27/03/2025

EXCEPCIONAL (MENTE) | CENA 3

Quando Fábio sai da sala na qual entrevistou Bruno, ele tira o celular do bolso e escreve uma mensagem para um perfil do Jornal de Pernambuco. O texto diz o seguinte:




FÁBIO: Consegui a entrevista. Pode publicar na edição de amanhã.




Fábio guarda o celular no bolso depois de escrever a mensagem e sai contente da escola. Enquanto ele se aproxima do portão, um novo letreiro aparece na tela, para explicar a primeira frase lida pelo público do filme.




LOCUTOR: Em 1961, o dia 13 de dezembro foi instituído em todo o país como o Dia do Cego.




Os créditos finais aparecem enquanto a câmera percorre o pátio da escola.








Com




Kaio Fábio (“Fábio”)




Thiago Barros (“Bruno”)








Locução




Nicolas Guilherme








Roteiro e direção




Kaio Fábio e Thiago Barros








Cinegrafia




Kássia Vitória








Assistência de direção




Ana Luiza




Irene Vitória








Edição




CapCut








Trilha sonora




“SOU FILHO DE DEUS (PLAYBACK)”




COMPOSIÇÃO: GUSTAVO BARBOSA FARIAS E ROGÉRIO AUGUSTO DA SILVA




INTERPRETAÇÃO: GÁLBANO








“LEAN ON ME (CLAMA A MIM)”




COMPOSIÇÃO E ADAPTAÇÃO: EMERSON PINHEIRO E FERNANDA BRUM




INTERPRETAÇÃO: FERNANDA BRUM








“BRILHO CELESTE (HEAVENLY SUNLIGHT)”




COMPOSIÇÃO: GEORGE H. COOK E HENRY J. ZELLEY




ADAPTAÇÃO: BENJAMIN RUFINO DUARTE




INTERPRETAÇÃO: RENASENTIDO E RAFAEL DIEDRICH








“A ORAÇÃO”




COMPOSIÇÃO: MIKE MICHAELE KUNERT DEPS




INTERPRETAÇÃO: QUARTETO VIRTUDE








“PRODIGAL”




COMPOSIÇÃO: JOHN MARK HALL




INTERPRETAÇÃO: CASTING CROWNS








“ESTAÇÕES”




COMPOSIÇÃO: JULIO CESAR E KIM




INTERPRETAÇÃO: CATEDRAL








“10,000 REASONS (BLESS THE LORD)”




COMPOSIÇÃO: JONAS MYRIN E MATT REDMAN




INTERPRETAÇÃO: MATT REDMAN








“DO TAMANHO DO TEU ABRAÇO”




COMPOSIÇÃO: DIMAEL KHARRARA




INTERPRETAÇÃO: DIMAEL KHARRARA E LAURA STÉFANY








“NÃO TE ABANDONO”




COMPOSIÇÃO E INTERPRETAÇÃO: ESDRAS GONDIM








“REI DA GLÓRIA (SALMO 24) (PLAYBACK)”




COMPOSIÇÃO E INTERPRETAÇÃO: DANIEL LÜDTKE








Fontes de pesquisa




AGÊNCIA BRASIL (MATÉRIAS DE ALANA GANDRA E MARIANA TOKARNIA)




CADERNOS DA TV ESCOLA – DEFICIÊNCIA VISUAL (ORGANIZAÇÃO DE MARTA GIL)




CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO / CÂMARA DOS DEPUTADOS (GUIA LEGAL – PORTADOR DE DEFICIÊNCIA VISUAL)




DICIONÁRIO ILUSTRADO DE LIBRAS – FLÁVIA BRANDÃO




SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO PARANÁ (HOME PAGE “DIA A DIA EDUCAÇÃO”)








Erem Amaury de Medeiros




Professor




Fabio Henrique Mota








Intérprete




Luiz Henrique








Agradecimentos especiais




Aquiles Cavalcante




Geralda Reis








Esta obra de ficção foi produzida especialmente para a Semana Estadual da Pessoa Especial, realizada entre 21 e 28 de agosto de 2023, e realizada pelos estudantes do Módulo II do curso de Língua Brasileira de Sinais da Erem Amaury de Medeiros – Gre Recife Sul.




Os sinais descritos neste produto audiovisual estão sujeitos a variações de acordo com o que for adotado em cada região. 








© 2023 Governo de Pernambuco 



20/03/2025

EXCEPCIONAL (MENTE) | CENA 2

 Cena 2


Bruno está sentado numa cadeira da segunda fila, lendo um livro em Braille, e interrompe a sua leitura quando ouve a porta do auditório sendo tocada. O rapaz se levanta, passa a ser guiado pelas cadeiras da primeira fila que são manuseadas por ele, e abre a porta.


BRUNO: Só um minuto. (de frente para Fábio) Quem é?


FÁBIO: (segura as mãos de Bruno e realiza a datilologia do seu nome) Fábio. Tudo bem?


BRUNO: Oi, Fábio. Tudo bem. Entra.


FÁBIO: Com licença (entra e conduz Bruno até uma cadeira, para depois ele mesmo sentar-se em frente ao rapaz cego) A gente pode conversar? 


BRUNO: Pode.


FÁBIO: Como está a sua família?


BRUNO: Está bem, e a sua?


FÁBIO: Todos estão bem, graças a Deus. Com quem você mora?


BRUNO: Com os meus filhos e a minha esposa.


FÁBIO: Ainda trabalha na mesma empresa?


BRUNO: Não, agora eu estou em outra. Muito melhor. 


FÁBIO: Que bom. Você pode falar um pouco sobre a sua limitação visual?


LOCUTOR: Existem dois tipos de deficiência visual: a baixa visão / acuidade e a cegueira, também conhecida como amaurose.


BRUNO: Eu sou cego desde que eu tinha cinco anos.


LOCUTOR: A cegueira é a perda total de visão, sem percepção de luz e forma.


Seja por fatores físicos, seja por razões neurológicas, ela pode ser manifestada na pessoa desde o nascimento ou adquirida ao longo da vida.


FÁBIO: Por que você não vê?


BRUNO: Minha cegueira é por causa da diabetes.


LOCUTOR: A diabetes é uma das causas de cegueira adquirida porque pode causar retinopatia - uma lesão não-inflamatória na retina.


O Ministério da Saúde informa que 7,4% dos brasileiros convivem com a diabetes.


FÁBIO: Entendi. Você sente muita dificuldade para se locomover pelos lugares?


LOCUTOR: A Lei 10.098/2000 foi criada para promover a acessibilidade de todos que possuem alguma deficiência.


Com ela, são garantidas a adaptação de espaços públicos e privados (implantando escadas, passagens de pedestres e rampas) e a construção de edifícios projetados para o uso coletivo.


BRUNO: Meu tato, por causa da ausência de visão, é mais aguçado.


LOCUTOR: A criança que possui deficiência visual tende a se apegar primeiro às pessoas e não aos objetos.


Por isso, é necessário lhe estimular a tocar e a ouvir, pois estas atividades ajudam a lhe acalmar.


O processo de abstração dos objetos requer paciência dos educadores, uma vez que a criança pode levar um longo tempo pesquisando cada item.


BRUNO: Quando eu saio, sou acompanhado por um cão-guia.


FÁBIO: Como as pessoas te tratam depois de saber que você tem cegueira?


BRUNO: Às vezes, as pessoas preferem não chegar perto porque eu sou diferente.


LOCUTOR: De acordo com o Censo de 2010, o Brasil tem 6 milhões de pessoas com baixa visão e 506 mil cegos . 


FÁBIO: De que jeito era a sua vida antes de perder a visão?


BRUNO: Minha infância era boa, eu tinha vários amigos. Mas, depois que eu fiquei doente e perdi a visão, muitos dos meus amigos se afastaram de mim.


LOCUTOR: Ainda segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 25% das pessoas que possuem deficiência visual não podem ser consideradas alfabetizadas. 


BRUNO: Depois que eu me entendi como uma pessoa sem visão, a comunidade cega me abraçou e me acolheu. Após um tempo, eu comecei a ler em Braille.


LOCUTOR: O sistema de leitura e escrita Braille foi criado em 1824, chegando rapidamente ao Brasil, mas só oficializado no nosso país em 1962.


Segundo a Lei do Direito Autoral, de 1998, a reprodução de obras literárias, artísticas e científicas em Braille é livre, uma vez que elas não são usadas para fins comerciais.


BRUNO: Também aprendi a falar Libras, para me comunicar com meus amigos surdos.


FÁBIO: Bruno, foi muito bom conversar com você. (o jornalista e o entrevistado levantam-se das cadeiras) Obrigado por me receber.


BRUNO: Eu sou quem te agradeço. Pode voltar quando você quiser.


Fábio e Bruno apertam as mãos e o jornalista abre a porta e deixa o jovem cego no auditório.

13/03/2025

EXCEPCIONAL (MENTE) | CENA 1

Os espectadores veem a movimentação de veículos em frente à Erem Amaury de Medeiros durante o dia. Fábio entra na escola após a permissão do porteiro e caminha devagar em direção à porta do auditório.

Na parte inferior direita do vídeo aparece as seguintes inscrições:

- o título do filme, “Excepcional (mente)”;

- um letreiro escrito “Terça-feira, 12 de dezembro de 2023”.

14/02/2025

MÃOS PROIBIDAS | CENA 5


 

Cena 5 (degrau do auditório/ sala de aula no segundo piso da escola)

O tempo corrente da ação volta a ser a época atual. William e Rodrigo levantam-se, colocando-se ao centro do degrau.

WILLIAM: Câmara de gás? Quantos morreram desse jeito?

RODRIGO: Acreditamos que quase 300 mil foram executados com esse programa.

WILLIAM: Isso é um absurdo!

RODRIGO: Não estou dizendo que seja fácil, mas hoje é melhor do que antes. Se a cor azul significava “opressão”, hoje ela representa o orgulho que uma pessoa surda sente.

WILLIAM: Eu sinto orgulho, sim. Mas acho que ninguém nunca vai entender a minha deficiência.

RODRIGO: Todas as pessoas são deficientes, em maior ou menor grau.

WILLIAM: Por que o senhor diz isso?

RODRIGO: A deficiência das pessoas é não querer ouvir o que você diz. Se o mundo te impede de aprender e de viver, o deficiente é ele. Mas sempre haverá alguém disposto a mostrar que é a diferença que nos torna iguais.

William e Rodrigo apertam as mãos.

(a câmera afasta-se do aluno e de seu professor)

O restante do elenco sobe ao degrau, agora falando em português.

(no filme, não é necessário que todos estejam juntos)

BERTA: Exclusão...

HILDA: Preconceito...

NICO: Barreira...

LUCA: Invisibilidade...

HANS: Proibição...

EMMA: Desumanidade...

OTTO: Se você respeita a comunidade surda, nunca dê ouvidos a nenhuma dessas palavras.

 

Créditos finais

 

originelle idee

ideia original

Fabio Henrique Mota

Luiz Henrique Cosme

 

regie, besetzung und drehbuch

direção, elenco e roteiro

Celia Bispo

“Berta”

Danilo Alves

“Nico”

Fabio Henrique Mota

“Rodrigo”

 

Fernanda Santos

“Emma”

Josinalda Félix

“Hilda”

Luiz Henrique Cosme

“William”

 

Pedro Lemos

“Otto”

Rafael Patrício

“Hans”

Thiago Barros

“Luca”

 

Professor

professor

Fabio Henrique Mota

 

Brasilianischer gebärdensprachdolmetscher

intérprete de Língua Brasileira de Sinais

Luiz Henrique Cosme

 

charakterisierung

caracterização

Danilo Alves

 

ausgabe

edição

CapCut

VSDC Video Editor

 

visuelle effekte

efeitos visuais

Microsoft Office Word

Paint

 

zusätzliche soundeffekte (CapCut)

efeitos sonoros adicionais (CapCut)

“String songs for drama and document”

“Good night/ baby/ dog/ cat/ music box (1076663)”

“Soft romantic underscore”

“FX such as general horror movie suspense (1287889)”

 

“Horror suspense scene change jingle (1480006)”

“Convenient suspense drama style music (2965)”

“Horror song with an eerie music box melody (845045)”

“Epic uplifting music”

 

fontes de pesquisa

Universidade Federal de Minas Gerais

“A história do setembro azul ou setembro surdo”

(Bárbara Vítor Silva, Dinalva Andrade Martins,

Matheus Pessoa Fonseca e Priscila G. Martins Silva)

 

Hand Talk

“Setembro azul: qual é o nosso papel no mês dos surdos?”

 

Brasil Escola

“Datas comemorativas: setembro azul”

(Daniel Neves Silva)

 

besonderer dank

agradecimentos especiais

Geralda Reis

Lídia e as demais auxiliares de serviços gerais da Erem Amaury de Medeiros

 

Dies ist ein unabhängiges und kollektives fiktionales Werk,

basierend auf freiem künstlerischem Schaffen und ohne Verpflichtung

mit der Realität.

Esta é uma obra independente e coletiva de ficção,

baseada na livre criação artística e sem compromisso

com a realidade.

 

© 2024 Regierung von Pernambuco/

Regionales Bildungsmanagement Recife – Süd/

Referenzschule der Amaury de Medeiros High School

© 2024 Governo de Pernambuco/

Gerência Regional de Educação Recife – Sul/

Escola de Referência em Ensino Médio Amaury de Medeiros

 

https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/a-historia-do-setembro-azul-ou-setembro-surdo/#:~:text=Marcado%20por%20um%20m%C3%AAs%20de,at%C3%A9%20os%20dias%20de%20hoje.

 

https://www.handtalk.me/br/blog/setembro-azul-mes-dos-surdos/

 

https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/setembro-azul.htm

13/02/2025

MÃOS PROIBIDAS | CENA 4

 

Cena 4 (porta traseira do auditório / sala desocupada)

Hans está posicionado diante da porta traseira do auditório (aquela que possui um degrau). Ele ouve Luca bater à porta e atende o estudante, usando a linguagem oral.

HANS: Por que te mandaram até aqui?

LUCA: O quê? Eu não entendi.

HANS: (ri discretamente, virando o rosto. Em seguida, ele se comunica com Luca através da língua de sinais) Tudo bem. Conta pra mim o que aconteceu.

LUCA: A professora, ela não queria que eu usasse a língua de sinais na sala de aula. O que eu fiz de errado?

HANS: (sorri) Não se preocupe, eu vou resolver isso de uma vez. Posso te pedir um favor?

LUCA: Claro, o que o senhor quer que eu faça?

HANS: Espera aqui dentro, eu prometo que não demoro (aproxima-se da porta, olhando para Luca antes de abri-la).

LUCA: Por que está me olhando desse jeito?

HANS: Seria mais fácil se você fosse igual a todos. Isso não é possível, mas não tem problema. Você não vai precisar de voz pra chegar aonde deve estar (abre a porta e sai, trancando o estudante).

(obs.: ao sair pela porta traseira, Rafael dá a volta e entra discretamente no auditório no momento em que Luca é executado. A partir de então, ele retoma à atividade da tradução)

Apagam-se as luzes. Luca olha para os lados, um pouco assustado por estar sozinho naquele local. O terceiro slide aparece, e nele há uma foto de um nevoeiro num céu preto – simbolizando que aquela sala, na verdade, é uma câmara de gás. Assim que a imagem aparece, Luca olha discretamente para a projeção e, em seguida, para a brecha da parte inferior da porta.

Como se visse a fumaça subindo pelo espaço, Luca começa a tossir e bater na porta diversas vezes, girando a maçaneta para conseguir sair do recinto. Rapidamente, o aluno perde a consciência e cai, justamente na pequena escada a qual Hans teve acesso para sair.

Volta-se ao primeiro slide, escrito “2024”. As luzes são acesas novamente.

12/02/2025

MÃOS PROIBIDAS | CENA 3

 

Cena 3 (lado direito do auditório / sala de aula)

(obs.: é preciso marcar os lugares que serão utilizados pelos alunos: sempre do lado direito, nas pontas (para melhor visualização feita pelo público))

O primeiro a entrar é Nico, sentando-se na segunda fileira. Atrás do estudante, vem Berta, Luca e, por fim, Otto. Todos estão apreensivos, e olham uns pros outros sem saber o que conversar a princípio. O “silêncio” é quebrado por Otto.

OTTO: Vocês sabem quem é que vai dar aula?

NICO: Uma professora veterana, que trabalha aqui há vinte anos.

BERTA: O que estão fazendo? Ela pode reclamar!

OTTO: De quê?

NICO: Dos sinais. Não podemos usar.

LUCA: Imagina... Aqui é um ambiente educacional, temos liberdade...

NICO: Liberdade? A gente não pode sair de casa sem usar isso (levanta o braço para Luca).

BERTA: A universidade funciona porque o governo quer, não se esqueça disso. Tem alguma coisa que você sabe falar?

LUCA: Mas eu estou falando.

NICO: Ela quer saber se você sabe falar sem usar as mãos.

Luca olha assustado quando nota que Hilda entrou na sala de aula e colocou-se diante dos alunos, perto do degrau em que Rodrigo e William estão. Ela usa a linguagem oral.

HILDA: Bom dia. Eu me chamo Hilda e vou apresentar pra vocês a disciplina de História da Arte. Mas antes eu quero que vocês me digam o nome de cada um.

Os alunos falam com medo, esperando alguns segundos depois da pronúncia de cada nome, demonstrando esforço diante do medo que sentem da professora.

OTTO: Otto.

BERTA: Berta.

NICO: Nico.

Hilda percebe que Luca não consegue falar e insiste com o aluno.

HILDA: Você não ouviu a minha pergunta? Qual é o seu nome?

Luca realiza a datilologia do seu nome.

HILDA: Por que não me fala o seu nome?

OTTO: (com esforço para falar) Ele não pode. É surdo.

(obs.: discretamente, Rafael entrega o microfone a Pedro e sai do auditório. A partir deste momento, Pedro passa a traduzir o que os personagens dizem na língua de sinais)

A professora faz uma expressão raivosa e, depois de ouvir a resposta de Berta, volta a dirigir-se a Luca.

HILDA: (com o dedo indicador, faz um movimento circular pelos lábios) Consegue entender o que eu digo?

Luca balança a cabeça afirmativamente.

HILDA: Certo. Na última sala do corredor, tem o reitor da universidade. Ele quer falar com você.

LUCA: Comigo?

HILDA: Agora. Vai!

Luca sai do auditório pela porta principal. Otto é o único que acompanha o estudante com o olhar, os demais enxergam apenas a figura de Hilda.

HILDA: Ninguém precisa disfarçar, nenhum de vocês me ouve. Mas vocês vão aprender a falar... Ou vão ter o mesmo destino desse rapaz.

11/02/2025

MÃOS PROIBIDAS | CENA 2

 

Cena 2 (segunda fileira do auditório, à esquerda de quem entra / arbustos próximos ao bicicletário)

Emma já está posicionada em sua marcação, a segunda fileira do auditório, desde o início da apresentação. Otto entra pela porta principal para cumprimentar a esposa e, antes de dizer qualquer palavra, contempla a dona de casa olhando uma fotografia do filho falecido do casal.

OTTO: Estou indo para a universidade...

Com um olhar triste, Emma balança a cabeça afirmativamente.

OTTO: Não vai me dizer nada?

EMMA: (mostra a foto para o marido) Ele ficaria tão feliz vendo você lá.

OTTO: Eu sei. Mas não vai acontecer nada comigo. O programa contra os surdos foi suspenso pelo governo.

EMMA: Isso é o que ele diz. Mas não duvido que, vendo alguém que não saiba usar a linguagem oral, ele persiga a pessoa.

OTTO: Fica calma. Descobri que a minha turma tem muitos alunos surdos. Com certeza eles estarão atentos pra não cometer nenhum deslize.

EMMA: O problema é esse: a nossa identidade ser considerada um deslize. E a nossa família uma praga que precisa ser eliminada. Quando vão parar de nos matar?

Otto abraça Emma, que encosta o rosto em seu ombro.

OTTO: À noite eu volto pra casa, prometo.

Otto levanta-se e deixa o auditório pela porta da frente.

10/02/2025

MÃOS PROIBIDAS | CENA 1

 

Legendas

■ posicionamento da representação no auditório

■ cenário na versão cinematográfica

 

Cena 1 (degrau do auditório / sala de aula no segundo piso da escola)

A cortina se abre. Na tela está projetado o primeiro slide, em que está escrito apenas “2024”. Rodrigo está corrigindo provas diante da mesa, enquanto William está na ponta do degrau, olhando para baixo com semblante triste. O professor escreve com sua caneta sobre duas avaliações, mas para com o trabalho ao perceber o estado do aluno. O docente, então, levanta-se para questionar o estudante.

(Rodrigo está dentro da sala e vê William em pé na varanda, indo ao encontro do jovem)

RODRIGO: Você não participou da aula hoje.

WILLIAM: Eu não consegui.

RODRIGO: Ainda está com aquela dor no abdômen?

WILLIAM: Sim, há cinco dias que a hérnia me incomoda.

RODRIGO: Desculpa, William, mas... Já era pra você ter procurado ajuda.

WILLIAM: O senhor acha que eu não procurei? Não consegui ser atendido. Ninguém entende o que eu falo. Pior que isso: acham que eu não falo.

RODRIGO: Um absurdo. Pessoas que trabalham na área da saúde não serem preparadas pra atender a comunidade surda.

WILLIAM: Às vezes, eu penso se vale a pena continuar estudando.

RODRIGO: Por quê?

WILLIAM: Porque, pros outros, a gente é invisível.

RODRIGO: Ao menos, você tem liberdade de usar a Libras. Mas nem sempre foi assim.

WILLIAM: (olha para Rodrigo com espanto) Como era, então?

RODRIGO: Em que mês nós estamos?

WILLIAM: Setembro... Já sei. O senhor vai me dizer que é o mês nacional da educação de surdos, do tradutor de Libras...

RODRIGO: Mas não é só isso... Como você perdeu a audição?

WILLIAM: Nasci assim, mas só fui diagnosticado aos quatro anos de idade.

RODRIGO: Além de você, mais alguém na sua família é surdo?

WILLIAM: Não, eu sou o único.

RODRIGO: Antigamente, William, a surdez era considerada uma doença hereditária. E os surdos viviam sob ameaça. Sobretudo na Alemanha.

WILLIAM: Ameaçados por quê?

RODRIGO: O governo nazista tinha o propósito de formar uma raça pura, e pra que eles não se misturassem aos demais, o regime identificava os surdos com uma faixa azul.

(obs. 1: William e Rodrigo sentam-se no degrau, enquanto a ação se desenrola em várias partes do auditório. O segundo slide é projetado, agora com o número “1945”)

(obs. 2: no filme, a câmera afasta-se da dupla, e os créditos iniciais apontam uma contagem regressiva, de 2024 para 1945; e em seguida aparece o título da obra, mudando a fotografia temporariamente – de colorida para cinza)

17/01/2025

NO LUGAR DO OUTRO | CENA 5


(fundo musical: “Às vezes” – introdução)

Guto está no ponto de ônibus e, um pouco afastado dele, está Tom. Novamente ele volta a olhar para a câmera, trazendo informações sobre um dos temas abordados no filme.

TOM: Em Pernambuco, a Lei 13.995 fala sobre a inclusão da discussão e do combate contra o bullying nas escolas. E um dos objetivos é fazer com que a vítima recupere sua autoestima e consiga conviver de maneira tranquila.

Tom aproxima-se de Guto, que olha para trás e sorri.

GUTO: Oi, Tom (aperta a mão do narrador).

TOM: Tudo bem, Guto? Como está Nicolas?

GUTO: Ele está bem, ligou pra mim às oito e vinte e cinco da noite.

TOM: Sempre telefona nesse horário.

GUTO: Sim, é da natureza dele.

Tom avista um coletivo prestes a parar no ponto em que ele está com o professor.

TOM: Teu ônibus está vindo.

GUTO: É mesmo. (bota rapidamente a mão sobre o ombro de Tom) Muito bom te ver de novo.

TOM: Se cuida.

(fundo musical: “A vida toda” – “ali eu soube que era amor pra vida toda, que era contigo a minha vida toda, que era um amor para a vida toda”)

Guto retira da camisa um cordão que carrega o seu cartão eletrônico de passagens. À medida que o professor se aproxima do ônibus, a exibição da cena ocorre em rotação lenta. E a câmera chega perto do cordão, revelando que nele está escrito “pai de autista”.


CRÉDITOS FINAIS (imagens da escola)

(fundo musical: “Melhor de mim” – “também eu estou à espera de luz, deixo-me aqui onde a sombra seduz. Também eu estou à espera de mim. Algo me diz que a tormenta passará. É preciso perder pra depois se ganhar e, mesmo sem ver, acreditar. É a vida, que segue e não espera pela gente. Cada passo que demos em frente, caminhando sem medo de errar... Creio que a noite sempre se tornará dia, e o brilho que o sol irradia há de sempre me iluminar. Sei que o melhor de mim está pra chegar, sei que o melhor está por chegar, sei que o melhor de mim está pra chegar”)


Idealizado, dirigido e representado por

CELIA BISPO

“Renata”

DANILO ALVES

“Murilo”

FERNANDA SANTOS

“Júlia”

JOSINALDA FÉLIX

“Laís”

PEDRO LEMOS

“Tom”

RAFAEL PATRÍCIO

“Guto”

e THIAGO BARROS

“Vinícius”


Professor

FABIO HENRIQUE MOTA


Intérprete

LUIZ HENRIQUE COSME


Músicas adicionais


“Loucos”

Composição de MATIAS DAMÁSIO

Interpretação de MATIAS DAMÁSIO e HÉBER MARQUES


“O amor é assim”

Composição de CARMINHO, FREDERICO MARTINHO e HÉBER MARQUES

Interpretação de HMB e CARMINHO


“Onde quero estar”

Composição de DANIEL ALMEIDA, IVO PINTO e PAULO SOUSA

Interpretação de PAULO SOUSA


“Vai”

Composição de ANTONIO MENDES FERREIRA, ERZDAN SAIDOV, FRADIQUE MENDES FERREIRA, NELSON ANIBAL SENADO e NELSON GILBERTO HELENO

Interpretação de CALEMA


“Às vezes”

Composição de FRANCISCO PEREIRA, MIGUEL COIMBRA e MIGUEL CRISTOVINHO

Interpretação de D. A. M. A


“A vida toda”

Composição e interpretação de CAROLINA DESLANDES


“Melhor de mim”

Composição de AC FIRMINO e TIAGO MACHADO

Interpretação de MARIZA


Fontes de pesquisa

Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Curitiba – PR (“TDAH é considerado uma deficiência intelectual?” (Rhúbia Ribeiro))

Câmara Legislativa do Distrito Federal

Estado de Minas

Lei 13.146 (Estatuto da Pessoa Com Deficiência)

Lei 14.254, de 30 de novembro de 2021 (Lei de acompanhamento integral para educandos com dislexia ou Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outro transtorno de aprendizagem)

Ministério da Saúde – Portaria Conjunta Sobre Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo


Agradecimento especial

GERALDA REIS


Esta é uma obra independente de ficção, realizada para a Semana Estadual da Pessoa Com Deficiência, ocorrida entre os dias 21 e 28 de agosto de 2024. Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mera coincidência.


© 2024 Governo de Pernambuco/ Gerência Regional de Educação Recife – Sul/ Escola de Referência em Ensino Médio Amaury de Medeiros

16/01/2025

NO LUGAR DO OUTRO | CENA 4

Quando Guto entra na sala 01, encontra Renata e Danilo sentados de frente à mesa da sala. Renata está claramente irritada e Danilo está de cabeça baixa, sem olhar para a mãe ou para o professor.

(fundo musical: “Onde quero estar” – “se fosse fácil falar”)

Obs.: a câmera passa pelo rosto de Murilo, que está com um semblante triste.

GUTO: Boa noite. (ele percebe que Renata nada responde) Como é que eu posso ajudar vocês?

RENATA: (abre a bolsa e mostra o celular) Meu filho foi atacado na internet. Você leu os comentários?

GUTO: Infelizmente, sim. Nós já identificamos o aluno que ofendeu o Murilo.

RENATA: Quem ele é?

Júlia bate na porta e a abre.

JÚLIA: O Vinícius está aqui.

(fundo musical: “Vai” – introdução em velocidade reduzida)

Guto balança a cabeça afirmativamente e Vinícius entra com a coordenadora, deixando a porta aberta. O professor olha para o aluno problemático.

GUTO: Pode sentar, Vinícius.

Vinícius volta o seu olhar para Danilo com profundo desprezo. Em seguida, encara o professor, que fica mais enérgico – puxa uma cadeira e a coloca ao lado de Renata.

GUTO: Senta.

O aluno aceita, a contragosto.

GUTO: (pega o celular de Renata e mostra a Vinícius) Foi você que escreveu isso?

Vinícius apenas balança a cabeça de forma afirmativa, e Renata vira o rosto em direção contrária, indignada.

GUTO: (suspira) Entende o que você fez?

VINÍCIUS: Tô ligado, quem não se liga é esse retardado!

RENATA: (levanta-se da cadeira e arregaça as mangas do casaco de Murilo, revelando os pulsos arranhados do seu filho) Você acha que ele não entende?

TOM: (sentado ao fundo da sala) Em 2023, mais de 40% dos brasileiros declararam ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística já ter sofrido bullying na escola.

JÚLIA: O que te incomoda tanto nele? O fato de o Murilo ser autista?

VINÍCIUS: Não sei, ele é diferente. Viu que nem pra cara da gente ele olha?

Murilo vê algumas canetas espalhadas sobre a mesa e começa a organizá-las, colocando-as juntas e ordenando-as pelas cores – primeiro as vermelhas, depois as azuis e por fim as pretas.

JÚLIA: Murilo, quando foi que você se machucou?

O filho de Renata nada responde.

GUTO: Espera um pouco... (aproxima-se de Murilo) Essas marcas... Você fez quando leu os comentários?

Murilo começa a balançar-se lentamente sobre a cadeira, e responde à pergunta de Guto.

TOM: (na mesma posição de sua última fala) Algumas das características que uma pessoa autista tem são: a ausência de contato visual, o corpo que se mexe pra frente e pra trás, não responder quando falam o seu nome e organizar objetos. Mas o principal é a dificuldade em interagir com as pessoas.

Murilo olha pra cima e contempla o ventilador da sala girando, fixando sua atenção no eletrodoméstico.

RENATA: Qual é a providência que vocês vão tomar?

VINÍCIUS: Vocês querem o quê?

GUTO: Não sou eu que vai resolver esse problema.

RENATA: Então quem? Ela?

JÚLIA: A polícia.

VÍNICIUS: Brincadeira, né?

GUTO: Os outros alunos, que você incentivou no Instagram pra maltratar o Murilo, acham a mesma coisa. Mas não é.

JÚLIA: A pena desse crime é de um a três anos de prisão.

GUTO: E multa.

VINÍCIUS: Tempo perdido. Eu já deletei o comentário.

JÚLIA: Já mandamos pra polícia antes de você apagar o que disse.

VINÍCIUS: (após alguns segundos em silêncio) Hum, não vai dar em nada.

GUTO: Talvez não dê mesmo. Mas um pedido de desculpas você deve pra ele.

VINÍCIUS: Pra quê? Eu posso ser preso, (olha pra Murilo novamente) isso não vai curar ninguém...

RENATA: Meu filho não é doente, pra ser curado!

JÚLIA: Calma, Renata...

RENATA: E ele vai ficar melhor longe de gente igual a você!

Vinícius fica claramente irritado e sai da sala, batendo a porta.

RENATA: Vocês vão testemunhar contra ele?

JÚLIA: Claro, é o nosso papel.

Guto senta-se em frente a Murilo, olhando para o estudante.

GUTO: Posso contar um segredo? Um dia eu fui igual ao Vinícius.

RENATA: Você? O que foi que mudou?

GUTO: Apareceu alguém que me ensinou a me colocar no lugar do outro.

Murilo aperta a mão do professor, abrindo um discreto riso.

MURILO: Obrigado.

15/01/2025

NO LUGAR DO OUTRO | CENA 3

(fundo musical: “O amor é assim”- introdução)

O celular de Guto começa a tocar, trata-se de uma videochamada. O professor atende, pondo o aparelho numa banca que está próxima. A pessoa que realiza a ligação é Nicolas, filho de Guto.

Obs.: não se vê o rosto de Nicolas, apenas se ouve a voz do adolescente.

NICOLAS: A bênção, Pai.

GUTO: Deus te abençoe, filho.

NICOLAS: São oito e vinte e cinco da noite.

GUTO: Eu sei. Às onze horas eu volto pra casa.

NICOLAS: Tá bom, Pai. Um beijo.

GUTO: Outro pra você.


CENA 4 (sala 01)

Quando Guto entra na sala 01, encontra Renata e Danilo sentados de frente à mesa da sala. Renata está claramente irritada e Danilo está de cabeça baixa, sem olhar para a mãe ou para o professor.

(fundo musical: “Onde quero estar” – “se fosse fácil falar”)

Obs.: a câmera passa pelo rosto de Murilo, que está com um semblante triste.

GUTO: Boa noite. (ele percebe que Renata nada responde) Como é que eu posso ajudar vocês?

RENATA: (abre a bolsa e mostra o celular) Meu filho foi atacado na internet. Você leu os comentários?

GUTO: Infelizmente, sim. Nós já identificamos o aluno que ofendeu o Murilo.

RENATA: Quem ele é?

Júlia bate na porta e a abre.

JÚLIA: O Vinícius está aqui.

(fundo musical: “Vai” – introdução em velocidade reduzida)

Guto balança a cabeça afirmativamente e Vinícius entra com a coordenadora, deixando a porta aberta. O professor olha para o aluno problemático.

GUTO: Pode sentar, Vinícius.

Vinícius volta o seu olhar para Danilo com profundo desprezo. Em seguida, encara o professor, que fica mais enérgico – puxa uma cadeira e a coloca ao lado de Renata.

GUTO: Senta.

O aluno aceita, a contragosto.

GUTO: (pega o celular de Renata e mostra a Vinícius) Foi você que escreveu isso?

Vinícius apenas balança a cabeça de forma afirmativa, e Renata vira o rosto em direção contrária, indignada.

GUTO: (suspira) Entende o que você fez?

VINÍCIUS: Tô ligado, quem não se liga é esse retardado!

RENATA: (levanta-se da cadeira e arregaça as mangas do casaco de Murilo, revelando os pulsos arranhados do seu filho) Você acha que ele não entende?

TOM: (sentado ao fundo da sala) Em 2023, mais de 40% dos brasileiros declararam ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística já ter sofrido bullying na escola.

JÚLIA: O que te incomoda tanto nele? O fato de o Murilo ser autista?

VINÍCIUS: Não sei, ele é diferente. Viu que nem pra cara da gente ele olha?

Murilo vê algumas canetas espalhadas sobre a mesa e começa a organizá-las, colocando-as juntas e ordenando-as pelas cores – primeiro as vermelhas, depois as azuis e por fim as pretas.

JÚLIA: Murilo, quando foi que você se machucou?

O filho de Renata nada responde.

GUTO: Espera um pouco... (aproxima-se de Murilo) Essas marcas... Você fez quando leu os comentários?

Murilo começa a balançar-se lentamente sobre a cadeira, e responde à pergunta de Guto.

TOM: (na mesma posição de sua última fala) Algumas das características que uma pessoa autista tem são: a ausência de contato visual, o corpo que se mexe pra frente e pra trás, não responder quando falam o seu nome e organizar objetos. Mas o principal é a dificuldade em interagir com as pessoas.

Murilo olha pra cima e contempla o ventilador da sala girando, fixando sua atenção no eletrodoméstico.

RENATA: Qual é a providência que vocês vão tomar?

VINÍCIUS: Vocês querem o quê?

GUTO: Não sou eu que vai resolver esse problema.

RENATA: Então quem? Ela?

JÚLIA: A polícia.

VÍNICIUS: Brincadeira, né?

GUTO: Os outros alunos, que você incentivou no Instagram pra maltratar o Murilo, acham a mesma coisa. Mas não é.

JÚLIA: A pena desse crime é de um a três anos de prisão.

GUTO: E multa.

VINÍCIUS: Tempo perdido. Eu já deletei o comentário.

JÚLIA: Já mandamos pra polícia antes de você apagar o que disse.

VINÍCIUS: (após alguns segundos em silêncio) Hum, não vai dar em nada.

GUTO: Talvez não dê mesmo. Mas um pedido de desculpas você deve pra ele.

VINÍCIUS: Pra quê? Eu posso ser preso, (olha pra Murilo novamente) isso não vai curar ninguém...

RENATA: Meu filho não é doente, pra ser curado!

JÚLIA: Calma, Renata...

RENATA: E ele vai ficar melhor longe de gente igual a você!

Vinícius fica claramente irritado e sai da sala, batendo a porta.

RENATA: Vocês vão testemunhar contra ele?

JÚLIA: Claro, é o nosso papel.

Guto senta-se em frente a Murilo, olhando para o estudante.

GUTO: Posso contar um segredo? Um dia eu fui igual ao Vinícius.

RENATA: Você? O que foi que mudou?

GUTO: Apareceu alguém que me ensinou a me colocar no lugar do outro.

Murilo aperta a mão do professor, abrindo um discreto riso.

MURILO: Obrigado.


CENA 5 (ponto de ônibus)

(fundo musical: “Às vezes” – introdução)

Guto está no ponto de ônibus e, um pouco afastado dele, está Tom. Novamente ele volta a olhar para a câmera, trazendo informações sobre um dos temas abordados no filme.

TOM: Em Pernambuco, a Lei 13.995 fala sobre a inclusão da discussão e do combate contra o bullying nas escolas. E um dos objetivos é fazer com que a vítima recupere sua autoestima e consiga conviver de maneira tranquila.

Tom aproxima-se de Guto, que olha para trás e sorri.

GUTO: Oi, Tom (aperta a mão do narrador).

TOM: Tudo bem, Guto? Como está Nicolas?

GUTO: Ele está bem, ligou pra mim às oito e vinte e cinco da noite.

TOM: Sempre telefona nesse horário.

GUTO: Sim, é da natureza dele.

Tom avista um coletivo prestes a parar no ponto em que ele está com o professor.

TOM: Teu ônibus está vindo.

GUTO: É mesmo. (bota rapidamente a mão sobre o ombro de Tom) Muito bom te ver de novo.

TOM: Se cuida.

(fundo musical: “A vida toda” – “ali eu soube que era amor pra vida toda, que era contigo a minha vida toda, que era um amor para a vida toda”)

Guto retira da camisa um cordão que carrega o seu cartão eletrônico de passagens. À medida que o professor se aproxima do ônibus, a exibição da cena ocorre em rotação lenta. E a câmera chega perto do cordão, revelando que nele está escrito “pai de autista”.


CRÉDITOS FINAIS (imagens da escola)

(fundo musical: “Melhor de mim” – “também eu estou à espera de luz, deixo-me aqui onde a sombra seduz. Também eu estou à espera de mim. Algo me diz que a tormenta passará. É preciso perder pra depois se ganhar e, mesmo sem ver, acreditar. É a vida, que segue e não espera pela gente. Cada passo que demos em frente, caminhando sem medo de errar... Creio que a noite sempre se tornará dia, e o brilho que o sol irradia há de sempre me iluminar. Sei que o melhor de mim está pra chegar, sei que o melhor está por chegar, sei que o melhor de mim está pra chegar”)


Idealizado, dirigido e representado por

CELIA BISPO

“Renata”

DANILO ALVES

“Murilo”

FERNANDA SANTOS

“Júlia”

JOSINALDA FÉLIX

“Laís”

PEDRO LEMOS

“Tom”

RAFAEL PATRÍCIO

“Guto”

e THIAGO BARROS

“Vinícius”


Professor

FABIO HENRIQUE MOTA


Intérprete

LUIZ HENRIQUE COSME


Músicas adicionais


“Loucos”

Composição de MATIAS DAMÁSIO

Interpretação de MATIAS DAMÁSIO e HÉBER MARQUES


“O amor é assim”

Composição de CARMINHO, FREDERICO MARTINHO e HÉBER MARQUES

Interpretação de HMB e CARMINHO


“Onde quero estar”

Composição de DANIEL ALMEIDA, IVO PINTO e PAULO SOUSA

Interpretação de PAULO SOUSA


“Vai”

Composição de ANTONIO MENDES FERREIRA, ERZDAN SAIDOV, FRADIQUE MENDES FERREIRA, NELSON ANIBAL SENADO e NELSON GILBERTO HELENO

Interpretação de CALEMA


“Às vezes”

Composição de FRANCISCO PEREIRA, MIGUEL COIMBRA e MIGUEL CRISTOVINHO

Interpretação de D. A. M. A


“A vida toda”

Composição e interpretação de CAROLINA DESLANDES


“Melhor de mim”

Composição de AC FIRMINO e TIAGO MACHADO

Interpretação de MARIZA


Fontes de pesquisa

Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Curitiba – PR (“TDAH é considerado uma deficiência intelectual?” (Rhúbia Ribeiro))

Câmara Legislativa do Distrito Federal

Estado de Minas

Lei 13.146 (Estatuto da Pessoa Com Deficiência)

Lei 14.254, de 30 de novembro de 2021 (Lei de acompanhamento integral para educandos com dislexia ou Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outro transtorno de aprendizagem)

Ministério da Saúde – Portaria Conjunta Sobre Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo


Agradecimento especial

GERALDA REIS


Esta é uma obra independente de ficção, realizada para a Semana Estadual da Pessoa Com Deficiência, ocorrida entre os dias 21 e 28 de agosto de 2024. Qualquer semelhança com fatos, nomes ou pessoas reais terá sido mera coincidência.


© 2024 Governo de Pernambuco/ Gerência Regional de Educação Recife – Sul/ Escola de Referência em Ensino Médio Amaury de Medeiros


Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco

https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?id=912&tipo=TEXTOATUALIZADO


Lei 14.254, de 30 de novembro de 2021

https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.254-de-30-de-novembro-de-2021-363377461


Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Curitiba – PR

“TDAH é considerado uma deficiência intelectual?” (Rhúbia Ribeiro)

https://apaecuritiba.org.br/tdah-e-uma-deficiencia-intelectual/


Lei 13.146 (Estatuto da Pessoa Com Deficiência)

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm


Câmara Legislativa do Distrito Federal

https://www.cl.df.gov.br/-/nova-lei-institui-campanha-de-esclarecimento-sobre-deficiencia-visual


Estado de Minas

https://www.em.com.br/app/noticia/saude-e-bem-viver/2023/04/08/interna_bem_viver,1478999/bullying-40-dos-estudantes-adolescentes-admitem-ter-sofrido-a-pratica.shtml


Ministério da Saúde – Portaria Conjunta Sobre Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo

https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/resumidos/PCDT_Resumido_Autismo_final.pdf


14/01/2025

NO LUGAR DO OUTRO | CENA 2

Enquanto Guto vai caminhando até a secretaria, o docente encontra a coordenadora da escola, Júlia, que demonstra apreensão.

Obs.: sempre que Guto estiver falando com esta personagem, Júlia deve bater o pé esquerdo repetidas vezes no chão.

JÚLIA: Até que enfim você voltou.

GUTO: Oi, Júlia. O que houve?

JÚLIA: A mãe de um aluno está esperando pra falar contigo.

GUTO: Qual é o nome do aluno?

JÚLIA: (soletra) Murilo.

GUTO: Ah, o Murilo (apresenta um sinal para identificar o aluno). Faz dias que ele não vem pra aula.

JÚLIA: Eu quero que você veja isso (tira o celular do bolso, acende-o e entrega o aparelho para Guto).

Guto segura o celular e começa a ler, também demonstrando apreensão.

JÚLIA: Essas fotos foram do dia em que a turma da Educação de Jovens e Adultos realizou a Feira de Ciências. Olha o que comentaram na foto do Murilo.

GUTO: Eu conheço esse aluno, Vinícius é o nome dele... São da mesma turma.

JÚLIA: O que é que a gente faz?

GUTO: Chama o Vinícius pra mim. E diz pra ela que me espere na sala 01.

JÚLIA: Ela quem?

GUTO: A mãe do Murilo.

JÚLIA: Certo... Mas por que ela está te esperando?

GUTO: Ela quer falar comigo sobre o Murilo.

JÚLIA: Verdade.

Guto não chega a entrar na sala dos professores, enquanto Júlia parece fazer o mesmo trajeto de Laís. Ela passa por Tom, desta vez sentado num dos bancos da escola. O rapaz novamente dirige-se ao público.

TOM: Vocês perceberam que a Júlia costuma mexer os pés com frequência? E que ela demonstrou esquecimento? Esse comportamento é de alguém que possui transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, o TDAH.


13/01/2025

NO LUGAR DO OUTRO | CENA 1

Aparecem os logos, em sequência, do Governo de Pernambuco, da Gerência Regional de Educação e da Escola de Referência em Ensino Médio Amaury de Medeiros. Um letreiro traz, em fonte menor, a palavra “apresenta”; e depois o título da obra audiovisual, projetando ao fundo um quebra-cabeças utilizado para representar as pessoas autistas.

(fundo musical: “Loucos” – introdução)

Ao fundo da imagem, vê-se o pátio da escola, com a câmera movimentando-se lentamente até que ela foca em Guto, entrando no local com uma pasta. Na direção contrária ao professor, entra uma aluna chamada Laís, que procura chegar até a sala de aula. Guto deixa a pasta cair antes que possa se aproximar da estudante. Ele recolhe os papeis sem se dar conta da presença de Laís, que para ao seu lado e pergunta:

LAÍS: Professor?

GUTO: (coloca-se de pé e utiliza a Libras tátil com a aluna) Laís? Como você sabe que eu estou aqui?

LAÍS: Conheci pelo perfume. Estou muito atrasada?

GUTO: Você chegou na hora certa. Pode entrar na sala.

LAÍS: (com uma mão apenas) Obrigada.

Os dois seguem em direções opostas. Laís passa por Tom, encostado a uma parede. Ele olha para a câmera.

TOM: A Laís é uma pessoa cega, e para se locomover ela usa uma bengala branca. Essa cor vai fazer com que as pessoas a reconheçam como alguém que perdeu totalmente a visão. Quando uma pessoa usa uma bengala verde, significa que ela possui baixa visão; para identificar alguém que é surdo e cego ao mesmo tempo, a bengala possui as cores branca e vermelha.

07/01/2025

EREM AMAURY DE MEDEIROS | MENSAGEM PARA 2025

https://www.youtube.com/watch?v=-9Y--90vzQc 


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ESTE POST SERÁ DELETADO EM ALGUNS DIAS, MAS A PUBLICAÇÃO NO BLOGGER FICARÁ ATÉ QUE AS AULAS COMECEM, NO INÍCIO DE FEVEREIRO.

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15/04/2023

PARÁBOLAS | CENA FINAL: TÉO E AS PARÁBOLAS

 

(Jesus está próximo à porta por onde entraram e saíram a maioria dos personagens. Depois de Luan, Otávio e Ícaro deixarem o templo, Ele olha para Téo, mais uma vez à direita do espectador.)

JESUS: Você se reconheceu nessa história, Téo?

TÉO: É a história do filho pródigo. Eu me reconheci naquele rapaz que veio procurar o pai pra pedir perdão... (abaixa a cabeça) No fundo, eu sei que eu preciso pedir desculpa também por me afastar do Senhor.

JESUS: Nesse tempo em que estivemos juntos, seu coração dorido não te deixou ver que, em cada uma dessas histórias, você era representado.

TÉO: Eu? Mas eu tava Contigo o tempo todo. Como eu não ia ver?

JESUS: Responde pra mim: quando você saiu de casa na madrugada, imaginava que a gente fosse se encontrar?

TÉO: Pra falar a verdade, eu nunca mais achei que Você ainda se importasse comigo.

JESUS: Mesmo Eu dizendo, culto após culto, que sempre estarei contigo? Aquelas virgens loucas também pensaram que Eu prometo pra não cumprir, que nunca teria um encontro com quem diz me amar.

TÉO: Mas eu não digo, eu Te amo de verdade; só que... Fica difícil de andar com Você sem ver aquilo que eu tanto peço acontecer.

JESUS: Téo, nenhuma palavra que Eu fale deve ser jogada ao vento; tudo tem um significado. O que Eu prometo é estar ao seu lado daqui à eternidade. Quantos pensam como você, que acha que estar nos céus Comigo só vale a pena depois de ser honrado na Terra?

TÉO: E não vale?

JESUS: Não! Toda a criação do Pai está no mundo pra render glórias, não pra viver pensando em recebê-las. Vocês estão mergulhando cada dia mais fundo num oceano de orgulho, e eu quero mostrar que o pecado não é capaz de aprisionar ninguém.

TÉO: (grita) Mas eu não consigo! Eu não consigo ver isso depois de tanta decepção, do cansaço que eu tô sentindo! Eu não tenho que Te ouvir, eu não tenho mais que esperar Você... (vira de costas para Jesus e coloca as mãos sobre o rosto, como se estivesse chorando)

JESUS: Você não me ouvir não quer dizer que Eu deixei de falar contigo. Mas a voz de quem diz o que você quer ouvir parece melhor aos seus ouvidos. E isso te dá aval pra seguir direto ao abismo. Como vai chegar perto de Mim se deixando levar por quem quer ficar longe?

TÉO: (lentamente tira as mãos do rosto, mas ainda continua de costas) O cego que ensinou o caminho errado... Por quê? Por que Você faz tanta questão de ficar do meu lado? Eu já fiz muita coisa desde que eu saí da Tua presença... Não era nem pra Você falar comigo... (volta a olhar para Jesus, aproximando-se) Ia ser mais fácil se eu fosse ignorado, como eu achava até agora. Você não entendeu ainda que eu sou um caso perdido?

JESUS: Mas aquela mulher que perdeu o marido não achava. E se ela conseguiu ser ouvida por alguém com autoridade menor que a minha, por que Eu não ouviria? (aproxima-se também do jovem, e assim que Ele dá passos em direção a Téo, os adolescentes posicionam-se perto do altar) Por que Eu não te ouviria?

TÉO: Eu não mereço que Você me dê Seu perdão, o Senhor sabe tudo que eu fiz...

JESUS: Sei. E quem não quer te ver crescer debaixo da Minha graça vai te lembrar. Como o irmão que não quis aceitar o pródigo por causa dos seus erros.

TÉO: Não são os outros que me incomodam. Eu que não posso esquecer... Nem coragem de Te olhar eu tenho...

JESUS: Coragem não é a única coisa de que você precisa mas de arrependimento. E aquele homem alcançou perdão mesmo vendo tudo desabar ao redor, por que você não?

TÉO: Me cura disso que eu sinto, desse desespero. Toma conta de mim, Senhor.

JESUS: O pecado te deixou doente. Mas tenha em mente uma coisa: não foi para os sãos que Eu vim.

(Todas as luzes são acesas. Os adolescentes, em uníssono, cantam a primeira estrofe da música “Filho meu”. Enquanto eles interpretam a canção, Jesus desabotoa a camisa manchada usada pelo jovem.)

ADOLESCENTES: Eu mudei

Quando descobri o Teu amor

Quando a Tua luz me alcançou

Pedi perdão a Deus, e Ele perdoou

Eu chorei

Porque Jesus, de perto, me curou

Porque Jesus minha sede saciou

Porque o santo Deus me abençoou

Eu amei

E foi por esse amor que eu chorei

E a gratidão eterna eu terei

Por Suas pisaduras me salvei,

Jesus

(Os adolescentes passam a cantar a segunda estrofe da faixa musical, e já está revelado que ele esteve o tempo inteiro com uma blusa branca sob a peça de roupa manchada, que Jesus joga ao chão.)

ADOLESCENTES: Eu clamei

E quando me perdi Deus me encontrou

Quando eu caí Deus me levantou

Sondou meu coração e Deus me falou

Falou...

(Os adolescentes vão ao refrão.)

ADOLESCENTES: Filho meu, confia no Senhor

Filho meu, Eu sou teu salvador

Filho meu, Eu acalmo a tempestade

Filho meu, Eu te liberto da maldade

Filho meu, sou teu abrigo e proteção

Filho meu, Eu sou a direção

Filho meu, Eu sou a solução

Filho meu, vem segurar na minha mão

Eu sou Jesus! Sou teu remidor

Sou o Deus que você aceitou e chora por amor

(Jesus une sua mão esquerda à direita de Téo e ambos ficam no meio dos adolescentes, que repetem a segunda estrofe da faixa musical.)

ADOLESCENTES: Eu clamei

E quando me perdi Deus me encontrou

Quando eu caí Deus me levantou

Sondou meu coração e Deus me falou

Falou...

(Jesus, Téo e os adolescentes dão-se as mãos antes que o refrão seja entoado pela última vez.)

ADOLESCENTES: Filho meu, confia no Senhor

Filho meu, Eu sou teu salvador

Filho meu, Eu acalmo a tempestade

Filho meu, Eu te liberto da maldade

Filho meu, sou teu abrigo e proteção

Filho meu, Eu sou a direção

Filho meu, Eu sou a solução

Filho meu, vem segurar na minha mão

Eu sou Jesus, o teu salvador.

(Ao término da interpretação, antes de deixarem o templo em definitivo, os atores agradecem a oportunidade em nome do ministério realizador da peça.)