08/06/2017

VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 5: NÃO VALE A PENA ESCONDER A DOR

-Melhor não.
-É só pra você esquecer um pouco o teu problema, não é pra ficar vidrado.
-Como você fica, Vinícius? Tá na cara que você precisa de ajuda.
-E você não precisa? Também era assim como você, tinha medo do que viesse pela frente. Mas você é o mais inteligente da turma, sempre com nota alta, os professores puxando teu saco... Vai saber a hora de parar.
-Leva isso daqui, que eu não quero.
-Sabe de uma coisa?- Vinícius deixa o cigarro sobre a pia do banheiro- Vou fazer que nem dizem os advogados: vou te dar o benefício da dúvida. Se você quiser, é seu. Mas garanto que vai te acalmar- o modelo deixa o banheiro e caminha pela escola um pouco confuso, sem notar a proximidade de Bete, que chega à porta do banheiro e observa Fábio se olhando ao espelho, dando voltas e lançando olhares sobre o cigarro oferecido. Alguns minutos depois, a traficante vê o filho de Alice e Caio ingerindo a droga ilícita, chegando a inspirá-la com força.
Eduardo sai da sala de aula e, passando pela entrada do colégio, encontra sua irmã chegando, o que lhe causa surpresa.
-Gabriela? Pensei que você não vinha hoje.
-Resolvi de última hora- dito isto, Bete escuta a voz da moça, assim como Fábio. A traficante se afasta do banheiro e o estudante acaba por jogar na lixeira o cigarro deixado por Vinícius. Ainda assim, ele ainda está um pouco “aéreo”, devido à ingestão da droga, e aguarda um pouco para deixar o local.
-Falou com Fábio?
-Não. Nem sabia que ele tinha chegado. Onde é que ele tá?
-Encontrei com ele na portaria, já deve ter entrado.
Assustado, o jovem que conversava com Vinícius há poucos minutos deixa o banheiro. Eduardo entende que é a hora dos namorados conversarem e os deixa sozinhos.
-Tá tudo bem com você?
-Não... Quer dizer, não tem como ficar sem estar do seu lado. Sei que eu devia ter te procurado, tentando me aproximar, mas não deu.
-É só isso que você tem pra me dizer? Porque esses dois dias, relembrando de tudo o que aconteceu, e cogitando que pode ter outra briga entre a minha mãe e a sua...
-Isso não vai rolar, Gabriela.
-Tem como garantir?
-Não, não tenho- responde, após um breve silêncio- Mas eu sei que preciso me desculpar contigo.
-Só se você fizer uma coisa pra mim.
-Fala, amor.
-Eu quero que você vá jantar comigo hoje.
-Por que isso assim, de última hora?
-Pra provar que tá tudo bem mesmo. Tem problema pra você jantar com meu irmão e minha mãe?
-Lógico que não. Pode apostar que eu vou pra lá.
-Que saudade que eu tava de você, Fábio... – Gabriela tenta beijá-lo, mas ele se esquiva, para que ela não sinta o cheiro do cigarro que ingeriu.
-Eu também tava. Com muita saudade... Vamos lá pra sala?
-Mas ainda tá cedo, amor.
-Por isso mesmo. Dá pra gente conversar melhor, sem ninguém interromper.
-Fábio, tá tudo bem com você?
-Com você do lado, não tem como não ficar- estende a mão- Vamos?
-Vamos, sim- Gabriela acompanha o namorado, sendo vista de longe por Bete.

À noite, Fábio decide deixar a tensão de lado e, a pedido de Gabriela, aceita jantar com a família da namorada. Eduardo abre a porta para o amigo.
-E aí, rapaz? Tudo bem?- abraça o rapaz.
-Tudo certo, Edu. Cadê a tua irmã?
-Na sala de jantar, esperando você. Entra.
Acanhado, o estudante entra naquela casa como se fosse a primeira vez, até mais nervoso do que quando pediu a filha de Ariane em namoro. Ao se dirigirem à sala de jantar, os rapazes presenciam a dona da casa e a jovem levantando-se para cumprimentar o estudioso adolescente.
-Oi, amor- Gabriela se aproxima de Fábio e lhe dá um beijo, ainda que ele não deixe de olhar para Ariane com desconfiança.
-Fique à vontade, Fábio- avisa a dona da casa.
-Obrigado- toma a cadeira ao lado da namorada.
-Tudo bem com você?- pergunta Ariane.
-Por que não ia estar?
-Não, por nada- constrangida, Ariane diz à empregada- Já pode servir o jantar. Eduardo tenta começar um assunto para Fábio dialogar um pouco mais com os que estão presentes à mesa.
-Sabe do que eu tava me lembrando? Daquele professor que na aula de hoje prometeu que ia passar uma atividade valendo ponto e se esqueceu.
-É, eu percebi isso também- limita-se a falar.
-Como é que estão os seus pais, Fábio?
-Mãe!- Eduardo repreende Ariane pela pergunta.
-Fiquei preocupada depois de tudo o que aconteceu, Eduardo; por isso que eu quero saber.
-Saber dos meus pais ou só do meu pai?
-Fábio, você tá insinuando alguma coisa contra minha mãe?- Gabriela fica tensa.
-Ué, ela fez uma pergunta e eu tô fazendo outra, não vejo problema.
-Se não quiser me responder, eu te entendo.
-Como a senhora é compreensiva...
-Fábio!- Gabriela fica assustada com a ironia.
-Mas ia ser falta de educação se eu não respondesse, né? Então, como é que eu posso dizer? Os dois vão se divorciar.
-Tem certeza do que está dizendo?
-Como dois e dois são quatro.
-Mesmo que você não acredite, Fábio, eu sinto muito.
-Tem mesmo que sentir, Dona Ariane.
-Por quê? Acha que eu sou a culpada disso?
-Contribuiu bastante, vamos combinar.
-Você não acha que tá passando dos limites, não?- Eduardo fica irritado.
-Acho, sim. Por isso que é melhor eu ir embora, antes que eu vomite o que tô pensando da tua mãe.
-Não sem antes me ouvir- Ariane deixa claro sua posição.
-Sinceramente, eu não tô nem um pouco interessado no que a senhora vai falar.
-Pouco me importa se você quer me ouvir ou não. Vai me ouvir. Eu não tenho culpa se o casamento dos seus pais é uma farsa.
-Quem vai me garantir que a senhora não faz parte dessa farsa também? Que não é a senhora influenciando ele a se divorciar da minha mãe?
-Melhor você sair daqui- Gabriela se irrita com o namorado.
-Mentira que você vai ficar do lado dela mesmo sabendo que ela teve um passado com o meu pai!
-Ao lado da minha mãe, eu vou ficar sempre. É por isso que eu não vou deixar você faltar com o respeito a ela.
-Foi um erro ter aceitado o teu convite mesmo... – olha para Ariane- Pede pra empregada tirar o meu lugar da mesa.
-Fábio, volta aqui! Vamos conversar! Fábio!- Gabriela se arrepende e chama pelo namorado, que fecha a porta bruscamente e toma um táxi na rua.
-Gabi, vai atrás do Fábio. O cara tá sem controle, só você pode acalmar a situação.
-No meu lugar ele não se põe, né, Eduardo? A minha mãe é vítima nessa história toda, não a culpada.
-Ouve seu irmão, filha- clama Ariane- O Fábio está desnorteado, mas ele gosta de você de verdade. Desculpa essa atitude dele, por mim.

Sozinho no centro da cidade, Fábio está sobre uma movimentada ponte naquela noite. Muitas pessoas trafegam por lá devido a uma paralisação dos motoristas de ônibus, que exigem melhor condições de trabalho e param, entre outras, a principal avenida do centro da cidade. Afobada, Gabriela desembarca de um táxi naquele mesmo local, pagando ao motorista e dispensando-lhe com um sinal. Em direção ao namorado, vai a moça.
-Sabia que você vinha pra cá.
-Não era pra você ter vindo atrás de mim.
-Pode acreditar. Quando eu faço alguma coisa por você, estou fazendo por mim também. A gente é parte um do outro... – aproxima-se mais.
-Acho que tô facilitando as coisas.
-Como assim, Fábio?
-Pra você... Se cansar de mim.
-Isso não vai acontecer nunca- após a promessa de Gabriela, Fábio olha para o mar.
-Jurava que eu fosse mais forte do que tudo isso.
-Você acha que não é difícil pra mim também? E pra minha mãe? Ela foi acusada de acabar com o casamento dos seus pais, duas vezes. E eu deixei o Eduardo com ela lá em casa, como se eu não ligasse pra ela.
-No fundo, sua mãe sabe que você confia nela.
-Não é a mesma coisa. Eu tenho que provar, tenho que dizer!
-Era pra você ter ficado junto com seu irmão.
-Fábio, você ainda não entendeu. Qualquer coisa que te afete vai respingar em mim também.
-Se você pensa que eu quero te fazer sofrer, melhor ficar sabendo de uma vez que isso é o que eu menos quero.
-A solução desse lance todo eu não tenho. Mas eu prefiro ficar na dúvida com você do lado.
-Tudo o que eu queria era entender por quê... E quando foi que eu virei um atraso na vida dele.
-O Seu Caio te ama, Fábio.
-Até isso ele deve colocar na balança. Já se esqueceu de que eu sou o resultado de um casamento infeliz?
-Por favor, para! Deixa de ficar se menosprezando desse jeito.
-Sabe o que é ver o mundo desabando do seu lado e não saber o que fazer, Gabriela?
-Só que você não pode levar seus pais como duas crianças. Uma hora, eles vão ter que sentar e resolver a situação.
-Eu tenho medo, sabia? Juro que eu tô com muito medo.
-O casamento pode acabar, mas eles não vão te riscar da vida deles, meu amor.
-Disso eu sei. Mas alguma coisa dessa relação se perdeu, e a gente não sabe quando nem por quê.
-E nós dois? Será que a gente tá se perdendo um do outro?
-Por que essa dúvida agora?
-Porque eu quero estar do seu lado, ficar com você. Eu não sou sua namorada pra dividir uma vida só quando a felicidade tá na cara de todo mundo. Quero ser a mulher da sua vida, ser presente na hora do teu sofrimento, da tua dor.
Fábio deixa que um leve sorriso seja direcionado à filha de Ariane.
-Falando no futuro, Gabriela? A troco de quê? Você já é essa mulher. Ou você pensa que eu não te reconheço como o meu porto seguro? O que eu queria agora era poder retribuir todos os dias o amor que você me desperta.
-Ah, Fábio... – Gabriela vê o rapaz abaixando a cabeça, levantando-a subitamente.
-Vamos tentar não trair esse sentimento que a gente tem um pelo outro? Eu prometo que, por mais egoísta que eu seja, eu sempre vou olhar por você e estar junto quando você precisar. Desculpa não entender que é tudo difícil pra você também.
-Tudo bem, amor- beija-lhe- A partir de agora, a gente vai ser assim: mais amigos um do outro do que antes. Vamos pra casa?
-Mas você deixou o táxi ir embora...
-Eu peço outro. Vai ser difícil mesmo conseguir pegar o metrô nessa danação toda de gente, né?- ambos riem, o casal procura um ponto de táxi.

Eduardo traz um copo com água para a mãe.
-Tá mais calma?
-Não. Não consigo ficar- dispensa o copo d’água.
-A Gabriela é namorada do Fábio. Ela sabe onde ele tá, vai encontrar ele num instante.
-Eduardo... Eu não sei por que, mas... Eu estou sentindo um aperto no peito...
-O que é que a senhora tá pressentindo, Mãe?
-Não sei. Mas quando eu tenho isso, não costumo me enganar.

O táxi leva o casal até a casa de Fábio, seguindo pela Avenida Sul naquela noite nublada de fevereiro. O sinal vermelho serve para que Gabriela e o rapaz voltem a conversar brevemente.
-Posso te prometer uma coisa?
-O quê?
-Independente dos meus pais, da briga com a sua mãe... A gente vai ficar junto. Nada vai separar a gente.
-Vai ter que cumprir mesmo essa promessa, hein?- Gabriela brinca, cumprimentando o filho de Caio e Alice com um beijo.
O sinal abre e o taxista segue. Mas outro motorista vem no cruzamento, à toda velocidade, ignorando o sinal fechado e acerta em cheio o lado do veículo em que está a irmã de Eduardo, afastando o automóvel do asfalto. Os ocupantes desfalecem com o impacto.

07/06/2017

VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 4: HOJE EU SAIO CEDO SEM SABER SE VOU VOLTAR

-Calma aí, você não pode fazer isso comigo, não!
-Não mesmo? Então, você acha razoável faltar a quatro sessões? Tua falta de profissionalismo não basta pra eu te afastar do ensaio que eu idealizei, Vinícius? Me diz uma coisa: quando você saiu de casa, se é que você esteve lá nas últimas horas, se olhou no espelho? Viu o estado do seu rosto? O cabelo desgrenhado? A barba por fazer?
-Mas isso a equipe da caracterização pode resolver...
-Maquiadores? Eles não fazem milagres, meu caro. Pelo que eu estou vendo, você está insone há dias. Deve ter tomado um banho antes de vir pra cá, mas só isso não basta. Eu não vou perder meu tempo e meu dinheiro com você. Chega! Já me cansei da sua falta de profissionalismo. Se você respeitasse ao menos sua namorada, que foi quem implorou pra eu te dar uma chance, estaria aqui antes de todo mundo chegar.
-Lúcia, me dá mais uma chance, por favor.
-Pra você desperdiçar? Não mais, Vinícius. Agora, me deixa terminar o ensaio com a Victória e honrar o compromisso dela, por favor.
-Tudo bem. Você é quem manda.
-Você é quem me obrigou a isso.
-Já disse que tá tudo OK. Dá licença... – Vinícius vai embora da Casual.
-Lúcia, me dá cinco minutinhos, por favor?- Victória suplica à fotógrafa- Eu preciso falar com ele, explicar o que aconteceu.
-O Vinícius entendeu perfeitamente o que houve, Vicky, tanto quanto nós. Se você quiser falar com ele, eu te entendo, mas vai ter que ser depois do ensaio. Você sabe como foi difícil de convencer a diretoria da agência de fazer ele estrelar o ensaio contigo, e o cara me inventa de faltar quatro vezes? Não dá!
Calada, Victória volta para a sua marca, enquanto o seu namorado volta pra casa.

Horas depois do ocorrido, o policial Luciano volta para casa depois de um dia de trabalho. Ouve o filho Vinícius revirando tudo em seu próprio quarto, e logo depois correndo para o seu. Logo chega à porta do cômodo e pergunta:
-O que você pensa que está fazendo?
Luciano é colocado contra a parede pelo modelo, cada vez mais agressivo.
-Mexeu nas minhas coisas de novo, não foi? Fala!
-Pra começar, modere o tom que você usa pra falar comigo. Eu não sou o pessoal da boca de fumo que você frequenta!
-Por que você fez isso comigo? Onde foi que você deixou a minha encomenda?
-Joguei pro caminhão de lixo levar. Satisfeito?
-Não podia ter feito isso comigo! Foi pra um trabalho da agência...
-Acha que eu não vi que era droga, Vinícius? Para de tentar me fazer de idiota!
-Era minha, entendeu? Não era pra ter mexido em nada, nem pra ter entrado no meu quarto! Comprei só pra... Pra me acalmar- solta o pai, ao mesmo tempo que faz um desabafo desconexo- Sabe que eu ando muito nervoso nesses dias... O que foi? Vai me dizer que nunca fumou? Nunca experimentou nada?
-Nada que me levasse ao fundo do poço, como você está.
-Tá pensando que eu não tenho o controle, né? Aposto que você torce pra que eu caia de uma vez.
-Não fala besteira.
-Pensa que não sei? Nunca foi a favor da minha carreira.
-Fui até demais, Vinícius. Até você se envolver com esse vício. E depois que começaram a rarear seus convites pra trabalho...
-Relaxa, que é só uma fase. Daqui a pouco, nem você vai lembrar dessa maré de azar.
-Filho, pra mim você não precisa mentir. Você precisa de ajuda.
-Ajudar como? Me fala: que tipo de ajuda você quer me dar? Mexendo nas minhas coisas?
-Vê se entende que isso tá acabando com a sua vida!
-O que o senhor queria? A agência não me chama mais como antes, já disseram até que eu tô velho pra fotografar. Tirando o meu sonho de mim, e eu tenho que ficar na minha por quê?
-É isso que você quer entregar pra Victória? Um homem fraco, influenciável? O que mais eu preciso fazer pra te ver livre dessa porcaria, Vinícius?
-Deixa a minha vida em paz. Com ou sem você, eu acabo conseguindo o que eu quero...
-Mas não vai, não!
-Quem paga sou eu ou você?
-Deu agora pra me peitar?
-A vida é minha e eu faço o que bem entender com ela, vê se não se mete!
-Mas não na minha casa!
-Quer que eu saia? Ou acha que eu não tenho condição de me virar?
-Vinícius, você não consegue mais responder por si!
-Já disse que eu sei o que faço da minha vida.
-Qual é o seu próximo passo? Ter uma overdose? Se matar? Não, me fala porque eu quero saber com que tipo de perigo a gente tá lidando! Você se isolou de mim, da sua namorada, e acha que todo mundo tá contra você. Entende que a gente só quer o teu bem, filho...
-Com certeza, ela não quer. Sabe que agora ela é o rosto da campanha que a gente ia fazer junto, Pai? Pois é. Ficou contra mim, que sou namorado dela. Quer que eu espere o quê?
-Eu sei muito bem o que eu estou esperando, Vinícius: a sua recuperação. Portanto, eu acho melhor a gente resolver isso de forma civilizada, antes que eu tenha de ser mais enérgico.
-Por que não me interna, já que tem coragem? Ou será que não tem? Vou te dizer de novo: eu sei quando posso parar.
-Se você acabar com a sua vida, Vinícius, vai me condenar também. Você é a única pessoa que eu tenho e que eu amo.
-Fica frio. A droga não me comanda, não, tá OK?- Vinícius vai à porta.
-Onde é que você vai?
-Dar uma volta.
-E se a Victória te procurar, eu digo o quê?
-Diz que eu morri. Pra ela, não vai fazer diferença.
Longe de casa, numa rua escura, o modelo sente seu celular vibrar no bolso. Tira-o e vê o nome de sua namorada.
-Atende, meu amor; atende!
Vinícius rejeita a ligação e faz, por sua vez, um telefonema para Bete, responsável por fornecer o embrulho que Luciano jogou no lixo.
-Qual foi, Vinícius?
-Preciso de mais um maço.
-Já te dei o suficiente. Aliás, vendi e você não me pagou.
-Meu pai jogou fora aquele que você me entregou. E eu não recebi quase nada nesse mês.
-Posso fazer nada, o que eu tinha eu te dei.
-Bete, deixa de mentir, que eu sei que você tem mais aí no teu sobrado. Tô precisando muito, por favor...
-Todo mundo que vem atrás de mim diz a mesma coisa, Vinícius.
-O que você quer em troca? Pede, que eu te dou. Diz o que você quer, que eu te trago!
-Você tem o quê de valor pra me pagar parte da tua dívida?
-Pede qualquer coisa e eu te arranjo. Mas me arruma, vai.
-Hoje eu não tenho.
-Tá mentindo pra mim, o que você não quer é me vender.
-Já disse que eu não tenho, cara, senão eu te entregava agora. Mas amanhã eu consigo.
-A que horas? Me diz, que eu vou buscar!
-Amanhã. Assim que o colégio abrir, a gente se encontra na esquina e eu te entrego. Mas nem pense em aparecer de mãos vazias- desliga o celular, sendo observada por Diego, com um cigarro na mão.
-Por que você disse que não tinha nada?
-Pra deixar Vinícius atiçado. Eu quero ver até onde ele é capaz de ir pra conseguir o que eu posso oferecer.
-Gata, deixa eu te falar uma coisa?
-O que é?
-Tem hora que você me dá medo, sabia?
-Melhor assim. Pelo menos, todo mundo fica sabendo que eu tenho o controle da situação.

O trato é cumprido. Depois que Bete entrega a Vinícius os cigarros, o rapaz os coloca rapidamente no bolso e entra no colégio antes mesmo da traficante, que caminha tranquilamente pela calçada da instituição. Quando cruza o portão, entra na sala de aula, ao mesmo tempo em que o modelo consome drogas no banheiro, com a porta aberta, já que não há ninguém no local além da delinquente e do porteiro.
Em direções opostas, encontram-se Eduardo e Fábio, caminhando com constrangimento, já que era a primeira vez que os amigos encontravam-se após o desentendimento entre suas mães.
-E aí, cara?
-Como é que você tá?
-Bem... Quer dizer, acho que eu não tenho nada melhor pra dizer.
-A gente não conversou mais depois daquele dia, você não ligou pra minha irmã...
-Cadê a Gabriela?
-Em casa. Não sei se ela vem, tá muito bolada com o que aconteceu. Só não sei se é por causa da briga da sua mãe com a nossa ou se é porque você tem ignorado ela.
-Desculpa, Edu. Mas eu não sei o que fazer. Essa situação é difícil e voltar pra aquela casa, onde tudo aconteceu... Os dois vão se separar, acredita?
-Sério?
-Minha mãe já procurou um advogado. Quer saber com quem vai ficar a casa se tiver mesmo a separação. Lá dentro, tudo virou um inferno.
-Fábio... – Eduardo aproxima-se do amigo- Sabe que pode contar comigo pro que você precisar, não sabe? Mas a gente tá vivendo o mesmo problema que o seu.
-Não é a mesma coisa, Eduardo. Quando teu pai morreu, você era uma criança que nem sabia falar ainda. Pode até sentir falta dele, mas não tem aquela sensação de que ele foi arrancado de você. Acha mesmo que um dia eu imaginei que meu pai ia se divorciar da minha mãe?
-Seu Caio e Dona Alice não vão deixar de ser seus pais por causa disso.
-Mas a gente vai deixar de ser uma família.
-Não fala besteira, Fábio.
-A união acabou, tudo desabou. Num “passe de mágica”, eu descubro que meu pai leva uma vida que ele não quer há anos. É como se ele dissesse que não era pra eu existir, porque eu sou parte do que ele levou adiante sem querer!
-Onde é que a Gabriela entra no meio dessa insatisfação com teu pai, pra você não querer nem ver a cara da minha irmã?
-Tenho medo de machucar com as minhas palavras, com qualquer coisa que eu fizer.
-Se ficar se escondendo, vai machucar bem mais. Para de usar a cabeça e pensa com o teu coração; é isso que ela tá esperando de você, Fábio.
Eduardo entra no colégio e deixa Fábio pensativo, sendo que o primeiro vai pra sala de aula, onde encontra Bete sozinha, optando por não cumprimentá-la, embora ache estranho o quão cedo ela já esteja em sala de aula. O namorado de sua irmã vai ao banheiro e joga sua mochila sobre a pia. Fecha os olhos e encosta a cabeça no espelho.
-Não tô aguentando mais esse inferno! Que saco! Por que isso tinha que acontecer comigo, por quê?
-Tá tudo bem, cara?- Vinícius vê a raiva de Fábio e se aproxima para tentar ajudá-lo.
-Lógico que não! O mundo tá desmoronando em cima de mim!
-Relaxa, velho, todo mundo passa por problema, pelo menos uma vez na vida.
-Mas não tem solução pra tudo, não! Nem sempre depende do que a gente quer.
-Se eu fosse você, procurava um jeito de relaxar.
-A minha mãe vai se separar do meu pai, você sabe o que é isso? Já viu isso acontecer com seus pais, ver uma guerra começando dentro da sua casa?
-Pois é. Eu não vivi isso, não, mas eu sei que é chato. A última coisa que eles devem pensar numa hora dessas é no que um filho vai achar.
-Pior que você tem razão...
Bete resolve deixar a sala de aula, dando uma volta no corredor para ver se seu namorado chegou ao colégio. Ela fica próxima ao banheiro masculino e sente o aroma do entorpecente que vendeu para Vinícius. A jovem passa a escutar parte do diálogo entre o estudante e o modelo.
-A gente não consegue resolver tudo sozinho, não, cara. Leva na boa.
-Não sei como.
Vinícius retira do bolso mais um cigarro e acende seu isqueiro.
-Toma.
-Pra quê tá me dando isso?
-Não faz pergunta idiota, cara. É pra abstrair, esquecer do problema só um pouco. Experimenta, Fábio. Isso não vai te matar.

06/06/2017

VIDA LOUCA/ CAPÍTULO 3: DEIXANDO O AR ME RESPIRAR



-É isso mesmo que a gente tá vendo, Pai? O senhor e a Dona Ariane?
-Fábio, meu filho... A gente precisa conversar.
-Que desculpa você vai inventar pro seu filho, Caio? Vai tratar a gente como se fôssemos um bando de imbecis? Não está claro esse beijo que você deu nessa mulher? Como é que você teve coragem de fazer isso comigo?
-Alice, para com esse escândalo!
-Por quê? Pra poupar a honra da tua amante? Há quanto tempo vocês dois têm um caso pelas minhas costas?
-Caio não é meu amante, Alice.
-“Óbvio que não”. É natural vocês se cumprimentarem com beijo na boca? Como você é dissimulada!
-Alto lá, eu não vou ser desrespeitada dentro da minha casa!
-Cínica!
-Mãe, para com isso, por favor!
-Acho melhor você ir com seus pais pra casa, Fábio. Tua mãe tá muito nervosa- sugere Eduardo.
-Melhor mesmo, Edu...
-O Caio não vai voltar pra casa comigo.
-Mãe!
-Não vai voltar, Fábio, eu já disse!
-Quem você pensa que é? Aquela casa é tão minha quanto sua.
-Mas eu não quero você lá, e você não vai voltar.
-Isso é o que a gente vai ver!
-Vocês dois vão se entender em casa, não aqui.
-Com ele, eu não tenho nada pra conversar, Gabriela! Agora com essa mulher, essa pistoleira...
-Veja o tom que você usa pra falar comigo!
-Uso o tom que eu quiser- Alice se aproxima de Ariane- Ontem, nós viemos a sua casa, comemorar o namoro dos nossos filhos, e hoje eu encontro você agarrada com o meu marido! Aposto que estavam rindo de mim, porque nunca desconfiei que vocês tivessem um caso!
-Ariane não é minha amante... A verdade é que eu a conheço há muitos anos, antes mesmo da gente se casar.
-Mãe, por que é que você não falou que conhecia o Seu Caio?- Eduardo questiona.
-Eu não sabia que ele era o pai do Fábio. Fiquei surpresa quando eu o vi aqui em casa, ontem à noite.
-E fingiu que não o conhecia. Mas também, o que esperar de uma mulher tão baixo nível feito você?
-Melhor você medir suas palavras ao meu respeito, Alice!
-Pra quê? Por acaso, tem medo de que seus filhos constatem o que eu percebi? Que o meu marido é infiel e que você não passa de uma vagabunda?
Ariane reage à provocação dando uma bofetada no rosto.
-Mãe!- Fábio ampara Alice.
-Isso eu não vou admitir de jeito nenhum, entendeu? Não vou!- decreta Ariane.
-Leva a Dona Alice pra casa, Fábio. Por favor!- pede Gabriela.
-Vem, Mãe. Vai ficar tudo bem... Acho que o senhor não tem mais nada pra fazer aqui, já que tem que conversar com ela, não é, Pai?
-Tem razão, Fábio. Vamos pra casa- vira-se para Ariane- Eu juro que não quis que as coisas acontecessem desse jeito.
-Mas aconteceram, Caio. Agora, por favor, vai embora daqui.
Alice deixa a casa de Ariane com o filho, sendo seguida pelo marido. Eduardo fecha a porta e cobra explicações da mãe.
-Será que dá agora pra senhora explicar o que foi que aconteceu?
-De onde você conhece o pai do Fábio, Mãe?
-Acho melhor vocês sentarem. A história é muito longa. E complicada também.
Quando os Prado Vasconcelos voltam pra casa, Alice vai ao seu quarto e senta na cama, chorando em seguida. Fábio corre atrás da mãe, tentando consolá-la. A esposa de Caio está com a cabeça abaixada até que o marido entra no quarto.
-Pai, é melhor deixar a gente sozinho. Não é hora pro senhor conversar com ela.
-Nós temos que falar agora.
-De você, eu não quero ouvir coisa nenhuma- Alice levanta da cama- Você vai tirar suas coisas desse quarto. Não vou deixar que você fique nem um só minuto nessa casa.
-Mãe, para com isso. Depois vocês conversam, vão acabar se entendendo.
-Como, Fábio? Depois do que eu vi? Do que nós vimos?
-Pra começar, eu não vou sair dessa casa. Vocês merecem, sim, uma explicação, e eu vou dar. Mas não espere, Alice, que eu assuma uma postura de culpado diante do que fiz e me puna. O que eu falei na casa da Ariane eu repito aqui: essa casa é tão sua quanto minha.
-Não menciona o nome daquela desgraçada aqui dentro. Como é que você pôde ser tão canalha e manter um caso com ela? Com a mãe da Gabriela, namorada do nosso filho? O que é que você tem pra me explicar, Caio?
-Eu tive um relacionamento com Ariane, mas antes de te conhecer, Alice.
-Se isso fosse verdade, por que você teria de esconder? Por que não falou sobre isso ontem, quando Gabriela e Eduardo apresentaram a mãe deles? E o que nós vimos naquela casa agora há pouco, foi alguma ilusão?
-O que vocês viram foi um beijo, da minha iniciativa. Ariane não teve nada a ver com isso. Nós não temos um caso.
-Então, por que você ficou calado, Pai? Por que não disse que conhecia a Ariane?
-Quando eu tinha a sua idade, Fábio, eu me apaixonei por ela. A gente teve um romance breve e... Ela foi a minha primeira mulher.
-Não quero mais ouvir isso...
-Vai ter que escutar, Alice. Vocês merecem uma explicação.
-O namoro que a gente teve foi rápido, durou só seis meses- Ariane explica o relacionamento com Caio para os filhos.
-Como foi que vocês se conheceram, Mãe?- pergunta Eduardo.
-Na escola, bem como a sua irmã e o Fábio.
-A senhora sentia o quê por ele?- Gabriela busca ser compreensiva diante da situação delicada.
-Com certeza, é algo muito diferente do que eu sinto agora. Eu tinha por ele uma paixão urgente, desenfreada, imaginava passar a minha vida ao lado dele, até que...
-“Até que”...
-A gente teve uma briga e eu tomei a iniciativa de acabar com o que a gente vivia.
-Brigaram por quê?
-Por favor, Eduardo! Isso é um assunto da minha esfera pessoal...
-A gente tem o direito de saber também. Se envolve a senhora, envolve a gente também! A Dona Alice te viu beijando o marido dela, te chamou de vagabunda, a senhora reagiu com um tapa e quer que a gente faça de conta que não viu nada acontecer?
-Fala, Mãe- Gabriela pede- Por que você terminou o namoro com o Seu Caio?
-Essa dúvida vocês vão ter que esclarecer com ele... Isso, é claro, se ele quiser listar os motivos.
-Foi traição?
-Gabriela, para! Já disse que não vou deixar vocês invadirem minha intimidade. O que os meus filhos precisam saber, e não aquela mulher, é que o beijo que Caio me deu partiu dele.
-Se aquela mulher não tomou a iniciativa, por que você escondeu que já a conhecia?- Alice continua incrédula.
-Porque fiquei em estado de choque, eu não sabia que o Fábio namorava justamente a filha da Ariane. Como é que vocês acham que eu ia chegar e dizer no jantar: “olha, eu tive um romance com essa mulher há mais de vinte anos”? Fábio, depois que eu terminei os estudos, eu nunca mais soube de nada relacionado a ela, não soube se ela casou, se constituiu família...
-E por que você deu um beijo nela?- Alice fica enfurecida com o marido tentando se explicar.
-Porque eu não me sinto mais feliz! Eu me sinto incomodado com a minha vida, com a maneira que eu a estou levando, com a minha rotina, com o meu casamento, com tudo! Quando eu vi aquela mulher no jantar de ontem, eu quis reviver alguma coisa que se perdeu de mim há muito tempo! Eu quis me dar a chance de ser feliz de novo, mesmo que fosse por um instante! Não é isso que vocês queriam ouvir de mim? A verdade? Pois é essa: eu não estou feliz!
-Então, trate de levar essa infelicidade pra longe de mim, porque eu não vou mais dividir a minha vida com alguém que não sabe ser fiel! Você vai sair dessa casa agora!
-Casa que eu comprei, quando você ainda nem sonhava em trabalhar, não é, Alice? Mas eu não vou sair daqui! Se você está incomodada em ter de morar debaixo do mesmo teto que eu, mude-se você!
-Chega!- Fábio grita com os pais, mas nem isso os impede de continuar discutindo.
-Minha decisão já está tomada. Eu não vou sair dessa casa, Alice.
-Muito menos eu. Conviva com a sua crise existencial, traga quantas amantes tiver vontade... Daqui, eu só saio morta!
-Eu já disse pra vocês dois pararem com isso! Vocês... Vocês vão se acalmar e conversar depois.
-Peça pra empregada transferir suas coisas pro quarto de hóspedes, Caio. Prefiro evitar ter o mínimo de contato com você. O seu desrespeito comigo eu não vou tolerar.
-Tudo bem, então. Se você prefere que vivamos como dois estranhos, eu aceito. Só que eu não vou mais calar o que eu sinto.
-Pouco me importa o que você sente. Pouco te importou a sua família quando você quis me trair com aquela mulher. Viva a sua vida, Caio, e seja bem infeliz com ela.
Caio vai ao quarto de hóspedes e deixa Fábio, um tanto abalado pelos últimos acontecimentos, com a mãe.
-Me diz quando foi que vocês chegaram a esse ponto.
-Não sei, meu filho. Mas o seu pai não pode me decepcionar mais do que ele fez. Eu vou pedir o divórcio.
-Pensa direito, Mãe. A senhora ainda tá com a cabeça quente.
-Não tem conversa com o Caio, Fábio. Enquanto eu não estiver separada legalmente, eu fico aqui. Mas pra ele eu não volto nunca mais.

No fim daquela tarde, Bete e Diego estão num velho sobrado do centro da cidade, onde a jovem mora sozinha. Esquecendo-se do tempo, os dois transam sobre a velha cama onde dorme a adolescente. Diego beija todo o corpo desnudo da namorada, que permanece fria. O rapaz percebe que, apesar das carícias, Bete está distante.
-O que foi, gata?
-Nada, por quê?- enrola-se num lençol.
-Parece que nem tava aqui.
-Só tava pensando.
Diego se levanta e veste a roupa lentamente.
-Já sei. Tá com medo de Eduardo dar com a língua nos dentes e dizer pro diretor que a gente fumou dentro da sala...
-Por mim, que diga.
-Não fala isso nem de brincadeira. A gente é bolsista, esqueceu?
-Mas duvido muito que aquele cara diga alguma coisa. Qualquer coisa, eu dou uma lição nele.
-Hum... – Diego se abaixa pra falar com a moça, ainda deitada- Se você quiser, eu mesmo dou um corretivo nele- morde os lábios da jovem.
-Até parece que não me conhece. Sei me virar sozinha.
-Mas é como se não conhecesse.
-Tá falando do quê?
-Nunca fala da tua vida, por que mora aqui sozinha...
-Vamos lá: a gente se conhece há quanto tempo?
-Um ano, mais ou menos.
-Pois é. Lembra como a gente se viu? Onde foi que a gente se encontrou pela primeira vez? Na boca de fumo. Eu te vendi um cigarro, a gente se curtiu, foi pra cama e pronto. Só isso que precisa saber.
-Tanto mistério assim pra quê?- beija o pescoço da namorada, enquanto puxa lentamente o lençol no qual ela está enrolada- Hein?
-Não é assim que funciona? Então, pronto. Não me pergunta mais nada, tá?
-O que é você tanto faz questão de esconder? Me diz. Eu não conto pra ninguém.
-Diego, Diego... Você não devia ter vestido essa roupa agora.
Bete empurra o namorado na cama e tira a camisa do rapaz, passando suas mãos sobre o peitoral do rapaz e desabotoando com urgência a calça que ele acaba de colocar. Tudo para demovê-lo do intento de saber o que ela esconde.

A noite do dia seguinte reserva um problema para o jovem Vinícius. A sua namorada, a modelo Victória, está caracterizada para um ensaio fotográfico, mas demonstra estar apreensiva. A fotógrafa se aproxima.
-Vicky, que cara é essa?
-Já deu pra perceber, né? É o Vinícius, que não me atende!
-Olha, meu bem, infelizmente eu não posso fazer nada. Sei que você até pediu pra fazer uma média por ele, mas...
-Tudo bem. Eu entendo, Lúcia. Até te peço desculpa por esse atraso, tô prejudicando a tua equipe inteira por causa disso...
-Esquece essa bobagem e muda essa cara. O cliente não está interessado nas nossas preocupações. Ainda mais nesse caso, quando elas são cotidianas. Vai pra sua marca, querida, que a gente não pode esperar mais.
Quinze minutos depois, Vinícius entra afobado no estúdio.
-Victória?- o modelo se surpreende com a namorada trabalhando sem ele- Você começou sem mim?
-Começou e vai terminar sem você também, Vinícius- adverte Lúcia.
-Olha, me desculpa, Lúcia, mas é que eu peguei um trânsito infernal...
-Isso não serve como desculpa nem pra você, rapaz. A Victória vai ser o único rosto da campanha da Casual Models.