05/10/2016

WERNECK CAKE: CAPÍTULO 6: A TRAIÇÃO (VOCÊ QUE ESTÁ LENDO, NÃO VAI DESCOBRIR NADA! DESISTA!)

Certa de que sua rival tinha empacotado, eis que o disputado Peter chega. Menino, quando ele viu a outra estatelada no chão, correu para socorrê-la, em vão.
-Leilah! Leilah! O que houve com você? Fala comigo! Você não pode me deixar! Acorda, por favor.
-Ela não vai acordar- adverte Juliane, olhando do carro- Não há nada pra fazer no caso dela, Peter- sai o carro lentamente- Vocês se perderam um do outro aos poucos. Eu fiz que isso virasse fato consumado de vez- Peter se abaixa, alisando o rosto de sua ex. Muito abatido, ele escuta a frieza de sua amante- Nunca tocaria nessa idiota, mas foi pra me defender...
-Se defender de quê? Você pensa que vai me enganar com essa história, psicopata vagabunda... - tenta bater no rosto de Juliane.
-Escuta!- impede-o- Leilah iria à polícia pra contar sobre nós dois. Eu não jogaria o que eu construí no lixo por conta de uma vadiazinha que namorava contigo. Ela não podia ser conformar e deixar teu caminho livre? Não, só se contentou quando veio aqui me ameaçar!
-Ela estava totalmente descontrolada. E depois que eu passei a noite fora, chegou até a me bater.
-Mais uma prova de que você passou muito tempo ao lado de uma descontrolada. Se não fosse comigo, pensa: ela teria essa mesma reação. Com qualquer mulher!
-Tem razão. Faz muito tempo que eu queria terminar e não tive coragem pra isso. Mas chegar a esse ponto? Pra você matar? Entende agora que a culpa disso tudo é minha? Você sujou seu nome, acabou com sua carreira por minha culpa...
-Mas eu me apaixonei por você. Por isso mesmo que eu quero correr o risco. Ninguém vai desconfiar, as pessoas vão supor que isso foi um acidente. E depois, não vai ser o primeiro risco. Lembra quando percebi o quanto você ficou triste depois dos chifres que ela te botou?
-Juliane...
-Shiu- aproxima-se dele- Você sempre me pareceu tão frágil, e talvez quando você deixou cair essa máscara de esperto, daquele que tem o pé no chão, eu pude perceber que, na verdade, a Leilah não te dava a sensação de que um dia, os riscos e a falta de limites podiam tomar conta da sua vida. E por isso, eu tomei essa ideia pra mim. Aliás, você pra mim- frisa.
-Não, eu não posso. Eu quero você, mas não posso.
-O que te impede não existe mais.
-Ainda bem, minha filha. Aliás... Até que um dia!
E os dois trocam beijos ardentes próximos ao capô do carro, desconsiderando a Leilah ao lado. De repente, a imagem vai se afastando deles, como se estivesse subindo e avistando o triângulo, numa imagem marcante. Ao fundo, um grito, e de repente...

*****

-Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!
Rá! Pegadinha do Mallandro! Iê, iê! Tudo era um pesadelo de Leilah. Pior que a mulher sonhou Juliane exatamente como ela é (pra você perceber o nível de insegurança da mulher). Não vamos narrar que ela mijou na cama, seria desprezível.

*****

No outro dia, Peter vai à clínica. Mais uma vez, Priscila se atrasa e não está no local. Ao chegar, questiona Juliane.
-O que houve com a Priscila?
-Não sei, ela já devia ter chegado. Acho que foi trânsito. Tenho a impressão de que ela anda de charrete, só pode.
-É até melhor. Ela é muito amiga de Leilah, talvez ela queira tentar juntar a gente de novo.
Juliane, irritada, para de examiná-lo.
-Duas coisas: Priscila não vai fazer isso. Não tem nada a ver com o trabalho dela... E depois, se arruma, vai pra uma festa, mas vê se esquece dessa fulana.
- (rindo) Tá com ciúmes, Juliane?
-Ciúmes e doses cavalares de bom senso. Um de nós precisa ter, pelo menos, isso.
-Ela foi minha namorada por dois anos. Me botou gaia na frente de todo mundo. Humilhação, cara... Dá pra esquecer, apagar isso? Deletar?
-Peter, tem casamento que dura cinquenta anos, e nenhum dos velhos tem coragem de botar a dentadura e dizer: ʺpronto, acabouʺ! Será que você, com dezesseis anos, não pode inflar o seu ego e dizer que superou a crise de caráter dessa tal de Leilah?
-Desculpa- levanta-se da cama- Mas eu prefiro ver você agindo com essa superioridade toda depois de ser traída.
-Você já tá vendo, querido. Não se preocupa. Todo mundo sobrevive a isso. Você é o único que morre por causa de mulher. Isso é ser qualquer coisa, menos homem.
-Para com isso.
-Não entendeu ainda que se ela foi capaz de trair você, significa que foram dois anos perdidos, convivendo com alguém que seria capaz de te trair? A mulher não podia dar um fim no namoro? Tinha que se agarrar com a primeira calça que viu?
-Cala a boca! –já havia alterado o tom de voz. Ao perceber que foi indelicado demais, decidiu sair- Eu vou embora. Desculpa... Perdi a cabeça, perdi o controle. Eu nem sei mais o que é isso, mas... Não posso ver você e descontar o ódio, a raiva que eu tenho.
-O fato, Peter- aproxima-se do rosto dele- é que você tem que dar um jeito de se esquecer dessa menina.
-Já que tem tanta certeza do que tá dizendo, com essa facilidade toda, mostra então como é que eu tiro Leilah do pensamento.
-Tem que se interessar por outra mulher. Ou vai dizer que desde que começou a namorar ficou cego, a ponto de ninguém mais te despertar qualquer interesse?
-Essa... Regra vale... Pro seu caso, inclusive?
-Vai começar o queijo...
-Você mesma notou uma vez que eu não parava de te olhar, imaginando, pensando como seu corpo é. Principalmente se ele tiver perto do meu.
-Vou ter que obrigar alguém a escutar que minha relação dentro da clínica não vai ser mais do que profissional?
-Eu não tô te pedindo nada. Não teve um minuto que eu dissesse pra ela deixar de ser profissional. A minha, Juliane, é que não precisa ser desse jeito. E se quer tanto que eu esqueça da minha ex, devia me ajudar com esse problema.
-Quê que é? A última bolacha do pacote resolveu me desafiar dentro da minha própria sala? Eu passo seu caso pra outra pessoa e no mesmo instante, você baixa sua guarda, tá entendendo? Perdi a conta de quantos meninos iguaizinhos eu já dei o fora. Qual o seu problema?- começa a se irritar e sai de perto- Em vez de tomar coragem pra resolver seu lance com a gaieira da sua namorada, decidiu se tornar mais um que quer ser dispensado?
-(segura a Juliane com força, como se fosse bater naquele rosto lindo, bem desenhado, esculpido sem botox ou tratamento estético das “Mulheres ricas”, da Band)- Por que não me dispensou ainda? Hein? A porta tá meio aberta, bem fácil pra me mandar embora, me encaminhar pra outra fisioterapeuta. Eu me abri depois que saí da festa, e você fez com que aquela fosse a melhor noite da minha vida. Se é tão difícil admitir que tá com as mãos geladas porque não aguenta ficar perto de mim, sem esconder que eu tô te causando tanta surpresa, nem se dê ao trabalho de responder. Só me beija.
-Já falamos tudo, Peter. Eu vou chamar a segurança.
-Ótimo. Porque é o que tá te faltando e é o que você pode ter comigo.
Os dois estão prestes a trocar o famoso beijo- cinco capítulos pra não rolar nada, além das especulações de Leilah e do público, é chato demais. Não é que os belos olhos de Juliane vêem Priscila assustada em frente à porta.
-O que tá havendo aqui?
-Er... Onde é que você tava, Priscila? A Carolina já... Já ligou pro teu celular não sei quantas vezes e você não... Não atende...
-Não precisa gaguejar, Juliane. Esses protestos no centro que deixam o trânsito horrível. Tudo bem, Peter?
-Tudo. Tudo OK, Priscila- tenta disfarçar o constrangimento da cena.
-Eu sei que está bem. Com a minha falta, a Juliane resolveu subir o horário dela. Ótimo. Porque seu semblante não dá pra esconder a animação com a minha ausência.
-Bom, ele já tá entregue, Priscila- recompõe-se do susto- Acredito que é suficiente por um único dia.
-Não, Juliane. A consulta tá bem longe de terminar.
-Querido, eu já acabei! E se você não se importa, gostaria de fazer com os outros pacientes o mesmo que fiz contigo: subir o horário.
Com raiva, Peter dispara ao direcionar-se à Priscila.
-Ah, tenha certeza que o horário vai ser a única coisa a subir hoje. Porque tem gente que faz questão de jogar minha autoestima num barranco!
-Vamos, Peter?- pergunta Priscila, assustada com a situação.
-Agorinha.
O rapaz passa na frente, e Priscila olha pra Juliane como se repudiasse o comportamento da amiga, imaginando que sua sensualidade seria capaz de provocar até mesmo um paciente de maneira proposital. Juliane pega o telefone, disca um ramal e diz:
-Carolina, pede pro próximo entrar daqui a cinco minutos, por favor.
-Ok, Juliane.
Ao pensar consigo mesma, mostra-se pasma com a situação tensa.
-Gente, que pirralho é esse? Ainda bem que eu tava de jaleco!

*****

Leilah está numa lanchonete, próxima ao episódio da festa. Olha pro relógio e não gosta de ver as horas, como se alguém estivesse atrasado. De repente, ela vê Priscila chegando e pergunta:
-Onde é que você tava? Tô te esperando faz tempo.
-Hoje a clínica encheu, menina.
-Você me ligou era umas três horas. Quase nunca a gente sai. Tudo é tão corrido... Mas foi bom você ligar. Queria falar uma coisa.
-Tudo bem. O que é?
-Pensei no que você disse e acho que me precipitei. Talvez aquela minha reação quando ouvi a conversa do Peter com o Santiago tenha mesmo sido exagerada.
-Você vai voltar pro Peter?
-Não, eu vou pedir desculpas. Eu sei que ele não vai olhar pra minha cara depois do barraco na porta dele. Mas eu não tive certeza, confirmação nenhuma de que esse interesse por essa tal de Juliane ficou só nisso.
-Leilah...- pausa pra respirar melhor e dar a bomba- Eu vou ter que te dar uma confirmação.
-De quê?
-Hoje, quando eu cheguei... Lá na clínica, eu escutei uma conversa muito estranha do Peter e da Juliane.
-Quanto?
-Cem por cento suspeita.
-O que é suspeito?
-Na noite que ele saiu da festa, ele teve um encontro com ela, pelo que eu escutei. Cheguei na parte que o Peter falou que aquela foi a melhor noite da vida dele, por causa do que aconteceu entre eles.
-Eles dormiram juntos, é isso?
-Não sei...
-Não mente pra mim, Priscila!
-Não, eu não sei mesmo o que aconteceu. Eu tinha largado mais cedo nesse dia. O fato, Leilah, é que quando eu abri a porta, eu vi os dois quase se beijando.
Os olhos da corna, ou da falsa corna (vamos deixar suspense) encheram de lágrimas.
-Priscila, você tem noção do que tá dizendo pra mim?
-Tenho. Infelizmente, o Peter resolveu usar a Juliane pra te dar o troco.

WERNECK CAKE/ CAPÍTULO 5: TODO MUNDO EM PÂNICO, OU NÃO, DEPOIS A GENTE EXPLICA!

O barraco continua. O que acha que vai acontecer? A gente não sabe, vai inventando. E como todo pobre acredita nisso, precisa haver uma briga com pancadaria. Lógico.
-Pai, quem foi que deixou essa menina entrar?
-Seu Arnaldo não tem culpa nenhuma. Eu pedi pra entrar porque estava preocupada, sem te ver há mais de horas...
-Já resolvi seu problema. Agora, eu quero falar pro meu pai onde eu estive. Sem você perto. Aliás, eu não preciso de você do meu lado pra nada. Já ficou bem claro.
-O que você quer dizer a ele que eu não posso ouvir? Hein? Que estava com ela?
-Eu estava no hospital. Além de traíra, virou cega também? Não tá vendo meus curativos?
-Meu filho, como foi isso? Você precisa ir pro quarto. Tem que descansar! E os médicos? Disseram o quê?
-Relaxa, eu tô bem. Com um pouco de dor ainda, mas o anti-inflamatório vai fazer efeito. Fica frio.
-Você não respondeu com quem estava até uma hora dessas!- exigia Leilah.
-Faz umas cinco horas que tinha o direito de me fazer pergunta desse tipo. Mas perdeu se esfregando no primeiro imbecil que viu na festa.
-Claro. Esqueci que não podia deixar que tivesse o mesmo direito do cachorro do meu namorado, que se esfrega com uma vadia...
-Ah, vai se ferrar! Para de bancar a certinha, Leilah. Você está tão preocupada comigo mesmo...
-Peter, ela passou a noite toda aqui.
-Porque quis- grita Peter, alterado- Ainda dá tempo de ver se o canalha está lá na festa. Inclusive, se ele já foi pra casa, aproveita e pega o primeiro que aparecer. Porque nem a capacidade de escolher direito você tem, beijou o primeiro idiota. Ou melhor, foi muito inteligente da sua parte. Acho que foi pra combinar com você, vagabunda!
-Agora chega!- parte pra cima do ex-namorado! O pai, sem saber do rompimento, tenta impedir em vão. Quase derrubaram o velho. Peter a segura e defende-se mandando-a parar!
-Me larga, Peter!
-Sai daqui agora!
-Eu odeio você!
-Grande coisa. Eu tenho por você coisa bem pior.
-Fica muito mais fácil pra você me dispensar com aquela galinha da sua fisioterapeuta te cercando.
Por um minuto, ele ficou sem ação. Mas fez questão de irritá-la.
-Nem foi preciso. Pra quê esse trabalho todo? Hoje, eu trocaria uma vadia como você por qualquer uma... - Paft! É interrompido com um tapa. Seu Arnaldo se recompõe e segura a ex-nora.
Não é que o carinha decide se vingar cuspindo na cara dela? Depois, a arrasta pelo braço e a leva até a porta de sua casa. O pai vai atrás pedindo para que ele a largue, em vão.
-Eu acabo com você, Peter.  Nunca mais você encosta a mão em mim! Nunca!
-Não mesmo. Vai saber quantos encostaram depois de mim, né?
Leilah avança, mas seu Arnaldo aparta-os.
-Chega, acabou! Parou. Entra, Peter. Entra!- ordena novamente ao perceber que ele não parava de olhar pra ela. O próprio Peter fecha a porta. Tão forte que Leilah não esqueceu a pancada por dias.

***


Mais tarde, Leilah está trancada no quarto, ao telefone.
-Parti pra cima dele e tudo. Acabou. Não quero mais ver ele. Além de se fazer de vítima, teve a coragem de cuspir na minha cara.
-Você tem certeza de que não se enganou? De que não entendeu a conversa errado?- do outro lado, Priscila. A ortopedista do próprio Peter. Pense! O mundo é uma ervilha.
-Tenho, ouvi ele falando com o amigo dele. E depois, quando eu perguntei, ele não negou nada. Tá na cara, Priscila.
-Pra mim, isso tá muito mal explicado. Pode sobrar pra você. Já pensou se não foi você que traiu primeiro beijando aquele cara na festa por confusão? Desculpa, Leilah, mas você tá fazendo tempestade em copo d’água. Eu conheço o Peter, ele é doido por você.
-Tá, e daí? Apaga o que ele fez de manhã?
-Não, mas acho que você devia sondar. Se ele não conta, procura a outra parte da história.
-Como assim?
-Vai procurar a menina. Você terminou com ele, não vai perder mais nada.
-Será?
-Se quiser, eu vou com você.
-Não, eu vou pensar. E se eu for, quero ir sozinha. Olhar pra cara da vagabunda.

***

Vamos trocar de cena. Exploremos os cenários (locação é caro, minha gente). Leilah chega ao estacionamento e de cara, vê Juliane descendo à escada. Ela ainda está no começo, até que ouve um grito.
-Espera!
-Sim?- vê Leilah subindo em sua direção.
-Eu queria uma informação. Onde eu posso encontrar Juliane? Não lembro o nome completo, mas sei que é uma fisioterapeuta.
-(com arrogância) Falando com a própria.
-Foi você. Foi você que tava com o Peter de madrugada?
-Peter?
-Não disfarça, cachorra!
-Escuta aqui...
-Cala a boca! É por você que ele tá interessado. É com você que ele tem um caso, não é?
-Você enlouqueceu?
-Cínica. Já deve ter percebido que ele fica babando, imaginando como você é dentro desse jaleco. Aliás, ótimo pra esconder a sem-vergonha que tu é.
-Ele e todos. Mas eu percebi, sim. Não posso culpar se ele não teve coragem de dar um tempo contigo. Problema dele.
-E seu! Tá interessada nele, né?
-Não! Quer a verdade? Não estou! Mas vou ser sincera. Acho o Peter bacana, bonito. Sabia que ele tinha uma namorada. Mas isso não. Pra mim era coisa melhor.
-O que é melhor? Um camburão da polícia chegar pra acabar contigo, te jogar na cadeia por dar em cima de um paciente?- Juliane gelou.
-Você ficou sabendo que ele veio pra cá. Por isso seus ciúmes.
-Não. Pior. Descobri que o meu namorado é afim de uma vagabunda.
-Tem razão. Vou contar a verdade. O Peter não aguentou você com outra pessoa e veio pra cá. Eu fiz ele chorar tudo o que ele tinha pra chorar. Agora, pra fazer ele esquecer de você, foi fácil demais. Não vai ser o primeiro nem o último a ficar em minhas mãos. E se quiser saber, posso fazê-lo esquecer de outras coisas. Não só ele. Tem mais gente que precisa se esquecer do que ouve e do que vê, principalmente do que fala. Não acha?
-O que você tá dizendo, sua vadia...
-Eu tô dizendo- segura os braços da “rival”- sua demente, que se a polícia chegar aqui, certamente ela vai me perguntar se eu testemunhei você caindo daqui feito uma jaca podre.
-Você tá louca? Para! Tá me machucando!
-Fica tranquila. Se você tá com medo do Peter ficar sozinho, deixa, que ele sabe que eu cuido muito bem dele. E já que essa é sua única preocupação, fica sossegada...
-Socorro!
-Fica calma, Leilinha... Não vai dar tempo dele sentir saudades suas. Aliás, queridinha, acho que você já está na prorrogação.
-Me solta, sua louca!
-Como queira!
E a jaca podre cai. Acidente. Óbvio que não, releia! Não há ninguém no estacionamento. Juliane verifica os batimentos cardíacos, e ao perceber que Leilah não respirava mais, ela entra no carro.
-Aí eu me pergunto: podia ter evitado isso? Sim ou claro?

04/10/2016

WERNECK CAKE/ CAPÍTULO 4: FINS E AUSÊNCIAS

Sabe por qual motivo não apresentamos até aqui o nome do adolescente? Porque não nos interessava; relatar as relações físicas de Juliane era para nós muito mais útil (não somos bestas). Mas vamos mudar de polo: partamos para o drama rasgado de novela das oito dos anos sessenta. Sabe qual o motivo que impede Peter de pegar a fisioterapeuta? A crença de que era muita areia pro caminhãozinho dele? Certo, isso também. Mas ele namorava Leilah, uma jovem bonita. Muito não, pois estaríamos enaltecendo nossa amada profissional da saúde. Isso não impedia, entretanto, que o rapaz pudesse sentir atração, como mostramos no capítulo anterior. Já confidenciava o quanto era difícil controlar-se perto dela, ao seu amigo Santiago. Como em uma festa de aniversário que muitos colegas de sua sala foram.

-Sem querer, você derramou Coca-Cola nela? ʺSem quererʺ? Veio em boa hora, isso sim.
-Tá bem difícil, hein, Santiago? Toda tarde ter que ir na fisioterapia e fazer aquela cara de leso, de quem não quer nada, com aquele "tipão" do lado...

É aí que Leilah chega, mas os meninos não a veem. Sinto um cheiro de "ele se lascou" no ar...

-Putz, cara... Vai me dizer que com uma mulher daquelas, todo dia na tua frente, você ainda não pegou?
-Não, besta. Esqueceu que tenho namorada? É lógico que Juliane não está interessada, senão eu já tinha percebido atenção. Lembra que eu te falei que ela pediu pra eu mudar de conversa quando eu olhei por dentro do jaleco?
-Por dentro do jaleco... Eu já tinha dado um jeito daquele jaleco não me aparecer nunca mais na vida. A mulher dando sopa e você preocupado com besteira. Sabe de que mais? Pra mim, você não quer entregar o jogo: já pegou Juliane, sim, e não quer falar.
-Eu não sou doido de dizer que estou interessado nela, que acho ela gostosa e que quero pegar. Aí eu estaria mentindo- escutando o "suficiente", Leilah dá o fora, irritada- Mas eu não quero terminar com Leilah por isso. É fogo de palha, meu irmão. Passa. 
-Vamos ver até quando essa calma toda. 
  Alguns minutos depois, Leilah é vista tomando uma taça de cerveja, coisa que ela não faz com frequência. Já é o máximo pra ela entornar a garrafa de Skol inteira (não façam isso!). Peter se aproxima e dá-lhe um beijo no pescoço. Ao virá-la, nota que ela está diferente.
-Você tá bem?
-Tenho motivo pra não estar?
-É que você não é de beber.
-Deu vontade, só isso. O que você falou com o Santiago?
-Assunto de homem.
-Mulher, pra traduzir.
-Relaxa, amor- tenta beijá-la na boca, quando toca uma música eletrônica.
-Vamos dançar?- desvia do beijo.
-Agora!
Todos se divertem. Leilah dança de maneira ousada, talvez por conta do efeito da bebida (acha que acreditamos nisso?) e logicamente, Peter se surpreende. Santiago também se diverte, mas olha uma cena incomum: a moça agarra um garoto desconhecido da festa, e reproduz os passos da mesma maneira, deixando o namorado enciumado. Tasca um beijo daqueles em que o corno procura um buraco pra enfiar a cara. Mas a única coisa enfiada mesmo foi a mão de Peter no meio dos "cornos" do moço. Leilah desaba no chão, aos risos, e Santiago tira Peter de cima, enquanto outros separam o menino que foi agredido. O adolescente não quer conversa: trata de se mandar da festa. No jardim, Leilah corre atrás e provoca.
-Coitadinho de você. Não aguentou saber que podia ser trocado por outro.
-Você não podia ter feito isso. Na frente de todo mundo, me fazendo passar vergonha. Não era nele que eu devia ter socado. Era você!- grita.
-Não é na frente do povo que tá te deixando com raiva. É descobrir que eu posso te trocar por esse, como por qualquer outro. Ou vai dizer que você nunca me traiu? Acha que eu não escutei tua conversa?
-Dane-se! Dane-se você e o que você acha que escutou! Eu quero que você se exploda!- sai da casa.
  Enquanto isso, Leilah chora no jardim pela vergonha que passou. E na rua, Peter anda totalmente desconcertado, o bichinho... Foi andando pelas ruas da cidade, ruas tão distantes da sua casa que reproduziam o caminho da clínica (pra quê pegar ônibus. não é?). Não tem ninguém na avenida, um misero mosquito pra contar história. Do nada, surgem alguns carros que participavam de pegas. O segundo veículo, porém, andava passando por calçadas, o motorista estava aparentemente bêbado... Ao notar que ele perderia o controle, o cara trata de correr, mas é atropelado em frente à clínica. 
  Uma moça olha do edifício empresarial onde funciona o estabelecimento e entra em pânico. Na hora, Juliane sai de sua sala e pergunta o que houve. A moça relata tudo e ambas descem para socorrer a vítima. A fisioterapeuta se surpreende quando percebe que é Peter, que não está desacordado. Pede ajuda à Carolina- a recepcionista da clínica que testemunhou o acidente- para levá-lo à clínica. Ao que demonstra, sua torção havia piorado, e sofria leves escoriações.

Quando entra na clínica, é levado por Juliane à sala da ortopedista, que largou mais cedo, e tira um raio-X. Felizmente, o tornozelo não foi prejudicado, mas Peter sentia muitas dores. Ela o massageava, garantindo que estaria tudo bem a tempo, mesmo vendo o cara se debulhar em lágrimas. Após muitos minutos, as dores aliviam mais, e a moça pede que ele tome um anti-inflamatório. Mas o rosto do cara ainda estava molhado.
-O que aconteceu, rapaz?
-Eu tinha vindo de uma festa, e de repente vieram uns carros... O resto você já viu.
-Não. Falo do seu rosto. Não é só dor que sente. Tem mais alguma coisa.
Peter se acaba de chorar novamente.
-Vai começar tudo de novo, essa não... Esse capítulo 4 não termina?
-Eu posso confiar em você pra contar?
Com ar sedutor, sem ser vulgar, Juliane responde.
-Você pode contar comigo pra qualquer coisa, Peter.
-Tem certeza?
-Até pras coisas que você é incapaz de imaginar- chega perto do rosto dele.


*****



São asteriscos pra mudar de cena, relaxe. O capítulo está rolando. Como o pai de Peter deu pela falta do filho, e Leilah morava no mesmo prédio, ambos ficaram apreensivos. O garoto chega com um gesso no pé e uma faixa enrolada no antebraço. Às seis da manhã.
-Filho, ainda bem que você chegou- dá-lhe um abraço, mas o cara só olha pro rosto de Leilah, sua ex-namorada. Nesse instante, ela pergunta:
-O que houve com você? Por que está desse jeito?- ao perceber que ele não colaborava com o diálogo, disparou- Com quem você estava?
Ui, agora a coisa ficou séria!

03/10/2016

WERNECK CAKE/ CAPÍTULO 3: O JALECO TENTADOR

Uma das consultas posteriores do jovem fora marcada a alguns dias do primeiro encontro com Juliane. Nesse dia, a fisioterapeuta havia combinado que ele apareceria no consultório a partir das duas da tarde. A criatura pega um metrô cheio de vendedor de Flicts (acho que é assim que se escreve), sendo abordado por adolescentes que pedem desculpas por incomodar a sua paz, e que no fim, incomodam. Ao descer, pega um ônibus de integração lotado. Todo esse percurso agonizante é pra dizer que... A mulher não estava lá quando o adolescente chegou.

  Erro possível quando se trata da estonteante Juliane, fique você sabendo. Afinal, aquele espetáculo de mulher não demorou mais do que quinze minutos. E o nosso protagonista de dezesseis anos já sentia que a moça mantinha-se diferenciada demais, sem explicar o porquê. Era amor? Claro que não! Ele apenas compartilhou comigo a opinião de que havia um fenômeno da fisioterapia mundial perto dele.
  Juliane pediu desculpas pelo atraso, mas garantiu que isso foi por conta do carro dela. Eles entraram no consultório. Com seu charme, a fisioterapeuta segurava uma lata de Coca-cola, justificando que passou na lanchonete antes de encontrá-lo do corredor. Sobre a mesa que ficava próxima, pôs o recipiente do refrigerante. Pediu que o garoto sentasse na cadeira enquanto ela verificava a quantas andava o processo de recuperação do pé. Sem querer, o rapaz derrubou a lata em cima do jaleco dela. Pediu perdão diversas vezes, mas foi advertido de que estava tudo bem. Juliane foi até uma sala ao lado e garantiu que trocaria a vestimenta, pois havia guardado outra no caso precisasse - ou caso teria acesso a esse roteiro, né? Só sendo.
  Vamos ao que interessa: deixou a porta entreaberta. Ao tirar o jaleco, percebeu que sua blusa rosa decotada também acabou sendo manchada. O resultado é que a troca acabou povoando a mente do adolescente por dias. Como não tinha nenhuma blusa reserva, vestiu o novo jaleco e pronto. Não foi sensual, apenas uma mera troca de roupa. Mas eu quero ibope, entenda. Voltando aos exames, Juliane comunicou que era necessário ele voltar outras vezes. Lógico que ele não prestou atenção, tinha um botão aberto. O tal decote era valorizado. Ela percebeu, soltou um sorriso e propôs que ele prestasse atenção na proposta de voltar à clínica. Bom, se não voltar, 97% dos leitores masculinos vão arrumar uma boa desculpa para comparecer. Os outros 3% ainda perdem tempo pensando que darei o endereço.

(escrita por Thiago Barros e Vinícius Assis)

WERNECK CAKE/ CAPÍTULO 2: A PERSEGUIÇÃO

O fato é que o rapaz decidiu não mais conviver com a dor (também, ele não era maluco) e decidiu procurar ajuda. Ao chegar à clínica para a qual havia marcado, foi atendido por uma bela ortopedista, e daí vieram outras consultas que visavam sua melhora.

Por precaução, a fim  de obter melhores resultados (essa linguagem nem parece de livros adolescentes, bicho), ela o indicou para uma fisioterapeuta. Neste exato momento, nossa fantasiosa historinha ganha um gás com a presença de Juliane, que não era tão bela quanto à outra. Apenas 579 vezes... Mais! Uma morena espetacular. Os homens procuram adjetivos para este tipo de mulher e não acham. Imagina então o adolescente sem nome - agora que o menino chegou ao segundo ano, não vamos exigir do personagem tanto assim. Juliane atendia todos os requisitos necessários para que rapazes aos dezesseis decidissem não mais casar. Mas a fisioterapeuta em si poderia representar mais do que um despertador de mentes férteis. A mulher era um furacão debaixo de um jaleco. Isso é algo que vocês saberão imaginar no próximo capítulo é simples: o adolescente sentiu atração à primeira vista, e desde então, Juliane jamais saiu de sua cabeça. Claro, não era uma coisa esperada, que ela avançasse em cima do cara, como vocês estão pensando agora. Longe de mim dizer isso... Mas era evidente que não seria por muito tempo a duração da máscara da moça, que lançava ao jovem olhares misteriosos, e que fazia questão de atender. Não parece novela mexicana? Não, galera, é apenas um consultório médico.

01/09/2016

WERNECK CAKE/ CAPÍTULO 1: A TORÇÃO EM BOA HORA



Em uma tarde ensolarada, o jovem jamais poderia imaginar o quanto um simples acidente, algo corriqueiro, poderia mudar sua vida e marcá-lo tão abruptamente. Em um treino de sua escola, ele acaba torcendo o pé. Sem conseguir aguentar a dor, ele sai do local e vai pra casa, crendo que pode aguentar a agonia. Vai ser teimoso assim lá longe, meu irmão. 
   Depois de dias acreditando na sua recuperação milagrosa, o adolescente decide procurar uma clínica especializada no assunto para contornar o problema da torção. Aos dezesseis anos, na efervescência das questões etárias e na confusão de sentimentos, decide não ter uma bela ortopedista por quem é cuidado, mas declara-se apaixonado de maneira urgentíssima. Meu amigo... Conheceu, gamou? Normal, ainda mais com o que ele se depara.