16/07/2016

ROMANCES DE ESTAÇÃO/ CAPÍTULO 16: EU NÃO POSSO ESPERAR MAIS

-Fala de uma vez, Doutor!  Eu tenho AIDS? A minha mulher tem AIDS?
-O resultado dos exames não fica pronto agora, só daqui a dois dias.
-Mas o senhor não desconfia de nada?
-Do quê, exatamente, Laura?
-Não sei, algum sintoma!
-O vírus não se manifesta assim que o indivíduo é contagiado. A pessoa pode ficar de dois a quinze anos sem manifestar qualquer sinal de que possua o HIV.
-Quer dizer que o resultado pode dar falso, mas o vírus pode se desenvolver lá na frente?- Jorge se mostra cada vez mais preocupado.
-Sim, Jorge. Infelizmente a medicina não avançou tanto no sentido de prevenção. Essa doença só foi descoberta há oito anos.
-E essa informação me serve de quê mesmo?- o marido de Laura ironiza a explicação.

Passa-se mais um dia, com a tensão tomando conta de todos os integrantes da família Lemos Andrade. Laura continua com os afazeres domésticos com aparência abatida, Jorge sai para o trabalho sem disfarçar sua preocupação e as garotas vão juntas para a escola sem trocar uma só palavra. Para a mais velha, é inegável que a caçula é a responsável pela crise no lar, ou pelo menos é tão culpada quanto Jorge. Já para Marina, o sofrimento tem a ver com a necessidade que a mãe tinha de descobrir sobre o caso de seu pai.
Marília conta sentada numa das últimas carteiras da sala de aula, mas sem o mesmo entusiasmo de antes. Júlia, Fabrício e Marcello tentam falar com a moça, que não quer diálogo nem mesmo com o namorado. Pouco antes do anúncio do intervalo, Marina pede a Joana para ir ao banheiro. Com a licença dada pela professora, a adolescente só não espera encontra no corredor a diretora acompanhada de um senhor.
-Eu já ia mesmo te chamar na sua sala.
-Eu pedi pra ir ao banheiro. A senhora queria falar comigo?
-Na verdade, quem quer falar é ele, Marina.
-Desculpa, a gente se conhece?
-Não. Meu nome é Breno Balboa. Sou o pai do Max. Será que a gente pode conversar, Marina?
-Pode ir pra minha sala com ele, Marina. Eu aviso à Joana que você está com ele.
-Vamos, então?
-Tudo bem. Eu vou com o senhor- Marina acompanha o empresário até a diretoria, receosa.

Jorge volta à clínica onde fez os exames com Laura, sem a companhia da esposa. Aborda a recepcionista do local.
-Bom dia, é a respeito do exame que eu fiz ontem.
-Ah, eu lembro que o senhor esteve aqui com sua esposa. É o teste de HIV?
-Pois é... – Jorge fica constrangido em admitir- Eu queria saber se vocês podem me dizer a que horas eu posso pegar o exame que ficou pra amanhã.
-O senhor não vem com a sua esposa?
-Não, eu vou ter que passar mais cedo amanhã, por conta de um... De um compromisso.
-Que sorte que o senhor deu. O laboratório liberou os exames há uma hora, nós já estamos com o resultado. Seu nome é...
-Jorge Magalhães Andrade.
-Deixa eu verificar aqui na pasta... João, Joel, Jonas, Jones... Aqui: Jorge Magalhães Andrade- entrega o envelope- O senhor não vai pegar o resultado do teste?-pergunta, ao perceber a aflição do marido de Laura.

Toca o sinal que anuncia o intervalo. Na diretoria, estão Marina e Breno.
-Marina, eu queria conversar a sós com você.
-Tô vendo. Só não entendo que assunto o senhor tem comigo.
-Eu não queria falar na frente do Max porque nos últimos dias ele tem andado nervoso, irrequieto. Certamente não concordaria com a minha ideia de vir aqui.
-Por favor... Vai ver foi ele quem veio com essa iniciativa.
-Meu filho não é essa pessoa que você descreveu pra polícia, Marina. Ele não é esse monstro...
-Mas a polícia sabe disso?
-O que eu vim te pedir é muito simples. Eu não sou homem de ficar implorando nada pra ninguém, mas a situação de vocês dois é muito grave. Marina, eu queria que você pusesse sua mão na consciência.
Thales passa nesse exato momento e se esconde para escutar a conversa, pois vê que Marina está na sala da diretora da escola.
-Sinceramente, eu acho que o senhor tá perdendo seu tempo...

-Retira essa denúncia contra o meu filho. Esquece essa história de abuso sexual que você inventou pra prejudicar o Max.

15/07/2016

ROMANCES DE ESTAÇÃO/ CAPÍTULO 15: CHEGAR AO FUNDO

-Desde quando você me impõe condições?
-Desde que eu decidi não fazer a vida das minhas filhas um inferno.
-Você se esqueceu mesmo do papel que eu assumo nessa família, não é? Quem você pensa que é pra me dizer o que eu posso fazer ou não?
-A dona dessa casa! O que é muito, caso você não saiba!
-Essa intriga que você causou entre mim e a sua mãe vai te custar muito caro, Marina.
-É o que você pensa, Jorge. Independente do que ela fizer daqui por diante, nós vamos apoiá-la. A ditadura acabou lá fora, e aqui dentro também vai terminar.
-Cogitou a possibilidade de que eu posso recusar essa sua ordem, meu amor?
-Nem um pouco .Porque eu sei que um homem que recebe um diagnóstico desses com relação à sua amante, não vai ficar parado, sem saber do que está acontecendo com ele.
-Eu não tenho nada! Eu sei que eu não tenho nada!
-Quem tem que saber sou eu, Jorge. E não adianta me dizer que tem certeza, intuição, ou mesmo que tem algum exame comprovando isso. Para um homem que escondeu um caso por dez anos, o que é mentir sobre o estado de saúde, não é mesmo?
-Laura, você está passando dos limites!
-Dos seus limites, você quer dizer! Mas você só vai colocar uma pedra sobre esse assunto quando eu souber do resultado. Está no seu direito de recusar, Jorge, mas eu vou fazer esse exame de qualquer maneira. E se você não fizer junto comigo, eu mesma faço as suas malas e você sai da minha casa!- Laura vai para o quarto, onde chora copiosamente, e Marina e Marília deixam Jorge sozinho na sala.

Marília conversa com Marcello e Thales se aproxima de Marina.
-Tua irmã tá com algum problema, Marina?
-Por que você tá perguntando isso?
-A cara dela. Quando ela conversa com Marcello, fica mais animada.
-É. Eles se completam. Tomara que ele entenda o que tá acontecendo.
-Tem como eu ajudar?
-Olha... Se tivesse, eu bem que ia pedir ajuda. Mas não tem como. É a vida.
Max passa por todos da turma, com uma expressão séria, e olha para Marina com repulsa.
-Que coisa estranha...
-O quê?
-Teve um tempo que o Max não desgrudava de você. Agora até parece que vocês nunca se viram.
-Ele sabe o que fez pra ter minha indiferença.
-O que é que tá acontecendo? Você não quer se abrir comigo?
-Que é isso, Thales? Eu nunca fui de me abrir com você.
-Primeira vez tem pra tudo. A gente não é amigo? Pois então...
-É que a Marília e eu... A gente tá numa fase complicada lá em casa.
-Problema de família?
-Também. Tem hora que eu penso que eu podia ter evitado tanto problema, mas se eu ficasse calada, na minha, como eu sempre faço, não ia resolver nada.
-Isso tem a ver com o Max, né?
-Por que você tá dizendo isso?
-Porque desde que você resolveu chamar a atenção dele, virou outra pessoa. Outra Marina. Juro que tem hora que eu nem te reconheço.
-O que isso importa? Ninguém nunca me notou. O único que um dia olhou pra mim...
-Nunca foi notado por você.
-Como assim?
-Você queria um príncipe encantado, certo? E transferiu pro Max essa função. Só que a vida tá bem distante de ser uma fábula, Marina. Quem te ama pode estar bem perto. Muito mais perto do que você sonha. Ou quer- Thales bufa- Acho que eu já falei demais...
-Peraí, Thales! Tem alguém afim de mim?
-Já te disse que eu falei demais, não foi?- o garoto enxuga o suor da testa e corre para a sala de aula.
-Thales... O príncipe encantado... Tá certo. Tudo que a minha vida não é agora é uma fábula. Principalmente agora- percebe em silêncio.

E na mesma manhã, Jorge sai do laboratório com a esposa, sendo que ambos vão em direção à sala do médico.
-Por favor, podem se sentar.
-Obrigada, Doutor.
-Precisa, não, Doutor, eu estou muito bem de pé.
-Fique à vontade, Jorge.
-Só vou me sentir bem mesmo quando eu souber do que deu os exames que nós dois fizemos.
-E então, Doutor? Um de dois tem o vírus HIV?

14/07/2016

ROMANCES DE ESTAÇÃO/ CAPÍTULO 14: VÊ SE ENTENDE A MINHA PRESSA

-Por que você está falando com seu pai desse jeito, Marina?
-Porque eu não vou deixar que ele fale o que bem entender de mim, Mãe. O que eu sei sobre ele é muito pior do que eu fiz.
-De onde você tirou que eu tenho uma amante, sua infeliz?
-Ah, o senhor quer convencer todo mundo aqui de que eu tô dizendo uma mentira?
-É lógico que você está mentindo! E eu não vou admitir que você levante um falso desses contra mim!
-Mas vai admitir, porque eu escutei o dia que ela ligou pra cá.
-Quem ligou, Marina?
-Laura, você vai dar ouvidos a uma calúnia dessas? Essa garota não sabe o que diz, fica inventando qualquer coisa pra me desmoralizar porque eu não aceito o que ela faz com todos nós! Está completamente fora de si!
-Não só eu, Pai. A Olga também tava.
-Olga? Quem é Olga, minha filha?
-Olga é a amante que meu pai tem. Ou melhor: tinha, já que depois de descobrir que ela tem AIDS, faz de tudo pra nem falar com ela!
-Você vai retirar tudo o que está dizendo de mim, Marina!
-Nem uma vírgula! Quando eu escutei ela ligando pra cá, achei a voz dela parecida com a da médica que provocou meu aborto.
-Definitivamente, você ficou louca!
-Louca eu tava quando fiquei com medo de você, da sua ameaça de me expulsar de casa!
-Marina, o que o seu aborto tem a ver com o que estamos falando?
-Tudo, Mãe. A amante do meu pai é a médica que trabalha na clínica que ele me levou- Marina vira o rosto para Jorge- Não foi o senhor mesmo que estranhou que eu saí de casa quando ainda tava de cama? Foi porque eu ouvi a sua ligação e te segui até o restaurante onde ela marcou o encontro.
-Jorge, você me disse que tinha falado com um amigo seu da polícia e contou a situação da nossa filha. Disse que ele te indicou uma clínica pra fazer o procedimento... Como é que você conhece a médica que tirou o filho da Marina?
-Viu? Você já está destemperada! Dando ouvidos a tudo que essa mentirosa diz! Por acaso você tem ideia do que vale a palavra dela? Essa garota te passou a perna, transava com um desconhecido sem que você se desse conta!
-Tô impressionada! Juro, eu tô impressionada com a sua cara de pau!
-Marina, cala essa boca!- Jorge levanta a voz mais uma vez.
-Lá no restaurante, quando ela te contou que era soropositiva, você negou que ela tivesse infectada porque AIDS só quem tinha era homossexual! Mas quando você se deu conta de que a Olga nunca foi só sua, que dormia com quem bem entendesse, seu mundo desabou de vez, não foi? A coitada até achou que você fosse ficar do lado dela, mas você foi tão hipócrita que... Sabe o que ele disse pra ela, Mãe? Que ela não só acabou com a vida dele, mas também com a sua, porque existe mesmo a possibilidade de ele ter se infectado! Será que você ia mesmo contar pra ela que pode ter o vírus?
-Eu vou acabar com você, desgraçada!- Jorge parte para cima da filha com fúria, mas Laura e Marília impedem que a moça seja agredida, aos prantos.
-Sai de perto dela! Você não toca na minha filha, ouviu bem?
-Não acredito que você vai dar ouvidos às sandices dessa menina! Será que não está claro o que ela pretende? Jogar a culpa nos outros pelo que é de responsabilidade dela!
-O que tem de verdade nisso que ela falou, Jorge?
-Nada! Marina está mentindo, tentando me desmoralizar porque sabe que eu não tenho medo nenhum do que ela alega ou faz!
-Quer tirar a prova, Mãe? Então, a gente vai pra clínica onde ela trabalha!
-Não vão a lugar nenhum!
-A Olga não tem mais nada a perder. Acha que ela vai calada só porque você quer? Com o ódio que ela tá de você, é lógico que ela vai contar a verdade. Não tem como fugir disso, Pai!
-Se uma de vocês sair por aquela porta, pode ter certeza de que não vão mais entrar aqui! Isso vale principalmente pra você, Laura!
A dona de casa se aproxima do marido, atordoada, e declara.
-Se fosse uma simples acusação da Marina, eu entenderia a sua revolta, Jorge. Mas ela não seria capaz de tamanha leviandade.
-A garota que transou com um homem com consentimento e mentiu pra polícia não é capaz de mentir? Tem noção do que você está falando, débil mental?
-Não fala assim comigo!
-Falo do jeito que eu quiser, eu sou seu marido, esqueceu?
-Mas não o dono da minha vida! Você pode ter estragado a vida da Marina, mas não vai fazer o mesmo comigo e com a sua outra filha!
-Tomou partido dela mesmo, não foi? Como você é patética fazendo o papel da mulher traída... E se eu te traí, vai fazer o quê? Por acaso esse não é um direito que me cabe?
-Como me cabe também? Ah, não, eu esqueci que não posso fazer isso. Afinal, você é homem, não é?
-Você não se atreveria...
-Mas me atrevo a confrontar essa mulher e saber a verdade.
-Laura, eu já disse que se você sair por aquela...
-O que é? Tem medo de que eu descubra o caso de vocês ou que você é aidético?
Jorge responde à provocação com uma bofetada contra Laura. Marília ampara a mãe.
-Nunca mais se atreva a falar comigo desse jeito, entendeu?
-Agora, sim. Colocamos todos as cartas na mesa, conseguimos tirar as máscaras. Você não vai passar disso, Jorge: de um brutamontes que tenta esconder seus erros com agressões, físicas e verbais! Se eu tinha alguma dúvida sobre procurar ou não essa mulher, agora eu vou com toda a certeza do mundo!
-Ainda não aprendeu, Laura? Pois eu vou te ensinar uma coisa...
-Não bate nela!- Marília surpreende ao enfrentar o pai pela primeira vez- O senhor nunca tocou na minha mãe, mas essa vai a última vez que faz isso, entendeu? Se você não tem nada a esconder, deixa a mamãe provar que Marina tá inventando tudo isso!
-Ele sabe que a Olga não vai se privar de contar a verdade, Marília. A decisão de saber o que eu sei tá nas mãos da senhora, Mãe.
-Já sabe o que vai acontecer se você sair daqui acreditando nas invenções da Marina, Laura.
-Não, Jorge. Você não pode descer tão baixo como fez hoje, quando encostou a sua mão em mim. Mas eu vou te dar um voto de confiança: vou atrás dessa mulher e provar a sua inocência.
-Não se atreva a sair!
-Só se você me matar antes!
-Mãe, por favor, desiste dessa ideia- aconselha Marília.
-Se você quiser ficar, que fique. Mas eu vou atrás da verdade.
-Então, vai, Laura! Vai! Confia na menina que mentiu num depoimento, que engravidou de um desconhecido, que tinha um relacionamento bem debaixo do seu nariz. Vai. Mas eu garanto que você vai se arrepender.
-Nem ouse me colocar pra fora de casa, porque daqui eu só saio morta! Eu só vou repetir uma vez, Jorge: você destruiu a vida da Marina, mas eu não vou deixar que o mesmo aconteça com a nossa família. Eu não vou passar a vida inteira pagando pelos seus erros, ouviu? Vamos, Marina.
-Vamos, Mãe.
Marília fica na sala, a sós com o pai, que está com a mão no rosto, desnorteado?
-Isso é verdade, Pai? Você tem AIDS?
-Marília, sai daqui! Sai daqui, antes que eu faça com você uma besteira pior do que eu fiz com a sua mãe! Vai pro teu quarto! Dá o fora daqui!
Sozinho na sala, Jorge começa a quebrar os objetos que decoram o ambiente. Marília, agora trancada no quarto, ouve o barulho da destruição e fica apavorada com mais uma atitude violenta praticada por seu pai.

De volta à clínica na qual realizou o procedimento abortivo, Marina sente receio de entrar.
-Espera, Mãe.
-O que foi, minha filha?
-Esse lugar... Não pensei que tivesse que voltar aqui.
-Agora você vai até o fim, Marina. Vamos entrar.
Ambas encontram Olga organizando alguns prontuários na recepção do local. A médica está de costas para mãe e filha.
-Olga?- brada Laura, assustando a dona da clínica clandestina.
-Quem vocês estão procurando?
-O que foi? Não lembra mais o meu rosto?
-Desculpe, eu atendo muitas pessoas aqui. Você é minha paciente?
-Melhor do que isso: sou a filha mais nova do Jorge. Isso te lembra alguma coisa, Olga?
-Meu nome não é Olga, é Gilda Sandoval. Não está vendo no meu jaleco?
-Não precisa mentir pra minha filha, ela sabe que seu nome verdadeiro é Olga.
-Sua filha?
-Sou Laura, a esposa do Jorge. Será que a gente pode entrar? Eu preciso conversar com você.
-Sobre o quê? Eu já não tenho mais nada a ver com o Jorge.
-Porque ele não te quer mais, desde que descobriu da sua doença?- Marina confronta a médica?
-Foi ele que te contou isso?
-Descobri sozinha, Olga.
-A questão não é essa, pelo menos por enquanto. Desde quando você tem um caso com o meu marido?
-Olha aqui, os seus problemas pessoais você resolve com o seu marido!
-Só que nós três estamos correndo risco de morte! Você é parte desses problemas, e por isso eu exijo saber da verdade!  Olha só, eu não quero fazer escândalo, cobrar que você se afaste dele, que encerre esse caso, nada do que normalmente uma esposa faria. Eu só quero que você me esclareça isso, por favor.
-Conheci o Jorge há dez anos, em setenta e oito.
-E sabia que ele era casado, pai de duas filhas?
-Isso eu soube sem perguntar. Foi ele mesmo quem me contou. Jorge e eu sempre tivemos um jogo muito franco. Eu disse que não queria que ele se separasse, ou que abandonasse as filhas. Porque eu sempre fui livre, sempre fui libertária. Sempre que a gente conversava, eu me abria sobre os meus problemas, mas nunca fui de pedir conselhos ou pedir que ele resolvesse nada. Era como se nós conversássemos sobre tudo pela primeira vez. Já na cama, não havia ninguém que me entendesse tão perfeitamente quanto ele.
-Mãe, é melhor a gente ir embora, você já ouviu o suficiente...
-Ainda não- Laura seca o rosto com um lenço- Meu marido sabia que você tinha uma clínica de aborto?
-Sempre soube, embora nós tivéssemos falado pouco a respeito.
-Quer dizer que você não foi indicada por nenhum amigo dele da polícia?
-Jorge não queria expor a Marina. Porque se as pessoas descobrissem a gravidez dela, seria o mesmo que colocar a família inteira na boca do povo. A história de ter contado o problema pra alguém da polícia foi só pra que as pessoas pensassem que o aborto, caso fosse descoberto um dia, estava previsto na lei. Ele jamais ia tolerar ela criando uma criança sem auxílio do pai, e sem se casar. Foi uma decepção tão grande pra ele saber que a filha mais obediente não era mais moça, e que ainda por cima engravidou. Mas ela ainda jovem, pode ter outros filhos... Desde que se case, como o pai quer.
-Sua passividade diante de tudo isso me assusta...
-Sabe por quê, Mãe? Porque ela não sente culpa. Quantos ela já não matou? Esse papo de que eu posso ter outros é só pra aliviar a barra dela. Mas eu queria aquele filho!
-Queria, mas não abriu a boca pra se defender, por medo do Jorge, e provavelmente por medo de criar essa criança sem pai. Na teoria, Marina, você como mãe solteira os dezesseis anos de idade é muito bonitinho... Cria, pra ver se você ia aguentar!
-Infeliz...
-Calma, minha filha...
-Vamos embora daqui, Mãe...
-Não. Já disse que ainda não ouvi tudo que tinha pra saber.
-O que mais você quer, Laura?
-Esse seu diagnóstico de AIDS. Procede?
Olga faz uma longa pausa, até se decidir sobre responder ou não à Laura.
-Sou soropositiva.
-Tem certeza?
-Não tenho mais dúvida disso. Foi por isso, inclusive, que Jorge e eu não tivemos mais nada. Ele simplesmente me rejeitou depois de eu ter confessado tudo.
-Quais são as chances de Jorge ter se contaminado com o vírus?
-Eu... Eu não quero mais falar disso...
-A sua vontade não vai prevalecer sobre a verdade. Eu tenho que saber!
-Antes de me encontrar com o Jorge, eu sempre tomava anticoncepcional. Mas nunca usamos preservativo.
-Era tudo que eu precisava saber. Obrigada por me dizer.
-Mãe, onde é que você vai?
-Pra casa. Eu preciso dizer uma coisa ao seu pai...

Quando voltam para o apartamento no qual moram, Laura e Marina se assustam com o estado que Jorge deixou a sala.
-O que aconteceu aqui?
-Gostou?- Jorge surge da cozinha com um copo de uísque na mão- É serviço pra você fazer. Pelo menos, assim você não enche sua cabeça de caraminholas.
-Deixa que eu te ajudo, Mãe- Marina tenta ir à cozinha pegar uma vassoura e uma pá, mas Jorge a segura.
-Sua mãe vai limpar isso tudo sozinha. Além disso, nós ainda não terminamos aquela nossa conversa.
-Terminamos, sim. Pelo menos eu já disse tudo que eu penso do senhor.
-Atrevida... Não bastou colocar sua mãe contra mim?
-Jorge, pode deixar. Eu limpo.
-Pelo que eu vejo, finalmente colocou a cabeça no lugar. Sua filhinha não conseguiu te convencer de que eu sou um mau-caráter, não foi?
-A Marina não. A Olga, sim.
-Deve ser alguém mancomunado com essa desaforada.
-Seja lá quem for, eu estou convencida de que você teve um caso com aquela mulher. Mas não se preocupe, porque eu não vou me deixar abater por isso.
-O que quer dizer, Laura?
-Amanhã, nós dois vamos fazer um exame pra saber se temos o vírus da AIDS.
-Laura, eu não vou compactuar com as desavenças que essa menina nos causou.
-Então, eu vou explicar de uma maneira bem clara, Jorge- Marília sai do quarto para escutar o que a mãe tem a dizer- Se você se recusar a fazer o teste de HIV comigo, você vai sair dessa casa!

13/07/2016

ROMANCES DE ESTAÇÃO/ CAPÍTULO 13: EU NÃO SOU SUA FLOR, EU SOU MEU JARDIM

-Intimação para depor sobre um possível estupro?- Jorge fica atordoado ao ler o documento- Que história é essa, Marina?
-Eu não sei, Pai. O que é tá dizendo aí?
-Que você tem que comparecer amanhã à delegacia para prestar esclarecimentos sobre um estupro que provavelmente você sofreu.
-Isso tem alguma coisa a ver com o Max?
-Não se mete, Marília!
-Quer dizer que você voltou a se encontrar com aquele desgraçado nas minhas costas?
-O senhor esqueceu o que é estupro? O Max pode ter me forçado a alguma coisa quando eu saía com ele, antes de eu perder meu bebê.
-Como você é dissimulada, Marina...
-Não fala assim com a nossa filha, Jorge!
-Será que você não tá vendo? Esse tal de Max não forçou nada com ela, a Marina engravidou daquele garoto porque quis!
-Garoto, não! Max já tem dezoito anos, e eu ainda tenho dezesseis. A única menor de idade nessa história sou eu!
-Deixa de ser ridícula, Marina! Você sempre foi apaixonada por ele, sabe que quando o Max completou dezoito anos, ele tava viajando. Se ele teve alguma coisa com você, foi antes disso, quando ele também era de menor- Marília a confronta, com raiva- Você é muito cara de pau mesmo. Acha que botando medo no Max, ele volta pra você, né?
-Voltaria se a gente tivesse tido alguma coisa. Pra todos os efeitos, nada aconteceu. Não foi, Pai?
-Você nem se atreva a pisar nessa delegacia.
-Acontece que ela foi intimada, Jorge. Se ela não comparecer, a polícia vai aparecer aqui e colher o depoimento da Marina lá.
-Tudo bem, Laura. Você está com a razão. Mas eu acho bom que essa garota não se atreva a dizer nada do que teve com aquele playboy. Eu vou falar só uma vez, Marina: não se atreva a jogar o nosso sobrenome na lama.
-Pode deixar, Pai. O que a polícia vai ouvir de mim é só a verdade do que me perguntar.
-Acho bom. Meça suas palavras, pra não manchar ainda mais a reputação da nossa família.

O delegado já está com Max em sua sala, sem dizer ao rapaz do que se trata sua vinda.
-Quanto tempo eu vou esperar aqui?
-Calma. Não acredito que a pessoa que eu estou esperando vá demorar tanto.
-Mas o senhor não queria conversar só comigo?
-Sim, mas não dá pra interrogar alguém acusado por um estupro sem confrontá-lo com a possível vítima, não é?
-De onde o senhor tirou uma bobagem dessa?
-Digamos que eu não fui com a sua cara e forjei uma forma de te colocar no xadrez, vai ver foi isso... A polícia não perde tempo tentando incriminar inocentes, meu jovem. Se você está aqui hoje, é porque nós recebemos uma denúncia.
-Tá, mas de quem?
-A moça acabou de chegar.
Marina entra com um olhar tímido, e seu corpo parece tremer ao sentar do lado de Max. Fica com a cabeça baixa.
-Você que é Marina Lemos Andrade, correto?
-Sou, sim, senhor- Max olha incrédulo para a garota.
-Em que situação você conheceu esse rapaz que está do seu lado, o Max Balboa?
-Doutor, eu quero deixar bem claro, antes de mais nada, que eu não sei porque me chamaram aqui, sendo que...
-Limite-se a responder o que lhe for perguntado, Marina.
-Desculpe, Doutor.
-Quando você conheceu o Max Balboa?
-A gente se conhece desde o colégio, do ano passado.
-Estudaram sempre na mesma sala?
-Só nesse ano, porque ele repetiu.
-Não tô entendendo nada... Por que chamaram a Marina? E quem é que tá me acusando de estupro?
-Max, aqui somente eu faço as perguntas. Se você não se importa, eu gostaria de continuar exercendo meu trabalho.
-Isso é um absurdo! Absurdo vocês me colocarem aqui, e eu não tenho nem ideia do que tá rolando, quem é o filho da mãe que levantou falso de mim!
-Já que você insiste tanto em saber, Max... Recebemos uma denúncia anônima.
-E por causa disso tão me incriminando? Qualquer pela-saco pode dizer isso!
-Ocorre que o pela-saco, como você mesmo diz, foi muito eficaz e trouxe provas de que você realmente abusou de uma menor de idade.
-Que menor de idade?
-Marina Lemos Andrade.
-Eu? Abusei da Marina? Que palhaçada é essa, Doutor?
-Seria mesmo uma brincadeira de mau gosto, se não fossem as evidências que foram deixadas na porta da delegacia, há alguns dias atrás.
-Que prova? Que droga de prova foi essa?
-Uma fita cassete, com um conteúdo bastante comprometedor.
-O que é que tem nela?
-Você, supostamente forçando a Marina a ter relações sexuais.
-Isso é mentira!
-Ah, você acha?- coloca a fita num pequeno rádio conectado à tomada da sala, executando seu conteúdo.
-Que é isso? Que você tá fazendo? Me larga, Max!
-Pode gritar, que ninguém vai te ouvir. Você vai saber o que é homem de verdade, Marininha. Vai saber e sentir!
-Não faz isso comigo! Por favor, para! Para, Max! Para!
Ouve-se a bofetada que o jovem deu no rosto de Marina.
-Nunca mais você vai pedir pra eu parar.
-Gostaria de ouvir o resto, Max Balboa?
-Isso é armação... A voz nem é minha, e... Alguém armou pra cima de mim!
-Além disso, há uma carta, não assinada de próprio punho, em que detalhes do que aconteceu são revelados.
-Não aconteceu nada entre a gente! Fala pra ele, Marina!
Marina permanece em silêncio, chorando muito, sem coragem de encarar o rosto furioso de Max.
-Quer que eu leia o que foi escrito sobre vocês dois?
-Para de chorar e reage! Diz a verdade, Marina, que a gente não teve nada!
-Se eu estou redigindo essa carta, é para que todos saibam que só existe uma vítima nessa história toda. Marina Lemos Andrade, dezesseis anos, é uma jovem cheia de anseios, mas nenhum deles é maior do que conseguir um pouco da atenção de Max Balboa, o colega de sala que tem o estranho dom de atrair olhares por onde passa. Para ele, levá-la para a cama era uma tarefa simples: bastava fingir que havia algum interesse recíproco. O sonho de ouvir um só "eu te amo" foi substituído pela brutalidade de um homem que está acostumado a tratar todas com a força. Na tarde de trinta de agosto de mil novecentos e oitenta e oito, o prédio onde o rapaz mora estava praticamente vazio, mas eu ouvi os gritos de socorro de Marina. Provavelmente, a família nunca desconfiou dessa paixão que ela mesma refreava. Não vou deixar que ela sofra em silêncio, nem mesmo que cogite a possibilidade de querer Max, apesar de tudo. Não é porque o amor que ela sente por Max é maior do que tudo que ela merece passar por esse trauma. Em anexo, há uma fita que prova que nada do que aconteceu entre eles foi consensual. E como pode atestar pela data, Max teve relações sexuais com Marina poucos dias depois de atingir a maioridade, uma vez que sua data de nascimento é vinte e dois de agosto de mil novecentos e setenta, enquanto a de Marina é dois de setembro de mil novecentos e setenta e um. Peço a compreensão dos que leem essa carta, pedindo que as medidas judicialmente cabíveis sejam tomadas o quanto antes.
-Isso é coisa sua, não é, Marina?
-Não acredito... Você fez de mim o que quis e acha que a culpa disso tudo é minha?
-Filha da mãe, eu vou acabar com tua raça!- Max tenta agredir a garota com um soco, mas é contido pelo policial.
-Para com isso, Max! Se contenha!
-Essa desgraçada me atraiu! É culpa dela!Tudo isso é armação!
-Tira ele daqui! Me deixa a sós com a menina!- o delegado ordena para dois guardas que estão na porta da sala!
-Você me paga, Marina! Isso não vai ficar assim! Piranha!
A jovem rebate com mais lágrimas derramadas, comovendo o delegado, que traz um copo com água.

Marina volta para casa com o pai, e Laura e Marília estão curiosas sobre o teor do depoimento que ela deu.
-O que houve lá, Marina?
-Veio o caminho todo calada, Laura. Mas agora, ela vai ter que dizer o que falou pro delegado.
-Por quê te chamaram, filha?
-Max foi acusado de estupro. Alguém escreveu uma carta anônima e disse que ele... Que ele abusou de mim.
-Que horror, minha filha...
-E você, obviamente, negou tudo?
-Não, Pai... Eu denunciei o Max.
-O quê?

Já em casa, Breno ouve seu único filho reclamar do que Marina alegou sobre ele na delegacia.
-Aquela vaca mentiu pra polícia, disse que eu tinha abusado dela! Na minha frente, na maior cara de pau! Ah, mas ela vai me pagar, Pai! Eu juro! Eu posso ir até preso, mas não vou deixar aquela vagabunda sem a lição dela!
-O que você precisa fazer é agir com a cabeça fria, Max! Qualquer coisa que você fizer vai ser prejudicial nesse momento!
-Mais? Pai, eu não posso ficar pior do que ela me deixou! Tem noção do que ela fez comigo? Eu posso ir pra cadeia!
-Quanto a isso, não se preocupe. Eu vou conseguir o melhor advogado pra você, essa acusação não pode ficar impune.
-Melhor não demorar tanto, Pai! Porque do jeito que eu tô explodindo de raiva, não vai me custar nada dar um corretivo na desgraçada da Marina!
-Já disse que não é pra agir por conta própria. Você é o suspeito desse abuso sexual, e se vingar dessa moça seria como assinar um atestado de culpa.
-A imbecil armou tudo direitinho... Não, ela não é imbecil! Imbecil sou eu, que acreditei que ela continuava a fim de mim!
-Continuava? Que fundo de verdade essa história toda tem, Max? Até onde você chegou com essa moça que está te acusando? Às vias de fato?
-É o quê?
-Se eu bem conheço seu comportamento, você deve ter jogado uma boa lábia pra ela, e não se contentou em ficar apenas no flerte...
-O que o senhor que eu diga? Que eu atraí a Marina pra cama sem ela perceber? A gente foi e ela quis, muitas vezes. Mas isso que ela disse pra polícia é mentira! Pra mim, ela quer vingança!
-Vingança por causa de quê, Max? Você não consegue se firmar com nenhuma moça, e logo essa, segundo a sua concepção, armou um circo envolvendo a justiça pra se vingar de você? Pode dizer que detalhe dessa relação estranha entre vocês está me escondendo!
-Marina é aquela... Aquela moça que foi atrás de mim no aeroporto, no dia que eu viajei com o senhor.
-Imaginava isso mesmo. E?
-Naquele dia, ela me disse que tava grávida.
-Só pra isso, ela quer te ver pelas costas? O que você disse ou fez pra ela tomar essa atitude, chegando ao ponto de receber uma intimação pra depor?
-Disse pra ela tirar o bebê.
-Impressionante... Quando eu penso que você vai ser capaz de se regenerar das besteiras que faz, me surpreende e comete mais uma burrada! Abortar, Max?
-Nem me olha com essa cara me condenando, não, Pai. O tanto de menina que faz isso, só a Marina é intocável? E depois, quem é que me garante que ela tava grávida mesmo?
-Quem me garante é você. Sempre fugindo da sua responsabilidade, condenando todo mundo que está à sua volta... Como é fácil de dizer que essa garota tem toda a culpa por ter se envolvido com você. Afinal, a culpa é sempre delas, né? Nunca é sua!
-Que é isso? Virou defensor de mulher agora?Aquela maluca tá quase me colocando na cadeia e o senhor bancando o feminista? Tua obrigação é me defender!
-Pra mim, a obrigação é de te abrir os olhos toda vez que você fez alguma besteira! Agora você foi longe demais, porque além de ter envolvido uma inocente nessa história toda...
-Pai, chega! Para com isso? Inocente é tudo que ela não é. Ainda mais agora, que conseguiu me prejudicar!
-E se eu... – Breno se afasta do filho, sentindo-se um pouco afobado e afrouxando o nó de sua gravata- Se eu fosse falar com essa menina, ou pelo menos com os pais dela, pra tentar convencê-la a retirar a queixa? A desmentir tudo que as provas, que você diz terem sido forjadas por ela, falam do que aconteceu entre vocês?
-Jogar...
-O que foi que você disse?
-Marina gosta de jogar, e tá fazendo isso comigo...
-Isso quer dizer o quê, Max?
-Que ela não vai parar. Se ela conseguiu fingir que tava tudo bem, só pra me dar essa rasteira, quer dizer que ela não vai parar.
-E segundo você, o objetivo dela é...
-Das duas uma: ou eu fico com ela, ou ela acaba comigo.
-Seja como for, eu não vou esperar ela tomar uma nova atitude. Vou interceder por você, e o quanto antes.

-Isso mesmo que o senhor escutou, Pai. Eu disse pra polícia que o Max abusou de mim.
-Será que você tem a mínima noção da exposição que esse seu plano pode trazer à nossa família, sua irresponsável?
-Peraí, Marina, você tá acusando o Max de quê? De fazer aquilo que nenhum garoto quis fazer contigo?
-Nossa, falou a expert em sexo agora: Marília Lemos Andrade!
-Para de provocar a sua irmã, inconsequente!
-E você para de me recriminar! A culpa do que aconteceu comigo é tanto sua quanto dele!
Jorge ri.
-Não vai dar em nada, Marina. Se você fizer um exame de corpo de delito, vão descobrir que você não foi forçada a nada, muito menos por ele.
-Minha filha, você tinha contado que se envolveu com o tal de Max, mas nunca...
-O que importa não é o que rolou com o Max antes, Mãe, mas sim o que eu disse no depoimento. Mesmo sendo uma mentira!
-Acontece que isso é crime, filha!
-Crime esse que, quando for descoberto, vai vir à tona pra todo mundo. Ou você acha que ninguém vai te obrigar a fazer um exame de corpo de delito? Vão descobrir que você já teve uma gestação interrompida!
-Ótimo. Tomara mesmo que descubram, Pai. Assim, eu me jogo num buraco, e arrasto todo mundo comigo.
-Isso se o filho que ela esperou era mesmo do Max, né...
-Sabe qual é o seu problema, Marília? É que você não se conforma de ver as pessoas sendo tão diferentes de você. Mas também, né, quem é que vai se orgulhar de ser tão rodada, de ter passado na mão de todo mundo da escola?
-Essa é sua tática? Fazer nós todos ficarmos contra a sua irmã e se esquecer da besteira que você fez? Como você joga baixo, garota!
-Pai, você tá pensando o quê? Que me ofendendo, eu vou mudar de ideia?
-Mas vai! Vai! Eu vou te levar pra delegacia agora e você vai retirar esse maldito depoimento!
-Nem morta!
-Quem sabe a Marília tem razão? O Max foi o caso que nós descobrimos, mas pode ser que tenham vindo outros depois. Quem vai saber se ele foi mesmo o único da sua vida, se foi ele mesmo que te engravidou? Porque ser tão desprezível desse jeito é típico de quem não tem o menor pingo de vergonha na cara! Vamos pra delegacia agora!- agarra o braço de Marina.
-Jorge, solta a nossa filha! Calma!
-Vergonha na cara eu conheço bem. Já aquela tua amante, que de tanto fazer a festa na cama de não sei quantos homens, pegou AIDS, né, Pai?
-Amante? Do que ela está falando, Jorge?

-Conta pra ela, Pai. Conta que a médica que tirou o meu filho também é tua mulher! Ou você quer que eu dê os detalhes pra ela?