaba de receber.

Luciano está em casa quando Vinícius volta da escola. O policial está assistindo à televisão.
-Filho?
-Fala.
-Você está bem?
-A mulher da minha vida deve estar embarcando pra Alemanha a essa hora. Não tem como eu ficar bem, não é?
-Eu sinto muito pela partida da Victória. Mas você sabe que pras coisas tomarem um rumo diferente, só dependia de você.
-Eu já perdi a Victória, Pai. Não tenho mais o que refletir sobre isso. Se você quer usar essa situação pra jogar na minha cara que acha que eu tô errado, sinto te informar que esse não é o melhor momento.
-Pensa quando ela voltar, se ela vai querer te encontrar do mesmo jeito que te deixou.
-Quando ela voltar, já vai ter preenchido o vazio que eu deixei com outro cara.
-Sabe que nem eu mesmo percebi quando foi que você deixou de lutar pelo que queria, de ser determinado?
-Tá falando isso por quê?
-Porque você ama a Victória. E desistiu dela rápido demais. Deixou ela sair da sua vida achando que não tinha tanta importância pra você. É isso que você quer? Se condenar a sofrer? Pega um táxi e vai até o aeroporto, Vinícius! Se você quiser, eu mesmo te levo.
-Pra quê? Ela já tá decidida.
-Você decidiu por ela, Vinícius!
-Não tenho direito de empatar a vida dela, Pai?
-E a sua? Vai empatar até quando? Olha a chance de ser feliz que você está jogando fora!
-Vai ser melhor pra nós dois, um longe do outro. Eu não mudo de opinião, ela menos ainda. Não é porque eu tô sofrendo que eu vá ficar assim a vida toda.
O plantão jornalístico da emissora na qual Luciano estava sintonizado desde antes da chegada de Vinícius anuncia:
-Interrompemos nossa programação para trazer uma notícia lamentável: a modelo Victória Carvalho Zimmerman faleceu no fim da tarde de hoje, aos dezessete anos.
-Victória?- Vinícius aproxima-se do aparelho televisor.
-A moça estava deixando o colégio onde estudava, no bairro da Estância, quando foi, segundo testemunhas, abordada por dois assaltantes. Victória reagiu ao assalto, tentando impedir que os meliantes levassem a sua bolsa, quando um dos bandidos atirou à queima-roupa, ocasionando o óbito. Ainda não há informações sobre os suspeitos. Zimmerman estava se preparando para deixar o Brasil nesta noite, por ter recebido uma proposta de trabalho no exterior. Outras informações a qualquer momento, e a cobertura completa sobre essa tragédia você terá logo mais, às sete e quinze da noite, no “Pernambuco Noturno”. Até já.
-Vinícius, calma!- Luciano percebe o choque que o filho acaba de levar- Por favor, filho, vem!
-Mataram a Victória! Você viu o que ele disse? Mataram a minha Victória, Pai... – as lágrimas rolam o rosto do problemático modelo.
-Eu sinto muito, filho- Luciano tenta conter o rapaz abraçando-lhe, mas o rapaz desvencilha-se do pai.
-Tiraram a Victória de mim! Agora eu perdi ela pra sempre!
-Por que ela tinha que reagir a esse assalto? Por quê?
-Eu quero ver a Victória! Me leva até a Victória, Pai, que eu quero ver ela!
-Vinícius, senta aqui no sofá; eu vou trazer um copo d’água pra você...
-Eu não quero me acalmar! Eu quero a Victória perto de mim! A culpa é minha... Ela foi embora com raiva de mim, com ódio! Eu fiz de tudo, tudo pra afastar ela de mim!
-Eu vou ligar pra delegacia e saber o que houve, está bem? Por favor, meu filho, não fica assim!- Luciano segura o rosto de Vinícius- Não fica assim, eu estou aqui com você!
-Quem foi que tirou ela de mim, Pai? Quem foi que... – Vinícius chora ainda mais alto, levando Luciano ao desespero.
Bete também acompanha a interrupção da programação, deitada em sua cama e com os braços para cima.
-Nem esperaram o jornal começar. Que bom! Pois é, Vinícius... A Victória pagou por você me enfrentar. Quem diria, né? Ela, que fez questão de ficar longe das drogas, acabou morrendo porque uma traficante mandou matar!- a meliante começa a rir, descontrolada- O dia hoje não podia ser melhor. Agora ele vai pensar muito bem antes de me denunciar. Já risquei um da minha lista de inimigos. Daqui a pouco, Fabinho, você vai virar adubo também...

Ariane estranha a ausência dos filhos e liga para o celular de Eduardo, que não demora para atender.
-Oi, Mãe?
-Filho, você encontrou a Gabriela?
-Ela só foi dar uma volta. Mas ela tá bem, sim. A gente conversou e... Vamos pra casa agora.
-Pelo menos, eu fico mais tranquila agora. Não demora muito, viu, filho?
-Tá bom, Mãe. Um beijo- desliga o celular- Tá mais calma?
-Como se fosse fácil depois do que você me contou...
-Mas tem que ser assim. Uma hora ou outra, você ia saber da verdade. O ruim é que teve que acontecer aquilo ontem.
-Continuo sem acreditar.
-Gabriela, o Fábio admitiu...
-Eu conheço o Fábio, Eduardo!
-Eu também conheço. O bastante pra saber que ele não é mais a mesma pessoa. A gente tem que ajudar ele, sim, mas não dá pra fingir que não tá rolando nada. Vamos pra casa, que a Mãe já ligou preocupada e tá ficando tarde. Vamos?
Gabriela acompanha o irmão, e ambos caminham a passos lentos. Ao fim daquela ponte, vem Fábio, com um olhar assustado, com a roupa machucada. O adolescente recorda o primeiro beijo que trocou com a namorada. Os dois foram fazer um trabalho de escola sobre músicas antigas, e ele a levou até uma vitrola, cuja parte inferior tinha sessenta long plays.
-Que disco é esse? “Heróis da resistência”?
-Meu pai adora esse LP. Disse que comprou na adolescência dele.
-Peraí, deixa eu ver aqui- retira o disco da capa- Mil novecentos e oitenta e seis- Bem a época que a professora pediu pra gente buscar músicas antigas. Ela disse que foi a época que explodiu o pop e o rock no Brasil.
-Quer ouvir? Eu já escutei, e ele é muito bom. Super recomendo.
-Quero, sim. Ué, mas você vai botar pra tocar já do lado B?
-É que tem uma música que eu gosto muito, acho até que é a melhor do LP. Acho que você vai gostar também, já que é a sua cara.
-Por quê?
-Sempre me lembro de você quando escuto- Fábio seleciona “Só pro meu prazer”- Dança comigo?
-Tá falando sério?
-Como nunca. Aceita- estende a mão, que é segurada pela jovem, e os dois dançam devagar ao som dos versos.
-Não fala nada, deixa tudo assim por mim. Eu não me importo se nós não somos bem assim. É tudo real nas minhas mentiras e assim não faz mal; e assim não me faz mal, não... Noite e dia se completam, o nosso amor e ódio eternos. Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu quiser; eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor, e eu te recriei só pro meu prazer. Não venha agora com essas insinuações dos seus defeitos ou de algum medo normal. Será que você não é nada que eu penso? Também, se não for, não me faz mal. Não me faz mal, não... – a canção é executada, mas antes que seja encerrada, um primeiro e longo beijo acontece.
Certo da traição que acredita ter Gabriela cometido, Fábio olha para o rio em desespero. Logo, põe a perna direita para fora da ponte, segurando-se nela. A namorada grita por seu nome ao ver que ele tenta o suicídio.