06/03/2013

NO R. U. ("I'M WITH YOU", DA AVRIL LAVIGNE)



(composição de Thiago Barros e Priscylla Candido) 

A senha não te dei
“Treloso” vou levar
Em conta para mim. Não dá
Lá eu não entrarei
Não pago três reais
De mim não ousarei cobrar

Diga ao professor que me conte
Na chamada, que eu já vou

Eu vou atrasar?
Na fila mofar?
Se tu fores frequentar
Entenderás tu
Eu não posso almoçar
No R. U.
R. U.

Se chegar minha vez
Acudam-me vocês
Cópia não pude eu tirar
Vou para Federais
Pensando em tirar dez
Um ano e meio pra formar

Não desmaie! Se aproxime!
A bandeja preencherá!

Eu vou atrasar?
E na fila mofar?
Se tu fores frequentar
Entenderás tu
Eu não posso almoçar
No R. U.
No R. U.
Fores frequentar
Entenderás tu
Eu não posso atrasar
No R. U.
No R. U.
Fores frequentar
Entenderás tu
Eu não posso atrasar
No R. U.
No R. U.
R. U.

05/03/2013

CAPPUCCINO/ CAPÍTULO 5: EU QUERO TCHU, TCHÁ, VODCA, ÁGUA DE COCO E CAPPUCCINO



O musicista se levanta e tenta procurar o ex-namorado da amiga no meio do tumulto.

-Cadê você? Responde, Nicholas! Alguém me ajuda aqui a achar um pai desaparecido.

-Ih, garoto, melhor desistir. Esse que você deve estar procurando já foi pros ares.

-Não, ele não pode morrer. Já pensou em como eu vou dar a notícia da morte do cara pra mãe do filho dele?

-Conta a verdade. Ou manda ela ver o jornal.

-Não posso, ela está no quinto período de Letras. Ela vai implicar e inferir que a coisa é grave!

-Oi?

-Bah, mortais! Você não vai fazer nada? Manda os outros procurarem pra saber se ele escapou? Vai trabalhar, cara!

-Sinto muito. Mas nesse momento, eu tenho que bater nos manifestantes. Com licença- corre para o tumulto.

-Eu tenho que ligar pra Bella. Coitada, ela vai tomar um susto. Se bem que não vai ser maior que o meu, o malandro morreu na minha frente- tecla os números de celular da moça- Não funciona! “Mercadoria”!- o horário não permite linguagem depreciativa- Se eu não gastasse vinte e cinco centavos a chamada, jogava essa desgraça na lata do lixo! Eu tenho que voltar pra casa e falar com a Bella.



XXXXX



Leoni está em seu quarto, quando vasculha sua gaveta à procura da sua carteira.

-Mas onde foi que eu botei isso? Ah, tá aqui. Vou comprar o macarrão antes que o mercadinho feche.

Quando gira a maçaneta, sua porta não quer abrir.

-Só pode ser mentira. Deixei a chave fora. Caio, meu filho, você tá aí? Foi você que trancou a minha porta? Abre aqui alguém! Já sei: vou fazer que nem na televisão: avançar de lado e derrubar a porta- Leoni toma distância e bate com o corpo inteiro, mas leva uma pancada na cabeça e acaba desmaiando.



XXXXX



Achou desnecessária a cena? Calma, colega, vai melhorar (e piorar pra Caio). Dona Cris está preparando um cappuccino para o jovem.

-Desculpa, quem é a senhora?

-Amigo da minha filha há quase um mês e não conhece a mãe dela? Lastimoso...

-É a dona Cris?

-A própria. Prazer- aperta a mão do jovem- O que eu queria falar com você é sobre uma coisa grave.

-Bella?

-Por favor, toma um cafezinho. Está maravilhoso.

-Está com um gosto diferente.

-Vi isso na receita do “Hoje em dia”. Bella me disse uma vez que as receitas de cappuccino são diferentes lá no estrangeiro. Bebe. Bebe, porque a conversa vai ser longa. Eu sei de tudo.

-Tudo?

-Tudo o que aconteceu entre a Isabela e o pai do bebê que ela está esperando.

-Então a senhora já sabe que ela está grávida?

-Fui eu que descobri.

-Nem vou perguntar como a senhora está. Ainda mais depois de hoje...

-O que foi teve hoje?

O mocinho passa a ter uma tontura.

-A Bella... Ela precisa dar um pai pra esse bebê.

-Eu concordo com você, menino. Concordo plenamente com você. É Caio o seu nome, não é?

-Penso que seja... Zoró no momento.

-No caso, Caio, você precisa me ajudar a resolver o problema da minha Isabela.

-Depois de tudo o que aconteceu, eu acho que não tem a menor condição. O bebê dela vai nascer com um traço na certidão... - nova tontura- Gente, a senhora estudou catequese?

-Não, por quê?

-Porque tenho certeza que isso foi batizado.

-E foi.

-É o quê, menina?

-Dramin B6: uso pra dormir quando a minha filha me traz problemas.

-Por que a senhora fez isso? Cadê meu pai?

-Não se preocupe: seu pai está fora de perigo. Já você pode estar com os dias contados. Eu sinto muito, querido, mas das sete notas, você só vai se lembrar de dó.

-A senhora parece ser uma mulher sensata. Vai pensar bem antes de fazer alguma coisa comigo.

-Já pensei.

Cinco minutos depois, Caio estava amarrado numa cadeira de plástico Tramontina!

-O que a senhora está fazendo?

-Bom, você é jovem e tem lições a aprender na vida. A principal é não beber café oferecido pelos outros.

-Eu estou ficando com...

-Sono? Não se preocupe. Vou fazer você acordar. Peguei o pen drive da vizinha.

Usando o maior nível de decibéis possíveis, começa a torturar o musicista com onomatopeias atuais que definem a música brasileira. Começa uma cuja coreografia é executada com primor por Cris.

-Para com isso, por favor.

-Nunca!- cantarola- “Mas se um dia você vacilar, e eu chegar bem perto de você, vou prender você na minha rede. Você vai ver o que é que eu vou fazer: Eu vou pegar você e tãe, tãe, tãe, tãe!”

-Desliga!

Muda a música.

-“É uma dança sensual e na Várzea já pegou. No Pina explodiu! Em Candeias já bombou! No Nordeste, ‘as mina faz’, no verão vai pegar! Então, faz o tchu tcha tcha. O Brasil inteiro vai cantar com João Lucas e Marcelo... Eu quero tchu... eu quero tcha... Eu quero tchu, tcha, tcha, tchu, tchu, tcha, tchu, tcha, tcha, tchu, tchu, tcha”!

-Clemência, por favor! Eu faço o que a senhora quiser!

-Já está acordado? Então, é melhor você colaborar com as minhas investigações. Você engravidou a minha filha, não foi, safado?

-Não fiz nada!

-E nem vai fazer, porque ainda não acabei contigo! Próxima, DJ!- fala consigo mesma e põe outra- “Bará, bará, bará! Berê, berê, berê! bará, bará, bará, berê, berê, berê, berê! Bará, bará, bará! Berê, berê, berê! bará, bará, bará, berê, berê, berê, berê”!

-Cala essa pen drive agora! Eu não aguento mais!

-Você é o pai do filho da Isabela?

-Não, não sou!

-Não? Então, não resta mais a fazer, a não ser... “Parapapá, pararapapá, pararapapá... garrar, beijar, fazer parapapá! É nóis fazer parapapá, pararapapá, pararapapá... garrar, beijar, fazer parapapá”!

-Se eu ouvir mais uma onomatopeia hoje, eu mato minha professora de sintaxe do Fundamental! Pela última vez, eu não sou o pai do filho da Isabela!

-Ok, você me convenceu a pegar mais leve. Eu vou te dar mais uma chance pra contar tudo o que você sabe. Vou me conter e pôr um clássico: “Águas de março”.

-Pelo menos não é “Ex mai love”. Desculpe, é que tocou tanto aquela mulher no ano passado que enjoei.

-Não se preocupe. Você não terá nem sombra de “Ex mai love”.

Claro que ela foi irônica e pôs a versão tecnobrega da música. Aí Caio se lembrou do famoso “Se botar meu amor na vitrine, ele nem vai valer R$ 1,99”. Nada contra, mas gente cult não gosta. E não sou cult. Por isso, sabia da existência da versão. O musicista sai correndo, com uma cadeira amarrada nas costas até o apartamento da Bella. Dona Cris, que não é besta nem nada, segue-o.



XXXXX



Thaís está quase indo embora do apartamento, quando uma sinfonia sinistra começar a tocar no aparelho televisor. Plantão. Ela e Taciana veem a notícia dada pela âncora.

-E hoje à tarde ocorreu uma rebelião que culminou na morte de uma pessoa que deixou a carteira no local onde tudo aconteceu. Foi identificado como Nicholas Ferrari. Nas redes sociais, amigos retardados começaram a cutucá-lo. No Twitter, por exemplo, já foi retweetado mais de 400 vezes, apenas por dizer que iria mudar o username para “Cafachorro”.

-Cafachorro? O Nicholas apareceu na TV?- senta Isabela no sofá.

-Amiga, você vai ter que ser forte.

-Normal pra mim. Escrevo livros de autoajuda.

-Teu ex bateu as botas.

-Não me deixa, cafachorro!- arma um escândalo teatral- Você não pode me deixar sozinha, Nicholas! Eu amo você!

-Mas você não falou que escrevia autoajuda?- rebate Taciana.

-E funciona, por acaso?- Caio chega amarrado à cadeira, mas ouve o desespero de Isabela e percebe que a notícia do fim de Nicholas chegou aos ouvidos da amiga- Como é que vou conseguir viver sem ele, minha gente?

-Ah, miserável! Você não me escapa!- entra Cristina com um rolo de macarrão para bater em Caio- Ah, você está aí também. Isabela, agora eu quero ver quem vai me contar quem é o pai do seu filho. É ele, não é?

-Mãe... - Isabela está se debulhando em lágrimas.

-Eu sou o pai! Pode me bater, mas eu sou o pai. E vou criar o bebê junto com a Bella.

Thaís e dona Cris ficam chocadas com a mentira contada, mas levam ao pé da letra. Isabela, coitada, nem se fala. Taciana, que não está muito interessada em dar ganchos para que acompanhemos o capítulo seguinte, solta a seguinte pérola para sair da sala.
-Agora que se resolveu tudo, eu vou lá pra minha quitinete saber pela vizinha o que foi que houve em “Rosalinda”.

04/03/2013

CAPPUCCINO/ CAPÍTULO 4: PATERNIDADE RECONHECIDA NO BARRO



-Não, mãe. Você só pode estar enganada. Não pode ter dado positivo esse exame.

-Mas deu, Isabela. E agora? Como é que a gente vai resolver essa situação? Eu nem falo mais pela criança, e sim da minha falta de confiança em você.

-Se eu pudesse voltar atrás, eu tomava chá com borracha pra apagar esse miserável da minha mente.

-Tudo aconteceu no dia da tal concha. Foi lá, não foi? Foi lá que você se perdeu!

-Para com esse vocabulário. Estamos em 2013.

-Não me conteste, Isabela!

-E lá pobre sabe o que é contestar?

-Olha aqui, esse desgraçado vai pagar pelo que fez. Ele vai assumir o seu filho, sim.

-Desiste disso, mãe. Você já conhece, sabe que ele não é de voltar atrás.

-Por quê? Ele deu a palavra de homem que não criaria esse bebê com você? E por acaso aquele moleque lá sabe o que é palavra? Mas eu vou obrigar esse cabra safado a vir aqui em casa e conversar contigo. Filha minha não pare antes de casar, nem que a gestação tenha que durar dezoito meses. Eu vou resolver o problema!

-Onde é que a senhora vai?

-Nem pense em vir atrás de mim, Isabela. Não sonhe com isso!

-Mãe, volta aqui! Mãe!- desiste ao perceber que dona Cris é irredutível.



XXXXX



-Que história é essa, pai? Não existe nada entre mim e a Isabela. A gente é apenas amigo.

-Caio, não precisa mentir pra mim. Na sua idade, é normal que certas coisas aconteçam. Isso é a puberdade, meu filho. Não precisa ficar constrangido.

-Constrangimento é esquecer que eu tenho dezoito anos.

-Dezoito? Certo... Nunca fui bom em Matemática... Eu descobri uma coisa grave sobre essa moça, mas você não pode comentar isso com ninguém. Muito menos com ela.

-Agora o senhor está me assustando.

-Isabela está grávida.

-Bella? Grávida? Não, só pode ser mentira. Ela não está grávida.

-Como é que você tem tanta certeza?

-Pai, somos amigos. Ela me contaria. Inclusive, conversei com ela hoje à tarde.

-Você conhece Isabela não tem mais de um mês. Ela pode ter escondido.

-Por quê?

-Porque talvez você seja o pai.

-O senhor está passando do limite.

-Caio...

-Eu não tenho nada com a Isabela. Já falei. Nada além da amizade e do carinho. Se o senhor quiser interpretar de outra maneira, não posso fazer nada.

-Pior que pode: se afastando dela.

-Mas é nunca!

-Se você não é o pai, não tem nada a temer.

-Por isso mesmo.

-Escuta o seu pai, Caio.

-Não. Eu sei que estou fazendo a coisa certa. Deixa a Isabela em paz.

-Quem tem que deixar essa garota é você. Já está avisado. Vou voltar pra padaria.



XXXXX



Thaís vai até a casa de Isabela. Taciana atende a porta.

-Onde é que ela está?

-Deve estar no quarto. Eu vou chamar.

-Ainda bem que você chegou- Isabela chega e faz um sinal para que a diarista a deixe com sua amiga.

-O que houve? Até fiquei preocupada.

-Você não vai acreditar. Uma bomba.

-Não me deixa nervosa, Bella. Me conta o que houve.

-Eu fiquei grávida do meu ex.

-Isso é sério?

-Como é que eu vou brincar com uma coisa dessas?- vê que a amiga está rindo- Qual é a graça, palhaça?

-Desculpa, Bella, mas você é muito azarada. Tanto que você sofreu pra terminar o namoro com aquele cachorro e você resolve engravidar logo dele? Seus romances só dão certo nos teus romances, porque a realidade é completamente diferente.

-Vai rindo. Queria ver você no meu lugar.

-Eu, na situação em que você está, não mudaria nada. Ele continua não prestando. O importante é o bebê. Agora, quando foi que isso aconteceu?

-Na calourada. Pelo visto, por causa daquela caneca que você me deu.

-Bem que você falou que era fraca pra bebida.

-Mas o meu caráter não! Thaís, eu nem cheguei a ver o resultado do teste quando fiz na hora. Minha mãe ficou sabendo. E agora, o que eu faço?

-Tem que procurar o cara pra contar sobre o filho. Ou vai por acaso cuidar dele sem ter a ajuda do pai?

-Não, claro que não.

Taciana encosta-se à porta do quarto de Isabela e passa a ouvir um pouco da conversa.

-Pois é. Você sabe onde ele estuda, é só procurar o cara na Federal. Assim, se você cercar o cara por todos os lados, não tem como ele escapar.

-E se ele não quiser assumir? Conhecendo esse cara do jeito que eu conheço, e pelo que eu venho percebendo, bem pouco...

-Vai por mim, amiga. Ele pode até não gostar de você, como naquela noite, mas vai ser pressionado pra ter responsabilidade.

-Responsabilidade... Gente, será que o filho do homem da padaria é mesmo o pai do bebê?- pensa Taciana consigo mesma.



XXXXX



Caio vê de longe o namorado de Isabela e o reconhece.



-Ele é o cara que namorou a Bella. Ela não trocou o status de relacionamento. Fiz bem em stalkear esse cara. Ele vai ter que me escutar.

Os dois sobem num ônibus cujo nome não importa no momento. O mocinho da estória observa o rapaz. Em vinte minutos, ambos chegam ao Terminal de Integração do Barro. Já imaginou a linha, não é? Quando descem, o musicista grita.

-Nicholas!

O ex de Bella está parado, junto a uma viatura policial que faz ronda.

-Quem é você?

-Eu sou Caio, amigo da Bella.

-E desde quando ela tem amigos? Ela diz que adora ser antissocial.

-Você ficou com ela na Calourada da Concha, não foi?

-Foi, meu irmão, e o que é que você tem a ver com isso? Ficou a fim dela, por acaso?

-Bicho... Você vai ser pai.

-Como é a história?

-A Isabela está grávida!

Começa um tumulto provocado por pessoas que protestam contra a superlotação e o aumento das passagens de ônibus. Um dos policiais atira para o alto, fazendo com que boa parte dos protestantes se disperse. Outros, entretanto, permanecem enfrentando os oficiais. Um batalhão de choque é obrigado a atirar neles com balas de borracha. Um deles- o mais exaltado- berra no ouvido de Nicholas, que vê o policial se preparando para atirar. Pensando que Caio sairia machucado, alerta:

-Cuidado!

Caio percebe e se joga ao chão. O policial atira no maluco protestante. Mas a bala de borracha acaba entrando pelo cano de escape da viatura, fazendo o carro, o rapaz e Nicholas irem para os ares.

-Nicholas! Nicholas!

-Você tá bem?- abaixa-se o policial.
-Claro que não. Passei o dia inteiro treinando meu fá sustenido e ainda tenho que me sujeitar a essa cena de suspense ridícula!